Fallen World
2 Vivos de coração morto
Notas iniciais
Heitor Collins – Z-day 1 — tarde
Sabe quando está na cara que algo está errado? Esse sentimento me perseguiu durante todo o dia, durante cada momento, o clima estava pesado, nossa sobrevivência foi colocada na frente de tudo, mas não parece ser isso que está na cabeça de todos, eu teria que tomar uma atitude.
— Clube festivo da Brearley HighSchool -
O Léo tinha visto algo la fora, ele não parecia com medo, apenas nervosamente preocupado, ele veio andando em nossa direção enquanto tirava os fones de ouvido e guardava o celular, a morte de Twanny tinha deixado Thalles extremamente irritado, mas seu estado de fúria era deixado de lado conforme ele percebia a situação em que estávamos envolvidos, as meninas, Lua e Gabriela, entenderam a situação antes que eu pudesse falar algo, e correram para os fundos do clube para pegar suas bolsas, eu estava pronto para falar que tínhamos que sair do lugar naquela mesma hora, mas fui interrompido por Thalles falando rispidamente:
— Não precisa me segurar mais, eu já entendi no que nos metemos, vamos sair daqui. —
Ele estava nervoso, certamente triste e irritado, mas, com certeza, não queria morrer.
— Lá fora está lotado deles, a escola foi tomada por mais desses monstros e parte da grama do pátio está em chamas. —
Ele parecia minimizar a situação, pois a gritaria que era ouvida vindo de lá de fora trazia um ar de desespero e não poderíamos perder tempo, ou Twanny não seria a única morta.
— Vamos logo sair deste lugar, se ficarmos em um lugar fechado poderemos morrer. —
Não saiu confiante como eu esperava que fosse, mas com a chegada das meninas trazendo nossas bolsas todos concordaram em silêncio e fomos andando enquanto Thalles deu um beijo na testa de sua irmã e veio ao nosso encontro.
— A minha casa é a mais próxima, vamos lá para nos acalmar e entender a situação. —
Realmente a casa do Léo era a mais próxima, porém olhei para Thalles que apenas concordou silenciosamente, fomos andando até que:
— Ah, não… —
Foi tudo que eu consegui dizer após sairmos do clube, a visão que aparecia diante de nossos olhos não foi só assustadora como tirou cada grão de coragem que existia em nosso grupo, aquele homem que entrou no clube não passou despercebido por guardas ou algo assim, ele teve o caminho livre, toda a escola estava banhada em sangue, alunos corriam perseguidos por outros alunos mortos, isto é… mortos-vivos, professores gritavam de dor enquanto suas entranhas eram mordidas e espalhadas em meio a mortos e sangue, os guardas estavam inutilmente atirando nos corpos dos mortos-vivos e caindo em desespero quando um deles foi mordido e caiu no chão agonizando em sofrimento, meu estômago embrulhou assim que o cheiro do ambiente invadiu meu nariz, o sangue dos mortos com seu odor podre e a fumaça da grama queimando trazido pelos ventos me faziam querer vomitar, era visível que tínhamos que sair da escola imediatamente, então alertei o grupo e começamos a correr.
— Léo, isso é problemático, como vamos chegar a sua casa nesse inferno? —
A pergunta de Adarlan foi ouvida por todos, mas não houve uma resposta, estávamos ocupados demais correndo, passando por mortos-vivos andando lentamente em nossa direção para perceber que teríamos que pensar em algo além de fugir daquele lugar.
— Olhe em volta, há centenas deles, andando pela escola e atacando os outros, se quer viver, não temos tempo para parar e pensar. —
Acho que fui rude, mas encarando a situação de frente, não poderíamos esperar que as meninas nos salvassem daquela situação, o Léo que sempre foi calmo e calculista estava perdido em pensamentos, sua expressão estava horrível, a morte de Twanny o deixou com culpa o suficiente para esquecer que ele ainda teria que viver para se arrepender disso depois.
— Saí dessa! —
Eu soquei o seu braço dando um susto nele, mas antes de qualquer resposta que ele pudesse dar, me adiantei:
— Estamos em seis pessoas aqui, caso queira salvar a todos nós para compensar pela morte da Twanny pare com essa cara de morto, ou vai ser deixado para trás, temos que viver, eu teria feito o mesmo em seu lugar. —
Talvez foram as palavras erradas, mas Thalles que até então corria junto com a gente em direção a saída da escola se virou para mim e puxou um canivete do bolso, eu e Adarlan nos assustamos com o que ele fez e paramos de correr, mas ele ainda não havia perdido a cabeça completamente.
— Se abaixa! —
Após um grito inesperado, ele golpeou um morto-vivo que estava ao meu lado o derrubando com uma punhalada na lateral da cabeça; Sangue espirrou e sujou o meu rosto, espantado apenas caí sentado no chão e senti meu corpo pesado.
— Droga, o que são essas coisas? —
Foi cômico ouvir isso saindo da boca do Adarlan, mas não consegui sorrir, apenas falei:
— São Zumbis. —
Eu sei, eu sei, isso parecia obvio, é por isso que foi engraçado, mas parece que o Léo não deu bola para o que eu disse, e me dando a mão como apoio para que eu me levantasse disse com convicção:
— Zumbis não existem, isso não é um filme, eu não sei se o sangue que está em minhas mãos é meu, da Twanny ou daquele homem, mas com certeza não é falso, vamos embora daqui, eles estão sendo atraídos pelos guardas atirando. —
Eu não entendia como de uma hora para outra ele tinha certeza da situação, e dei uma olhada em volta, realmente a cena era assustadora, porem me levantei apoiando-me no Léo e respirei fundo.
— acho que alguns deles ainda estão vindo pra cima de nós, zumbis ou não, se eles nos pegarem vai ser complicado, vamos indo. —
Gaby parecia nervosa, mas sua frase despertou a todos, que corremos para fora da escola e em seguida fomos pela calçada até a avenida e vimos uma de nossas companheiras de turma sendo atacada por um deles, nesse momento eu queria ter ajudado, mas algo chamou nossa atenção, um homem desceu do seu carro e correu para uma cafeteria na esquina, que estava tomada por chamas enquanto mais mortos-vivos se aproximavam, era uma oportunidade, poderíamos pegar o seu carro e ir direto para a casa do Léo, tive aulas de direção depois que completei 16 anos, certamente seria uma fuga daquela situação, mas meus planos foram estragados quando Léo, Thalles e Luana correram sem pensar para ajudar a garota.
— Ei!, tem um carro alí! —
Adarlan gritou para chamar a atenção deles que correram, eu fui o único a perceber que o carro seria o melhor para nós, não poderíamos pensar em algo como roubo ou seguir leis, aquele carro salvaria nossas vidas, e já que tanto eu como Adarlan percebemos apenas corri em direção ao carro, eu tiraria a todos dessa situação.
— Ei! —
Meu braço foi segurado por Gabriela e eu parei para a ouvir.
— Não podemos pegar esse carro, o homem pode ter ido salvar alguém na cafeteria, e além disso, temos que ajudar a- —
Ela parou de falar assim que foi surpreendida por um tapa no rosto, eu a olhei com seriedade, e questionei:
— Você quer viver ou morrer? —
Ser duro com ela talvez não fosse a melhor saída, mas eu não estava pronto para morrer alí.
— Ajuda aqui. —
O Léo e o Thalles estavam vindo carregando a garota pelos braços, seu nome? Júlia Carter, ela era uma colega de turma, nunca fomos próximos, mas de algum jeito o Léo e o Thalles a salvaram.
— Temos um carro! —
— O que? —
— Nós temos um carro! —
Eles dois levaram a garota para dentro do carro, ela não estava mordida, mas deveria ter batido a cabeça, pois estava desmaiada, todos nós entramos e desviando de alguns mortos-vivos na avenida eu acelerei, próxima parada, Primeira Avenida.
O caminho de volta foi complicado, bati em alguns deles com o carro e ao chegar no prédio do Léo, quase bati na parede da entrada, eu tirei a chave da ignição e corremos para dentro do prédio, fomos até o apartamento do Léo e entramos; Estávamos exaustos, minhas pernas doíam, sentamos no sofá da sala e o Léo colocou a garota ainda apagada na cama do quarto de hóspedes e ao voltar a sala ligou a televisão, voltamos nossa atenção para o telejornal que estava ao ar:
— … Não sabemos o que pode estar acontecendo, essas bestas não são humanas, estão atacando a todos. —
Era um repórter do canal 4, ele estava filmando ao vivo de um prédio na sede do governo, mortos-vivos chegavam ao portão gradeado da frente do local e batiam seus rostos nele, forçando inutilmente a entrada, porém mais e mais vinham se aproximando. Policiais da tropa de combate atiravam e batiam com escudos nos mortos-vivos, era assustador.
— … Relatos estão vindo da China, isso é muito preocupante… —
Ele olhava para a câmera com uma expressão de pavor nos olhos, com certeza isso não terminaria tão cedo, o Léo trouxe água para nós e sentou ao meu lado.
— … A “doença” é muito contagiosa, não se deixe ser mordido por um deles … —
— Fale isso para as pessoas fracas, seu imbecil.—
Visivelmente o Thalles ainda sentia a morte da sua irmã, foi algo difícil para ele, sua frase soou como um desabafo.
— … Estamos recebendo mensagens da Rússia, e da Índia, e Da- Espere um pouco, estamos recebendo relatos do mundo inteiro, nós estamos em um a-—
Um homem de terno pegou o microfone da mão do repórter e se propôs a falar, a única coisa que o repórter conseguiu dizer foi:
— Governador?! —
Ignorando o homem que estava espantado olhou pra câmera e assumiu a atenção.
— Para todos vocês que estão assistindo neste exato momento, cidadãos, trabalhadores, crianças, donas de casa, lamento informar que não sabemos a origem desses ataques, não podemos por soldados nas ruas para defender nossos iguais, e nem sequer prover ajuda direta para os necessitados agora, mas há algo que posso fazer por todos, venham ao porto de Long Island até o fim da próxima semana, levaremos os sobreviventes desta tragédia a um lugar seguro, a ponte de queensboro estará aberta para a 45° avenida, e o tunel de midtown será viável para aqueles que precisarem dar a volta, que Deus esteja conosco! —
Uma explosão cortou a transmissão ao final do alerta do governador, estávamos cansados, já era noite, a exaustão consumia meus pensamentos, mas, tive forças para dizer:
— Essa pode ser a nossa saída. —
— Não vai ser fácil, todos que não pensarem direito vão pegar seus carros agora e engarrafar as vias, acabarão mortos. —
O pessimismo do Léo sempre foi seu forte, mas naquele momento eu chamaria aquilo de realismo, e percebi que estávamos começando a montar uma estratégia quando Thalles falou:
— Temos uma semana, podemos partir amanhã. —
— Vamos dormir aqui hoje, meu apartamento não é enorme, mas vai servir, meu quarto é espaçoso e eu tenho um colchão reserva, podemos nos dividir entre quartos de hóspedes e na sala, Heitor, vem comigo, os outros podem ir tomar banho e comer algo se estiverem com fome.
Eu e o Léo fomos até a varanda e olhamos para a cidade, haviam prédios pegando fogo, ordas de mortos-vivos perseguindo e matando pessoas nas ruas, pessoas gritando e sons de tiros, batidas de carro, buzinas e tudo que você possa imaginar, enquanto as meninas tomavam banho, Thalles e Adarlan pegavam algumas coisas na geladeira e dispensa para fazer comida, nós conversamos sobre como chegaríamos ao porto, e se essa seria a melhor opção, ou até se seria uma opção.
— Nós podemos seguir por 3 caminhos óbvios, pela ponte de queensboro, que fica mais próximo daqui, pelo túnel de queens midtown que fica no meio termo, e pela ponte de williamsburg. —
Não entendi o porquê dele querer fazer toda a volta pela ponte de williamsburg, então questionei.
— A ponte de queensboro é a melhor opção, chegaremos rápido e ainda é um local aberto. —
— Talvez sim e talvez não, quantas pessoas você acha que estão vivas na cidade? Todos que sobreviveram optarão pela ponte por ser mais rápido, e o túnel pode ser bom, é direto, só há entrada e saída, mas caso as entradas forem bloqueadas o que faremos? Ficaremos presos dentro dele? Dar a volta e usar a ponte de williamsburg seria uma opção melhor. —
Realmente o ponto que ele propôs fazia sentido, mas ai uma coisa surgiu na minha cabeça.
— Será que realmente ir ao porto será a melhor escolha? Isto está acontecendo no mundo todo, como o governador pretende salvar tantas pessoas? —
— Essa é uma pergunta que realmente é complicada, não sabemos se vamos escapar disso chegando ao porto, e nem ao menos se tem como escapar disso, mas é nossa única esperança, né? —
— Aí, o seu pai mora fora da cidade né? —
— É. —
— Sabe, até onde eu sei o único que tem família na cidade é o Thalles. —
— O que? —
— Eu moro com meus tios, mas eles estão em Long Beach a trabalho, os pais da Gabriela são da Coreia, e a Lua é emancipada.
— Porque? —
— Não tenho ideia.—
— E quanto ao Adarlan? —
— Ele tem 19, não sei sobre os pais dele, mas não acho que temos que nos preocupar. —
— E quanto ao Thalles...?—
— Meu pai e irmão são militares, não estão na cidade, mas não precisa se preocupar, eles não morreriam tão fácil, o que houve hoje foi só… —
Ele parecia abatido, não posso o culpar.
— Ninguém estava preparado pra isso, apenas sentimos muito… —
Continuamos a conversar.
Luana Hayes — Z-day 1 – noite
Ao sair do banho, pego uma toalha limpa que estava no gaveteiro do banheiro e me seco, foi bom ter me livrado de todo o sangue e sujeira, sentia que não só o meu corpo como também minha mente estavam limpos, peguei mais uma toalha e estendi para Gaby, que terminara o banho logo em seguida; ao sair do banheiro, vejo que os meninos estavam conversando na varada, o assunto era sério, pois pude ver que seus rostos não estavam felizes, mas, quem poderia estar feliz, não é? Mesmo pensando isso, meu coração estava um pouco feliz, ver o Léo e o Thalles falando novamente entre sí me animou um pouco.
— Eu vou ver como a Júlia está, estou com um pouco de fome, podem fazer algo pra comer? —
Acho que eu não deveria ter saído do banheiro enrolada em uma toalha, todos os garotos olharam pra mim e pararam por um segundo, até que o Léo disse:
— Vem aqui, a Gabriela já saiu do banho? —
Ele disse isso enquanto ia para o quarto, fiquei com um pouco de vergonha, mas o segui, ele pegou uma camisa larga do harry potter e me entregou, a camisa era marrom e tinha um símbolo das relíquias da morte e um short que provavelmente ficaria largo em mim, mas não tinha como esperar uma camiseta feminina, até onde eu sei ele mora sozinho, logo Gaby nos seguiu, e ele a entregou uma muda de roupa parecida com a minha.
— Obrigado, estou com um pouco de fome, pode ver se o Adarlan já cozinhou alguma coisa? —
— Certo, vocês estão bem, depois de tudo isso? Quer dizer, bem eu sei que não estão, mas… ao menos da pra aguentar? —
— Não temos outra opção né? Temos que ficar bem para sobreviver, sabe, você lembra que eu fiz um curso preparatório para medicina não é? Vou ver como a Júlia está, pode ser perigoso deixar ela apagada tanto tempo. —
— Ok, vejo vocês na cozinha. —
— Obrigada. Você tem um kit de primeiros socorros? —
— Está dentro do meu guarda-roupas. —
Ele saiu do quarto enquanto Gaby entrava e voltou a cozinha para ajudar Adarlan a preparar a comida, eu fechei a porta após a saída dele e falei para Gaby:
— Tem uma muda de roupas limpas para você vestir, não são femininas, mas… —
— Tudo bem! Eu já fui escoteira, não tenho tanta frescura com roupas. —
Entendi que ela não queria ser rude, na verdade, ela queria ser forte.
— Você está bem? —
— Sim, obrigado Lua. —
Enquanto Gaby se vestia, eu limpei o rosto de Júlia, ela não parecia doente, apenas cansada.
— Três horas depois —
Nós, havíamos comido, e estávamos descansando no sofá, a televisão, não tinha sinal, provavelmente torres de comunicação e coisas em geral, já estavam condenadas a cair; Enquanto todos estavam conversando e pensando na situação, eu pensei em dormir um pouco, e perguntei como dormiríamos.
— Você e Gaby podem ir dormir no quarto, nós dormiremos na sala, só deixa eu pegar um colchão e ai, eu e os meninos cuidamos do resto.
— Obrigada, vem Gaby, vamos descansar. —
Com uma confirmação silenciosa, eu e Gaby fomos ao quarto do Léo, ele era espaçoso, tinha uma cama grande, o quarto parecia interessante, tranquei a porta e observei os posters na parede e cds de rock espalhados pelo chão, mas eu estava cansada demais para olhar qualquer coisa, quando vi Gaby deitando na cama e fechando os olhos, apenas fiz o mesmo e caí em sono profundo.
Acordei durante a noite, não estava conseguindo dormir direito, estava fazendo frio assim que me levantei e toquei o pé no chão, percebi que alguém entrou no quarto enquanto dormíamos pois estávamos sendo aquecidas por cobertas, esfreguei a mão nos olhos e bocejei, saí do quarto e reparei que os meninos estavam todos dormindo de forma torta na sala, o Adarlan dormia calmamente no sofá, enquanto Heitor, dormia com uma perna em cima do sofá e o resto do corpo no chão, A porta para a varanda estava aberta e entrava um vento frio dentro da casa, fui andando até a varanda e ví Thalles e Léo conversando, pareciam ter feito as pazes.
— … Pois é cara, eu sinto como se- —
O Thalles parou de falar e me olhou, ficamos um tempo em silêncio, o Léo parecia não ter me notado, até que disse:
— Senta aí Lua, olha a vista. —
Na varanda tinham quatro cadeiras enfileiradas, alguns vasos de plantas e uma vista para as ruas, o apartamento ficava alto, então pude ver os prédios que antes estavam pegando fogo apenas esfumaçando agora, tudo estava escuro, poucos prédios ou carros faziam luz, não havia gritaria e nem tumulto, mas se olhasse bem, eu podia ver mais e mais deles andando pela rua, batendo em paredes e tropeçando uns nos outros.
— Como vamos chamá-los? —
Eu estava cansada de tentar nomear aquelas bestas, então apenas deixei a pergunta no ar.
— Eles andam de um lado para o outro, sem destino, parecem vagabundos, vamos chamá-los de errantes. —
Errantes parecia bom, mas eu tive que perguntar:
— Por que não zumbis? —
Então o Léo se levantou e foi para dentro da sala
— Porque zumbis não existem, vou tomar um banho. —
— Foi errado ter perguntado isso? —
Perguntei olhando para o Thalles.
— Deixa ele, ele tá cansado, acho que a culpa disso é minha. Mas lua… A minha irmã não virou uma zumbi, eu podia ver a dor nos olhos dela. —
— Desculpe Thalles. —
— Lua, eu vou dormir, vamos ter que sair desse prédio amanhã, boa noite. —
Ele estava com um ar melancólico, achei melhor não perturbar, o sol estava nascendo, eu aproximei a cadeira da varanda e pensei em olhar um pouco mais para o crepúsculo, talvez esquecesse um pouco da situação.
Leonhard D'angelo — Z-day 2 — manhã
Quando a água caiu sobre meu corpo eu senti o peso do dia inteiro, estava exausto, precisando dormir e descansar um pouco, meu rosto doía, meu corpo todo doía, meu cabelo curto estava grudento, acho que esse banho foi muito melhor do que qualquer um que eu já tive em minha vida, ao sair do banho, enquanto eu me enxugava olhei para a lixeira do banheiro, os vestidos das meninas estavam jogados ao lixo, me senti mal, acho que uma das prioridades do grupo seria arrumar roupas para as garotas, provavelmente as lojas estariam destruídas e não seria difícil; Abri uma gaveta do banheiro e peguei uma calça jeans preta, vesti junto com uma camisa branca e saí do banheiro, Lua ainda estava na varanda, parecia em transe, então achei melhor falar algo.
— Lua? —
Ela parecia chorar, mas quando me olhou, vi que era só impressão minha.
— Fala. —
— Amanhã vamos arrumar roupas para você a para a Gaby, ok? —
— Eu gosto da camisa do Harry Potter. —
— Você fica bem nela, mais dez pontos para grifinória, haha. —
— O que? —
— Nada… vou deitar um pouco, já tá amanhecendo. —
— … Léo… —
— O que? —
— Obrigado por tomar a responsabilidade, você salvou a gente, e sinto que o Thalles também acha isso. —
Foi legal ouvir isso, acho que saiu um peso dos meus ombros, então entrei na sala.
— Obrigado, Lua. —
Algumas horas depois, estávamos todos acordados e nos preparando para sair, a Júlia havia acordado e nós contamos sobre a transmissão do governador, após tomar um banho e trocar de roupa, nos contou que seus pais estavam fora da cidade, então ela aceitou vir conosco, pegamos algumas armas improvisadas, cabos de vassoura, taco de basebol e após comer nos preparamos para sair, a Lua insistiu em levar o kit de primeiros socorros, tenho lembranças dela querer ser médica, acho que ele pode salvar as nossas vidas uma vez ou duas, o Heitor pegou algumas cordas que estavam no fundo de casa e colocou na minha mochila, a Gabriela colocou enlatados para parte da viagem e o Adarlan certificou de pegar alguns mapas, o Thalles apenas colocou uma faca média de cozinha dentro da sua mochila e nós saímos do meu apartamento, o prédio estava vazio e silencioso, talvez a nossa previsão de que as pessoas correriam para o porto sem pensar duas vezes estivesse mais correta do que imaginávamos, chegar ao carro foi fácil, não haviam mortos-vivos próximos a ele, entramos em silêncio e guardamos nossas mochilas e bolsas, o Heitor traçou uma rota para a Williamburg Bridge e acelerou, os errantes que até então estavam vagando sem rumo vieram a nossa direção, porém os poucos que nos alcançaram foram atropelados e entramos na avenida.
Ao abrir o porta luvas do carro, encontrei um relógio de pulso, alguns papéis com documentos do carro e uma pistola.
— Uma glock 17, acho que o homem que tinha esse carro era um militar. —
Todos olhamos para o Thalles que apenas agiu naturalmente, ter uma família militar realmente muda alguma coisa, a pesar da quantidade de errantes na rua ter subtamente diminuído, eles estavam apenas mortos pelo chão e a viagem estava indo tranquila, até que Heitor foi forçado a parar o carro quando viu um homem caído no chão, ele não parecia um morto-vivo, apenas estava caído, eu estava me preparando pra descer quando Heitor me parou.
— Espere, tem alguma coisa errada… —
Neste momento mais dois homens saíram de trás de alguns carros parados próximos a nós e apenas provaram que realmente o mundo estava para acabar, um deles tinha um revolver em mãos, o outro uma arma mais pesada, e sorrindo enquanto os mortos se aproximavam bradou:
— Saiam do carro, ou mando todos pro inferno. —

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