Fallout: South America
3 Jeferson e Os Militaristas
Notas iniciais
Os soldados acorrentam ambos, Karlus, Markos e Kustavo. Não lhes deram a chance de retornar á tribo, eram agora soldados conscritos, obrigados a servir contra a República do Sul em nome de um golpe militar, pela facção dos militaristas.
Eles foram acorrentados e levados até uma delegacia na cidade de El Dorado, lá foram presos as grades de uma cela, mais de trinta pessoas em um corredor, todos reclamando e tentando escapar, as vezes um dos militaristas passava por eles e esclarecia suas duvidas, ou gritava para calarem a boca.
–- Devemos avisar a tribo Karlus... — Sussurou Markos, que não falava muito e quando o fazia, falava baixo.
— Se tentarmos eles vão pegar os outros.
— Mas que droga — Praguejou Kustavo.
— Calem-se e parem de reclamar, receberão comida e equipamento para lutar, agora parem — Ele repetia — de reclamar senão um de vocês vai pra forca — Ordenou o capitão do regimento, em seu peito havia um distintivo e ao lado escrito Capitão Jeferson, 3ª Companhia, 17º Batalhão, 5º Regimento.
— Já li um livro de história... — Começou a falar Karlus, estava tentando distrair o capitão enquanto Markos tentava se desprender das correntes enferrujadas.
— Ler? Um selvagem lendo? Onde aprendeu?
— Um dia um homem, com um jaleco branco e óculos conversou comigo e com mus amigos, nos ensinou a curar ferimentos, caçar, a trocar com a cidade e a ler.
— Interessante, e por que ele fez isso?
— Ele disse que era pelo bem... Pelo bem da humanidade.
— Esse homem dever ser mesmo bom, ou tolo, já deve estar morto a essa altura.
— Infelizmente concordo com você, poucos sobrevivem, e os que o fazem não merecem viver.
— Hum, interessante, peça ao seu amigo para parar, vai acabar se machucando com as correntes.
“Como ele poderia ter percebido?” Karlus pensou, Markos parou na hora e ficou apavorado, com medo de ser enforcado. O capitão os deixou ali, ainda acorrentados até que depois de algum tempo um soldado foi até lá e gritou.
— Partiremos, quero 5 prisioneiros por vez para decidir o destino, a guerra ou a morte aqui e agora, quem serão os primeiros.
Karlus se manteve quieto, não havia opção real, pois ambas iam terminar com a sua morte. Cinco prisioneiros foram escolhidos, e depois mais cinco, e depois mais cinco, ainda faltavam 10 quando eles e mais dois outros prisioneiros foram chamados. Um dos outros prisioneiros, um que morava na cidade, puxou conversa.
— Você é um dos Naoris não é?
— Sim, sou... por que a pergunta?
— Nada.
Eles andaram até o final do corredor, era bem sujo e úmido, a porta bem velha e de madeira apodrecendo, parte da delegacia desabou então havia muita poeira em certas partes.
Depois que o soldado abriu a porta e viu que os prisioneiros estavam divididos em duas filas, na praça da cidade. No meio da praça havia sido montada uma forca improvisada, usando um poste, uma viga de madeira e uma corda, além de uma mesa para subir o condenado.
— Vocês cinco, formem uma linha, entrem numa das filas. — Disse o capitão em frente à "forca".
Enquanto isso mais cinco homens eram chamados para fora da delegacia e se juntavam à fila.
Karlus ficou na direita seguido por Markos, Kustavo e depois os outros dois prisioneiros.
— Você, primeiro na esquerda — Apontou para o prisioneiro que tinha perguntado a Karlus — Apresente-se.
— Meu nome é Arnaldo Carvalho, sou daqui de El Dorado...
— E o que vai ser, forca ou guerra? — O capitão perguntou frio.
— Nenhum dos dois, eu tenho algo de útil para vocês, mas em troca da minha liberdade.
— E, o que é?
— Sei de uma tribo próxima daqui, tem muitos homens jovens e fortes que poderia lutar.
— Cala a boca, seu desgraçado! — Gritou Karlus enfurecido.
O capitão abriu um sorriso sarcástico e encarou Arnaldo, depois olhou para Karlus que cerrava os punhos com raiva.
— Haha — Arnaldo riu prevendo sua liberdade.
— Hum, será condenado a forca, não posso confiar em alguém como você, vendeu a vida de varias pessoas pela sua própria, como aquele garoto ali disse, certas pessoas não merecem, de fato, viver... Forca! Agora!.
O sorriso do homem desapareceu na mesma medida que Karlus e seus amigos se sentiram aliviados.
Dois soldados vieram e começaram a arrastá-lo e direção à forca, ele gritava se debatia, xingava Karlus e os outros.
— Que sirva de exemplo, vocês, selvagens, faremos um acordo, iremos proteger sua tribo e deixá-la em paz se me ajudarem — Propôs o capitão.
— Que acordo?
— Se vencermos a guerra, estão livres, mas devem lutar até a morte se for necessário. Caso desertem, iremos atrás de sua tribo.
— Parece justo — era obrigado a concordar.
— Você ficou maluco? vamos morrer!— Gritou Kustavo para Karlus.
— Prefere morrer aqui e condenar os outros? Somos três, se morrermos, a tribo continua, mas se fugirmos, eles vão destruir nossa tribo inteira.
— Eu...
— Escute seu líder, selvagem — sugeriu um dos soldados.
— Ele não é meu líder, ajo como quiser — replicou Kustavo.
— Não vai se dar bem aqui, a partir de agora você age como eu quiser — disse o capitão.
Quando ele disse isso cinquenta soldados que estavam ao redor da praça e dos conscritos se aproximaram, Kustavo logo se acalmou.
— Você, líder dos selvagens — Disse para Karlus — Alguém solte suas correntes e leve-o até a minha barraca, vejo liderança em você.
Um dos soldados pegou uma chave e destrancou um cadeado na corrente de Karlus.
— Jeferson está confiando em você, não o decepcione — Um guarda usando tapa olho sugeriu.
— Não o irei. — Respondeu confiante.
Karlus seguia o capitão, ele andava alguns quarteirões em ruas pavimentadas, o asfalto rachado e bem sujas de barro. Ele segue até a antiga prefeitura da cidade, lá mais 20 soldados guardavam o local. Havia outra praça, na frente da prefeitura, uma área onde havia provavelmente grama antes, agora restou apenas barro escuro, as árvores que decoravam o lugar agora estavam queimadas, restos de postes de ferro de iluminação, alguns dobrados outros ainda levantados, mas sem as lâmpadas. No inicio da praça havia uma um monumento que deveria segurar uma placa de bronze marcando o inicio da cidade, mas o mesmo foi removido e só restou a marca de onde ele estivera, um quadrado mais claro que o resto do bloco de concreto. No final dessa praça estava a prefeitura, um edifício quadrado, na fachada quatro colunas, uma delas caiu no meio da praça há algum tempo. Toda tinta da prefeitura havia sido queimada, provavelmente pelas explosões. Pouco restou dos edifícios em volta, muitos foram destruídos e os materiais usados para construir barracos em outras áreas. Esse local era bem desabitado, os habitantes da cidade viviam do outro lado, mais próximos do rio, onde poderiam pescar e se proteger.
Eles entraram na prefeitura, lá dentro mais dois com uniforme militar, mas com uma diferença, tinham insígnias diferentes. Estavam olhando para uma mesa com um mapa, varias setas dirigidas para o norte.
— Disse que conhece história não é? Então deve saber que um capitão não poderia comandar sozinho. Aqui estão meus superiores, Major Dias e Coronel Borges. Senhores, eu escolhi esse selvagem para comandar os conscritos.
— É? Achei que essa seria sua missão capitão.
— Não posso comandar ninguém de fora da minha companhia, o selvagem, Karlus, será meu subordinado direto, irei coordenar suas ações e de seu "pelotão".
— Hum, primeiro ele precisa de treinamento, elevá-lo a patente de sargento seria um pouco irregular e fugiria ás regras militares. — Dizia o Coronel.
O Major continuava o fitando, tinha uma cicatriz na face, estava sentado, segurando uma faca prateada.
— Não temos tempo, dê-lhes armas e aprenderão na pratica ou morrerão — Disse o capitão.
— Seleção natural, cruel de sua parte capitão — Disse o coronel.
— A natureza é cruel, se não fosse não teríamos de lutar para sobreviver! — Disse Jeferson confiante de suas palavras.
— Capitão, confiarei em você, nomeio o selvagem como Sargento Conscrito, deve iniciar seu treinamento imediatamente, será responsável pelo treinamento dele e dos outros conscritos, marcharemos em dois dias para a capital. — Ordenou o Coronel.
— Sim senhor! — Jeferson bateu contingência e saiu, Karlus não tinha falado nada e agora era sargento dos conscritos, já era herdeiro dos Naoris, talvez fosse melhor ser o líder mesmo. Ele seguiu Jeferson até o lado de fora da prefeitura.
— Vamos pegar umas armas e um uniforme para você, vai aprender a atirar hoje.
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