Falling for the Target
2 The Boss
Notas iniciais
O que eles queriam com um simples atendente? Estava tão acostumado a matar políticos, donos de empresas grandes, pessoas com cargos altos, que a idéia de matar um simples atendente – e aparentemente tão inocente – lhe parecia absurda. Você já matou crianças, Joon. Uma voz chata lhe lembrava, no fundo de sua cabeça. E não podia negar. Já matara famílias inteiras, mas pela primeira vez em sua vida, estava hesitando. Culpa dos olhos tão inocentes e do sorriso tão puro – mas Joon jamais admitiria isso.
Já se passaram alguns dias desde o primeiro encontro com seu alvo e fazia alguns dias que freqüentava diariamente aquele café. Sou viciado em café – dizia a si mesmo, sem querer pensar demais sobre o assunto. Sem querer admitir que não era bem no café que estava viciado. Todos os dias, Joon se sentava na mesma cadeira, no mesmo lugar afastado dos outros clientes do local. E, todos os dias, era atendido pelo mesmo garoto, o garoto ao qual se tornara próximo, mesmo que não devesse – e como evitar, afinal?
Dizia para si mesmo que estava se tornando mais sádico, apenas isso. Queria tornar-se próximo apenas para ser mais divertido, na hora em que finalmente iria eliminar seu alvo. Imagine quão divertido seria ver aqueles olhos, ao descobrir que seu amigo, seria o causador de sua morte? Mas nunca conseguia explicar o sentimento desagradável que se apoderava de si, ao pensar naqueles olhos cheios de decepção.
E quem ele achava que estava enganando, afinal?
.-.-.
– O seu namoradinho chegou, Mir. – Caçoou um dos colegas de trabalho de CheolYong, usando um apelido não muito comum do garoto. O referido apenas corou fortemente, dando um murro sem muita força contra o ombro do rapaz.
– Yah! Já disse para não me chamar assim! – Não se orgulhava daquele apelido, odiava quando era chamado assim. – E Joonie hyung não é meu namorado... – Completou, ainda embaraçado, o olhar decaindo sobre os próprios pés, que pareciam mais interessantes que a figura à sua frente.
– Joonie? Já está nesse nível? Tsc, dongsaeng, assim você machuca meus sentimentos, te conheço há mais tempo e nunca me chamou dessa forma, tão informal. – O mais velho forjou um tom desgostoso, antes de suspirar e continuar a preparar um Mochaccino requisitado por um dos clientes que havia atendido. – E desde quando se sente ofendido com esse apelido? Aish... Essas crianças de hoje em dia...
– SeungHo hyung! – Chamou, fitando-o com os olhos semicerrados, como se estes gritassem “seu cínico!” – Você me ameaçou para nunca fazer diminutivos de seu nome! – Retrucou, indignado, ignorando o último comentário. Apenas uma risada semelhante à de uma pessoa idosa, fora ouvida de seu colega de trabalho e amigo de longa data, como resposta.
Mir, por outro lado, apenas revirou os olhos, deixando o rapaz divertir-se sozinho, enquanto ia em direção à mesa do seu cliente favorito.
– Annyeong, hyung! – A felicidade do garoto era quase palpável. Joon poderia jurar que nesse momento, até poderia ver o rabinho balançando atrás do garoto, como um filhote de cachorro feliz por seu dono ter voltado, após um longo dia separados.
– Huh? Já está tão informal assim? – Perguntou, em voz baixa. CheolYong sentiu um balde de água fria percorrer seu corpo, e um bico enorme desenhou seus lábios. Todos tiraram o dia para implicar comigo!? Hunf! O assassino apenas riu nasalmente diante da reação tão adorável. – Estou brincando, CheolYong-ah, você sabe disso. – Disse, por fim, um sorriso simpático desenhando sua face, os olhos fechando-se em pequenas luas crescentes. Não, não sei hyung. Era o que tinha vontade de responder. Nunca sabia se Joon estava ou não brincando. Parecia tão bom em mentir que o assustava. Era tão misterioso, sempre sentado no mesmo lugar, com movimentos tão sutis. Mir, àquela altura, tinha apenas uma certeza, em relação ao seu fiel cliente: seu sorriso sempre era falso.
– Café Latte de novo, hyung? – Perguntou, mesmo que já soubesse a resposta. Joon apenas moveu a cabeça em forma positiva, sentado sobre a cadeira de forma relaxada. Mesmo relaxado, dessa forma, ele é lindo. E isso ninguém discordava. Mesmo que estivesse sentado na parte mais afastada do café, CheolYong sempre notava os olhares tanto femininos, quanto masculinos, tanto desejosos, quanto invejosos que recaíam sobre a figura mais velha. – Mais alguma coisa?
– Sim. – O mais novo estranhou a resposta, visto que o rapaz sempre pedia uma única dose de Café Latte desde o dia em que primeiro pisou ali. O assassino umedeceu os lábios antes de continuar. – Sua companhia.
.-.-.
– Joon-ah, por que está demorando tanto? – Uma voz impaciente podia ser ouvida do outro lado da linha. – Você não costuma demorar mais que uma semana para eliminar um alvo. Já se passou mais que duas semanas, ChangSun! Duas malditas semanas! – O tom aumentava gradativamente a cada palavra, chegando a gritar na última frase.
– Já disse pra não me chamar dessa forma, Jihoon. – Disse, despreocupado, observando a noite de Seul da sacada de seu apartamento. Uma das mãos segurava o aparelho telefônico próximo ao seu ouvido e a outra, segurava um cigarro eletrônico. Usava apenas uma calça moletom e o quadril estava apoiado contra a mureta do lugar.
– Yah! Tão informal assim!? – O assassino riu internamente. Podia ver a cara de seu superior, como se ele estivesse à sua frente. A mesma coisa que eu disse para ele. Lembrou-se. Mas claro que não com esse tom. E Joon duvidava que pudesse usar aquele tom contra o jovem.– E você se preocupa mais com a forma que eu te chamo, do que com o resto do que eu disse!? Joon-ah, não me aborreça. – Dissera a última frase assustadoramente baixo, comparado ao tom alto que usava anteriormente. Mas ainda assim, não surtira o mínimo efeito sobre o assassino.
– Não se preocupe, Jihoon hyung. – Sabia o que dizer. Sabia como mentir. Estava arquitetando o que falar caso recebesse tal ligação. Seu chefe era previsível demais. – Sabe que o eliminarei mais cedo ou mais tarde e...
– Não me enrole, ChangSun. Sei que você se tornou próximo ao garoto. Não me diga que está amolecendo? – Joon tensionou o corpo.
Previsível demais.
– Imagine o quão divertido será ver aqueles olhos ao descobrirem que seu amigo, a pessoa que confiava tanto, seria a mesma pessoa a lhe tirar a vida?
Silêncio.
Apenas silêncio por vários segundos – quem sabe até minutos – antes de um riso rouco interrompê-lo.
– Quer dizer que meu subordinado mais talentoso está se tornando mais sádico? Não queria estar na pele daquele garoto, tsc. –A voz agora tinha um tom arrastado, despreocupado, muito diferente do que carregava momentos antes.Joon continuava a observar as luzes da cidade, sem prestar muita atenção no que o mais velho dizia. – Aumentarei seu prazo, mas Joon-ah, você sabe que isso não depende só de mim, huh? Temos superiores que não gostam muito de atrasos. E você sabe muito bem que eles são um pé no saco, quando querem.
– Obrigado, hyung. – Um sorriso vitorioso dançava nos carnudos do assassino. E, com isso, a ligação fora finalizada.
Jung Jihoon acendeu um charuto, no canto dos lábios, ajeitando o terno branco logo após, os olhos asiáticos perdidos em um canto qualquer, enquanto sentava-se de forma mais relaxada contra sua poltrona negra.
– ByungHee. – Chamou a atenção do homem que se encontrava no canto da enorme sala, mas nem se importava a lhe dirigir o olhar.
– Sim, hyungnim?
– Mantenha os olhos em ChangSun. Me informe cada passo dele. – Tragou mais uma vez o charuto, as pernas foram postas acima da mesa, ao lado do aparelho telefônico, depositado ali momentos antes. – Ele é idiota demais, achando que pode me enganar, pff. – Dizia mais para si, do que para o moreno que ainda se encontrava ao seu lado.
Notas finais
Nem demorei *-*
Na verdade já tenho até metade do 4º capítulo feito e acredito que irei atualizar semanalmente. :B
Capítulo maior que o primeiro, já que o anterior era apenas um prólogo... Neste já aparecem outros personagens, todos com sua importância na história.
Muuuuuuuuuiiito obrigada por cada review, elas são um grande incentivo ♥
Kissu ♥
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