Falso amor
68 Capítulo 68
Olá lindas, estão preparadas para esses últimos capítulos? Nos meus cálculos, mais uns 4 capítulos eu termino essa história.
Obs: tem uma música presente em uma parte do capítulo... Bjs
Estevão tinha Estrela nos braços. Ele afagou os cabelos dela enquanto o silêncio predominava entre eles. Um silêncio apenas que vinha deles. Afinal, o ambiente que estavam existia a correria comum em um hospital, incluindo tais sentimentos que os uniam naquele abraço. O sentimento de dor. Da perca.
Estrela levantou a cabeça. Estevão a mirava podendo assim ver os olhos dela marejados, e, seu rosto todo rosado.
—Estrela: Eu sinto muito.
Estrela então repetiu suas palavras. Agora mais perto do pai e amparada nele.
Estevão então ousou tocar nos cabelos dela. Tocou em um lado e a respondeu.
—Estevão: Eu também, filha. Não queria que isso estivesse passando. Desejaria mil vezes que algo acontecesse comigo, e não com sua mãe e o filho que esperávamos.
Ele respirou fundo, contendo-se. Contendo as lágrimas que queriam toma-lo mais uma vez.
Estrela ao ouvi-lo sentiu temor. Estevão sentiu isso quando os braços dela lhe apertaram na cintura, e sem mais olha-lo, ela disse.
—Estrela: Não. Não fala isso Estevão, por favor. Chega de desgraças.
Ela então se afastou devagar agora limpando um lado do rosto e Estevão pegou levemente no braço dela, dizendo.
—Estevão: Tem razão. Tem razão filha. Vamos nos sentar, hum. Assim aguardemos juntos notícias de sua mãe.
Estrela assentiu, Estevão então passou o braço envolta dos ombros dela, e sentaram em um sofá, um do lado do outro.
Estevão suspirou novamente, quando ainda mantendo as mãos em sua filha adolescente, viu ela deitar a cabeça no peito dele. Ele assim alisou um ombro dela ficando calado assim como ela resolvia ficar. E então seus olhos bateram no policial federal que se mantinha atento nele.
Um homem jovem, todo de preto, bota e distintivo o mirava de braços cruzados.
Estevão estava certo que o que se passava com ele, era alguma espécie de tempo. Tempo para reunirem provas contra ele sobre o que estava sendo revelado na sua empresa.
E ele não temia a prisão. Temia sim ter que lutar contra ela no meio do que passavam. Ele olhou Estrela e toda sua ação estando próxima dele de repente, estava mais do que claro para ele, que a adolescente tinha se tornado mansa daquele modo por ter medo e encontrava nele aquela segurança de que tudo poderia passar logo.
E ele riu sem vontade e sem poder ser notado. Sentia que já não era capaz de proteger nem ele, e enquanto ás duas mulheres que precisavam de sua proteção, estavam vulneráveis ali. Mas que como homem e pai, ele sabia que tinha que ser ele o provedor do que naquele momento, ambas necessitavam.
Estevão apertou os olhos com os dedos da mão. O cansaço mental queria toma-lo e abandonar sua sanidade. E sabia que não podia se render. Não faria isso. Enquanto não o algemassem para algo que era mais que previsto, seria ele o que Estrela sua menina e Maria, precisavam naquele momento.
O celular dele tocou no bolso tirando-o do meio de seus devaneios. Estrela pôde ouvir e ela saiu de onde estava.
Estevão então mirou a tela do celular, e viu que era Heitor.
Era seu filho mais velho. O único homem que o cercava e ele podia confiar. A maior das verdades ali. Seu filho de 20 anos estava sendo tudo para ele diante de uma questão que ele não poderia estar presente.
Ele então se levantou e ouviu, Heitor dizer.
—Heitor: Tenho péssimas notícias, papai. Mas antes me diga como está minha mãe.
Sem se surpreender pelo que ouviu, mas andando mais para um canto longe do olhar e ouvidos de Estrela, ele disse.
—Estevão: Ela ainda está em cirurgia, filho. Aguardo notícias desde da última que me deram.
Heitor que desejava saber de tudo, o perguntou.
—Heitor: E qual foi a última? Por favor, o senhor sabe que não precisa mentir.
Estevão passou a mão na cabeça, antes de responde-lo.
—Estevão: Aguardo o final dessa cirurgia para saber que além de salva-la, também salvaram as chances de sua mãe ainda poder gerar filhos, Heitor.
Quando ouviu o pai falar, Heitor em um tom de lamento tentou dizer.
—Heitor: Pai, eu...
Ele se calou aflito e Estevão seguiu o que ele não podia dizer.
—Estevão: Eu também não sei o que dizer filho. Eu quero que sua mãe seja qual forma for, se salve, mas temo que ela não possa mais ser mãe no final de tudo isso. E sabe o que mais? Me sentiria culpado até o final dos meus dias se isso acontecer.
Depois desabafar, Estevão respirou fundo. Conversava, baixo e distante de Estrela. Assim de costa para o lado que ela estava, ele ouviu Heitor o respondendo.
—Heitor: Mas não é sua culpa papai.
Estevão riu sem vontade. Suas ações passadas o acusavam deixando-o como estava. Assim então ele rebateu as palavras do filho.
—Estevão: É filho. Eu mais que ninguém provoquei essa gravidez. Eu mais que ninguém queria esse filho e inicialmente por questões egoístas e rancorosas. Heitor, filho, o que acontece com sua mãe é um castigo que deveria ser só meu, mas ela também está pagando.
Estevão parou para falar quando se virou e viu o médico que operava Maria aparecer, assim então ele se despediu de Heitor que disse que iria até o hospital.
Assim nervoso, já ao lado de Estrela ele disse.
—Estevão: Então doutor? Minha mulher está bem? Se salvou?
Ele passou uma mão no rosto enquanto um silêncio de 2 segundos, pareceram horas.
E quase uma hora depois, Estevão estava no quarto que Maria agora ocuparia para sua recuperação.
Levou um tempo antes dele estar ali. Depois do médico ter falado que a cirurgia havia sido um sucesso e que ela estava fora de perigo, ele havia sido convocado para estar na sala do obstetra cirurgião para antes de vê-la saber com detalhes como ela estava.
Assim então no silêncio do quarto, Estevão só podia ouvir o suave barulho do aparelho medindo os batimentos cardíacos e calmos de Maria, enquanto ela dormia ainda sob o efeito da cirurgia que ela havia passado.
Ele a olhou. Seus lindos cabelos negros estavam revoltos e em volta do travesseiro, e o rosto estava ainda pálido demais e os lábios secos. Ele passou a mão na cabeça e só ouviu a puxada intensa de ar, que ele levou para dentro de seus pulmões.
A aparência de Maria não era para menos do que ela havia passado. Ela havia perdido sangue sem ele poder saber por quanto tempo, sabia apenas que tinha sido o suficiente para fazer com que o coração do bebê deles, deixasse de bater, e ela perdesse sangue suficiente para que em meio da sua cirurgia, precisasse receber transfusão de mais sangue. Quanto ao útero dela. Ele analisou seu ventre amplo e coberto por uma coberta em tons claros, e respirou agradecido por não precisarem ter tirado ele.
Ela mantinha a chance de um futuro dado em aproximadamente 1 ano depois, de tentar ser mãe outra vez. Assim o médico o alertou. Antes nem pensar e seguro de si, Estevão decidia que tampouco depois faria ela passar por aquilo novamente. E claro, se o amor deles ainda sobrevivesse ao que passavam.
E quando pensou isso, claro que ele pensava em Maria. Pensava se o sim dela seguiria firme. E a resposta poderia ser um belo não.
Ele suspirou outra vez e caminhou devagar até ela. Segurou em uma de suas mãos e a olhou. A mão dela estava quente e ele gostou da sensação e depois olhou o ventre dela outra vez.
O filho que esperavam, já estava em um tamanho que sem uma cesariana não tirariam seu corpo em formação de dentro dela, mas também ainda não havia chegado ao tamanho para ganhar uma lápide no mausoléu da família San Roman e até mesmo um nome, se houvessem tido tempo para saberem seu sexo. Assim o inocente bebê tinha apenas virado mais um resíduo hospitalar.
Estevão então passou as costas da mão em um de seus olhos, que desceu grossas lágrimas. Quando fez o outro também desceu e ele deixou ela escorrer.
Estava triste, estava de luto, mas não poderia imaginar como seria Maria ao acordar e compreendesse que final havia tido o filho que esperavam.
E tudo por quê? Por dinheiro? Ganância? Avareza?
Ele soltou a mão dela e saiu de perto do leito. Mexeu na gravata sentindo terrivelmente sufocado e olhou a parede branca do quarto.
Todo seu corpo e sangue pediam por justiça. Bruno em algum lugar daquele hospital ainda respirava e em troca, o filho que ele e Maria esperavam já não estava e não estaria com ele.
Olhando o teto do quarto como que se estivesse visualizando Deus, Estevão de rosto vermelho estava pronto para que saísse de sua boca palavras de indignação, quando ouviu baixo alguém o chamar. Ele então se virou rápido para o lado da cama.
Era Maria que havia sussurrado o nome dele.
Ela então repetiu.
—Maria: Estevão... O que... o que faço aqui?
Ela mirou ao redor. Sentia-se zonza, sonolenta e a boca seca, clamando por água.
Estevão pegou uma mão dela, já ao seu lado. A outra pousou devagar nos cabelos dela. Tocou a frente deles e disse.
—Estevão: Deve estar confusa, meu amor. Mas tudo vai ficar bem.
Ela levantou o olhar para mira-lo. Os dedos de Estevão tiravam parte dos cabelos dela da testa. Ele sabia que tinha muito o que falar para ela, só não sabia por onde começar e como. Também julgava que não deveria falar nada aquele momento que apenas via ela recentemente tornar da anestesia. Talvez, ela voltaria a dormir. E certamente era aquilo que ele desejava.
Desejava vê-la descansar mais, antes de ser ele o porta voz que diria que haviam perdido o filho que esperavam e ser ele quem refrescaria a memória dela dos últimos acontecimentos.
Ele assim beijou com adoração a mão que se segurava dela. Uma sonda estava ali nas costas de sua mão, na ponta de seu dedo indicador também estava o aparelho que monitorava os batimentos dela.
E como o esperado, ele a viu fechar os olhos novamente.
Estevão então ficou ainda onde estava por mais 5 minutos e depois se afastou saindo do quarto em seguida.
Com a porta fechada, ele se encostou nela, passou a mão no rosto, quando ouviu.
—Heitor: Ela acordou?
Estevão então mirou Heitor falando com ele, e que já estava no hospital desde que avisou que iria. Ao lado dele tinha Vivian e Estrela.
A adulta se afastou de braços cruzados, olhou o chão e a adolescente pegou no braço do irmão mais velho, insinuando que entraria no quarto junto com ele. Que assim como o irmão, queria ver a mãe deles.
Assim então Estevão assentiu, dizendo.
—Estevão: Ela recobrou a consciência mas voltou a dormir novamente. Vou avisar ao médico para vê-la. E vocês acredito que podem entrar. Só façam silêncio, hum.
Os dois assentiram e em seguida, entraram no quarto e os olhos de Estevão foram até Vivian que também o olhava e havia ficado no corredor com ele.
Estevão sabia que sua presença nunca agradava á jovem nora que tinha, mas ainda assim notava que naquele momento não tinha sobre ele seu olhar questionador e desconfiado.
Que então assim, ele apenas disse.
—Estevão: Quando saírem, digam que estou com o médico, por favor.
Estevão já ia quando Vivian saiu da parede que havia se encostado, dizendo.
—Vivian: Espera, senhor, San Roman.
Estevão parou a olhou, e ela seguiu.
—Vivian: Acho que deve saber da seriedade da situação do que acontece com sua empresa. Heitor não falou, mas deve estar ciente logo.
Estevão respirou fundo, cruzou os braços e a respondeu sereno.
—Estevão: Sim, eu sei o que está acontecendo nela, ela está arruinada e nada posso fazer, Vivian. Portanto, aqui onde estou ao lado de Maria e meus filhos é onde devo seguir. Eles são minhas prioridades e por eles sim ainda posso fazer algo.
Vivian ficou calada apenas investigando com o olhar a fala daquele homem de negócio e que via seu patrimônio se desmoronando e nada fazia. E pior, não via ele fazer nada por sua liberdade. Assim então, ela o alertou por estar ciente do que acontecia.
—Vivian: Seu advogado foi preso, seus funcionários estão sendo investigados e o senhor será o próximo. Na verdade, já está sendo contando com o federal que Heitor e eu vimos quando chegamos, estar bancando um cão de guarda.
Confirmando suas teorias, ao ouvir as palavras de Vivian, Estevão a respondeu sério.
—Estevão: E o que acha que eu devo fazer? Fugir? Brigar? Não tenho tempo, nem cabeça para isso.
Vivian sabendo o que ele poderia fazer, rebateu as palavras dele.
—Vivian: Deveria estar agora em um banco. Logo estarão bloqueando todos seus bens, monitorando seu celular, seus e-mails e toda ferramenta de trabalho que usou por anos. Sua empresa foi usada em um grande esquema, senhor San Roman.
Ela se calou quando falou. Queria ver algum efeito em Estevão. Uma amostra se ele também tinha alguma culpa naquilo, ou dá-lo um choque na realidade que ele estava. Mas então Estevão mostrou mais uma vez onde estava sua prioridade, dizendo.
—Estevão: Que façam tudo isso. Não tenho nada a temer. Contudo, o que me resta de verdadeiro em tudo isso, está por trás dessa porta, Vivian. O dinheiro que adquiri nesses anos todos, me tirou eles. Me deu pessoas que pensei que fossem meus amigos. E olhe só. Meu próprio advogado foi preso, um de meus sócios está nesse hospital e ainda respirando, enquanto o filho que eu e Maria teríamos, morreu.
Vivian suspirou. Dessa vez deixava ruir suas desconfianças e disse baixo.
—Vivian: Você vai precisar se armar para se manter ao lado deles, é isso que quero dizer, senhor San Roman. E com suas palavras, acredito que tenha sido inocente em tudo isso.
Estevão deu um sorriso sem vontade. Estava certo que precisava usar o tempo que lhe restava para fazer algo, algo que reparasse tudo ao seu redor. E esse algo não seria fazer com que acreditassem na sua inocência. Na sua verdade, de que ele havia sido usado, ele e sua empresa em todo aquele esquema. Já que tinha muita coisa contra ele do que a favor. Vivian com sua alerta, deixava mais que claro isso.
Então assim ele a respondeu.
—Estevão: Agradeço que acredite em mim, mas está claro que de nada serve seu voto de confiança, Vivian. No final das contas perdi mais do que todos envolvidos nesse crime que me ligaram a ele. E mais, como é inteligente, sabe que no fundo sim, eu tenho culpa. Sou culpado também.
Ele se calou justo no tempo que passava no meio deles uma equipe de 3 enfermeiros e 1 médico. E depois Vivian voltou a falar o respondendo.
—Vivian: Heitor me disse o contrário e eu também agora acho isso. Acho que o senhor é inocente.
Estevão então a mirou com seus olhos brilhando em um intenso verde, e a respondeu firme.
—Estevão: Eu permiti que tudo isso acontecesse. E por 15 anos. Acha que não sou culpado?
Ele riu de lado, muito certo que devido a sua falta de cuidado e atenção aos seus negócios, havia aberto mais ainda as portas de sua empresa para aquilo que agora se tornara a ruina dela.
Vivian em seu ver, ao ouvi-lo declarar com todas as palavras sua culpa, ela disse agora em um tom de um advogado que quer proteger seu cliente de uma confissão precipitada.
—Vivian: O senhor não deve falar o que fala agora para mim, á outra pessoa como por exemplo, o federal que está lá fora.
Estevão por sua vez não se importou, respondendo-a.
—Estevão: Estou metido nisso ainda que não diretamente. E já que parece que logo terei o mesmo fim que meu advogado. Não tenho muito tempo para que eu siga essa conversa contigo, Vivian. Perdão.
Ele já impaciente, se moveu e Vivian disse pelas costas dele quando o viu andar.
—Vivian: Procure um bom advogado.
Estevão não a respondeu, caminhou a deixando ali. Ela então tocou os cabelos e se encostou na parede outra vez. Heitor então momentos depois saiu do quarto. E a olhou dizendo.
—Heitor: E meu pai? Ainda está com o médico?
Vivian assentiu, sabendo que por aqueles quase cinco minutos passados que esteve em frente ao pai dele, ele poderia de fato estar conversando com o médico. E assim ela disse.
—Vivian: Sim, está. E posso ver Maria agora?
Heitor encostou devagar a porta atrás de si e a respondeu baixo.
—Heitor: Pode. Estrela quer ficar com ela. Você pode ficar também, até um de nós voltarmos? Vou ver meu pai. Preciso falar com ele.
Vivian assentiu novamente e dessa vez caminhou até ele, diminuindo a distância entre os dois.
—Vivian: Você é um bom filho e um bom irmão mais velho, Heitor.
Ela tocou nos ombros dele, sentindo o corpo dele todo tenso e rígido.
Heitor então suspirou e a olhando nos olhos, ele disse.
—Heitor: Queria fazer mais. Estrela está muito abalada, meu pai parece que não está entendendo o que pode acontecer com ele e minha mãe, só saberemos como ela está quando ela acordar de verdade.
Vivian se afastou dele apenas para mirá-lo melhor e respondeu.
—Vivian: Seu pai sabe sim o que está acontecendo. Ele só não quer lutar, Heitor. Ele sabe que as coisas estão feias para ele.
Heitor sendo ciente ao que ela se referia, disse.
—Heitor: Acha que ele pode chegar a ser condenado?
Vivian deu de ombros e se baseando na pouca experiência que tinha, ela disse.
—Vivian: Acho que ele pode provar a inocência dele em uma árdua batalha e que o dinheiro que ele tem e ainda pode ter acesso, seria crucial para ajudá-lo. Mas ele não parece muito preocupado com isso.
Heitor passou a mão na cabeça e só julgou que Estevão, só estava ainda sobre os efeitos da perca que sofria. Assim então ele disse.
—Heitor: Ele e minha mãe acabaram de perder um inocente bebê, e ela quase morreu também. Não posso julgá-lo se ele não é capaz de pensar em nada mais.
Vivian tocou no ombro dele. Estava certa que se Maria estivesse acordada faria e diria o mesmo que ela estava dizendo e fazendo, tentando alertá-los. Assim então ela disse.
—Vivian: Eu sei. Então já que ele está sendo incapaz de raciocinar, acho que você deveria dar um jeito de conseguir livrar algo das mãos dos federais. Sério, Heitor ele vai precisar de bons advogados e recursos para dar a ele a espera em liberdade até que tudo isso acabe.
Heitor respirou fundo, se rendendo ao que Vivian falava. Ele mirou o lado do corredor que imaginava que era onde o pai dele teria tomado caminho.
Entendia o que Vivian falava, que em uma hipotética detenção de Estevão, teriam que recorrer a fiança e advogados para provar sua inocência, e para isso o dinheiro seria mais que nunca o aliado deles.
Assim então ele disse sério.
—Heitor: Vou procura-lo.
Eles se olharam em silêncio. Até que Heitor a deixou e Vivian entrou no quarto.
Estrela tinha puxado uma cadeira para perto da cama que Maria estava.
Ela estava sentada nela. Olhando-a dormir. E sabendo que não estava mais sozinha, ela disse.
—Estrela: É a primeira vez na minha vida que vejo ela assim. Da outra vez que estivemos em um hospital. Não tinha tudo isso ligado nela.
Estrela levou as pernas em cima da cadeira e as abraçou enquanto mirava Maria ainda dormindo, depois de ter passado uma rápida olhada aos monitores que soavam baixo no quarto.
Vivian caminhou já mais familiarizada com Estrela e disse.
—Vivian: O pior já passou. Ela vai ficar bem, Estrela.
Estrela então a olhou e depois sussurrou sentida.
—Estrela: Ela merecia estar feliz. Vi ela feliz na casa de Estevão nesses 3 dias com nossa mudança. Eu já não podia ir contra e agora ela está aqui.
Estevão viu o médico ir até o quarto de Maria na companhia de uma enfermeira. E alguns minutos depois de ter ficado sozinho e mentido ao médico que precisava fazer uma ligação, ele parou em frente de um quarto de CTI.
E ele sabia qual era e não hesitou mais em entrar nele.
Ele vestia uma roupa hospitalar. Capa por cima de suas roupas, toca e máscara. Quase que irreconhecível se não olhassem muito bem para seus olhos de intensos verdes.
Ele então olhou o homem com uma máscara de oxigênio, e mais fios ligado à ele, do que os que ele viu na mulher que amava.
Ele caminhou devagar com passos de cordeiros, mas com pensamentos e desejos que não cabiam comparações ao inocente animal.
Estevão olhou mais de perto e com os olhos brilhosos, Bruno estendido sobre o leito.
Angels like you – Miley Cyrus
“Flores na mão, esperando por mim.
Cada palavra e poesia.
Não me chamará pelo nome, só de amor
Quanto mais você dá, menos eu preciso.”
Enquanto olhava Bruno, Estevão podia lembrar de tantos apertos de mãos dado entre eles, sorrisos, palavras de cumplicidade dentro e fora do mundo dos negócios, e então de repente tudo havia convertido naquilo. Ele e sua empresa sendo usados em um plano maligno. Sua família sacrificada em 15 anos por planos ambiciosos que ele nunca fez parte consciente, mas que desgraçadamente estava tão ligado á tudo que se sentia culpado igual. Tão sujo quanto todos eles.
Pois Estevão sabia que se fosse mais atento aos sinais do que se passava ao seu redor, todo aquele mal teria sido evitado.
Esteve tão cego pelas mentiras, rancores e se sentindo um desalmado que deixou que fizessem de sua empresa um epicentro de uma lavagem de dinheiro dentro do país de sua origem. Afundou o nome que tinha, frutos de sua geração passada, ganhos e prestígios. Mas tudo que via se perdendo não era nada. Não passava de mero bens materiais que nunca haviam comprado o que ele tanto necessitou depois que perdeu.
Todo dinheiro e prestígios que havia conquistado, não haviam comprado a felicidade dele ser amado. De amar. Pelo o contrário. Tudo que lhe dava um status e poder, tinha lhe tirado dele o que era essencial.
“Todo mundo diz que eu pareço feliz
Quando parece certo”
Maria. O mais puro amor que um dia foi capaz de sentir havia sido sacrificado, e ela, em sua pele havia vivido todas as injustiças que a ambição que o cercava foi capaz de submete-la. Que desgraçadamente, ele também tinha feito ela de sua vítima. Vítima de seu ódio e rancores.
Ele também havia sido o vilão daquela história. Havia cooperado para aquela separação entre eles. Cooperou também para o crime que por mais de uma década seguiu acontecendo abaixo de seu nariz. Na reta de seus olhos e na mira de suas mãos.
Ele havia sido tão cúmplice e culpado como os demais involucrados naquele esquema. Na delegacia quando receberam a direção de onde Maria supostamente estaria. Tudo foi se encaixando. As peças. As ligações. Tudo que ele se negava a acreditar, era real. E mesmo assim... Ela o amava?
“Eu sei que você é errado para mim.
Vou desejar que a gente nunca tivesse se conhecido no dia que eu partir. Eu te coloquei de joelhos
Porque dizem que o sofrimento adora companhia”
Ele riu sem vontade, sentindo-se não mais que um desgraçado e menos do que um homem digno de um amor ao qual uma mulher como Maria, poderia nutrir por ele.
Suas mãos tocou o painel dos aparelhos que fora sua respiração pesada, eles que faziam o som no ambiente. Um dedo então passou em um botão e um clique foi ouvido.
Estevão estava certo que mais alguém teria que pagar pelo que aconteceu. Mas não pagar com uma justiça que custou anos para suspeitar de um crime que derrubou e abateu tantas pessoas pequenas. Estevão tinha imagens das mulheres deixando aquele lugar em qual ele foi levado e deparou -se com Maria acima do teto dele na mira de mais um infeliz.
Eram mulheres de classes inferiores, assustadas e vítimas de homens poderosos. Vítimas até dele.
Ele desligou outros botões. De corpo rígido e olhar frio.
“Não é sua culpa eu estragar tudo.
Não é sua culpa que eu não sou o que você precisa.
Amor, anjos como você não podem voar para o inferno comigo”
De repente a tela que monitorava os batimentos cardíacos de Bruno foi zerado.
O som calmo, agora dava sinal que o coração ao que ele estava monitorando havia parado. E Estevão olhou o rosto de Bruno ainda ligado neles. Infelizmente ele ainda seguia vivo.
Ele respirava. O oxigênio ainda estava dando ar para os malditos pulmões dele.
“Eu sou tudo o que eles disseram que eu seria.
Eu sou tudo o que eles disseram que eu seria. Vou te colocar no chão devagar, acenando adeus”
Bruno respirava em cima de todo mal que causou, e ainda mais, enquanto o filho que Maria e ele esperavam estava morto.
A ambição de Bruno tinha levado de Estevão algo grande demais para ser perdoado. Mais uma vez o causador agora revelado de uma de suas maiores dores, levava a vitória.
Estevão sofria mas tinha certeza que seu sofrimento não seria maior e não tinha sido perto do que Maria passou e passaria ao acordar.
Ela tinha sangrado por tempo suficiente para precisar passar por uma cirurgia de emergência. Tempo suficiente para o bebê que esperavam não ter resistido. E por que então deixaria viver o assassino do filho deles? O maior causador de suas dores.
Um já queimava no inferno. Outro deveria também ir junto com ele. Bruno deveria ir. Quanto à ele? Pensava que os encontrariam em algum momento, e em um encontro mais que certo.
“Antes de soltar, só mais uma vez
Tire a roupa, finja que está tudo bem.
Um pouco mais de dor não vai te matar esta noite. Minha mãe diz que você não parece feliz. Feche seus olhos”
Estevão então tirou a máscara de oxigênio do rosto de Bruno. Não demorou muito para a saturação dele cair. Seu rosto mudar de cor e de repente seus olhos se abrirem.
Estevão o olhou e lhe sorriu, dizendo.
—Estevão: Tirou de mim por anos o que me fazia melhor como ser humano, Bruno, e agora voltou a tirar o que eu mais queria.
Tudo então foi como um borrão. Estevão foi afastado de Bruno com tanta força que seu corpo grande bateu contra a parede mais próxima. Uma mão, que não era a dele, bateu no botão de emergência. Acionando assim uma equipe médica.
Heitor chamava a emergência enquanto via o corpo de Bruno em uma tremedeira na cama entre a vida e a morte.
Assim ele foi contra o pai, que estava ainda na parede do mesmo modo que foi lançado.
Heitor levou o braço dele contra a garganta de Estevão, o imobilizado. E o gritou de rosto vermelho.
—Heitor: O que estava fazendo pai? O quê?
O quarto começou a ser invadido por enfermeiros e um médico de plantão. Um carrinho de parada era guiado para dentro do quarto e segundos depois, Bruno era reanimado com choques contra seu peito.
“E não é sua culpa eu estragar tudo (tudo)
Não é sua culpa que eu não sou o que você precisa
Amor, anjos como você não podem voar para o inferno comigo”
Momentos depois o que era previsto aconteceu. Não a morte, e sim a punição.
Estevão depois de revistado e livre das roupas hospitalar, ele foi algemado. No meio do hospital, no corredor ele foi virado, algemado e sem mostrar resistência. E ali sob os olhos conhecidos do filho, ele também viu outros também. Luciano o olhava.
Dois federais então levaram Estevão. E o que pôde ver ao lado de fora, já com a noite caindo fez Estevão se surpreender.
Tiravam fotos dele, filmavam, e queriam saber trazendo microfones perto de sua boca, o que ele tinha a dizer sobre o maior esquema de lavagem de dinheiro descoberto no país que residiam e que ligava à sua empresa. E a pergunta mais forte que faziam, era do porquê ele comandou tal crime.
Assim, Jornalistas e telejornais cobriam tudo, desde da ação á fabrica até ali.
Alba em um quarto de hotel. Levou a mão na boca ao ver aquela imagem ao vivo, passando em uma televisão.
Todo o restante do dia e em todos os jornais, só falavam do escândalo envolvendo uma das maiores empresas do país e seu presidente.
Ela sentou devagar na cama e pensou que o que via não passava de um pesadelo que chegava ao final. Algo do que ela fugia havia sido revelado. E pelo que via, Estevão estava sendo dado como um criminoso também.
Heitor estava furioso. Caminhou até Vivian em passos largos e a tirou do quarto de Maria apenas com um olhar.
Estrela não precisava saber antemão que o pai deles tentara assassinar alguém e em seguida havia sido levado preso e ainda mais, que o país todo, acompanhavam a desgraça da família deles e do nome deles.
Quando a porta se fechou atrás deles. Heitor então disse.
—Heitor: Preciso de um advogado capaz de salvar meu pai do que está acontecendo e agora mesmo, Vivian!
Heitor ofegante puxou o ar do peito depois de falar e Vivian disse.
—Vivian: Ele já foi levado, não foi? Calma, no escritório que trabalho têm muitos advogados, Heitor! Seu pai vai provar que não usufruiu de nada daquele dinheiro!
Temendo outro mal maior, Heitor disse.
—Heitor: Ele fez outra coisa! Ele tentou matar Bruno!
—Vivian: Quê?!
Depois de berrar, Vivian tocou na testa e Heitor disse.
—Heitor: Ele está fora de si. Vai confessar o que fez e tudo vai piorar!
Vivian respirou fundo e rápido disse para impedir o que Heitor dissera acontecesse.
—Vivian: Ok! Fica com sua mãe. Eu vou buscar ajuda!
Vivian então tirou o celular do bolso e correu. Correu para longe de Heitor .
Quando já tinha o celular no ouvido avistou um movimento suspeito demais.
Assim como Estevão, ficou surpresa ao ver o que acontecia na frente do hospital. Uma ninhada de repórteres acampava na frente dele.
Ela então falou algumas coisas na ligação quando viu que foi atendida e em seguida, avistou um carro de federais, correu até eles, e fez perguntas exigindo depois que a levassem até a delegacia que levaram Estevão, o qual ela chamou de cliente.
Mas ciente que nem se ela fosse Jesus Cristo, seria capaz de fazer mais do que calar Estevão até ajuda de verdade chegar.
Heitor agoniado entrou no quarto quase uma hora depois. Quando foi abordado pelo médico responsável do caso de Bruno e um federal.
Heitor se negou dizer o que viu. Quanto ao federal, com raiva se contentou apenas em entender que o filho cobria o pai . Um pai que eles já tinham posto a mão.
Logo depois de fazer algumas consulta em suas contas em bancos no próprio celular, Heitor soube que precisaria muito mais do que tinha em seu nome para salvar o pai. Mas servia ao menos para manter um advogado decente.
Assim ele viu Estrela dormindo agora no sofá. A cadeira que ela havia sentado ainda estava no lugar. E uma enfermeira saia da frente da cama de Maria, mostrando ela assim, acordada.
Sentada com apoio de travesseiros, ela tinha os olhos vermelhos e marcados em lágrimas. E ele suspirou certo que ela já sabia o que tinha acontecido com ela.
A enfermeira jovem disse em uma voz mansa.
—X: Eu vou deixa-los a sós.
Quando a enfermeira saiu. Maria deixou a mão cair sobre o ventre dolorido pela cesariana que havia passado.
Assim o médico antes daquela enfermaria deixá-la, tinha lhe contado que ela havia passado.
A retirada de seu bebê morto havia sido em uma triste cesariana de emergência.
E ela recobrava tudo que havia passado.
Primeiro nas mãos do senador Manolo, depois nas mãos dele e de Bruno, e depois no teto do maldito lugar que a levaram. E tudo ciente que perdia seu bebê naquele processo.
—Heitor: Eu sinto muito, mãe.
Heitor se ouviu dizer baixo em quanto ia até o leito.
Maria soluçou, mas levou a mão na boca, quando notou Estrela dormindo no quarto.
—Maria: Perdi meu bebê. De verdade o perdi.
Heitor a abraçou.
Maria segurou nele. E precisou de muita força para não chorar aos berros como pensava que necessitava.
Queria gritar, amaldiçoar o mundo e todos que a levaram até ali.
Queria gritar enquanto chorava que mataram seu bebê. Mas queria também pedir perdão ao anjo que lhe haviam tirado por não ter sido capaz de cuidar dele como deveria. Não tinha sido capaz de mantê-lo seguro no melhor lugar que ele poderia ter estado durante 9 meses. Seu corpo não o amparou e suas decisões não colaboraram para que ele viesse ao mundo vivo e no tempo certo.
Havia então sido tirado dela sem ela poder tê-lo conhecido nem ao menos conhecido seu sexo, lhe dado um nome, uma lápide onde pudesse deixar flores e rezar.
Mas rezar? Um dia havia sido capaz de rezar e de pisar na igreja. Mas já não era aquela mulher desde há 15 anos. Tampouco voltaria ser.
Depois de ter sido mais uma vez vítima da maldade de homens ambiciosos, suas ilusões de um mundo melhor, de seu mundo melhor, já quase inexistentes, não existiam mais.
A fé que sempre ia prevalecer, era no dinheiro, no poder nos sistemas falhos para uns e cortantes e certos para outros .
Mas certamente, ela não era beneficiada de nenhum lado.
Maria não havia notado mas ficou chorando agarrada no seu filho mais velho, tempo suficiente do médico voltar entrar no quarto e notar o que acontecia o fazendo retroceder e Estrela que despertou ao som do choro dela e foi até o leito dela também.
Na delegacia.
Estevão estava em uma cela.
Foi largado nela em cima de piadas em torno de sua condição social e status.
Mas também sob olhares que ele entendia que um pouco de dinheiro faria sua estadia ali menos humilhante.
Ele olhou ao redor, a cela fria e solitária que ele estava. Onde em um banco ele descansava seu corpo ainda amortecido sob os acontecimentos daquele infeliz dia.
Seu único consolo seria saber que Bruno já não respirava. Se Bruno já estivesse no inferno que ele mesmo já padecia ainda em vida, teria um certo consolo.
Além do mais, pensava que seria bom pagar por um crime de verdade. Já que teria aquele fim, que o estava levando a uma condenação que não tinha cometido, ainda que, cego foi manipulado e usado para roubar e lavar dinheiro.
Geraldo chegava na delegacia.
Vivian então quando o viu foi até ele quase que correndo.
—Vivian: Graças a Deus, Geraldo!
Geraldo estava todo sério e quando se aproximou de Vivian, disse baixo.
—Geraldo: Onde está ele? Diga que ele não falou nada.
Vivian por saber que ainda não tinha levado Estevão para nenhum interrogatório, disse.
—Vivian :Ele está em uma cela. Ainda não foi interrogado, não pelo que ele fez no hospital. E além do mais, sabemos que com as provas que eles têm sobre a lavagem de dinheiro o próximo interrogatório, seria na frente de um juiz.
Geraldo assentiu, deduzindo como seria os próximos passos daquela operação. E então disse.
—Geraldo: Estevão San Roman, foi um imbecil para ter tentado algo assim! Vou falar com o delegado para ver se consigo o milagre de tirá-lo ainda essa noite daqui.
Ele olhou ao redor. Reconhecia aquela delegacia e lembrou a última vez que esteve ali e na companhia de Maria. E por azar ou não, estava ali por ela também. Vivian e todos os jornais já o tinham atualizado de como ela estava e aparentemente qual seria seu próximo caso.
Vivian então sorriu quando viu seu chefe pronto para guerra e a inspirando, e então ela disse.
—Vivian: Eu vou ligar para Heitor para dizer que já está aqui!
Ambos tomaram então caminhos diferentes.
Geraldo caminhou e foi levado então, até a sala do delegado responsável pela operação e toda a investigação.
No hospital, Maria tomava água.
Estrela pegou o copo que tinha um canudo e deixou em uma mesinha. Enquanto, Heitor, fazia agora a mãe deles deitar na cama novamente.
Quando ela esteve deitada. Ainda que tomada por um cansaço e dores pós cirurgia, ela disse aos filhos já mais calma.
—Maria: Onde está o pai de vocês? Eu preciso falar com ele.
Estrela sem saber a verdade, apenas deu um leve sorriso e disse.
—Estrela: Ele nos deu privacidade para estarmos aqui.
Heitor pigarreou ao ouvi-la e agradeceu a naturalidade que a irmã havia falado. E acrescentou.
—Heitor: Ele foi para casa. Precisava de um banho e se alimentar o que também precisamos. Principalmente a senhorita.
Ao final da frase, Heitor olhou para Estrela. Ela ficou vermelha. Tinha fome e também sentia que precisava de um banho. Mas mesmo assim disse.
—Estrela: Não quero deixar nossa mãe, Heitor.
Maria deu um leve sorriso para ela, buscou sua mão e disse.
—Maria: Filha, não vou ficar sozinha, acredito que assim que vocês forem seu pai virá. Não é, filho?
Ela trocou o olhar dela para olhar Heitor do outro lado da cama e de pé.
—Heitor: Sim
Ele respondeu rápido e beijou a cabeça de Maria.
—Heitor: No caminho já vou entrar em contato com ele.
Ele então disse mas daquela vez não mentindo, tinha que saber do pai e de Vivian.
Maria então confiante que nada mais passava, a não ser ela ali e em volta de sua dor, disse.
—Maria: Eu vou esperar o regresso de vocês e ele.
Estrela já que não via jeito de ficar apenas disse.
—Estrela: Eu vou. E não esquece que te amo, mamãe.
Maria sentiu seus olhos tomarem de lágrimas. E depois os braços de Estrela em volta de seu corpo.
— Maria: E eu a vocês dois.
Ela então depois buscou as mãos deles dois. E não pôde evitar em pensar que em meses aquele número 2 de filhos poderia ser 3.
Ela então piscou querendo chorar novamente. E sabendo que se fizesse, seus filhos não iam ela respirou fundo.
Na delegacia.
Estevão ouviu barulho de cadeados abrindo e depois fechando, em seguida ouviu passos que iam até aonde ele estava. E então a visão de um homem na frente de sua cela, apareceu.
Ele se levantou de onde estava e disse de corpo rígido e voz áspera.
— Estevão: Você...
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