Falso amor
69 Capítulo 69
Olá, lindas, eu pareço estar sumida, mas não estou. Estou mesmo é preparando uma maratona de capítulos para esse final. Tanto que já tenho o próximo capítulo pronto e o seguinte já em andamento. Portanto, vou começar a postá-los desde de agora. Bjs!
Geraldo ergueu a cabeça, encarando Estevão nos olhos.
Assim, sério ele disse diante da recepção calorosa que Estevão lhe tinha dado.
—Geraldo: Estevão San Roman. Ainda não fomos apresentados formalmente, como deveria ser, mesmo que já nos conhecemos de outro ambiente, não é mesmo? Pois bem, sou Geraldo Salgado e estou aqui para ser seu advogado.
Depois de falar, Geraldo passou o braço pela grade e estendeu a mão para que Estevão pegasse.
Estevão do outro lado da grade, encarou a mão do homem. De fato, já tinham se visto. Ambos eram conhecidos em seus ramos diferentes e as vezes se cruzando em alguma reunião de trabalho, evento, jantar ou algo do típico que homens como eles frequentavam.
Mas por isso se tornaram amigos? Nunca. Muito menos, chegaram a ter um contato em relação ao trabalho.
Estevão riu totalmente descontente, colocando as próprias mãos dele no bolso de sua calça, em um claro recado que dispensava aquele aperto de mão.
Óbvio que dispensaria. Estevão tinha conhecimento que estava em lugar que nunca imaginou que estaria. Tinha perdido o respeito que com muito trabalho havia conquistado, junto de um nome a que honrar e um legado para seguir.
E aquele momento mais nada tinha do que um dia se orgulhou em sua vida profissional, social e até pessoal. Em troca, tinha seu lado como um homem que ainda era e isso por estar em sua biologia não lhe tirariam. Portanto, lhe restava seu orgulho, o que bastava para ele não apertar a mão de Geraldo Salgado.
Não apertaria sabendo que ele havia se interessado pela mulher que ele amava. Podia muito bem lembrar do momento que Maria confessou o beijo que haviam trocado.
Assim, ter aquele homem ao seu lado era como ter mais um punhal apontado para suas costas. Afinal, o que Geraldo ganharia o defendendo?
Estevão analisou o homem bem vestido que ele era, conhecia também a boa reputação de seu escritório e dos advogados que trabalhavam para ele. Então aquilo não poderia ser por dinheiro. Sua recusa de tê-lo como advogado de nada o afetaria. Então restaria apenas um motivo: Maria.
A gratidão dela poderia ser para ele um triunfo. Um que ele não daria jamais.
Assim então ele disse, seco e de tom firme.
—Estevão: Sinto que tenha que voltar de onde veio, Geraldo Salgado. Não estou precisando de seus serviços e nem os desejos.
Ele disse rápido e já voltando para seu banco solitário.
Geraldo do outro lado da cela, sorriu ironicamente. Recolheu a mão que o oferecia, enfiou no bolso da calça dele e respondeu.
—Geraldo: Não é isso que vejo, Estevão. Está tão ferrado quanto um bandido de quinta que prendem e deixam à própria sorte. Mas sua sorte aqui, sou eu. E é melhor que aceite logo, porque terei um longo trabalho para te tirar daqui e não quero perder mais tempo.
Estevão riu sem vontade, parou e girou o corpo de volta para o lado do homem. E o encarou, e disse, dessa vez mais grosso.
—Estevão: É muito convencido para meu gosto Geraldo. Já disse que não quero seus serviços. Saia!
Geraldo passou mão na cabeça, depois cruzou os braços e se encostou na parede. Ele olhou o pulso olhando seu relógio que marcavam horas que corriam, e ele seguia perdendo tempo ali, com um homem teimoso e evidentemente orgulhoso. E então disse.
—Geraldo: Deve estar exausto. Acompanhei o que desde de cedo acontece na sua empresa. Sei que Maria sumiu e foi encontrada, agora ela está em um hospital. Acredito que quer estar do lado dela. Então seja racional ao menos uma vez nesse dia, Estevão San Roman e me aceite como seu advogado.
Geraldo terminou de falar desejando convencer Estevão. Que usando as palavras que fez, somente causou mais raiva a ele, que foi próximo das grades de sua cela, as segurou com força e falou com raiva.
—Estevão: Não sabe do inferno que está sendo esse dia. Não sabe do que senti quando soube que Maria estava desaparecida, é depois encontra-la na mira de um maldito infeliz que se juntou a outros ratos para fazerem a festa na minha empresa! Minha!
Ele se afastou da grade, mas antes bateu nela. Bufando de ódio, ele não esperou resposta alguma de Geraldo, para seguir falando.
—Estevão: Esses mesmos ratos, mataram meu filho! Maria está em um hospital por esse motivo e eu aqui porque mereci, porque mereço! Dei espaço para tudo isso acontecer e ainda tentei matar um deles. E espero que eu tenha conseguido!
Ofegante depois de falar, ele passou a mão na cabeça. Quando Geraldo cansando de ser bonzinho, voltou até ás grades da cela e disse firme.
—Geraldo: Cala a boca, Estevão! Não seja imbecil em falar o que fez! Você não matou ninguém e vamos provar que você não tinha conhecimento daquela fábrica, muito menos da lavagem de dinheiro que usavam sua empresa!
Quando terminou de falar, só se ouviram as respirações de ambos ofegantes. Que então depois de um tempo, Estevão falou sério ainda que mais calmo.
—Estevão: Já disse para desistir. Sou culpado em tudo isso!
Geraldo riu sem vontade e rebateu as palavras dele, muito certo do que ele tentava fazer.
—Geraldo: Está se punindo é isso que está fazendo! E meu caro, aqui só quem vai poder fazer isso, vai ser um puto de um Juiz, Estevão!
Estevão riu também, cruzou os braços, depois levou outro até sua cabeça alisando ela com sua mão e em agonia, o mirou e o respondeu com um riso frio nos lábios.
—Estevão: Estou adiantando o lado dele. Acha que não vão achar assinaturas minhas no meio de tudo isso? Eu fui o presidente daquela empresa! Muitas negociações passaram antes por mim! Além do mais, o que fiz à Bruno, não deverá ser ignorado.
Geraldo bufou cansando-se do que ouvia e disse, o que Estevão parecia não ter conhecimento.
—Geraldo: Seu sócio não morreu. Acabo de ver uma mensagem de Vivian, me avisando. Ele segue em estado crítico, mas vamos torcer para que ele melhore. Afinal alguém tem que pagar pelo que fez. Já que não chegaremos aos peixes grandes, portanto não vamos deixar que façam dele, você, Estevão!
Estevão piscou mais de uma vez e encarou dizendo depois.
—Estevão: Ele não morreu?
Ele bufou ficando com o rosto todo vermelho, cheio de fúria. Enquanto Geraldo querendo lhe trazer a razão, ele disse.
—Geraldo: Não deve seguir agindo assim, Estevão. Me ouviu? Se não tivermos ele, só você será almejado! Já chega de agir como um jovem inconsequente! Já está notando que homens como você, demora, mas também param na prisão!
Estevão não quis saber nem entender que a vida de Bruno teria mais utilidade com ele vivo que morto. Assim então ele mirou Geraldo, deu suas razões para odiar Bruno e desejar sua morte.
—Estevão: Bruno matou meu filho! O filho que eu e Maria teríamos! Ele compactuou com a perca que sofremos! Ela sangrou diante dele e do desgraçado que já está no inferno, e era onde Bruno deveria estar também! Então lamento se eu desejo que a punição desse homem seja a morte e não a justiça da qual me trouxe aqui e tudo depois de miseráveis 15 anos!
No hospital.
A noite seguia enquanto Maria estava sozinha no quarto.
Uma enfermeira havia administrado medicamentos nela, e tendo a companhia dela, ela pediu que aproximassem sua bolsa, que ela viu no centro de uma mesa que ela não podia ir até ela por sua condição.
Assim ela pegou seu celular, o mesmo que desejou ter em mãos quando esteve na posse de Manolo. Que pensar nele a fazia se arrepiar quando lembrava da última imagem que teve dele sendo atingidos por tiros.
Ela também ali, não sabia de nada ainda. Havia feito perguntas e informada que ao amanhecer teria vistas em seu quarto para lhe colherem depoimentos. Fora isso, não sabia se Manolo havia se salvado, tampouco Bruno.
Ela suspirou sentindo-se jogada li aonde estava, sem respostas de suas perguntas e sozinha.
Pensava que se ao menos Estevão cruzasse a porta a qual agora ela mirava cheia de ansiedade, teria dele as informações que buscava. Mas também não queria ele ali apenas para saber o que se passava ao seu redor. Também o queria para buscar nele o consolo que necessitavam. Afinal, ambos tinha perdido o bebê que esperavam.
Seriam pais novamente em alguns meses se tudo aquilo não tivesse acontecendo. E aonde ele estava?
Ela então ouviu alguém bater na porta.
Nervosa, ela limpou a mão suada na coberta que a cobria e permitiu que passassem.
Enquanto rogava a Deus que entrasse fosse Estevão, quando viu que não era, seu corpo todo ficou rígido.
—Maria: Você?
Luciano fechou a porta atrás de si e adentrou mais no quarto, enquanto levava as mãos nos bolsos de sua calça.
Assim então ele disse manso.
—Luciano: Sei que já é muito tarde e precisa descansar Maria, mas não poderia ir embora sem te ver.
Maria ergueu a cabeça e o respondeu, séria.
—Maria: Já me viu, agora já pode ir, Luciano.
Luciano deu sorriso pequeno enquanto sentia sua alma cada vez mais sombria diante das rejeições que seguia tendo de Maria. O que fez ele pedir em lamento.
—Luciano: Por favor, Maria, não me trate assim.
Maria riu sem vontade quando o ouviu e o questionou, nervosa.
—Maria: E como quer eu que o trate? Você sabia, sempre soube de tudo o que aconteceu na empresa de Estevão em todos esses anos, Luciano! Você sabia e nunca me disse nada! Tive ainda mais a prova disso quando me ligou nessa maldita manhã.
Luciano sentiu seu corpo todo rígido novamente quando lembrou do momento que soube por Bruno, que ele mataria o diretor financeiro da empresa. Que assim, ele rebateu as palavras de Maria.
—Luciano: Eu quis te proteger e o seu filho. Você que não me ouviu!
Maria respirou ofegante, cruzou os braços e virou o rosto, enquanto se seus olhos começavam a descer lágrimas pesadas.
—Maria: Eu perdi meu bebê. Não há nada dele dentro de mim. E se você quisesse mesmo me proteger, teria ido na delegacia e contado tudo o que sabia. Como por exemplo, aquela maldita fábrica que faziam dinheiro e mantinha pobres mulheres como reféns daquele sistema.
Quando terminou de falar, ela o mirou novamente e ainda que seus olhos e bochechas eram tomados por lágrimas ela o encarava ressentida com raiva. Um olhar que Luciano estava se acostumando a receber dela. Diferente do que antes tinha dela. Ela sempre o olhou com gratidão, cumplicidade e até com amor, mesmo que amor que ela teve para dar a ela fosse de amigos. Ainda assim ele o teve por anos.
Sentido pela perca de tudo que tinha de bom vindo dela, ele disse baixo, a respondendo.
—Luciano: Eu só fui saber da existência dessa fábrica, quando procurei Bruno essa semana, Maria. Eu juro que não sabia de nada antes.
Maria limpou um lado de seu rosto, e o respondeu.
—Maria: Não importa mais quando soube, o mau já foi feito e acredito que com a chegada dos federais naquele lugar, tudo se acabou. Tudo...
Ela suspirou e encarou a parede, como que sua mente tivesse a levado para outro lugar.
Com passos curtos, Luciano se aproximou mais dela e disse.
—Luciano: Tudo naquela fábrica chegou ao fim sim. Mas tenho informações que a investigação vai seguir. Maria. Foram muitos presos quando te resgataram. Existe também muitas perguntas para obterem repostas.
Certa que o que ele falava era mais obvio ela voltou a mirá-lo e agora com a guarda mais baixa e o respondeu.
—Maria: Sim, acredito que sim. Mas para mim acabou. Já ficou claro com isso tudo que de fato ocorria um crime na empresa de Estevão e que fui mais uma vítima dela. Agora o que quero é virar a página de tudo isso.
Depois de falar, ela tentou repousar as costas nos travesseiros atrás dela e deixar seu corpo dolorido descansar. Mas parecia que Luciano tinha outros planos, ao dizer.
—Luciano: Bom, eu não acredito que será capaz de fazer isso, Maria. Não com Estevão San Roman preso.
Quando o ouviu, Maria fez um movimento brusco ao sentar-se. O que não a importou que junto das batidas rápidas que seu coração tomou, ela o questionou.
—Maria: O que você disse? Estevão foi preso?
Luciano assentiu agora se afastando da cama.
—Luciano: Têm algumas horas que o vi indo preso e também...
Maria nervosa, disse em tom de aflição o questionando mais uma vez.
—Maria: Também o quê? O que Luciano?
Luciano parou a olhando, enquanto ela estava pronta para deixar a cama.
—Luciano: Há rumores que ele tentou matar Bruno.
Maria então incrédula e ao mesmo tempo confusa por lembrar da última vez que viu Bruno, disse agoniada.
—Maria: Eu, eu não entendo. Não entendo! Eu vi Bruno morrer. Manolo, o matou em minha frente!
Ela tocou tateou a cama desejando achar seu celular e fazer com que Heitor confirmasse a ela tudo que Luciano falava. Quanto ele, segui falando.
—Luciano: Ele sobreviveu! Está em um estado crítico, mas vivo. E Estevão tentou mata-lo.
Desistindo de procurar seu celular perdido, Maria levou as mãos nos cabelos aflita, passou elas pelo rosto e disse depois.
—Maria: Meu Deus, por que Estevão tentou fazer isso? Por quê?
Luciano então entre os dentes disse, revelando com desdém a inconsequência de Estevão;
—Luciano: Por que ele nunca mede suas ações. O que ele fez poderia dar a ele, anos de prisão!
Maria respirou fundo enquanto seu coração não se acalmava e dificultava que seus neurônios entrassem conscientes nas suas ideias. Mas buscou a fundo nas informações que Luciano lhe dava, que Bruno não morreu. Então assim, ela disse.
—Maria: Se Bruno não morreu, não houve crime apenas uma tentativa desesperada. Estevão está sobre pressão e sofrimento por isso agiu dessa forma, Luciano! Eu o conheço e sei como ele pode agir quando se encontra fora de si.
Depois de respirar para seguir falando, ela levou a mão na barriga e seguiu com a voz mais baixa.
—Maria: Perdemos um filho juntos. E eu sempre soube que quando tudo que estava acontecendo na empresa viesse à luz, seria dessa forma e acabaria com ele. Eu sei que Estevão e sua empresa jamais serão os mesmos depois disso tudo.
Luciano com tudo que ouviu, respirava agitadamente, tinha os olhos brilhando de raiva, o corpo tenso e rosto vermelho. Por isso ele elevou a voz ao responder Maria.
—Luciano: Percebe o que está falando, Maria? Estevão tentou matar um homem!
Maria consciente do que estava sendo capaz de pensar, dizer e disposta a defender, o respondeu firme e tão ressentida quanto pensava que Estevão esteve para ter tentado fazer o que fez.
—Maria: O homem que diz, nos destruiu! Ele me viu sangrar, enquanto eu perdia meu filho, e só o que ele fez foi me esbofetear sem um pingo de compaixão. Então me perdoe, Luciano, se estou ao lado do pai dos meus filhos ao invés de estar ao lado de mais um assassino do meu bebê!
Ela ofegou quase sem ar e o aparelho que media todo o tempo o seu coração, começou a soar mais rápido. Luciano olhou o monitor e disse agora, preocupando-se com ela.
—Luciano: Vamos se acalmar, Maria. Acaba de sair de uma cirurgia.
Maria riu levando uma mão ao pé de sua barriga onde ela começava a sentir dores. Assim então, sem olhar Luciano, ela o gritou.
—Maria: Se me quisesse calma, viria me dar notícias boas. Não mais desgraças!
Luciano então disse no mesmo tom que ela.
— Luciano: Sei quer uma boa, aí vai. Manolo morreu! E com sua morte, foi divulgado um vídeo onde ele deixava a casa da esposa dele, antes dela supostamente tirar a própria vida. Não param de falar disso nas redes sociais e televisão. Na verdade, o escândalo das empresas San Roman também segue sendo destaques.
Maria fechou os olhos tentando se acalmar, mas seus nervos não ajudavam. Que assim depois de ouvir Luciano, ela o respondeu.
—Maria: Eu sempre soube que ele havia sido o assassino dela. Quanto á Estevão, eu preciso, preciso tirar ele de onde ele está. Ele é inocente.
Ela tirou as cobertas que cobria seu corpo, revelando suas pernas nuas, com seu corpo que era coberto por uma camisola de hospital.
Luciano ao ouvi-la novamente defender Estevão. Disse, cobrindo o corpo dela de volta.
—Luciano: Por Deus, Maria. Vou permitir que o defenda em relação ao que houve sobre Bruno, mas não sobre a empresa! O descaso dele colaborou com tudo isso!
Ele a mirou firme e ela então encarou com raiva, dizendo.
—Maria: E quem vai julgá-lo não será eu e nem você Luciano e sim um juiz! Eu vou conseguir um advogado, vou ajuda-lo. Ele não pode pagar por tudo sozinho!
Ela novamente deu entender que deixaria a cama, Luciano então tocou em um braço dela e no peito também para força-la deitar-se.
—Luciano: Não se mexa. Você não pode levantar. Fique aonde está, Maria!
Maria então fora de si, bateu no braço dele, depois pegou uma das mãos dele e lhe tirou do seu corpo, dizendo.
—Maria: Não me toque! Não me toque, Luciano que você também deveria estar aonde Estevão está agora! O seu silêncio te faz culpado!
Luciano se afastou dela e disse firme.
—Luciano: Eu não sou culpado de nada! Nunca tive um só centavos desse esquema! O que fiz, sim, foi me calar mas para me proteger! E a você também!
Quando ouviu, Maria deu gargalhada alta e fria, passou a mão em um lado de seu rosto tomado por lágrimas de nervoso e desespero, e o respondeu.
—Maria: Me proteger? Faça me favor, que você foi tão culpado como todos involucrados, nisso, Luciano! Quando esteve em meu apartamento assumiu seu envolvimento mesmo que tenha sido covarde o suficiente para fazer isso em palavras!
Luciano andou pelo quarto, passou a mão na cabeça, e quando se virou para o lado de Maria, ele a respondeu enquanto imagens do passado tomava sua mente.
—-Luciano: Eu não tive escolha! Era eu colaborar ou ser descartado em tom de ameaça contra minha vida, Maria! Bruno me ameaçou enquanto ele ainda colocava seu plano em ação e isso foi há 15 anos!
Maria o encarou com raiva, e mais desiludida com ele sua clara confissão quede fato ele sempre soube de tudo, ela o respondeu enojada.
—Maria: Eu sei que se quisesse fazer o certo, denunciaria tudo e depois sabe muito bem que seria protegido pela lei como uma testemunha importante, Luciano! Então não me dê essas desculpas incabíveis.
Luciano riu ironicamente e a respondeu sério.
—Luciano: Qual lei? Essa tão falha que só desmancharam esse esquema uma década depois, Maria? Me fala qual lei? A conhece como eu. Sua cliente morreu sem nenhuma proteção dela!
Maria piscou com seus pensamentos indo agora na pobre mulher e disse.
—Maria: Você foi um covarde que nem tentou ao menos lutar, e ela uma vítima de outro homem covarde e sem alma.
Ela respirou ofegante e ele o respondeu enquanto tentava se acalmar.
—Luciano: Ainda assim não argumentou sobre as leis e todo esse sistema sujo e corrupto, que nos governa Maria. E para sua informação, eu te protegi sim! Evandro tinha planos para estuprá-la naquela mesma noite que te fizeram acordar naquele quarto!
De repente Maria ouviu só um eco quando tais palavras de Luciano foram ditas. Suas feridas foram tocadas, sua pergunta por tantos anos feitas reveladas. E então ela começou a chorar enquanto gritava.
—Maria: Calasse! Não quero mais te ouvir! Já basta, Luciano!
Enquanto lágrimas escorriam de seus olhos, Luciano apareceu mais perto de sua visão borrada por elas e seguiu.
—Luciano: Não queria a verdade de mim? Naquela noite eu também estive parte dela naquele quarto. Vi quando você chegou! Fiz com que Bruno não permitisse que Evandro te tocasse, o homem que pagaram para sair nas fotos com você, tampouco te tocou. E tudo porque eu não deixei!
Maria soluçou seguindo ouvindo aquela o restante daquela história, aquela maldita confissão. Assim quando Luciano se calou, ela o encarou e disse entre lágrimas de revoltas.
—Maria: E você quer que eu te agradeça? Que beije seus pés pelo que me fez Luciano! Você testemunhou minha desgraça!
Ela limpou as lágrimas que tomavam com raiva e seguiu.
—Maria: Acabaram com meus sonhos naquele quarto, com minhas ilusões, minha vontade de viver! Eu perdi minha família! Perdi meu filho, meu marido e tudo por um plano sujo e ganancioso!
Luciano fez um gesto negativo com a cabeça, e depois rebateu as palavras dela com as verdades que acreditava ser dos fatos.
—Luciano: Aquilo tudo só era para te manter afastada da empresa e de Estevão. O resto quem fez foi ele, Maria! Foi Estevão! Um divórcio entre você e ele, tiraria de você apenas o passe livre que você tinha nas empresas San Roman. E esse era o plano! Portanto o que sucedeu depois, foi Estevão que acabou com você!
Tomada por um turbilhão de pensamentos e sentimentos, Maria desesperada e sob os efeitos das últimas palavras de Luciano, mirou ao seu lado um botão que chamaria alguém ao seu quarto e começou aperta-lo.
Assim então ela disse, enquanto seguia com sua ação.
—Maria: Eu quero que você saia! Saia daqui, da minha vida, quero que você desapareça, Luciano!
Luciano certo que Maria apenas fugia das verdades que ele dissera, disse antes de fazer o que ela pedia.
—Luciano: Se desligue de seus sentimentos Maria. Estevão merece tudo o que está passando agora.
Maria então o berrou mais alto.
—Maria: Eu disse para sair daqui! Saia!
Quando gritou, a porta do quarto dela se abriu com um par de enfermeiros.
Enquanto ela chorava descontroladamente, seus movimentos abdominais faziam que incomodasse o local de sua cirurgia, o que causava dores a ela. Assim então ela tentou deitar novamente no leito. Enquanto Luciano saia do quarto sendo empurrado por um enfermeiro, que em seguida fez de Maria alvo dos cuidados no quarto.
Amanheceu.
Quando Maria voltou a abrir os olhos, já era dia. E com isso, ela voltou a ver quem estava com ela. Heitor e Estrela. Seus filhos amados sempre estavam ali ao lado dela.
Ela então sussurrou os olhando de olhos emocionados.
—Maria: Meus filhos.
Heitor que estava ao meio do quarto e mexia no celular, a olhou e foi rapidamente até a cama dela. Estrela que estava no sofá, foi também.
—Estrela: Como está, mãezinha?
Estrela pegou na mão dela e a beijou. Heitor foi mais perto ainda dela, e lhe beijou na testa e depois disse.
—Heitor: Quando voltamos pela noite, estava dormindo e descobrimos que se exaltou.
Maria deu um leve sorriso e o respondeu querendo esquecer do que tinha passado com ela quando Luciano a visitou.
—Maria: Fiquei sabendo de notícias ruins.
Ela então disse sabendo que não era mentira, afinal Estevão estava preso. Ela olhou Estrela depois, fazendo ela entender que ela poderia estar falando sobre Estevão estar preso. Que assim então a adolescente já ciente de tudo, disse baixo.
—Estrela: Eu já sei que Estevão está preso. Vivian e Heitor me contaram essa manhã.
Heitor suspirou lembrando do momento que viu que não dava para esconder mais aquela verdade, e foi quando ela perguntou dele mais uma vez ao amanhecer.
Que então assim, já com todos sabendo ali da verdade, ele disse.
—Heitor: Falando nele, ele não aceitou o advogado que eu e Vivian conseguimos para ele. Estava pesquisando enquanto não acordava, alguns nomes para contatar um, mãe.
Estrela ao ouvi-lo o questionou o olhando.
—Estrela: Se nossa mãe não tivesse como está, iria defendê-lo. Não é mãe?
Maria assentiu quando Estrela a olhou, ao questiona-la. Mas sabendo da realidade que seria se sua situação naquele momento fosse outra, ela a respondeu.
—Maria: Eu gostaria muito de fazer isso, mas mesmo se eu estivesse fora desse hospital, eu não poderia filha. Para lei, seria um conflito de interesse, já que ele é o pai de vocês dois e vivíamos um relacionamento.
Quando a ouviu, Heitor não gostou do verbo passado que ouviu sair das palavras de Maria, assim então ele a questionou.
—Heitor: Vivíamos? Vai deixa-lo nesse momento?
Maria o olhou rápido e se defendeu.
—Maria: Heitor, filho, vamos conversar em outro momento sobre isso. Agora me fale que advogado, escolheu e ele negou.
Como viu Heitor ficar em silêncio, Estrela respondeu à mãe deles.
—Estrela: O Geraldo Salgado.
Heitor seguiu em silêncio e andou pelo quarto, e Maria o olhando, tocou em Estrela, a mirou e pediu.
—Maria: Filha, por favor. Pode nos deixar a sós um momento?
Estrela assentiu, mas antes disse.
—Estrela: Te trouxe roupas e alguns objetos pessoais. Estão ali.
Ela apontou para uma mesinha que tinha um ramo de flores coloridas e que, Maria podia recordar que antes não estavam ali.
E depois de agradecer a sua menina, Estrela saiu do quarto e deu de cara com Vivian que bebia cappuccino.
Dentro do quarto, Maria pediu mirando Heitor distante dela.
—Maria: Se aproxime de mim, filho.
Heitor se virou na direção dela e evidenciou a ela, um par de olhos vermelhos e marejados.
Que a mirando nos olhos ele disse, revelando melhor a situação que encontrava o pai dele.
—Heitor: Antes que acordasse, fui usar o cartão dele na lanchonete daqui, e não teve saldo. Recebi ligações dirigidas á ele de cancelamento de contratos com a empresa. Também tive avisos de funcionários jurando processá-lo. O nome dele e da empresa, seguem dando audiência nos jornais. Mãe, meu pai está arruinado.
Maria engoliu em seco depois que o ouviu e disse baixo.
—Maria: Eu sei filho.
Heitor então suspirou e desconfiado pelo que antes ouviu dela, perguntou.
—Heitor: Se sabe, por que disse que vai abandona-lo?
Maria levou ar no peito e tentou se sentar. Quando viu seus movimentos, Heitor se aproximou mais ajudando ela se acomodar. E quando se sentiu cômoda, Maria o respondeu firme e séria.
—Maria: Eu não disse isso filho. Se mencionei que tínhamos uma relação mais do sermos pais de você e da sua irmã, é que agora não está muito claro a possibilidade que isso siga. Mas ainda que eu não siga sendo a mulher do seu pai, não vou abandona-lo como você pensa.
Heitor a olhou ainda em luta para ficar tranquilo ainda mais com que ouviu. E disse.
—Heitor: Não vai mesmo?
Maria afirmou com a cabeça e depois reafirmou dizendo.
—Maria: Já disse que não. Vou fazer de tudo para tira-lo de onde ele está. Começando em fazer com que ele aceite Geraldo como advogado dele. Para mim você não poderia ter escolhido melhor.
De repente um rápido sorriso brotou nos lábios de Heitor o que fez Maria se sentir aliviada, até vê-lo ficar sério outra vez ao dizer.
—Heitor: Só tem um problema. Os honorários dele são muitos caros, não sei por quanto tempo poderei mantê-lo.
Maria buscou a mão dele para segurar, o olhou e disse firme, desejando que passasse a ele a confiança que ela gostaria que ele seguisse tendo nela.
—Maria: Não se preocupe com isso, hum? Eu resolverei tudo. Só faça agora que Geraldo me visite. Eu vou contratar ele como advogado de seu pai.
Na delegacia em qual Estevão passou a noite.
Ele estava deitado no banco duro e frio, enquanto sofria de insônia.
Sem pregar os olhos pela noite toda, lembrava das 3 vezes que o buscaram para ir ao banheiro, da janta horrível que o ofereceram e depois do café com leite frio, que o serviram com 2 pães com manteiga quando amanheceu. O que apesar de jurar que nunca tinha comido algo tão inferior em seus cafés da manhã, não tinha rejeitado ele como tinha feito com a janta.
Assim, como estava ele ouviu de novo barulhos de cadeados sendo abertos, depois o portão se abrir e em seguida, passos que iam até ele.
Rapidamente ele então se levantou, desejando fortemente que não fosse Geraldo, mas que com a cabeça mais fria, que fosse um novo advogado que seu filho Heitor assegurasse que ele tivesse.
Ainda que, em nenhum momento o teve ali. Algo que começava lastima-lo em meio de sua melancolia estando na situação que estavam. Aparentemente sozinho.
—X: Estevão San Roman, será transferido ainda essa manhã. Portanto, terá 15 minutos para se lavar e vestir isso.
Um federal disse assim que parou diante do portão, dando-lhe sua visão á Estevão.
Estevão olhou na mão dele um plástico transparente que tinha um uniforme de presídio nele, na cor marrom. Ele podia ver também uma toalha, escova de dentes, pasta e sabonete. Tudo aparentemente sem ter sido usado.
Assim de corpo rígido, ele olhou o federal e perguntou firme, ainda que seu subconsciente já lhe dava a resposta.
—Estevão: Aonde irão me levar?
O federal não lhe poupou um largo sorriso, dando ele, ao responde-lo.
—X: Ao seu novo lar nos próximos meses já que homens como você não ficam tanto tempo preso.
No hospital.
Maria esperava por Geraldo já a meia-hora.
Quando enfim ele apareceu pela porta, ela suspirou em alívio.
O alívio que tomava seu peito foi inexplicável. Em meio do que ela e Estevão haviam passado por confiarem em pessoas equivocadas, seguramente faria dela uma pessoa na qual não seria mais capaz de confiar em alguém mais.
Mas ali estava ela apostando todas suas fichas, as que restavam, no homem que via.
Geraldo para ela, seria o único capaz de deixar Estevão livre antes mesmo do final das investigações e o veredito de um juiz.
Assim então ela, o ouviu dizer quebrando o silêncio entre eles.
—Geraldo: Sinto muito por sua perca, Maria.
Maria baixou a cabeça e mexeu nas mãos, enquanto o respondia.
—Maria: Eu sinto mais ainda, Geraldo.
Ele se aproximou devagar dela. Não era capaz de perguntar para ela, como ela estava, já que podia ver inclusive constatar o motivo dela estar em um hospital. Então assim, ele foi direto ao ponto poupando de cutucar a ferida ali ainda aberta.
—Geraldo: Sei que me chamou para ser advogado de Estevão e já estou sendo ainda que ele renegou meus serviços.
Maria então ergueu a cabeça feliz que ela não aprofundaria mais nos dramas que ela vivia, a não o qual ela o colocava naquele momento. Então assim, ela acabou sorrindo ao dizer.
—Maria: Eu sabia que pelo bom advogado que é, não iria rejeitar esse desafio ainda que ele o negasse.
Geraldo sorriu mais, mas agora estudando o peito e com os olhos brilhando. Afinal amava o que fazia. Que então assim, ele a respondeu.
—Geraldo: Não iria mesmo. Esse caso de Estevão será mais um caso importante para mim e meu escritório. Mas também aceitei por você. Quero te ver logo livre desse inferno que vive já há 15 anos, Maria.
Dessa vez ela suspirou, lembrando que o colocou ciente de seu passado quando esteve na casa dele e contou que ainda amava Estevão, dando assim fim nas esperanças dele.
Ela então assim, ela disse sentindo tocada por ele pensar em ajuda-la além de seu profissionalismo.
—Maria: É muita consideração sua visando minha escolha depois de nossa conversa.
E já que via que tocavam naquele tema, Geraldo disse, não muito orgulhoso como antes, mais consciente de sua posição.
—Geraldo: Não me agradou sair perdedor, mas já entrei em uma batalha vencida, Maria. Portanto, estou bem e muito melhor do qual foi sua escolha. Não tenho muito o que reclamar.
Maria pensou em Estevão e em qual posição agora ele estava e sussurrou.
—Maria: Não, não tem.
Depois eles ficaram em silêncio se olhando e então, Geraldo trazendo seu profissionalismo à tona mais uma vez, disse.
—Geraldo: Estão levando Estevão essa manhã mesmo para o presídio, Santa Maria.
Maria então arregalou os olhos surpresa com aquela notícia e disse.
—Maria: Quê? Como assim? Se não já o viu, como não fez nada para impedir isso, Geraldo?
Ela então expressou sua incredulidade e o cobrou. Geraldo sério então a respondeu, expondo as cartas que teve.
—Geraldo: Eu tentei, Maria. Mas no caso dele, não é qualquer fiança que se paga. Ele não foi pego dirigindo embriagado. Para esses casos já sabemos até a quantia que devemos desembolsar, mas no caso de Estevão, esse pedido tem que passar pelo ministério público. Um juiz irá estipular o valor e isso se ele autorizar.
Maria soltou o ar da boca em um gesto que mostrava que lhe caía a razão, ao reconhecer que o que Geraldo falava era verdade e que ele estava com um caso complexo para conseguir agir tão rapidamente. Mas que mesmo assim, ela já queria estar preparada para tirar Estevão da prisão. O que fez ela perguntar.
—Maria: E quanto tempo levará essa autorização? Meu Deus, eu preciso ir ao banco.
Ela tocou a testa sabendo que qual fosse a quantia, teria que ser tirada apenas com ela, e seria tão alta que teria que ser em notas vivas. Angustiada, ela sentiu Geraldo tocar no ombro dela e dizer.
—Geraldo: Acalme-se, Maria. Me deram 3 dias. Portanto não consegui impedir que o levassem essa manhã da delegacia.
Maria ao ouvi-lo, só recordou tempo que a levaram presa e que passou 7 dias com ela em uma delegacia na espera de ser transferida. Uma transferência que não aconteceu por Estevão, mas ela tinha pagado muito bem o preço e sua misericórdia.
Assim então, ela disse se questionando, questionando Geraldo.
—Maria: Eu não entendo! Por que decidiram tão rápido? Ele poderia passar esse tempo de espera na delegacia!
Geraldo depois de analisar aquela situação e de medir todos os fatos, começando pela cela que Estevão ocupava não ser equipada para um preso passar mais que 2 dias nela, ele também pensou nos fatores que determinavam mais ainda sua transferência tão urgente. Que então, ele revelou elas.
—Geraldo: Digamos que não estão muito contentes em tê-lo lá. Digo os federais, Maria. Estevão faz o perfil do playboy na meia idade, óbvio, e ainda branco, que compra a justiça com o dinheiro que tem. Então é muito óbvio que vão fazer de tudo para dificultar sua liberdade.
Maria então certa que teriam uma batalha na qual lutar, o mirou séria e respondeu.
—Maria: Por favor, Geraldo não poupe esforços para tira-lo dessa prisão. Dinheiro não será o problema. Tudo que necessitar recorra à mim!
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