Falling for the Target
7 Danger
Notas iniciais
Os raios solares invadiam o quarto através de um curto espaço entre um lado da cortina e outro, mas era um espaço grande o bastante para deixar que a luz acertasse a bela face do assassino que estava dormindo sobre a cama. O contraste do quarto escuro demais com a luz diretamente em seus olhos, o fizera remexer-se desconfortavelmente, abrindo os orbes lentamente.
Não poderia sequer descrever a dor que sentira percorrer todo o seu corpo, ao tentar levantar-se, o que o fez grunhir. Ainda sob o efeito do sono interrompido, lentamente lembrava-se do que ocorrera na noite anterior, tentando entender porque seu corpo doía tanto.
Estava em seu quarto, disso não tinha dúvidas. Estava apenas com uma calça moletom, visto que o torso estava descoberto e escoriações – tratadas – eram visíveis, distribuídas por todo o seu corpo. Não se lembrava de como teria chegado ali e, com certeza, não tratara de seus ferimentos. Apenas uma pessoa poderia ter feito aquilo...
Ignorando os protestos do próprio corpo, ChangSun levantou-se mais rápido do que devia e praticamente voou para fora do quarto. Não era como se fosse a primeira vez em que fora espancado em sua vida; longe disso. Diria até que sofrera coisas piores, mesmo que tivesse desmaiado. Porém, não sabia dizer se havia desmaiado pelo espancamento, ou pelo medo que vira nos olhos do garoto.
Percorria o próprio apartamento analisando cada porta, cada cômodo, atrás de CheolYong, não achando o garoto em lugar algum. Estava quase desistindo, ao escutar o barulho da TV ligada na sala.
Aproximara-se sem fazer barulho algum, até notar uma figura adormecida sobre o sofá, visivelmente desconfortável. ChangSun mordera o lábio inferior com a cena. Tinha certo receio de ser rejeitado, caso se aproximasse mais. Mas ele me trouxe até aqui... Isso o dava um pouco de segurança, afinal.
Suspirou fundo, antes de sentar-se próximo do garoto, tão silenciosamente quanto um assassino que era. Gentilmente, puxou-o de forma que o menor descansasse sua cabeça contra seu peitoral, tirando-o daquela posição desconfortável. Inconscientemente, Bang envolveu a cintura do assassino com ambas as mãos, mantendo-o próximo de si.
Uma das mãos de ChangSun envolvia o corpo menor, o pressionando possessivamente contra seu corpo, enquanto a outra lhe acariciava os cabelos loiros, brincando com os fios aleatórios que caíam sobre a face tão bela do namorado. Aquela cor chamava muita atenção. Um asiático loiro chamava atenção demais e, naquele momento, era algo que os deixava em desvantagem. Lembrava-se da sugestão de G.O de sumir da Coréia e levar o garoto consigo. Devia conversar com o menor mais abertamente sobre isso... Mas saberia que teria que contar tudo, pois sabia que CheolYong não iria largar sua vida ali por um mero capricho.
As coisas estavam problemáticas e dificultas demais. Não sabia mais como esconder a verdade de Mir, ainda mais depois do que acontecera no dia anterior. Estava ferrado e sua cabeça doía apenas de pensar em como escaparia daquela situação tão inesperada.
Os pensamentos foram bruscamente interrompidos pelo próprio celular que vibrava sobre a mesa de centro, o som do aparelho vibrando contra a madeira, criava um barulho extremamente alto, o que fez o menor mover-se inquieto contra os braços do assassino. Joon apenas teve tempo de ver duas letras piscando no visor, que identificava quem estava lhe ligando. G.O.
- Joonie hyung... – A voz baixa e rouca denunciava que o garoto havia acordado pelo barulho, mas o atendente não movera nem um centímetro, continuando naquela posição tão agradável para ambos e ChangSun não fizera questão de atender o amigo. Pouco tempo depois, o silêncio voltara a reinar sobre a sala.
- ChelYong-ah-... – Tentou quebrar aquele silêncio.
- Quem eram aqueles homens? – Perguntou, de forma firme, interrompendo qualquer tentativa de fala do mais velho.
O assassino tencionou o corpo, mordiscando o lábio inferior. Não sabia o que responder, várias possibilidades passando por sua cabeça. Era covarde, sabia disso; sabia também, que mais cedo ou mais tarde, deveria esclarecer tudo ao homem mais novo. Porém, o medo falara mais alto; apertou novamente o corpo ligeiramente menor contra o seu, depositando um beijo sobre os cabelos loiros do garoto.
- Ninguém importante. – Respondeu, arrancando um riso soprado e sem humor algum dos lábios do atendente, que remexera-se desconfortavelmente contra o corpo do ligeiramente maior.
- Hyung, pessoas que não importam não saem por aí espancando as outras.
Mordiscara o lábio inferior; sabia que a resposta que dera era absurda e estava se espancando mentalmente por ter falado qualquer coisa que aparecera em sua mente, sem divagar se era uma mentira plausível. Suspirou, depositando um beijo sobre os cabelos de CheolYong.
- CheolYong-ah... É complicado demais. – Respondeu com a voz calma, temendo a reação do garoto; e com razão.
CheolYong desfez o abraço e fitou de forma descrente o homem mais velho, os lábios entreabertos e o olhar contendo certa fúria.
- Hyung! Aqueles caras tentaram nos matar! E visivelmente eles te conheciam, já que te chamaram pelo nome! E primeiro você me responde que não eram pessoas importantes e agora me diz que é complicado!? Lee Joon, sou seu namorado, eu tenho o direito de saber!
Era a primeira vez que via o garoto daquela forma, tão exasperado. Mas mesmo irritado, o mais novo não perdia o ar adorável que lhe cobria, estranhamente. ChangSun espancou-se mentalmente, tentando focar mais uma vez no assunto sério que discutiam; segurou a face do ligeiramente menor com ambas as mãos, puxando-o para mais perto, notando a hesitação do garoto.
- CheolYong-ah aqueles hom-...
- Hyung, abaixe-se! – Mir gritou, jogando-se por cima do assassino fazendo ambos caírem ao chão e, em uma fração de segundos depois, um tiro acertara a mesinha de centro que, momentos antes, estava perpendicular à cabeça de ChangSun.
Notando a face extremamente confusa de ChangSun, que olhava da face do namorado para o buraco generoso que havia se formado na madeira da mesa, o garoto resolvera se explicar.
- Ponto vermelho. – Sussurrou, apontando diretamente para o meio da testa de Joon.
Estavam tentando lhe matar!? Virara alvo, também? Só por proteger quem amava!? Se antes, era difícil ter que proteger apenas uma pessoa, fugir tendo que proteger a ambos, se tornara mais dificultoso ainda.
- Quem são eles? –perguntou um CheolYong choroso, ainda abaixado contra o sofá, ainda por cima do corpo do namorado.
- Depois eu te explico, primeiro temos que dar um jeito de sairmos daqui. – Retrucou baixo, enquanto os olhos vasculhavam cada parte de seu apartamento, tentando localizar as armas escondidas mais próximas de si aquele momento. Enquanto os olhos percorriam ávidos a sala, notou um pequeno ponto vermelho passear aqui e ali pelo chão. Tsc, amadores.
- CheolYong-ah, quero que fique aqui. Não se mova, nem sequer um centímetro, ok? – Pediu ChangSun, fitando o mais novo diretamente nos olhos.
- Joonie, o que vai fazer? – Tentava puxar o ruivo de volta para onde estava, mas era tarde demais; o homem estava correndo pela própria casa, desviando dos vários tiros que estavam sendo disparados contra ele. CheolYong, por medo, ficara em posição fetal, tampando os ouvidos diante dos barulhos ensurdecedores da metralhadora e dos objetos que quebravam-se a cada bala que os atingiam.
Lágrimas de medo – mais pelo mais velho, do que por si – começaram a manchar a pele clara do loiro. Estava confuso, não sabia por que estavam querendo matar a ele e a Joon, mesmo que suspeitasse que aquilo era culpa sua. Mas como Joon conhecia aqueles homens? Apenas essa parte não se encaixava.
De repente, qualquer tipo de som no apartamento cessara, deixando-o mortalmente silencioso. O pavor estava tomando conta do corpo indefeso, encolhido sobre o chão. Joonie hyung...
Escutara vozes masculinas do lado de fora do apartamento, mas não conseguia escutar direito o que falavam. Apenas entendera pequenos fragmentos como “...matarams eles?” e “devemos conferir”.
Com a última parte que pegara, o próprio corpo começava a tremer, mas não ousou mover-se, assim como Joon lhe falara para fazer. Manteve-se imóvel, mesmo quando ouvira o som da porta da frente ser aberta com brusquidão. A respiração falhava, mas ainda assim tentava não fazer sequer o mínimo barulho, mas a única coisa que podia pensar, era em onde o namorado estava, se estava machucado, ou não.
- Olha só o que eu achei... – Uma voz debochada ecoara e CheolYong sentira os pelos da nuca eriçarem e o coração palpitar mais rápido do que já estava, a adrenalina corria loucamente por seu corpo, especialmente ao sentir o cano de uma arma contra o topo de sua cabeça. – Parece que deixaram justamente quem devia morrer, vivo. – O homem rira, de forma maliciosa. – O que acha, TaePyung? Matamos esse aqui agora, depois matamos os outros dois que estão no outro prédio e ficaremos com o crédito de termos matado o melhor assassino de Seoul e ainda vamos destruir seu alvo. Quanto aos outros dois ali no outro prédio – O que falava apontou com um movimento facial uma das janelas, sinalizando onde estaria a dupla de atiradores para o homem chamado TaePyung – nós vamos matá-los e vamos colocar a culpa em ChangSun. Boss Jihoon não vai desconfiar, afinal, ChangSun é seu melhor assassino... Ou era. – Terminou a fala, com uma risada maldosa.
- Tsc, faça o que quiser, Gim. – O outro homem falara, sem muita emoção na voz. CheolYong escutara o som do gatilho e fechara fortemente os olhos, já aceitando que aquele era seu fim.
Mas algo parecia estranho. O barulho de bala que ecoou pelo apartamento nunca lhe acertara e o grito que ecoara pelo recinto, certamente não era o seu; logo, sentira um corpo cair sobre o seu. Vários tiros ecoaram em seguida e CheolYong não entendia nada. Tentava ver o que estava acontecendo, mas o corpo inerte e pesado acima do seu o impossibilitava de se mover. Eram tiros demais para ser apenas uma pessoa; por fim, um grito estrangulado ecoara e o homem chamado TaePyung caíra ao chão.
- CheolYong-ah... – Ouvira o chamado de ChangSun e remexeu-se contra o cadáver, tentando tirá-lo de cima de si, para ir até onde o namorado estava, até escutar a voz sussurrada de Joon mais uma vez. – Não se mova, ainda não acabou.
Virou a cabeça apenas para ver o assassino escondido atrás da estante de livros parcialmente danificada, com as costas escoradas contra a mesma, segurando uma pistola e, para a sua surpresa, ao lado do ruivo, o amigo do mesmo que conhecera dias atrás – G.O? – estava poucos metros de si, com um rifle posicionado para a mesma janela onde o homem chamado Gim apontara.
- ByungHee hyung, por que está demorando tanto? – Perguntou um ChangSun impaciente, com um pequeno bico infantil nos lábios.
- Calado, ChangSun. Estou procurando o outro atirador. E ainda não te perdoei por não ter me atendido. – Falava calmamente, com um dos olhos praticamente grudado à mira.
- C-ChangSun...? – A voz trêmula de Mir ecoou, chamando a atenção do nomeado, que o olhava com certa curiosidade, pois não entendia o espanto no olhar do garoto, ao escutar seu nome verdadeiro. Não foi esse o nome que o homem chamado Gim falara, pouco antes de morrer? – Joonie-hyung?
Um disparo e, uma fração de segundos depois, outro disparo acompanhado de um sorriso satisfeito de G.O escaparam pelo rifle, o som alto sendo abafado pelo silenciador, antes do mesmo verificar se haviam mais homens e, enfim, depositar o rifle contra o chão, só então voltando-se para os outros dois homens que continuavam a se fitar.
- Joonie hyung... Quem é ChangSun? – Perguntou Mir, enquanto olhava o mencionado como se o mesmo fosse apenas um estranho. Mas era assim que sentia, diante daquelas circunstâncias.
- CheolYong-ah...
- Não, Joon! Me fale a verdade, sem enrolações! – Dizia, com lágrimas nos olhos, enquanto sentava-se sobre o chão e afastava o cadáver para longe de si, irritado demais para ter qualquer consideração com o falecido.
- CheolYongie... É uma história complicada demais. Nem eu sei como explicar. – Mordeu o lábio inferior, hesitante, antes de continuar. ByungHee olhava tudo interessado demais, pensando que aquilo parecia um dorama na vida real. Quase pudera rir com o pensamento, mas sabia que se o fizesse, o amigo não pensaria duas vezes antes de enfeitar sua testa com uma bala. – Aqueles homens de ontem eles... Eles foram contratados para te matar. – Sussurrava de forma baixa e hesitante, por medo da reação do namorado.
- Me matar? – Perguntou, um tanto confuso. Joon esperava qualquer reação maior, como medo, ira, desespero; esperava tudo, menos uma simples confusão. – Ah... – O garoto mais novo passou a fitar o chão de forma pensativa, parecendo esquecer-se sobre o assunto “Quem é ChangSun?”.
- CheolYongie...?
- Você sabe por que querem te matar, garoto? – Pela primeira vez, ByungHee dirigiu a palavra ao loiro, de forma calma.
Aquilo pareceu retirar o mais novo de seu torpor, olhando da forma inocente – tão comum em suas feições – para o homem mais velho do recinto. Ficara um tempo em silêncio, antes de sua voz escapar quase vacilante de sua garganta.
- SeungHo... Eu preciso ver SeungHo hyung.
Notas finais
Mas o capítulo ficou menor do que eu esperava :c
E já está chegando ao final... Acho que terá apenas uns 4~5 capítulos após esse.
Sem previsão para o próximo sair, só tenho os planos, mas não comecei a escrevê-lo ;~;
Aliás... Se eu escrevesse uma série de oneshots com o tema dos sete pecados capitais, vocês achariam a idéia interessante? :3
Até o próximo ♥
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