Falling

6 Dente de leão


Notas iniciais
Olá!! Como vão? Esse capítulo está mais curto e com menos coisas que os outros, mas mesmo assim, espero que gostem. Eu particularmente gostei de como ficou, pois mostrou um pouco mais do sentimento de Roland, mesmo que só a parte confusa deles. Só mais uma coisa! A parte em itálico novamente é um flashback. Espero que gostem, boa leitura!

Desde aquele dia louco e cheio de confusões, os outros dias foram muito calmos. Calmos até demais. Eu não fiquei pra recuperação de história e não estava mais de castigo. Pelo visto minha mãe ficou com pena de mim por tudo que aconteceu e resolveu pegar leve. Meu pai ainda achava que eu merecia um castigo, mas o convenci que aprendi a lição, e eu realmente aprendi.

Cameron falava comigo quase todos os dias por mensagem, falávamos de filmes, discos e coisas assim. Eu realmente gostei de Cameron, e ele parecia ter gostado de mim também. Encontrei Adam e Jesse um dia desses na rua, e eles foram muito legais. Eu acho que eu realmente tinha feito amigos ali. Elisa estava envergonhada desde a festa, assim como eu.

Carie não apareceu mais. Eu tinha que falar com ela, mas estava dando um tempo para mim mesmo. Precisava descansar disso tudo, depois, com a cabeça fria, ir falar com ela. Becca e Maree também não falaram mais comigo.

Foi como se só fosse um temporal, que chega e logo passa. Isso me reconfortou, me fez pensar que minha vida não tenha mudado tanto assim, só que eu não tinha Carie mais, mas ganhei quatro novos amigos.

Esse fim de semana eu ia com papai e mamãe a uma praia. Uma coisa que a gente gosta de fazer juntos.

– Pegou o protetor solar, Roland?

– Peguei mãe.

– Max, tudo certo com o carro? – falou para meu pai.

Minha mãe sempre ficava muito preocupada com os detalhes quando a gente ia sair. Eu e meu pai já éramos mais calmos e não ligávamos muito pra isso.

***

Enquanto nós estávamos a caminho da praia, foi calmo. Não era tão longe assim, então não se pode chamar de viagem. A praia era em Seattle mesmo. No carro, quase dormi. Minha mãe conversava sobre algum assunto aleatório com meu pai, enquanto eu ouvia musica.

A praia não tinha muita areia, ela era mais rochosa. Eu amava ficar nas pedras sentado observando o mar, ouvindo o som das ondas quebrando e o sol se mover lentamente. Ali parecia o paraíso na terra. Tão sereno, tão calmo.

Meus devaneios foram interrompidos por uma voz fraca e baixa.

– Roland?

Olhei para trás e vi uma Elisa com as mãos nos olhos para se proteger do sol.

– Elisa? Oi!

Levantei e dei um abraço nela, depois me sentindo estranhamente constrangido por isso.

– O que faz aqui? – ela me perguntou, enquanto nos sentávamos de novo nas pedras.

– Vim passear com a família, gosto daqui.

– Mas cadê sua família?

– Eles devem estar tirando fotos por ai, sempre fazem isso – rimos – Mas e você, o que faz aqui?

– Eu vim sozinha, gosto de pensar, aqui é bem menos barulhento que na cidade.

– Eu também gosto por isso.

Ficamos em silencio por um tempo.

Me peguei observando Elisa fixamente. Aquele dia da festa eu não tinha prestado muita atenção em seu rosto e nem em nada, porque pensei que ela era namorada de Cameron, mas agora que vi melhor, vi como ela era bonita.

Ela tinha cabelos curtos, parecidos com os de Carie, mas escuros. Era de um castanho quase preto. Sua boca era carnuda e seus olhos castanhos, e grandes, como os de uma criança. O nariz era pequeno, o que deixava seus traços delicados. Ela era pálida, com a pele muito clara. Magra de baixa. Ela estava com um tipo de camisa gigante, só que inteira de crochê. Estava de biquíni por baixo, um biquíni azul.

Naquele momento eu me senti muito atraído por ela.

De repente ela se virou para falar alguma coisa e viu que eu estava olhando.

– O que foi? – corou.

– Nada – ri, nervoso – Cameron não quis vir? – desconversei.

– Eu não o chamo quando quero vir aqui. Prefiro vir sozinha mesmo.

Me senti meio estranho.

– Estou incomodando? Eu vou para outro lugar... – fui dizendo.

– Não, não, não! Não precisa! Desculpe, me expressei mal. É só que eu me sinto meio sufocada por Cameron às vezes. Ele é super protetor, e eu até gosto disso, me sinto querida, mas tem vezes que isso me incomoda. Me deixa claustrofóbica, por assim dizer – riu suavemente.

– Entendo como deve ser – ri também.

Tudo que ela fazia e dizia era extremamente delicado. Isso era muito... Fofo.

– Olha, eu não queria que a gente ficasse estranho um com o outro por causa daquele beijo, talvez eu não devesse...

– Você se arrependeu?

Ela pareceu um pouco... Magoada. Droga.

– Não é isso, eu só achei que pudesse ter sido rude de minha parte, com você e com Cameron.

– Eu gostei, na verdade.

Ela virou o rosto para o mar, mas ainda sim dava pra ver que ela estava corada.

Fiquei sem saber o que responder.

Ela se virou para mim, chegou perto com rapidez, e com seus lábios incrivelmente macios, me beijou de novo. E eu retribui. E dessa vez eu não tinha bebido. E nem ela. E não estávamos em uma brincadeira. Senti meu rosto esquentando com isso.

Ela se afastou rápido, olhou para mim assustada, ou talvez envergonhada, levantou e saiu correndo. Fiquei olhando enquanto ela ficava cada vez menor, sumindo por trás das pedras depois de um tempo.

Passei a ponta dos dedos em meus lábios, ainda sentindo seu beijo. O que foi aquilo? Eu não sabia como reagir.

Depois de alguns minutos assim, ainda olhando para a direção onde Elisa sumiu, minha mãe apareceu, me chamando para comer alguma coisa.

***

Eu não sabia como me sentir. O fim de semana estava acabando e eu ainda estava pensando no beijo de Elisa. Mas eu não sei exatamente o porquê.

Estava tendo um jantar de família, na casa da minha tia Ellie. Meus primos estavam jogando vídeo game, mas eu não estava muito a fim de jogar hoje. Estava sentado em um sofá no canto da sala, onde os caras não iam ficar me enchendo. Tia Ellie sentou do meu lado.

– Como vai Carie meu querido?

– Eu não sei tia, não falo com ela faz algumas semanas.

– Eu iria esperar que você falasse, mas não consigo. Sua mãe me contou. Eu sinto muito. Sei que gostava muito dela.

– Gostava sim, tia. Muito.

– O que aconteceu?

Essa era uma ótima pergunta.

– Eu também queria saber. Ela terminou comigo sem me explicar o porquê.

Ela deu tapinhas nas minhas costas e saiu.

Estava cansado de falar isso. Queria saber o que dizer quando as pessoas perguntassem isso, pelo menos.

Philip, um de meus primos, me disse que ela me largou porque era “gostosa demais pra mim”, e que tinha arrumado alguém melhor. Doeu ouvir aquilo, mas podia ser verdade. Eu só não queria que fosse.

Por mais que Carie tivesse pirado naquele dia, ela ainda era aquela menina por quem me apaixonei.

***

– Você é linda demais.

Ela olhou para mim, rindo como uma criança. Aquilo me fascinava.

– Você que é um cego – riu de novo.

Ela arrancou um dente de leão que tinha na grama do parque. Assoprou em minha direção e depois saiu correndo. Corri atrás dela, segurei em sua cintura e a girei no ar.

– Amo como o vento bate no meu rosto quando faz isso.

– E eu amo você.

Ela aos poucos foi parando de rir, e me olhou com uma intensidade enorme.

– Amo você. – e me abraçou forte.

***

Crable jogou uma almofada em mim.

– Tá viajando cara?

– Sai daqui Crable.

Meus primos eram mais novos que eu, por isso me atormentavam.

Fui até minha mãe, que ainda estava a mesa conversando com meu tio e tia e papai.

– Quando vamos embora?

– Aconteceu alguma coisa?

– Não, eu só não estou me sentindo bem.

– Tudo bem, nós já vamos.

– Vou esperar no carro.

Me despedi de todos, não querendo ser mal educado, mas eu não queria a companhia de Crable, Philip e Louis nesse momento, eles não me entendiam, então fiquei no carro até que meu pai e minha mãe decidissem ir embora.

Estava chovendo fraco, e eu fiquei olhando os pingos caírem e rolarem pelo vidro do carro. Acabei adormecendo enquanto esperava.

– Land, acorde. Nós chegamos. – dizia minha mãe enquanto balançava meus ombros.

Eu estava dolorido de dormir encolhido no banco de trás do carro. Levantei, entrei na casa e subi as escadas quase como no automático. Troquei de roupa e me deitei, mas já não tinha mais sono. O rosto de Carie e de Elisa começaram a se misturar em minha mente, o que me deixava mais confuso do que eu já estava.

Peguei o celular e disquei o numero de Carie. Precisava dela.

Notas finais
O que acharam? Comentei por favor! Obrigado por lerem :)