Fallen World

6 Um engano, uma pessoa e dois problemas.


Notas iniciais
Desculpem a demora pra sair o capítulo, eu estava adoentado, sinto muito. Boa leitura.

Leonhard D'angelo – Z-day 4 – tarde

Eu não entendi o seu comentário, mas um sorriso me escapou, ao olhar para o Heitor, não soube nem ao menos o que falar, eu estava cansado, não queria ter que brigar com ele, apenas consegui falar um vazio:

— O que? —

Ele sorriu e me deu um abraço rápido.

— Seu doente, como pode fazer aquilo? —
— O que você está- ? —
— Na próxima vez que você estiver pensando em fazer algo louco, me avise o seu plano antes. —
— Não havia plano. —
— O que? —
— Eu apenas queria salvar a todos. —
— Não se dá pra salvar ninguém morto. —

Ele se virou e foi andando até onde estava o amolador de facas, então pegou a que estava amolando, parecia feliz, mas não só isso, determinado.

— Léo, não vamos mais passar por isso, finalmente chegamos até aqui, desculpe por te deixar sozinho contra aquilo. Nós iremos pra longe de tudo isso. —

Ele sorriu, e o calmo sol tremeluziu em sua faca, invadindo meu olho, apenas coloquei a mão para bloquear a luz, feliz?… Não, ele estava triste.

— Eu não contaria com isso garoto… —

O homem que antes foi visto com Adarlan estava a nos observar, em sua boca estava um cigarro, sua fumaça se esvaia pelo ar, seus cabelos brancos traziam um ar de experiência, não de velhice, nossa atenção foi voltada para ele, que com um olhar melancólico, nos aconselhou.

— Tomem um banho, troquem essas roupas, vou falar com vocês sobre isso, mas parecem tão fracos que só perderei meu tempo. —

Ele parecia ter muitos problemas pra lidar, então não poderia nos instruir direito, fez um sinal de sentido e foi andando até uma grande tenta próxima a borda do pier, tentei animar o pessoal.

— Que bom que estamos vivos não é? —
Todos pareciam cansados demais pra se animar, mas o Thalles ao menos conseguiu começar a falar.

— Vamos ficar aqui? —
— Eu não sei… acredito que de acordo com o prazo de sete dias do governador, apenas sairemos daqui, com alguns dias. —
— Eu estou cansada… —

A Gabriela estava machucada, realmente parecia cansada, resolvi falar com eles para que descansassem.

— Vamos fazer o que ele disse, tomar banho e esse tipo de coisa, antes só quero ver se aqui tem alguma enfermaria pra ver o meu braço. —

Durante a noite

Estávamos limpos, com roupas novas que nos foram dadas, era engraçado ver as garotas vestidas de soldados, mas meu corpo doía o suficiente para que eu não sentisse vontade alguma de fazer uma piada, mesmo com curativos feitos pelos enfermeiros do lugar eu não me sentia confortável pra me mover, ao olhar em volta, reparei que a base se estendia por todo o porto, o que já foi um grande píer, hoje era um enorme cercado, haviam caixas por todos os lados, imaginei que fossem armas e mantimentos, fomos ordenados a nos reunir em uma mesa, haviam soldados em outras mesas, comendo e conversando, alguns passavam carregando baldes de água, levando animais presos por cordas, afiando lâminas, carregando pistolas ou fazendo outras coisas que imaginei que fossem coisas de soldados, eu não estava com tanta fome, então apenas comi um pouco e fiquei esperando para poder ouvir as instruções do homem que antes havia nos buscado, não demorou muito e ele chegou na nossa mesa, estava acompanhado de uma moça de cabelos loiros, ela era bonita, mas quando nos viu olhando para ela apenas virou os olhos para outro lado, e o homem se propôs a falar.

— Sou o Major Nagato Eijun meus motivos para estar aqui não interessam a vocês agora, mas vou dizer algo que pode salvar as suas vidas agora, então calem a boca e prestem atenção. —

Ele me soava como alguém rude, mas eu não tinha outra opção a não ser ouvir, e todos pareciam concordar que seria a melhor coisa, ao menos por hora.

— Ainda não temos confirmação de como esses monstros apareceram, mas temos informações de que continuarão a se multiplicar, e não há nada que podemos fazer nesse exato momento, porém, ainda há lugares que não estão infestados deles, vamos ocupar uma área em Oregon, e planejamos nos defender lá, mas isso não importa a vocês agora, sei que estão cansados, mas vamos dar a vocês uma opção, então se querem se salvar, aprendam a se defender, temos aqui alguns cadetes, planejávamos levar todos para o outro lado do país, mas um morto-vivo do tipo anormal chegou até aqui e dizimou grande parte dos que lutaram contra ele na hora, então estamos aceitando até mesmo homens fracos como vocês, é claro, se quiserem morrer, apenas podem ir embora, não serão treinados, não receberão armas e muito menos meio de transporte, mas caso queiram entrar nessa luta, quando forem acordados amanhã cedo, se preparem pra treinar, e quem cuidará de vocês será a Recruta Elaine Aldeen, que está aqui a dês do primeiro dia em que isso aconteceu com o mundo, ela tem mais treino, e pode instruí-los, estão dispensados.

Ele apenas fez um sinal de sentido e saiu andando, foi bem explicado, mas, eu não sabia o que dizer, ainda teria que falar com os outros, ir pra Oregon? É do outro lado do país, mas antes que eu falasse, a recruta se antecipou.

— Se algum de vocês estiver doente, machucado ou com medo, sugiro que fiquem de fora, estamos lidando com algo fora do alcance de pessoas fracas, só venham treinar aqueles que estiverem prontos para isso. —

Com tudo dito, apenas repetiu o sinal de sentido e saiu, após isso, tivemos uma rápida conversa, estávamos todos cansados, precisávamos dormir, então apenas empurramos com a barriga, deixamos pra resolver o que faríamos no outro dia.

Júlia Carter — Z-Day 5 – manhã

Acordamos ao som de apitos, eu nunca pensei que seria tão ruim levantar cedo, estava doída, cansada e não conseguia me mover direito, mas ainda lembrava da sensação de tentar cortar um zumbi e não conseguir, estava motivada a treinar, quando saí da barraca de acampamento camuflada onde dormi na noite anterior, pude ver como aquele lugar realmente funcionava, haviam pessoas treinando corrida em um campo aberto de barro, outras treinando tiros, combate corpo-a-corpo e com lâminas, eu sempre quis usar uma espada, então estava decidida para onde iria, mas primeiro, falaria com os outros sobre isso, fui até a mesa onde estávamos reunidos antes, o Léo estava sentado, fazendo cara de dor e falando alguma besteira enquanto a Luana enfaixava o seu braço, o Thalles estava logo atrás rindo, mas sua diversão acabou quando ela terminou o curativo do Léo e o olhou, ele tentou correr mas foi pego pelo Adarlan, que estava rindo, o Heitor estava escrevendo algo em um caderno, enquanto a Gabriela amarrava seu cabelo, me sentei ao lado dela e bocejei.

— Bom dia… que sono. —

Todos pareciam estar de bom humor, acho que estar viva já seria um motivo interessante pra estar feliz, mas eu queria ter sido mais útil naquela luta, estava disposta a treinar o dia inteiro se isso me ajudasse.

— Bom dia, dormiu alguma coisa? —

O Léo estava com seu braço esquerdo enfaixado, porém a lua deu um jeito pra que não deixasse suas articulações limitadas, ele parecia bem.

— É, dormi o tanto quanto pude, como está seu braço? —
— Doendo, ha ha, mas não se preocupe, não pretendo fazer esforço hoje. —

Fomos surpreendidos pela Recruta Elaine, que estava atrás do Léo ouvindo o que ele falava.

— Eu não gosto de armas, e infelizmente não tenho talento com lâminas, ent- —
— Então você vai morrer, e antes disso vai ver cada um dos seus amigos morrendo também. —

Acredito que se ele estivesse certo teria falado algo, mas era visível que estava errado.

— Você vai treinar sim, moleque. —

O Heitor fechou o caderno, fazendo todos olharem pra ele.

— Quantos anos você tem, acho que a gente se conhece... —

Eu poderia jurar que ela teria sorrido, mas logo sua expressão se enrijeceu.

— Eu tenho 19, mas todos vocês são pirralhos enquanto não mudarem de mentalidade, isso não é um jogo, temos que sobreviver. —

Ela apontou para o lugar onde todos estavam treinando.

— Vocês devem escolher algo para treinar, porém recomendo que todos treinem ao menos o mínimo de combate corpo a corpo e luta com lâminas. Agora escolham o que farão e comecem a treinar. —

Eu não pensei duas vezes, fui até a área onde estavam treinando com espadas de madeira e me apresentei, eu estava disposta a aprender, porém, vi uma cena curiosa, o Léo que eu pensei que fosse treinar, estava indo se deitar em uma sombra de árvore, eu não pensei muito nisso, apenas fui treinar.

Algum tempo depois, durante uma pausa no treino, olhei de novo para o Léo, ele estava dormindo encostado na árvore, com os braços atrás da cabeça, enquanto o Major Nagato se aproximava, eu imaginei que ele estava ferrado, mas não tinha com o que se preocupar, acho que o Major não bateria nele ou algo assim, eu estava engalanada, ao chegar no Léo, ele deu um chute fraco na lateral do tórax do Léo, que se acordou caindo no chão, foi engraçado, e todos em volta riram dele.

— Moleque, o que está fazendo dormindo? —
— O-Oque? —

— Não era pra você estar treinando. —


O Léo se levantou, e limpou areia do corpo.

— Eu não sirvo pra combate, sou um lixo com armas, na minha última luta contra um tipo anormal, mesmo mirando em seu olho dês do começo da luta eu descarreguei minha pistola duas vezes até o acertar, e ele estava sem uma perna quando eu o fiz. —

— Mas, você o matou não é? —
— É… mas foram várias balas gastas em vão, se vocês não tivessem chegado de carro, provavelmente eu e o Thalles teríamos morrido.—
— Então vem treinar comigo moleque, vamos ver se você é imprestável mesmo. —

O Major e o Léo foram andando enquanto conversavam, eu fiquei curiosa pra saber o que eles treinariam, mas logo voltaria pro meu treino, e eu queria ver o que os outros estavam fazendo, a Luana estava aprendendo a usar lâminas circulares em volta de um círculo de madeira, algo que ela chamou de Chakram, o Adarlan estava treinando combate corpo-a-corpo, Thalles estava se especializando em balística, algo que ele auto denominou como multi uso de armas, queria saber como Gabriela, Heitor e os outros estavam, mas voltei ao meu treino.

Enquanto isso

Heitor Collins — Z-Day 5 – manhã


Eu não sabia o que treinar, mas pensei que a versabilidade de um arco, seria bom, a caminho do stand de treino com arcos, ví a Sasha aprendendo a atirar junto do Thalles e o Chan treinando luta com o Adarlan, ao chegar no stand de arquearia vi a Gabriela sendo ensinada pela Elaine, ela parecia alguém que eu já tinha visto, como uma antiga amiga, na verdade, uma antiga namorada, porém, Elaine Aldeen? Eu não lembro desse nome, apenas fui andando até uma bancada com armas, haviam arcos, bestas, boleadeiras, flechas com penas, plumas, linhas, imaginei o porquê de haver tantos equipamentos letais espalhados por ai, sem ninguém pra vigiar, era realmente tão necessário pessoas treinadas para ir até Oregon? Haviam crianças ajudando mulheres a preparar comida, adolescentes aprendendo a lutar, adultos com espadas, armas e até lanças, haviam armas que eu nem sequer sabia que existiam espalhadas por ai, isso não é armamento do exército, algo estranho estava acontecendo, ou estava para acontecer, mas se fosse preciso virar uma máquina de matar, eu faria isso, peguei uma besta, uma aljava de flechas e me dirigi para o stand, durante a noite, todos estávamos exaustos, tomamos um banho antes de comer, e nos reunimos na mesa.

Todos estavam cansados, mas pareciam querer falar sobre suas novas habilidades, o Léo parecia estar ansioso, perturbado, ou qualquer coisa assim, eu nunca entendia o motivo dele estar animado, mordi um pedaço de pão enquanto os outros conversavam.

— Aprendi o básico de espada, uma arte chamada de kendo. —

A Júlia estava com uma espada de madeira na mão, balançando de um lado para o outro.

— Eu treinei um pouco de arquearia, usando uma besta. —

A Gabriela parecia só agora ter notado que eu treinei durante todo esse tempo do seu lado.

— Ah, verdade, eu estava aprendendo arco do seu lado. —

Apenas sorri, enquanto o Léo falava.

— Aquele velho é doente, ele me fez praticar tiro com um rifle de precisão a longa distância durante horas deitado na mesma posição. —

Parecia cansado, mas eu sabia que no fundo também tinha se esforçado pra aprender a atirar, Lembro que uma vez ele contou sobre algo ruim envolvendo armas e sua família, por isso ele não leva jeito com armas. Talvez seja complicado.


— Eu aprendi a usar lâminas, haha. —

A Luana estava comendo, mas estava animada pra contar, eu queria falar algo, como parabéns, mas fui interrompido pelo Léo.

— Ei Lua, eu quero falar uma coisa contigo. —
— Claro. —
— Precisa ser em particular, se você não se importa, é claro… —

— Ah, tudo bem. —

Eles se levantaram e saíram andando, o Léo parecia desconfortável, imaginei que fosse falar algo sobre seu braço, já que ela tira experiência médica, mas resolvi escutar,



O que? Você teria feito o mesmo, não vem falar que eu sou errado não.

Eles foram andando até uma sombra de árvore e o Léo falou alguma coisa, não dava pra ouvir, tentei chegar mais perto, mas imaginei que se fosse visto espiando levaria uma bronca, e obviamente fiz a coisa mais sensata. Depois de me aproximar pra ouvir melhor, me escondi em um arbusto e consegui entender uma parte.

— Então essa é sua decisão? —
— É. —
— E não há nada que eu possa fazer pra mudar isso? —
— Foi uma escolha minha, sinto muito. —
— É… Eu entendo… —
— Mas não se preocupa tanto com isso… —

Ela colocou a mão no ombro dele, e continuou a falar.

— Além do mais, o que você fez antes foi errado. —
— O-O que? —
— “Se você deixar algo acontecer com elas, eu mato você?” Se você quer nos proteger, faça isso você mesmo, não jogue o peso em outra pessoa. —
— Espera, não foi exatamente isso qu- —
— Tudo bem, eu não estou te culpando. —
— Mas te proteger? Antes você falou que- —
— Isso é diferente. —

Eu não tinha entendido nada, tentei me aproximar um pouco mais pra ouvir, mas ao fazer isso caí no chão, alertando os dois de que eu estava ali, achei que o Léo iria me dar uma bronca, ficar nervoso ou com raiva, mas ele apenas apertou os punhos.

— Se essa é sua decisão, tudo bem… realmente não há nada que eu possa fazer pra mudar isso. —

Ele tirou a mão dela do seu ombro, então cerrou os dentes e saiu andando, passando pelo meu lado, indo em direção ao lugar onde ele estava praticando tiro, pude sentir que estava extremamente irritado, me arrependi de ouvir a conversa, a Luana estendeu a mão para que eu me levantasse.

— O que ele queria? —
— Era um pedido besta. —

— O que ele pediu? —
— Vamos voltar. —
— Pera ai, oqu- —

Ela foi andando de volta até a mesa, eu não sabia o que diabos estava acontecendo, apenas pude imaginar que ele foi rejeitado, ou algo assim, do jeito que eu conhecia o Léo, provavelmente ele tentaria derrubar uma parede com os dentes ou algo assim nesse momento.

Quando voltamos, o Adarlan estava contando como sobreviveu após sair do hospital.

— Então eu estava encurralado, ou eu saía do carro e tentava nadar pelo rio, ou então eu dava a volta e tentava atropelar os zumbis, mas eram muitos, minhas balas já haviam acabado a muito tempo, então eu fiz o que qualquer homem faria, bravamente… —

Ele estufou o peito

— Joguei a Duster no rio e saí correndo. —

Todos começaram a rir, e perceberam que eu e a Luana estávamos de volta, até que o Thalles perguntou:

— Cadê o Léo? O que ele queria? —

A Luana se sentou e suspirou.

— Ele tá no stand de tiro. —

— E o que ele q- —
— Ainda tem comida? —
— … —

Eu odeio segredinhos, e como a Luana não falaria, fui conversar com o Léo.

Ele não estava no stand de tiro, na verdade enquanto eu procurava por ele, pude ver pessoas treinando, carregando coisas de um lado para o outro, passei pela Elaine, e esqueci completamente do Léo, corri pra falar com ela, enquanto ela carregava uma caixa, me ofereci pra segurar a caixa pra ela.

— Ei, eu tenho certeza de que a gente já se viu antes. —
— Claro que não. —
— Deixa eu carregar essa caixa pra você. —

Ela me entregou a caixa.


— Você é muito burro. —
— O que? —

— Nem sempre você teve essa memória de peixe. —

— Pera ai, eu já te vi antes então? —
— Meu deus, nem pra carregar uma caixa quieto você serve. —
— Q-Quem é você? —
— Affe, fica quieto. —
— Elaine Aldeen? Eu não lembro de ninguém com esse nome. —
— Nossa, você é um saco. —

Ela pegou a caixa da minha mão e me surpreendeu com um beijo.

— Eu sou sua namorada do fundamental seu imbecil. —
— O-O que? —
— Eu mudei meu sobrenome, seu retardado. —
— Então você é a … —
— Sim, eu sou a Elaine Christina, Seu burro. —

Ela foi andando, enquanto falava:

— Outra coisa, eu ouvi a conversa do seu amigo com a sua amiga, ele está certo, uma médica não deveria lutar na linha de frente usando lâminas. —
— Pera ai o-o que? Ele não havia se declarado pra ela? —
— O que? Além de burro você é surdo? Tudo que ele disse foi que- —

Fomos interrompidos por um estrondo, foi como uma grande explosão, havia fumaça por todo lugar, a visão que se seguiu, me deixou sem palavras, bem no meio da base, haviam dois tipos anormais, eles eram enormes, tão grandes quanto o que nos separou antes de chegarmos aqui, talvez até maiores, um deles era vermelho e o outro verde, eles seguravam postes na mão, pareciam muito bem vivos, pra mortos gigantes, não pareciam ser simples humanos mordidos.

— Verme neural é, Luana? Acho que não. —

Todo o lugar estremeceu quando os dois rugiram, suor frio escorreu pelo meu rosto. Era hora de lutar.

Notas finais
Isso é tudo pessoal, obrigado por ler.