Falso amor

46 Capítulo 46



Maria respirou fundo quando Heitor estacionou o carro na frente da mansão San Roman. Ele a olhou de lado vendo como ela olhava pela janela e disse.

—Heitor: Quer que eu a leve embora, mãe?

Maria deu um sorriso fraco. Embora não fosse a primeira vez que voltava pisar na casa que via, sempre pareceria ser. Os bombardeios de emoções sempre ia golpeá-la e sempre sem dó. Havia vivido 5 anos de momentos felizes ao lado de Estevão por trás daquelas paredes.

Que então assim. Se livrando do cinto, ela disse.

—Maria: Não claro, que não, filho. Já estamos aqui. Além do mais, tinha razão. Te devo esse jantar depois de ter aceitado meu convite.

Heitor também retirou o cinto e a respondeu.

—Heitor: Certo. Meu pai também te espera talvez mais ansioso do que eu, por isso era preferível que viesse.

Maria só moveu a cabeça com um curto sorriso e ela e Heitor saíram do carro. Foi então que Maria sentiu o choque da realidade batia nela aquele momento. Esperava mais um filho de Estevão e guardava isso, estava decidida não contá-lo, mas agora estaria diante dele. E teria que ser forte para sustentar seu segredo até decidir o que fazer, ou até poder guarda-lo. Caminhando, ela tocou discretamente na barriga. O que ela e Estevão haviam feito havia sido uma loucura. Já tinham 2 filhos que ainda sofriam das consequências de seus passado e agora via mais um. Ela sacudiu a cabeça, não poderia errar com aquele filho, não poderia dar a ele ressentimentos em relação aos pais, como Estrela e Heitor tinham.

Heitor abriu a porta e a casa iluminada a recebeu em silêncio. Se tinha uma coisa que com toda certeza que havia mudado ali, era aquele constante silêncio quando ela sempre entrava ali. Uma casa que antes havia sido o lar da família que ela sempre sonhou ter com o homem que amava, agora era frio.


Alba então apareceu. Vinha da cozinha por saber que naquela noite teriam uma convidada para o jantar.

Ela deu um sorriso falso assim que viu Maria, que se tornava mais presente em todo lugar como já também estava nas empresas San Roman e tão perigosamente perto da verdade.

—Alba: Boa noite, Maria...

Ela uniu as mãos uma na outra nervosamente, Maria ergueu a cabeça e Heitor observou como sua tia trataria novamente sua mãe na casa que também era dele.

Que calada, Maria ouviu ele dizer.

—Heitor: Será que posso subir para tomar um banho antes do jantar e deixa-las sozinhas, até minha volta? Tia?

Maria e Alba depois de trocarem olhares silenciosos, olharam juntos para Heitor. E Maria respondeu na frente.

—Maria: Claro que pode, querido. Além do mais não é como se fosse a primeira vez que estive nessa casa e não será a última.

Heitor sorriu e então disse.

—Heitor: Ótimo mãe, sinta-se como se essa casa fosse outra vez sua.

Maria deu um sorriso de lábios fechados, Alba também dava um riso amarelo, até que ambas viram ele subir as escadas e então, Maria andou, mas a dentro da sala com sofás, segurando sua bolsa em dos braços e disse.

—Maria: Já pode parar de sorrir Alba, sei que está odiando me ver mais uma vez nessa casa.

Ela caminhou com seus saltos no chão e tirou seu echarpes que tinha sobre os ombros deixando sobre o sofá junto a sua bolsa e foi sentando. Alba então tocou atrás do mesmo sofá que Maria sentou e disse.

—Alba: Está cada dia ganhando terreno, primeiro com Heitor, a empresa e agora Estevão que está insistindo que pode ter acontecido algo mais do que a verdade que foi exposta para e todos nós, em quem era a mulher que ele havia se casado.

Maria torceu os lábios e suspirou tentando não perder o equilíbrio que guardava todo para quando voltasse ter Estevão em sua frente. Que então assim, ela disse sem olhá-la.

—Maria: Sei que como todos, sabe que sou inocente Alba. Que fui vitima de uma armação para extorquir todo dinheiro de Estevão. Dinheiro. Ele foi o maior motivo de tudo que me aconteceu.

Alba passou a frente dela rapidamente e disse querendo gritar.

—Alba: Talvez possa ser inocente, mas não tem prova nenhuma do que diz, Maria.

Maria ficou de pé em um salto e a encarando e disse em um tom firme de voz.

—Maria: Não tenho. Mas conseguirei. E então desmascararei todos que estão envolvidos no que me fizeram e no crime que acontece há 15 anos nas empresas San Roman. Porque está claro que é isso que fazem! E todos. Todos vão pagar na lei pelo que estão fazendo!

Alba arregalou os olhos e pegou em um braço de Maria. Temeu aquele brilho no olhar dela. Temeu não poder sair enquanto era tempo do que havia se tornado cumplice com seu silêncio que então ela disse, entre dentes.

—Alba: Não vê que pode morrer se seguir no que quer? Foi isso que quase te aconteceu! Então não seja louca e se afaste de tudo isso!

Agora foi Maria que arregalou os olhos ao ouvir Alba e mirá-la bem nos olhos que pareciam espantados, temorosos. Alba trazia a ela a confirmação de suas suspeitas.

Que então quando ia dizer algo, ela ouviu um pigarro e uma voz grossa que ela muito bem conhecia.

—X: O que está acontecendo aqui?

As duas olharam Estevão ao mesmo tempo. Maria puxou seu braço e Alba tratou de se recompor. Estevão estava parado no meio da sala, vestia uma roupa cômoda, mas não deixava de aparentar que era um doente que se recuperava. Ele então buscou os olhos de Maria que por um momento se prendeu nos deles, até que ela desviou os olhos e ele voltou a dizer.


—Estevão: Não vão responder? Tia, por que pegava Maria, como vi?

Maria deu de ombros e disse.

—Maria : Oras, Estevão. É claro que ela não vai falar.

Alba então respondeu.

—Alba: Eu e ela só conversava, ou tentávamos, já que com Maria não existe diálogo algum.


Estevão olhou sério e viu Alba deixar a sala, deixando assim ele sozinho com Maria. Ele a olhou de cima a baixo, perfeita, linda como sempre era e suspirou. Sentia saudades dela, falta de sua presença, necessidade de toca-la, amá-la, necessidade de pedir perdão a ela mas também de conferir a tocando, de como ela estava. Lembrava do que Luciano havia dito do acidente, que depois mandou mensagens, ligou para ela mas não teve nenhuma resposta apenas a ansiedade de confirmar que ela estava bem e às desconfiança levantada por Luciano. Maria de fato corria perigo? Que para comprovar, ele havia decidido contratar um detetive. Buscaria ele a verdade que parecia agora estar cheia de mistérios que deveriam ser esclarecido .

Que então assim, depois do silêncio que se fincou entre eles, ele se atreveu dizer.


—Estevão: Estive tão preocupado com você Maria. Mas não me respondia, não me atendia tampouco. Na verdade, toda semana que passei no hospital, me evitou. Mas agora está aqui e temos tanto o que conversar.

Ele se aproximou mais, estendendo o braço pra tocá-la, mas Maria recuou antes mesmo que a mão dele chegasse tocá-la. Sabia de qual preocupação que ele falava, era por seu acidente que de fato, ele tinha tentado entrar em contato com ela e ela negado todos. Que ali na frente dela, agora ela tremia toda afetada por ele. Afetada por aquele amor que ainda vivia dentro dela, afetada ainda pela última conversa que tiveram, mas mais ainda, estava afetada com a gravidez que levava.


Que assim ela disse.

—Maria: Podemos conversar sem que precise me tocar, Estevão.

Ela o olhou com um olhar duro mas brilhando em lágrimas contidas e Estevão suspirou fechando a mão. Sabia que o caminho que ele estava indo, seria como pisar em cacos de vidros com pés descalço, ele iria abrir feridas e talvez fazer outras como sabia que já estava fazendo e não podia voltar atrás apenas propor uma solução cabível mas irracional como antes de tudo aquilo acontecer ele já tramava. Estrela logo estaria naquela casa e se Maria não baixasse a guarda como notava que ela estava toda alerta, a filha deles chegaria ali sem ela. Que então ele disse.

—Estevão: Vamos até a outra sala, ela tem porta e poderemos conversar até que o jantar seja servido.

Maria fixou o olhar nele. Não havia gostado de pensar que estaria de novo em um lugar com tranca com ele, não queria. Estava grávida porque não soube resistir seus impulsos em todo momento que a privacidade com ele havia sido demais. Que por isso ela disse logo.


—Maria: Não! Conversemos aqui se quiser Estevão. Só aqui!

Ela o olhou brava e ofegando.

Estevão por um momento a olhou curioso, até que entendeu o que ela parecia temer e disse.

—Estevão: Maria, tenho menos de 15 dias que operei meu coração, querida, eu não estou inteiro ainda para fazer o que parece temer, mas ainda não, hum. Primeiro temos pendências sérias que são elas que gostaria que conversássemos.

Maria empinou o nariz e então pensando no que ele também poderia falar, disse irritada.

—Maria : O que quer falar, da sua nova jogada em tentar tirar minha filha de mim outra vez? E tudo depois de falar que me amava? É assim, que diz me amar? Tirando mais um filho de mim?


Estevão ficou vermelho e logo disse rápido.

—Estevão: Pedi mais essa audiência ao juiz cego de raiva, raiva e ciúmes, Maria. Luciano estava contigo e eu me deixei levar! Mas quero falar sobre isso com calma, precisa me escutar, querida!


Maria bufou e disse.


—Maria :, Pare de me chamar de querida e não quero te ouvir. Sabe o que faz, me fere, quer me ferir novamente, é isso que quer, Estevão!


Estevão passou o limite posto por ela entre eles e a tocou nos braços dizendo.


—Estevão: Não. Não Maria, eu estive errado, e acredito cada dia mais que estive todos esses anos! E por isso quero concertar, me deixe concertar, por favor Maria. Porque, sim, eu te amo, ainda te amo e estou convencido que vou te amar a vida toda.


Maria ficou calada diante das palavras de Estevão e suas mãos nela. Enquanto ainda sem os dois notar, Heitor tinha chegado e escutado todas as palavras de Estevão. Já suspeitava do que acabava de ouvir, que assim ele só tinha a confirmação. Que então ele sorriu, esperava encontrá-los como sempre em mais uma briga, mas em troca aquele momento tinha sentido uma esperança.

Que então ele disse.


—Heitor: É muito bom ver que dessa vez não os peguei brigando.

Estevão se afastou de Maria apenas para mirar o filho enquanto se perguntava se ele tinha escutado a conversa. Que se sim, estava disposto repetir o acabava de falar, estava disposto a repetir para quem quisesse ouvir, que ele amava Maria.


Maria então saiu de perto de Estevão andando até o filho e disse.

—Maria: Seu pai e eu estávamos tendo a conversa que ele pediu a você, pois bem tivemos e depois do jantar peço que me leve, por favor filho.


—Heitor: Claro mãe. Então vamos, tia Alba disse que o jantar já vai ser servido.

Na sala de jantar, a mesa grande estava servida com mais de um prato. Com eles 4 presente.


Uma jovem empregada, encheu mais a taça de vinho de Alba, que depois que bebericou ele, ela disse mirando a taça de Maria ainda como estava cheia desde do início do jantar.

—Alba: Não gostou do vinho, Maria? Foi do melhor que temos essa noite.

Ela virou mais sua taça se calando e Estevão observou notando o que Alba havia evidenciado. Ele sabia muito bem que Maria não havia se negado nunca a oportunidade de desfrutar de um bom vinho, pelo menos quando eles ainda eram casados era o que ele podia de lembrar.


Que então ele ouviu ela responder.

—Maria: O tirei de minha dieta, Alba. E não quis fazer desfeita quando me foi servido, apenas isso.

Ela cortou a carne que tinha em seu prato com a faca e garfo e Estevão também tentou se perguntar quando Maria havia se tornado a mulher das dietas e regimes. Que tiravam o que gostava de comer e beber.

Que então ele disse, tomando de sua água não muito contente, por ser só ele na mesa que não podia ter o gosto de beber qualquer bebida alcoólica.

—Estevão: Enquanto tira o vinho porque quer, Maria, me tiraram qualquer bebida dentro dessa casa.

Heitor balançou a cabeça e disse.

—Heitor: Vai seguir tomando remédios enquanto se recupera papai, não pode beber.

Estevão bufou e Alba acrescentou, por ter sido ela e Heitor que tinha tirado todas as bebidas alcoólicas da casa.


—Alba: Fizemos isso, porque eu sim e seu filho nos importamos contigo, Estevão.

Maria entendeu que estava sendo cutucada e resolveu dizer, mudando de assunto.


—Maria: Pedi para que o diretor financeiro da empresa San Román me entregue os balancetes dos últimos anos e os primeiros que eu não estive na empresa, Estevão. Não tive a oportunidade de falar quando ficamos a sós na sala.

Estevão por já saber daquilo e ter Bruno enfezado o contando, disse.

—Estevão: Bruno me disse e disse também que rasgou o documento que assinei para que ele decidisse coisas em minha ausência.

Maria revirou os olhos e Alba os arregalou com o que acabava de ouvir primeiro de Maria agora de Estevão que então ela disse.


—Alba: Deixou que Maria fizesse isso com Bruno, Estevão?

Estevão limpou a boca com um guardanapo e depois a respondeu.

—Estevão: As ações que Maria tem em posse, dá o direito a ela de ter feito o que fez tia e pronto.


Alba encarou Maria e falou quase debaixo dos cotovelos.

—Alba: Quero ver até onde vai esses direitos. Que quando vê, ela terá te roubado outra vez e dessa vez com êxito.


Falando grosso, Heitor disse intervindo.


—Heitor: Por favor tia, fui muito bem tratado quando estive mais de uma vez no apartamento de minha mãe então quero que ela aqui seja a mesma coisa. Então por favor, não tente ofendê-la em minha frente!


Maria apertou a mão dele por ele estar do lado dela, e disse.


—Maria: Não se preocupe, querido. Eu não preciso de um centavo do seu pai e todos sabem aqui, que se eu não precisava antes muito menos agora.

Ela sorriu sabendo que da herança que havia recebido de Evandro muitos gostariam de ser o contemplado, principalmente Alba.


O jantar terminou, Maria esperava Heitor descer com a chave do carro para irem.

Mas Estevão chegou, sabia que ela não deixaria ele falar o que era mais importante no momento, que por isso só ver ela na sala olhando um quadro na parede e de costa para ele, ele disse, trazendo de imediato a atenção dela.


—Estevão: Comprei o juiz que vai estar de frente na próxima audiência, Maria referente a nossa filha. Sinto muito, mas fiz isso e já não tem volta atrás. Me perdoe.


Maria virou rápido para ele fazendo seus cabelos jogarem em um lado do ombro dela e disse, com um tom incrédulo.


—Maria: O que você fez, Estevão?


Estevão passou a mão na cabeça e depois repetiu.

—Estevão: Como tentei dizer antes do jantar. Eu, eu, fiz fora de mim, Maria eu…


Maria deu um salto já sentindo lágrimas nervosas querendo descer dos seus olhos e disse alto.


—Maria : Como foi capaz, Estevão? Como foi capaz de ter chegado tão baixo mais uma vez, só para me prejudicar!

Estevão nervoso a respondeu.

—Estevão: Mesmo, mesmo que não acredite eu não fiz com esse intuito. Eu, eu Maria sigo te amando já disse e te queria de volta a minha vida por bem ou por mal eu sei que esse pensamento me deixa mais uma vez como o vilão aqui. Mas fiz mais por desespero, eu, eu necessitava tê-la e não só você mas também nossa filha, aquela menina que não me quer como pai mas ainda assim sou pai dela! Sou o pai de Estrela e a quero aqui, onde devia ter sido sempre o lugar dela, dela e o seu!

Maria torceu os lábios de lado. Estevão tinha trilhado mais uma vez a regra daquele jogo, sempre querendo que tudo fosse do jeito dele. Tinha jogado mais um vez a favor dele e tudo por obsessão. Sim era àquilo. Ela só pensava que não era amor o que Estevão sentia, estava obcecado por ela.


Que então assim ela disse.


—Maria: Já sei o que sente. E não é amor, nunca foi! Ainda não suporta a ideia de ter me perdido, Estevão. E por isso me quer de volta, aqui nesse maldito lugar e não pensa que dessa vez iria magoar nossa filha!!! Meu Deus, eu não entendo como pude te amar!


Ele a segurou nos braços agora quase chorando. Sentindo o mesmo temor que sentiu quando a teve no hospital. Tinha uma chance em um milhão para conseguir o perdão dela e reconquista-la. As lágrimas que desciam nos olhos de Maria dizia que mais uma vez ele a feria. Ele errava.


Que então assim ele disse de voz embargada.

—Estevão: Me perdoe, querida. Me perdoe. Eu sei que errei e sigo errando. Mas me dê uma chance pra concertar as coisas.


Ele buscou os olhos dela e ela olhando querendo se soltar dele, disse entre lágrimas.

—Maria: Eu vou perder minha filha para um juiz corrupto que você comprou, Estevão. Não tem perdão nem concerto pelo que me está fazendo mais uma vez!


Estevão se desesperou mais.

—Estevão: Não vai! Eu vou confessar o que fiz. Claro que abrirão um processo que pode demorar, mas enquanto isso não precisará ficar separada de nossa filha.

Ele alisou ela nos braços querendo acalma-la e ela sentindo como que aquele toque dele tivesse espinhos. Que puxando os braços, ela disse.

—Maria: Mais minha do que sua! E claro que eu vou denunciar esse juiz corrupto, você e Demétrio. Porque é claro que sem ele você não teria conseguido!

Estevão passou a mão na cabeça. Tinha errado e assumiria às consequências de seus atos, mas sozinho. Que por isso ele disse

—Estevão: Se denuncia Demétrio, afundaria a carreira dele. Podemos lidar você e eu e o juiz. Que está claro que ser ele pôde ser comprado dessa vez, houve outras! Mas antes podemos chegar a um acordo, Maria. O mesmo acordo que antes de tudo isso te propus!


Maria riu e disse histérica por saber do que ele iria falar.


—Maria: Eu não vou vim morar aqui como quer e também não terá minha filha!


Depois de falar, ela levou a mão na testa sentindo zonzeira, nesse meio tempo Heitor descia a escada apressado por ouvir os dois daquela vez discutindo e os pegando de frente para o outro mais uma vez duelando.

Maria sentou no sofá sentindo as pernas bambas e Estevão preocupado se agachou a frente dela dizendo.

—Estevão: Maria? Maria, o que sente? Está bem?


Maria arregalou os olhos querendo que sua visão que borrava voltasse ao normal.

Que assim ela disse tocando no peito de Estevão.

—Maria: Sai, sai, da minha frente. Não quero te ver, não quero te ouvir, Estevão.


Segundos depois ela desmaiou deixando Estevão ainda mais preocupado junto com Heitor.


Passou 40 minutos.

Maria estava na sala de Estevão com portas fechadas e um médico que ele chamou, acompanhava ela.

Quando tornou quase 10 minutos depois do desmaio o que ela mais quis era ir embora de onde estava, mais havia percebido que sua insistência de não precisar que um médico fosse até a mansão causaria suspeita do que ela guardava em segredo, já que mais que sua insistência em não querer ser examinada, tinha a de Heitor e Estevão em chamar um médico para que ela fosse.

Que assim na sala, ambos inquietos a espera dela, Estevão disse, vermelho de preocupação e nervoso como Heitor o olhava todo o tempo.

—Estevão: Não me olhe assim, Heitor. Já disse que não fiz nada.

Heitor bufou sabendo que o pai não havia desistido de querer tirar a irmã dele de Maria e disse.

—Heitor: Vi que discutiam. Me pediu para trazê-la, pai! Me prometeu que não iam discutir e por seu bem também!

Estevão respirou fundo e depois tentou se defender.

—Estevão: Eu quero começar concertar muitas coisas que fiz, e eu estava fazendo exatamente isso quando Maria passou mal, filho. Acredite mim.

Heitor fez um gesto negativo com a cabeça e se sentando em um dos sofás da sala, disse.

—Heitor : Não sei pai. Não sei! Por que sempre está fazendo mal a ela? Sei que segue querendo tirar minha irmã dela. E essa noite eu escutei o senhor dizer que s ama. Eu não entendo mais nada o que passa entre vocês.

Heitor passou a mão na cabeça e Estevão andou para ficar de frente a ele, e confessar.

—Estevão: E eu a amo. E não vou mais reprimir essa verdade, Heitor. Ainda amo sua mãe e tentarei conquistar o perdão dela e até seu amor.

Estevão sentou também. Heitor desacreditou da última palavra que ouviu do pai. Era difícil acreditar que ele teria aquele amor. Que por isso ele tentou dizer em um tom de pesar.

—Heitor: Pai...


Heitor não disse mais nada quando ouviu a porta da sala abrir, ele se virou e Estevão mirou o médico, com ambos ficando de pé.


Que então ele disse.


—Médico: Ela quer falar contigo rapaz.


O senhor médico depois de olhar Heitor ao ter falado, olhou Estevão que mirou o sério.

Heitor então entrou na sala e Estevão disse, assim que ficou a sós com o médico.


—Estevão: É o médico de minha família há anos e conheço essa sua cara de que está guardando algum diagnóstico, doutor. Então diga. Esse desmaio, da mãe de meu filho, tem algo grave por trás dele? Hum?


Dentro da sala, Maria respirou aliviada quando Heitor disse que a levaria embora como ela queria.


Tinha recebido perguntas do doutor que ela se negou responder elas de cara, o que fez o doutor entender o que ela tinha e ela rapidamente exigir a ele que por lei, a ela como paciente naquela sala tinha direito á ética profissional dele quando ela disse que estava grávida mas não queria que os presentes ali soubessem.

Mais tarde.

Maria chegava em casa.

Ela se encostou na porta, fechou os olhos e suspirou. Não se sentia ainda bem, estava enjoada e ainda enfurecida pela confissão de Estevão. Ele tinha usado outra vez o dinheiro dele contra ela. E o mais irônico era que ela também podendo usar o dela ao seu favor não tinha feito. A verdade era que era honesta demais para chegar tão baixo.


Ela levou a mão na boca sentindo que o jantar que tinha jantado ao lado de Estevão e filho não caia bem. Mas não era isso, e sim sua gravidez que a fez então correr para o quarto antes que soltasse o que segurava ali mesmo.


15 minutos depois que saiu do quarto com a cara verde se sentindo ainda enjoada, ela tombou com Marta que iria ficar para dormir.


A senhora vestida de pijama sorriu para Maria.


—Marta: Ouvi que chegou mas não a vi.


Maria então deu um curto sorriso e disse.


—Maria: Sim. Desculpe não ter avisado antes, Marta. Estrela dormiu?


Maria pensou que aquele jantar tinha demorado mais que o previsto e descumprido assim o que tinha dito a sua menina que voltaria cedo. Enquanto a senhora, assentiu em resposta da pergunta dela e depois de analisar seu rosto, ela disse.


—Marta: Sim. Mas não me parece bem, senhora Maria. Quer que te faça um chá?

Maria assentiu na hora, dizendo.


—Maria: Me faria um imenso favor mas se também me acompanhar, Marta.


As duas sorriram e foram até a cozinha.


Maria sentou na cadeira do balcão e olhou seu celular tocando.

O número era residencial, vinha da mansão San Román e ela sabia que não era Heitor por já ter respondido ele em uma mensagem. Era Estevão e ela não seria capaz de ouvir ele nem queria vê-lo mais em sua vida. O que soaria como uma piada seus últimos pensamentos. Não tinha como tirar Estevão de sua vida. Estava presa a ele e ainda teria mais um elo que os ligariam pra vida toda.


Ela soprou o chá de camomila e bebeu um gole e depois olhou para Marta. A senhora poderia ser sua mãe. Uma que Maria já não tinha e gostaria tanto de ouvir alguns conselhos vindo de uma mulher que ela chamasse de mãe, ou qualquer outra que pudesse pensar melhor que ela naquele momento que ela passava, que enquanto desabafasse não ouvisse julgamentos e sim conselhos de alguém que tinha alguns anos a mais que ela. Mas não podia fazer de Marta seus ouvidos. Não, mas seu silêncio podia acalmá-la junto com aquele chá muito bem vindo. Em troca ela sabia em que procurar pra conversar sobre o que sentia.

Estevão ao lado de sua cama a uma da manhã, virou seu copo com água depois de beber seu remédio. Ele suspirou pensativo. Daria tudo para que aquela água fosse uma boa dose de bebida alcoólica. Estava preocupado com Maria, o médico havia deixado ele desconfiado com todo seu mistério em esconder o que Maria de fato poderia ter. Claro que ele não era tonto em pensar que só uma visita e sem exames, o médico daria um diagnóstico dela, mas poderia ter suspeitas do que ocasionou aquele desmaio. Recordava que não era a primeira vez que ela desmaiava debaixo daquele teto e temeu na hipótese que Maria estivesse doente aquele tempo todo e não queria dizer.

Ele guardou o copo ao lado no móvel querendo espantar seus pensamentos. Não podia ser tão negativo ainda que se encontrava em uma situação que nada parecia favorece-lo.

E ele passou a mão no rosto e disse.


—Estevão: Tudo parece está contra nós Maria, mas não vou desistir. Dessa vez vou até o final, usarei até meu último recurso ao nosso favor.


Ele apagou o abajur ao lado dele e se deitou abaixo das cobertas, que pela graça dos remédios que tomava logo dormiu.


Enquanto Maria rolou de um lado ao outro na cama até conseguir dormir.


Ao amanhecer. Estrela estava na aula. E Maria com Luciano visitando ela em casa. Havia contado o que Estevão tinha sido capaz de fazer, que por isso Luciano dizia.

—Luciano: Eu disse para não confiar nesse homem Maria! Tem que lembrar de tudo que ele foi capaz de fazer a você. Parece que esqueceu!!


Maria passou a mão no cabelo e disse.


—Maria : Eu não me esqueci Luciano! E amanhã mesmo abrirei uma denuncia no fórum para investigar o juiz que ele comprou!

Luciano suspirou não muito convencido que Maria teria êxito no que pensava fazer e disse.

—Luciano: Sabe que será sua palavra contra a de um juiz renomado Maria. Qualquer passo em falso te darão como uma descontrolada capaz de caluniar um juiz pra prejudicar o pai que pede a guarda dela!

Maria bufou virando o rosto e cruzando os braços. Sempre dariam aquele rótulos as mulheres que falam alto ao brigar por seus direitos em qualquer ocasião. Que por isso ela disse, frustrada.

—Maria: Claro, porque é sempre nós mulheres que saímos como loucas, mas que na verdade somos sempre as vítimas!


Ela sentou no sofá levando a mão no rosto e Luciano disse, se agachando em frente dela.


—Luciano: Vamos voltar pra Londres Maria. Volte comigo amanhã.


Maria o olhou calada e ele seguiu.


—Luciano: Já confessou que ainda ama Estevão e quando ele descobrir te terá nas mãos dele mais do que já tem te chantageando em relação a Estrela. Porque é isso que ele faz. Ele planejou tudo isso.


Maria depois que o ouviu suspirou e disse decidida, ainda que parte do que Luciano dizia para ela, fazia mais que sentido e ela sabia.


—Maria: Eu não posso deixar meu filho outra vez, Luciano. Não posso me acovardar outra vez, não posso!

Luciano ficou de pé e a respondeu frustrado.

—Luciano: Então vai deixar ele te tirar Estrela também! Porque é isso que vai acontecer, Maria. Até que provem que ele comprou a decisão do juiz, Estrela já estará naquela casa !


Maria se levantou histérica e disse.


—Maria: Não. Não, eu não vou permitir que isso aconteça! Antes que ele me tire ela também, eu faço uma loucura, Luciano, eu juro que faço!


O dia passou e muito cedo, no dia seguinte Luciano partiu sozinho de volta pra Londres.

Maria que o acompanhou até o aeroporto, com um carro novo depois de ter garantido outro com seguro, dirigia em direção ao que devia fazer com mais urgência.


Alguns dias depois passaram e era um cair de tarde, que Maria chegava ofegante, onde Estrela tinha uma apresentação de ginástica.


Havia esquecido daquele compromisso e sabia que seu atraso era mais que uma hora.


Em um ginásio de jogos de basquete e futebol, estava montado nele tudo que os atletas como Estrela iriam usar em suas apresentações.


Pais e conhecidos dos alunos que representavam 4 escolas estavam sendo a plateia para os atletas que tinham dos 10 anos de idade aos 17.

Maria se enfiou em uma fileira pedindo licença ao passar na arquibancada. Tinha que ver um lugar para sentar e ficar .


E foi quando viu um rosto conhecido em pé ao lado de uma fileira. Um homem todo de preto, era o motorista de Estevão que estava ali e ela via. Ela então com raiva procurou ao redor onde estava o chefe dele. Até que o achou. Estevão estava lá, e ao que parecia havia chegado no horário e presenciado toda a apresentação de Estrela. Que então ela subiu de lábios torcidos as arquibancadas até chegar onde ele estava e ver que ao lado dele tinha um lugar vazio que quando ele a viu, ele disse.

—Estevão: Te liguei inúmeras vezes para dizer que vinha que se quisesse te pegaria com meu motorista, mas como sempre não me atendeu. Sente-se que nossa filha irá se apresentar mais um vez.


Com um sorriso enorme Estevão olhou pra frente depois de dar espaço para Maria se encaixar ao lado dele. Maria passou por ele furiosa, mas sabendo que não poderia fazer escândalo fazendo deles a plateia dos tantos pais que estavam ali.


Que então quando se acomodou depois de pôr sua bolsa sobre seu lugar, ela de braços cruzados e cara fechada, disse entre os dentes.


—Maria : O que faz aqui? Como sabia dessa apresentação?


Ele sorriu de lado tirando a carteira do bolso dizendo.

—Estevão: Uma vez por acaso quando estive no seu apartamento vi um bilhete que dizia sobre essa apresentação de nossa filha. Ela é uma atleta. E estou tão orgulhoso.

Maria o olhou incrédula e viu quando ele chamava um senhor que vendia algodão doces e passava no lado que eles estavam.


Ela então bufou. Estevão não era Deus pra saber de tudo mas tinha suas artimanhas. Que então ela disse.


—Maria: Achei que devia estar em casa repousando. E não aqui.


Ele virou pra ela segurando um lindo algodão rosa com azul dentro de um plástico e a ofereceu com um gesto de mão. Maria negou com cabeça na hora e ele respondeu.


—Estevão: Já repousei demais. E não seja chata sei que gosta dessas coisas doces demais, Maria. Aceite.


Ele ofereceu de novo que mesmo que antes havia recusado o que ele a oferecia, Maria pegou de água na boca e disse.

—Maria: Não estou feliz que esteja aqui e não vai me comprar com doce. Além do mais Estrela também não vai ficar contente em vê-lo aqui.


Ele respirou fundo vendo Maria rasgar o plástico do algodão doce com a unha pra comer, e disse.

—Estevão: Não se preocupe ela nem vai notar que estive aqui.


Ele ficou sério pareceu triste enquanto olhou a frente novamente. Maria puxou o ar do peito enquanto saboreava o doce que comia. Queria se chutar por perceber a mudança de humor dele e sentir estranha por aquilo, que por isso ela disse.


—Maria: Coloquei ela no balé primeiro antes dela aos 11 anos optar pela ginástica olímpica e até hoje segue nela.


Ela sorriu olhando pra ele e pondo outro doce na boca. Estevão olhou na língua dela derreter o algodão doce e salivou por um beijo compartilhando do sabor dela e do doce. Maria percebeu seu olhar de desejo e fechou a boca olhando pra frente toda nervosa.


Quase 20 dias tinha passado depois de vê-lo na mansão San Román e ele confessado o que tinha feito, o que ela lutava desde então para derrubar o juiz antes mesmo da audiência chegar. Só tinha motivo para rejeita-lo e não deseja-lo como claramente ele seguia desejando-a.


Mais meia hora depois tudo havia se encerrado. Estrela tinha feito uma manobra que havia tirado o fôlego de Estevão quando a viu virar no ar por 3 vezes e depois cair em pé sobre colchonetes.

Naquele momento, ele havia preferido claramente ele que ela ficasse apenas no balé.

No final, Maria deixou ele pra trás, não se despediu, nem muito menos ousou convida-lo para chegar até Estrela que foi o que ela fez, desceu até encontrar sua menina e abraça-la toda orgulhosa, vendo que ela carregava 2 medalhas abaixo no pescoço conquistada naquela competição amistosa.


Que assim, ela disse.


—Maria: Meu amor, estou tão orgulhosa como sempre de você, querida.

Ela beijou a testa de sua menina a pegando no rosto, mas Estrela que olhava para as arquibancadas se esvaziando, disse.


—Estrela: Vi que Estevão estava aqui, e vi também que chegou bem depois da minha primeira apresentação mamãe.

Maria deixou de toca-la surpreendida por ela ter notado Estevão na plateia e ainda mais, sua demora e a respondeu.


—Maria: Sim ele estava. Mas não imaginava que o veria aqui. Enquanto minha demora, me desculpe filha, eu.


—Estrela: Esqueceu, não foi?

Maria assentiu devagar com cabeça e se sentindo culpada em assumir aquilo, dizendo.

—Maria: Eu estive tão atarefada o dia todo que sim, foi isso, e não vou negar .

Estrela então mostrando sua chateação disse.


—Estrela: Talvez se fosse Heitor, estaria aqui na primeira hora.


Maria suspirou vendo Estrela se afastar, deixando ela imaginar que ela se vestiria no vestuário para irem.