Falsa Liberdade

3 Futuro idealizado


03 de abril de 2002

*Yumi*

— Senhorita, creio que tenha esquecido novamente da programação de seu alarme. Com licença... está chorando?

— Ei, o que é isso? Por que..? Eu... não sei.

— Um pesadelo talvez?

— Acho.... acho que não. — estranho, não eram simples lágrimas de sono.

— Suponho que acontece... não é mesmo Tatsumi?

— Creio que sim. Por favor não se atrase.

— Ahh, não seja tão rígido. — decidi cobrir minha cabeça com o travesseiro expressando birra.

— Acho que não vai querer receber outro ataque.

— Ok, você venceu.

Esse homem sabe todos os meus pontos fracos, como poderia vencer assim? Droga, não costumo usar desculpas. É fácil me fazer rir com a precisão que possui com suas mãos. Assustador. Não teria como me defender, somos só nós dois já tem 5 anos.

Agora, mais um dia de planejamento. Fazia todo sentido Tatsumi ter reforçado em dizer para não me atrasar. Os militares não perdoam um único detalhe, e um menor erro pode resultar em uma análise imediata de suas condições atuais. Isso nem sempre ocorria de forma pacífica. Imagino que... seria muita sorte se essa grande massa de militares só obtivessem habilidades inúteis. Nenhum deles é capaz de enfrentar qualquer adolescente. Embora já soubéssemos que a radiação se foca em jovens, este exército veio depois. É possível que estejam testando artificialmente uma maneira de..-

— Ops... caiu. — um garoto disse após me jogar contra o chão.

— Ai! Olha por onde anda Jintan!

— Desculpa desculpa, estava esperando você... Mas como sempre distraída, pensando no sentido da vida.

— Muito engraçado. — droga, odeio saber que é verdade.

A escola estava com a presença de dois militares, nada fora do normal. Vários estudantes os desafiavam constantemente. Era engraçado observar a derrota dos novatos. E pensar que alguém conseguiria perder para um nível tão baixo.

— Ei, eu tô aqui.

Se bem que... não se pode obrigar à todos para que treinem e se aprimorem com o que possuem. Provavelmente a filosofia de cada um deve influenciar. Mas mesmo assim, não consigo imaginar alguém que aceite permanecer calado em um inferno como..-

— Ei ei, não me ignore baixinha.

— O... o que? Da onde tirou isso?

— Não leve tudo tão a sério. Tem que se divertir mais.

— Jin, estão olhando pra cá, e a culpa é sua.

Sempre com esse sorriso bobo na cara. Ahh, chega a ser irritante as vezes.

— Yukki, Yui, algo novo? — perguntei mais por obrigação.

— Depende... esticar o braço dois metros conta? — dizia Yui.

*Pequeno sorriso*

— Acho que não...

Precisamos apenas de habilidades incríveis... Atualmente a maioria tem sido quebrada ou não atinge os padrões de utilidade suficientes.

— Yumi?

— Oi?

— Podemos convers..-

— Ei! Olhem só, um novato que pode controlar a velocidade dos outros. — um garoto interrompeu mostrando à todos.

— Kise, vou correr com tudo que tenho, ok?

— Sem problema, não vai sair do lugar.

Ei... isso era muito legal. Mesmo se esforçando, aquele garoto não saía do lugar. Esses poderes dependentes dos outros eram interessantes, mas não diria individualmente. Ele não impedia apenas o movimento das pernas, mas todo o corpo. Não podia controlar as pessoas, podia pará-las. Mas o garoto podia se mexer, mesmo que apenas um pouco.

— Acho que posso fazer melhor Kise.

Essa frase ajuda muito. Então essa seria uma habilidade entre as quais é possível aprimorar seus limites.

Hoje era um dia um tanto calmo. As árvores estavam em silêncio, e não haviam sinais de ventanias. A biblioteca sempre atualizando os livros, algo que era ótimo. Todos os dias, mais e mais tento aprender a respeito dos pontos fracos do ser humano, e possíveis fraquezas para cada habilidade. Como nossa base era administrada por nós mesmos, todo o conteúdo era produzido aqui mesmo, com base em relatórios de cada jovem que desperta um poder. Bom... estava em condições confortáveis, lendo um dos livros em destaque da semana, recebendo carinho na cabeça........ Espera... carinho?

— Jin, por favor, tenho vergonha.

— Mas... que tal andarmos um pouco de bicicleta lá fora?

Normalmente recusaria, mas nesse momento, senti vontade de fugir um pouco da rotina... preciso ter momentos de uma adolescente de verdade, ou posso perder minha sanidade.

— Tudo bem, só dessa vez.

Nossa, o por do Sol estava envolvendo toda aquela praça. Que paisagem linda. Ele estava em minha frente. Parece que finalmente havia começado a ventar. O conheço desde o começo do ano mas... o que sei sobre ele? Realmente não me lembro de termos parado pra conversar como amigos. Será que ele é lerdo demais? Ou talvez tímido? Bom, com certeza o problema não é comigo, estou sempre disposta a conversar e... e conversar sobre qualquer coisa. Ele não dizia nada, talvez fosse o momento de agir... demonstrar alguma importância.

— Ei, então... não acha que o Sol hoje está..-

— Yumi.... — dizia virando-se pra mim.

— A verdade é que eu te amo.

— E...ei, s-sério isso?

— Claro... você é tão gentil.

— Mas por que?

— Bom, você ainda não sabe. Pra que tudo dê certo, você precisa me abraçar agora Yumi, não tem outro jeito. — disse se aproximando e rapidamente me abraçando.

— Tudo o que? Você é um garoto estranho... Mas.. de qualquer forma, me desculpe por não te dar atenção. — o abracei.

— Mas agora diga-me, o que voc...-

— O.... que..... J-Jin? Ei.... ei.... EI, ISSO É MENTIRA, NÃO É? JIN, CHEGA DISSO, NÃO TEM GRAÇA.... VOLTA AGORA!

O QUE ESTÁ ACONTECENDO? ELE.... ELE NÃO É NADA MAIS.... que.... cinzas... Ei Yumi... a culpa é... é sua... ONDE TUDO VAI DAR CERTO JIN? Você não mente Jin... volta...

Ei Jin... volta pra mim... sabe... iríamos nos conhecer agora... como... como isso aconteceu logo agora? Foi minha culpa... afinal por que não comigo? Foi apenas um toque.... e todo seu corpo sumia em instantes...

O mundo havia acabado ali por um instante.... nunca havia sentido tamanha dor. Horas e horas esperando que alguém o trouxesse de volta. Mas essa droga de poder que está em mim... tudo o que faço com ele se torna irreversível. Algo assim foi considerado uma ameaça à todos. Foi decidido que deveria ficar em casa, ao menos enquanto não puder controlá-lo...

*Dia seguinte*

— O Yanker se aproxima senhorita, para trás. Normalmente não possuem apenas uma habilidade.

— Mais de uma?! — disse escondendo as lágrimas.

— Shhh... ele vai te perceber. Mas o que aquele garoto está..-

— Abaixe-se. — disse abaixando-se comigo lentamente em silêncio.

*8 segundos atrás*

— O Yanker se aproxima senhorita, para trás. Normalmente não possuem apenas uma habilidade.

— Mais de uma?! — disse escondendo as lágrimas.

— Um gato? Que homem desprezível. Mantenha distância dele. Hoje tivemos sorte, admito.

Nunca havia visto a expressão de medo nos olhos de Tatsumi. Acho que o perigo ali era algo grande. Não conseguia deixar de pensar nele... Mas o que o Yukki faz aqui?! Idiota! Aos poucos me aproximei da entrada.

— Tudo bem que estamos destinados à riqueza, mas sua casa é realmente grande. — Yukki dizia em voz baixa.

— O que adianta possuir tamanho, se apenas eu posso ficar aqui? — por favor... só vá embora, não quero machucar ninguém...

*De volta ao presente*

Ela está me segurando pelo braço. No momento estamos parecidos com um casal... Fico feliz de passar essa imagem com a Yumi.

— Ei... Yukki, por que você..... morreu?

Notas finais
Só pra constar... os gifs são apenas representações, os personagens não tem essa aparência.