Falsa Liberdade
2 Fardo do poder
04 de Abril de 2002
Mais um dia. Por que era sempre tão difícil levantar cedo? Manter as aparências deveria ser mesmo bem importante. Este uniforme preto fica bem em mim. Os alunos indo à escola, era como todo um pessoal reunido para um funeral. Muitas vezes era realmente essa a realidade. Mais e mais os fracos insistem em se opor. Poderiam simplesmente permanecerem quietos enquanto cuidamos de tudo. Hoje o dia estava chuvoso, um clima considerado por mim, perfeito.
— Elizabeth, poderia..-
— Tia.
— Ok... tia, poderia separar isso pra mim? Só precisa classificar em três categorias: Incapazes, Capazes ou Promissores.
— Então é assim que decidiram dividir... parece simples. Mas, que tal isso? — uma chama se formava na ponta de seus dedos.
— Ei, pode controlar o fogo? — era surpreendente, admito.
— Só em dias de chuva!
............................................
— Ei, por que essa cara confiante? Isso é totalmente inú..--
—Sabe, não é legal atirar livros nas pessoas. Isso sequer funciona comigo.
— Você é tão sem graça. — disse mostrando a língua.
— Quantos anos você... ah esqueça, nos vemos mais tarde.
A chuva caindo sobre mim era uma das únicas e melhores sensações que poderia ter. Imagino se estaríamos prontos para senti-la sem preocupações externas. Bom, não é como se fosse ficar doente ou algo assim, mas não queria roupas molhadas, foi preciso abrir o guarda-chuva. De fato uma chuva forte. Mas nada comparado às lágrimas das pessoas a minha volta. O clima era como o coração. Em tantos dias de calor, suportando a pressão da umidade, uma hora sempre haverá o momento da recaída da água. Assim como os japoneses suportam as atrocidades calados e com meros sorrisos falsos, e mesmo assim, em meio aos dias intermináveis sempre surgirão as lágrimas de súplica.
— Yukki, parece que temos uma nova prodígio promissora. — Yui se aproximava.
— Enfim algo bom.
— Algo bom, mas enquanto pudermos controlar. Além disso, não é uma habilidade agradável para uma garota.
— O que está dizendo? Temos um grande poder a nosso fav..-
— Tivemos uma perda, Yukki.
*um leve sopro do vento os envolveu*
...............................
— Uma perda?
— Sim, infelizmente. Yumi não sabia que havia despertado tal habilidade ainda e... aconteceu de abraçar um amigo.
O que... o que estou sentindo agora? Seria... tristeza? Não parecia ser.. "Aconteceu de abraçar um amigo", mas... abraçar não é uma demonstração de afeto?
— Qual a habilidade?
— Desintegração.
Pela primeira vez na vida, o que sinto é... "medo"? Meu corpo estava diferente, era como uma auto-confiança sendo destruída.
— Como....
— Yukki?
— Como funciona?
— É como algo, até o momento, involuntário. Tudo o que toca com as mãos, se torna cinzas.
— Onde ela está?
— Decidimos isola-la por precaução. Está apenas em prisão domiciliar. Mas não se preocupe, Louis à está protegendo.
— Não achei que uma barreira como aquela poderia conter um poder assim. — disse respirando fundo.
— Haha, caramba. Essa garota me deixou animado. Finalmente posso testar se consigo sentir dor. Nos vemos depois! — me afastei correndo.
— Ei... não mude totalmente a tensão, idiota.
Cara... sua casa era consideravelmente longe da escola e..- O que era aquilo? Um demônio estava caminhando entre as ruas como se fosse inatingível. As pessoas o estavam colocando no mesmo patamar de um Deus. Mas o que um Yanker faz aqui? Ruim... isso era muito ruim. Estava indo até a mansão de Yumi. Que problema... um poder desses contra nós seria devastador. Ei, não é possível que não tenham colocado alguém junto à ela como proteção. Pare de seguir em frente, droga. Por que agora? Nunca foi tão rápido. Será possível que esse Yanker tem a habilidade de prever o futuro? Isso arruinaria tudo.
— Olha só, foi aqui que deixei você.
UM GATO?! Você mesmo está criando uma imagem boa para si. Estivemos esse tempo todo, superestimando os Yankers?
— Não acha ele uma gracinha, Y-U-K-K-I?
— O que vo..- O QUE ERA ISSO? COMO POSSO SER ATRAVESSADO POR SUA MÃO? ISSO É A DOR? DO QUE VOCÊ É FEITO??!
* 8 segundos antes*
Um gato?! Você mesmo está criando uma imagem boa para si. Estivemos esse tempo todo, superestimando os Yankers? Bom... acho que não posso concluir algo precipitado assim, apenas com uma ação como essa. O fato é que ele havia ido embora, realmente um alívio.
— Tudo bem que estamos destinados à riqueza, mas sua casa é realmente grande. — dizia em voz baixa.
— O que adianta possuir tamanho, se apenas eu posso ficar aqui? — Yumi abria gentilmente a porta.
— Oi...
— Vai embora, quer morrer também? — suas palavras tampouco eram ameaçadoras. Estava passando o sentimento de culpa, remorso. Seu rosto manchado por lágrimas.
— A barreira não permite que se aproxime das pessoas?
— Não quero experimentar de novo... seu... seu sangue... sequer pude vê-lo. Ele não expressou dor, o que fez foi sumir diante dos meus olhos. Nada sobrou.
Caramba, garota teimosa. É... não havia outro jeito.
— Ei, ei, espere! Não se aproxime! Por favor!
Levemente seguro em sua mão.
— Não está sozinha, sabe. Veja bem, posso tocar você. — digo acariciando seu rosto.
— Mas não entenda errado, por tocar... eu quis dizer... você sabe, só em lugares permitidos.
— Como sabia que não iria morrer?!
— Não sabia, na verdade... que alívio!
— Idiota... seu... — a cada segundo envolvia-a em meus braços.
— Precisamos de você, por favor volte comigo, darei um jeito nesse pequeno problema. Sei que colocaram você aqui por precaução, mas agora não tem problema. Sabe por que? Vou cuidar de você.
Era encantador como seus olhos ganhavam algum brilho. Esboçava um pequeno sorriso ao segurar minha mão mais uma vez.
— Dessa vez, permita-me acabar com esse sentimento que te incomoda, tudo bem?
— S.... sim... acho que... bem... eu... obrigada Yukki.
Podemos contar com o controle dela sobre isso. Acho que me apaixonei mais um pouquinho. Acredito que será sim capaz de manipular a grande habilidade destrutiva que havia adquirido.
Fale com o autor