Fallout: South America
4 O Treinamento
Notas iniciais
O capitão Jeferson e Karlus andaram até a barraca onde estavam os suprimentos. Havia uma mesa, com uniformes sujos e rifles 5,56 mm, ao lado algumas caixas de munição.
— Sabe o que é um rifle? — Perguntou o capitão.
— Sim senhor.
— Então pegue um rifle e aquelas garrafas vazias no lixo.
— Garrafas?
— Pegue!
Karlus foi vai até uma lata de lixo, pegou 3 garrafas de vidro vazias e depois pegou um dos rifles e colocou a bandoleira sobre o ombro.
— Agora coloque as garrafas sobre daquele banco — O capitão ordenava, apontando para o banco.
— Tudo bem — Andava até o banco no meio da praça, colocava as três garrafas de pé no banco e voltava para Jeferson.
— Tem alguma ideia de como se atira?
— Não.
— Faça como eu. — Jeferson pegava o rifle.
Karlus observava atento, olhava para as garrafas em cima do banco a quatro metros de distância deles, erra um alvo fácil.
— Segure assim. — Ele apoiava a arma no ombro e mirava, alinhando a mira, depois puxava o gatilho.
— Não atirou — Karlus comentou.
— Claro que não, está sem munição. — O capitão pagava um pente de munição e encaixava na parte inferior da arma. — Olhe agora.
O rifle disparava, acertava umas das garrafas que explodia em cacos. O barulho assustava Karlus que da um pulo para trás.
— Vai se acostumar, agora sua vez — Jeferson entregava o rifle.
Karlus tentava fazer o mesmo movimento, apoiando o cabo da arma no ombro, segurando a parte inferior com a mão esquerda e puxando o gatilho com a mão direita, ele atira, mas erra o alvo, acerta em uma janela de um dos prédios abandonados.
— Cuidado garoto, a arma vai te empurrar mesmo, tem que segura-la com força e resistir ao impacto, lembre-se de alinhar a mira.
— Vou tentar — Estava agora confiante.
Arriscava um tiro, era certeiro, explodia a outra garrafa, ele sorria e olhava para o capitão, orgulhoso de seu novo recruta.
— Mais um, terá de ensinar aos seu amigos e o restante do pelotão, deve aprender com perfeição.
— Tudo bem — Ele concordava.
Outro tiro que passava um pouco a esquerda da garrafa, atingindo uma das árvores queimadas.
— Não vai acertar todos, vou te dar uma dica, tente segurar a respiração e se manter o mais calmo possível
— Vou tentar.
Outro tiro, desta vez acertava seu alvo e a terceira garrafa se quebrava Jeferson o aplaudia e lhe dava um tapinha nas costas.
— Parabéns, agora sabe atirar, preciso falar com você sobre outra coisa agora, uma coisa chata que chamam de política que está afetando todo mundo por aqui.
— Pois bem, me ensine.
— Certo, começaremos com, sabe por que está aqui?
Karlus colocava a arma nas costas, presa pela bandoleira, Jeferson dizia “lembre-se de travar o rifle quando não for usá-lo” e Karlus então travou a arma, por segurança.
— Imagino que precisem de mais homens para lutar.
— Sabe por que lutamos?
— Não.
— Lutamos contra a república corrupta em que vivemos, se conseguirmos derrubá-la, uma nova era ira nascer, uma nova nação.
— Nação?
— Sim, uma grande grupo de pessoas, protegidas por leis, mantidas pelo Estado.
— Estado?
— Me esqueço de que veio de uma tribo, é o governo, os representantes e os militares, nós defendemos uma liderança exclusivamente militar, somos conhecidos como os Militaristas, nossa bandeira já foi elaborada por nosso presidente.
— Quem é?
— Fernando Vasconcelos, ex-governador dos três estados.
— Três estados?
— Hoje em dia são um estado, chamado de Três Estados, mas antes eram os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
— Como assim antes?
— Deve saber da guerra, e de que já houve um mundo totalmente diferente antes, á alguns séculos.
— Sabia bem pouco.
— Eu era professor, na vault em que eu vivia, posso te contar toda a história quando quiser.
— Se puder contar agora.
— Certo, vou começar por antes da guerra...
“Século XXI, uma guerra atingia a Europa, em busca do petróleo do norte da África e Oriente Médio...”
— Europa? Oriente Médio?
— Sim, lugares muito distantes, provavelmente continuam destruídos até hoje, vou te contar resumidamente, se não terei de lhe explicar tudo.
“Duas grandes nações brigavam pelo petróleo, que era usado como combustível, gerando energia para todo tipo de aplicação. Com a escassez desse combustível, foram obrigados a utilizar novas fontes de energia, dentre elas a energia nuclear. Porém a energia nuclear não supria toda a demanda de petróleo, então as duas nações começaram a invadir o território uma das outras em busca das ultimas reservas, o que resultou numa guerra mundial jamais vista. Aqui onde vivemos, na América do Sul, fomos atingidos pelas bombas tanto de uma quanto da outra. Já existiram nações aqui, vivemos no território da maior delas, o Brasil, embora não exista mais, outras nações sobreviveram ao fim do mundo, temos relatos de um governo Venezuelano, um Colombiano e um Chileno, que ainda existem. Outras nações, mesmo sem serem atingidas, acabaram entrando em colapso devido a falta de recursos.”
— Quanto a essas nações que ainda existem, estão muito longe de nós?
— Sim, e tem muitos obstáculos entre nós e eles, o primeiro, a resistência dos ghouls, homens sem pele, atingidos pela radiação forte no nordeste, que tentam resistir ao avanço da república do sul e da federação.
— Federação?
— São os remanescentes do antigo governo brasileiro, tentando reconstruir o país, embora eles não avancem mais.
— Por que não?
— Há uma facção ao norte, onde ficava a floresta amazônica, a qual não sabemos muito, sabemos que são tribais, e também extremamente violentos, a federação tenta contato com eles, mas até agora nenhum mensageiro voltou da floresta.
— Tem mais algum grupo ou facção que eu deveria conhecer?
— Existem inúmeros grupos, governos, facções espalhadas pelo mundo, muitas das quais não temos conhecimento. Mas uma que você deveria conhecer, é o Império Andino, criado a pouco tempo, mas vêm conquistando território e influência, podemos encontrar vilas e acampamentos deles mais ao norte daqui. Mais alguma pergunta?
— Não.
— Então quero que vista o uniforme que está dentro da barraca, e junte-se ao resto do seu pelotão e os ajude a treinar.
— Sim senhor.
Ele então ia até a barraca e vestia o uniforme de sargento, haviam mais quarenta uniformes na barraca, e uns cinquenta rifles e centenas de pentes e balas espalhadas. Ele retornou a praça onde o “seu pelotão” estava ainda preso. Estavam todos sentados no chão, alguns conversando, os guardas estavam os observando, quando Karlus chegou eles abriram passagem.
— Guardas, soltem os conscritos, são meus soldados agora, e parte dessa companhia.
— Quem você pensa que é? Selvagem! — Cuspiu o guarda.
— Qual sua patente? — Karlus perguntou.
— Cabo.
— Sou o sargento deste pelotão, agora ordeno que liberte meus soldados — Disse Jeferson que estava passando pela praça.
— É verdade Jorge, ele agora é sargento, libere os soldados dele.
Os guardas obedeceram e soltaram todos os conscritos, que por sua vez seguiram Karlus até a barraca com os rifles e uniformes. Todos estavam vestidos e equipados com os rifles carregados, e começaram a treinar, um ou dois tiros eram suficientes, não podiam desperdiçar munição.
Já era de tarde, os soldados de Karlus, que eram 27 contando com ele, ficaram abrigados em um prédio abandonado durante a noite, muitos dormindo no chão. Kustavo e Markos foram falar com ele antes de irem dormir.
— Acha que somos soldados agora Karlus?
— Vocês são, e não tem outra opção.
— Não vou lutar, não quero me arriscar por uma luta que não e minha! — Disse Kustavo nervoso.
— É sua sim, nossa tribo vive na área deles, podemos ajudá-los ou perderemos junto com eles.
— Mas...
— Kustavo, ele está certo — Disse Markos.
— O que? Você também? De que lado você está Markos?
— Do lado certo, não quero lutar, mas vai colocar a tribo em perigo por isso?
— Eu...
— Já falamos sobre isso antes, sem discussão. — Disse Karlus em voz alta.
Eles permaneceram em silêncio por alguns minutos. No quarto em que estavam haviam uma janela, podiam ver a escuridão da cidade a noite. O silêncio continuou, até que Jeferson entrou no prédio procurando por Karlus.
— Preciso que me acompanhe — Ele disse.
Karlus o fez, eles seguiram até a barraca onde estavam o major e o coronel. Quando entraram, Karlus notou que haviam mais oficiais, sargentos e outros capitães.
— Jeferson, Gomes, Barros... Acho que estão todos aqui — Dizia o coronel.
— Sim, acredito que sim — Respondia o capitão.
— Então vamos ao plano — O coronel ligava um projetor, um mapa surgia no pano da barraca, o mapa do estado de São Paulo com marcadores em algumas cidades.
— Senhores, como muitos já sabem mas vale a pena lembrar, esses marcadores marcam as cidades ocupadas por nossos batalhões, que compõe o 5º Regimento. Nosso regimento é o regimento de ataque, que deve avançar em direção a São Paulo. Aqui nessa cidade temos o 18º Batalhão, sob meu comando direto e o 17º Batalhão sob comando do Major Dias — Dizia o coronel.
— Vocês do 17º vão ocupar a próxima cidade a leste, a cidade de Registro, se tiverem sucesso meu batalhão seguira junto de vocês e deixaremos somente uma das companhias para proteger El Dorado.
— Somos nós — Disse Jeferson em voz baixa ára Karlus e outros dois sargentos de sua companhia e Karlus não conhecia ainda.
— Quanto a essa cidade, é uma cidade de tamanho médio, deve ter em torno de 100 a 250 habitantes, o problema são as forças de defesa da cidade. Sete torres de vigia com guardas, mas tirando isso, será fácil.
— É mesmo? Então por não vai lá com seu batalhão? — Jeferson resmungou, ninguém parecia ter ouvido.
— O que? — Karlus perguntou em voz baixa.
— Nada, eu pensei alto, só isso.
— 17º Batalhão, quero vocês em Registro amanhã!
— Sim senhor — Todos lá disseram.
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