Fallen World
5 Lágrimas
Notas iniciais
Heitor Collins – Z-day 4 – manhã
Meus olhos mentiam pra mim? Estavam me zoando mesmo? Aquilo não era um zumbi comum, eu não sabia nem se ao menos ele era um zumbi, ele tinha uma estatura elevada, se eu pudesse arriscar diria que no mínimo dois metros, talvez fosse um viciado em academia, usuário de esteroides, ou o que fosse, eu não tive tempo de pensar na hora, aconteceu tudo muito rápido, mas não significa que foi fácil.
Ele investiu com tudo pra cima da Gabriela, que estava sentada no chão, parecia um touro, mas em vez disso, esticava os braços pra frente, diferente de um zumbi normal, sua pele não estava apodrecida, ele parecia ser mais forte, mais rápido e mais resistente que os zumbis normais, eu estava em choque e não conseguia me mover, ele chegou a um passo de pegá-la, quando o Thalles segurou a perna dele enquanto o Léo acertou um chute no seu rosto, ele cambaleou e caiu no chão, entendi que estávamos em combate, não havia tempo pra besteiras, saquei minha arma e comecei a atirar nos zumbis em volta, parece que o Léo entendeu minha ideia na hora.
— Eu cuido dele, Thalles, ajuda o Heitor com os zumbis em volta. —
Eu apenas aceitei o que ele disse não havia tempo pra pensar, mas seria complicado pra ele lutar sozinho contra aquele zumbi, além do mais com um braço ainda se recuperando.
— Tem certeza? —
— Não temos tempo pra ter certeza, não deixe nenhum deles encostar nas meninas, ou eu mesmo mato vocês. —
Ele conseguiria, era só isso que eu poderia pensar na hora, me preocupei manter as garotas seguras, enquanto o Léo corria e atirava no zumbi e o Thalles protegia dos outros zumbis.
— O que ele é? —
— Eu não sei, um tipo anormal. —
As balas que o Léo atirava nele apenas ficavam presas em sua pele, por ser mais baixo, acho que ele não conseguia atirar na cabeça, então mirei no zumbi enquanto ele estava investindo para cima do Léo, que corria pela rua, eu estava distraído, e um zumbi se aproximou, agarrando meu braço e me fazendo errar o tiro.
— Droga! —
As garotas gritaram, eu sabia que seria tarde demais pra bater nele, mas, ainda assim, tentei o afastar com a coronha da arma e caí sentado no chão, ele não largava dos meus braços, então veio com tudo pra cima do meu braço, e fui totalmente sujo de sangue.
O cara que estava andando com a Sasha, a amiga de Thalles, com uma barra de ferro esmagou a cabeça do zumbi, então fez um sinal positivo com a mão.
— O-Obrigado. —
— Se seu amigo vai lutar contra esse monstro que estava indo atrás de nós, ficarei feliz em ajudar. —
— Certo. —
Eu não o conhecia, nem sequer sabia se podia confiar nele, mas se você salva minha vida, ganha ao menos alguns pontinhos comigo, Me levantei e conferi como as coisas estavam com as meninas, estavam assustadas, mas queriam lutar, infelizmente não tínhamos armas para todos, o Thalles estava matando zumbis revezando uma barra de ferro e seu fuzil, mas estávamos fazendo muito barulho, eles não paravam de chegar; um grande impacto chamou minha atenção, o Léo foi atingido por um golpe do monstro e voou alguns metros, logo em seguida entrou pela janela de uma loja e o monstro rugiu.
Ele não focava em nos morder, mas sim em nos matar, ele não era um zumbi comum, certamente era um tipo anormal, mais forte, mais rápido, mais alto, mais resistente, isso seria complicado, provavelmente o Léo estava desmaiado, atirei nas costas do monstro e gritei:
— VEM AQUI E ME SEGUE, SEU MONTE DE LIXO INÚTIL. —
O monstro se virou rugindo pra mim, estava pronto pra vir em cima quando tomou um tiro na nuca, o Léo saía de dentro da loja, cuspindo sangue e recarregando a sua pistola.
— Esse é meu último cartucho, eu vou matá-lo agora, caso eu não consiga, pegue as garotas e saía daqui! Thalles, quantas balas essa arma tem? —
Ele estava sangrando pelo braço, boca e por um corte na perna, não duraria tanto tempo.
— Doze, não se mata em vão, caso veja que não vai conseguir pegar ele, sai daí. —
— Ei, Léo, você não precisa fazer isso sozinho, deixa que eu te- —
Minha frase foi interrompida quando a Sasha gritou, olhei rapidamente em volta, haviam dúzias deles, talvez 100, 200 ou mais, eu não teria como contar. Eles pareciam ignorar o Léo, como se soubessem que ele já estava condenado a morte, e vinham direto para nós. O Léo correu em direção do monstro e esperou até o último momento pra desviar de uma agarrada que o quase o segurou, deslizando por baixo das pernas do “tipo anormal”, atirando na sua nuca, a bala passou de raspão, e ele sussurrou enquanto se levantava voltando a correr para se esquivar de um pisão:
— onze… —
— Ei, Heitor! —
O Thalles me chamava.
— Se mexe, minhas balas estão acabando, e são muitos pra matar de perto. —
Mais zumbis chegavam, quando passavam por mim, eram mortos pela Júlia, que estava com a faca do Thalles, porém mais e mais passavam, a medida que minhas balas foram acabando, isso não duraria pra sempre, na verdade, estávamos indo direto pro fim, o Thalles parecia segurar as pontas do outro lado da rua, mas também estava ficando sem balas, eu não ligaria para qualquer desejo egoísta de se matar ou provar qualquer droga a alguém, mataria aquele tipo anormal no ato, para sairmos dali, então peguei as minhas últimas balas e descarreguei na cabeça dele, que estava correndo pra cima do Léo, exatamente de costas pra mim.
Apenas alguns tiros o acertaram, e as balas nem sequer entraram nele, apenas pararam na sua pele, o Léo tropeçou e caiu bem na hora que ele foi atingido, se virando pra mim, com os olhos sedentos por sangue, ele urrou, foi um barulho ensurdecedor, meus ouvidos doíam, quase fui pego por um zumbi que passou pelo Thalles, mas fui salvo mais uma vez pelo amigo da Sasha.
— Você fez bem em salvar seu amigo agora, mas não se descuide. —
Droga, o que mais eu poderia fazer? Mais e mais deles vinham até nós, quantos tiros o Léo ainda tinha? Cinco? Seis? Isso estava indo de mal a pior, ele estava ficando mais lento, e já havia sido acertado e jogado longe duas ou três vezes, se nem tiros de fuzil adiantavam, sua pistola não serviria de nada, ele apenas estava nos colocando em risco.
— LÉO, NÃO TEMOS MAIS TEMPO, ESTAMOS FICANDO SEM SAÍDA. —
Ele se levantou rapidamente enquanto o Monstro investia contra mim e disparou nas suas costas mais duas vezes, enquanto gritava:
— TUDO BEM, PEGUE ELAS E SAIA, USE A ESCADA DO PRÉDIO, THALLES, AJUDA O HEITOR A SAIR DAQUI. —
Era obvio que o Thalles não faria isso.
— O QUE? EU NÃO VOU TE DEIXAR AQUI! —
O monstro continuou a investir pra cima de mim, mas foi parado quando o Thalles gastou todas as suas últimas balas na sua perna, destruindo seu joelho, fazendo a perna e resto do corpo irem pra lugares diferentes, ele caiu no chão, urrando de ódio.
— VIU? PODEMOS FAZER ISSO JUNTOS. —
Eu pensei que seria possível, Thalles estaria certo? Ele morreria tão fácil? Dei um passo a frente e mirei no monstro que estava tentando se levantar no chão, mas ao pressionar o gatilho me lembrei, eu estava sem balas, O monstro se arrastou com imensa velocidade surpreendendo Léo e Thalles, que recuaram pra dentro de uma loja pela porta e saíram pela janela, logo antes de toda a loja ser destruída com o impacto do golpe do maldito monstro.
O amigo da Sasha tocou no meu ombro, e fez um sinal de não com a cabeça, sua vista estava baixa, eu entendi o significado na hora. Deveríamos ter fugido assim que fomos atacados, não havia mais saída, o Thalles correu pra ajudar o Léo e a Gabriela estava indo fazer o mesmo, sendo seguida pela Luana, Júlia e Sasha, eu caí na real, ele estava criando uma abertura, era pra nos salvar o tempo todo, apertei meus punhos, corri para as meninas e coloquei a Gabriela nas costas, segurei a mão da Luana e as puxei a caminho do prédio.
— Venham, Júlia, Sasha, não vamos deixar o sacrifício deles ser em vão. —
— O que? Vamos deixar eles pra trás? Mas eles estão lá por nós… —
A Luana parecia querer chorar, puxava meu braço para se soltar, mas não tínhamos tempo pra aquilo, seria difícil falar com ela enquanto a Gabriela se debatia no meu ombro e gritava algo sobre ainda poder lutar, a Sasha era trazida pelas mãos pelo amigo seguida pela Júlia que olhava pra trás enquanto o Léo e Thalles eram seguidos pelo zumbi gigante, não havia mais como pensar neles, seriamos seguidos por dezenas de zumbis, por sorte ou azar, ele ignoravam os dois e vinham com tudo em nós, tudo que pude foi gritar em apoio.
— NÃO MORRAM, EU VOU — —
— SE DEIXAR ALGUÉM ENCOSTAR NELAS, EU MATO VOCÊ! —
É… se eu o visse de novo agradeceria por isso, tranquei a entrada do prédio com uma mesa exatamente na hora que zumbis entrariam, eles ficaram batendo na porta de ferro, forçando a entrada, soltei um suspiro amargo e segui para as escadas puxando as garotas.
— Não temos tempo, eles vão entrar no prédio cedo ou tarde, Sasha, Júlia, vamos... —
Relutantes e ainda chorando, me seguiram pelas escadas.
Estávamos subindo as escadas do prédio, o único som audível era o do soluçar de Luana e Gabriela, que subiam os degraus lentamente, eu não achei que deveria fazer com que elas andassem mais rápido, estavam tristes, o Léo era fechado, mas nunca negou ajuda, já se meteu em brigas por mim, sempre consolava a Gabriela com seus casos amorosos, mesmo levanto patadas e respostas grosseiras a cada segundo, e quando se irritava com ela, pedia desculpas no dia seguinte, após passar toda a noite pensando que teria a feito ficar mal, e ele é um grande amigo pra Luana, até onde eu me lembro, eles ficavam conversando de bobeira de manhã cedo na escola, as vezes ele até copiava algumas frases dela só pra irritar, e o Thalles também era muito importante pra nós, não só um grande amigo como também um cara legal, que poderíamos contar pra qualquer coisa, mesmo após a morte de sua irmã ele ainda ficou pra morrer com o Léo…
Morrer?!…
Eles não haviam morrido ainda, mas, como eu poderia ter fé nisso?
— Me chamo Heitor, essas são Luana, Gabriela e Júlia, quais são os seus nomes? —
As garotas não falaram nada, esperei que se apresentassem, mas acho que não era a hora…
— Pode me chamar de Chan, essa é a Sasha, sinto muito pelo que aconteceu la atrás, parte disso foi culpa nossa… —
Continuamos a subir as escadas até chegar no topo do prédio, olhei rapidamente em volta, haviam zumbis indo pro sul, eles estavam se dispersando, não havia sinal do zumbi anormal nem do Léo ou Thalles, me senti mal por isso, mas não havia o que fazer, o lado esquerdo do prédio era conectado a outro por duas escadas que provavelmente serviam para limpar as janelas, seria bom sairmos logo desse prédio e quebrarmos as escadas, assim não seríamos seguidos, dai em diante era só dar um jeito.
— Vamos. —
Eu estava indo em direção das escadas quando a Luana me repreendeu enquanto soluçava.
— Como pode d-deixar eles para trás? —
— Não foi minha escolha. —
— O que você a-achou que eles fariam sozinhos ali? Você s-se chama de estrategista? —
— Ei, aquilo foi decisão deles, eu também estou triste, mas não desconte em mim. —
— Eu não e-estou triste, apenas zangada, eles estão machucados, lutando por nós enquanto fugimos, c-como vou poder olhar pra eles de n-novo após ter deixado eles pra trás? —
— Esse é o problema? Como você vai olhar pra eles?! Então vou simplificar pra você, eles não vão voltar, nesse momento já devem estar mortos, eu- —
Ela me interrompeu com um tapa no rosto, mesmo chorando sua força ainda era a mesma, eu perdi a fala, não consegui sentir raiva.
— V-você… é o pior… —
— Eu também não quero acreditar que eles morreram, e eu quero te pedir uma coisa… Não me faça sentir pior do que estou. —
Fui andando até as escadas, enquanto a Luana se sentou chorando no chão, o sofrimento dela era visível, a Gabriela colocou a mão na sua cabeça, ela que antes parecia querer lutar pra salvá-los agora estava com um rosto sério, porém triste, já havia aceitado a morte deles, enquanto isso a Júlia abraçou a Luana, ela parecia estar irritada, mas realmente não havia o que fazer, se eu questionasse minhas decisões agora e uma delas morresse, eu nunca poderia encarar o Léo outra vez.
— Se ele te visse chorando agora ficaria arrasado, vem… vamos embora. —
Enquanto isso
Thalles Bogard – Z-day 4 — manhã
Estávamos correndo feito loucos, pulando de janela em janela, era aterrorizante ouvir os rugidos do errante gigante que vinha atrás de nós, porém era estranho ao mesmo tempo, nenhum outro zumbi veio em nossa direção, ele parecia afastar os outros, mas se tem uma coisa que eu não tinha tempo de fazer era pensar, chutei a porta de uma casa e corri pela rua em direção a um beco, minha boca sangrava, minha camisa estava rasgada, restando apenas minha calça e uns trapos presos ao meu corpo, me livrei deles enquanto corria em direção ao beco.
— QUANTAS BALAS VOCÊ AINDA TEM? —
— DUAS. —
O Léo estava correndo logo atrás de mim, suas roupas estavam piores que as minhas, não haviam nem trapos da sua camisa, apenas sua calça ainda restava, ele estava muito machucado, mas acho que sabia que se parasse de correr estávamos mortos, alguns metros atrás dele vinha o errante anormal, mesmo sem uma perna ele era bem ágil, rastejando em nossa direção, engatinhando ferozmente como um bebê, só que possuído pelo demônio.
— VOCÊ É MUITO RÁPIDO PRA UM MORTO VIVO DEFORMADO. —
— PARA DE ZOAR COM ELE, ELE VAI FICAR OFENDIDO. —
— O QUE? CALA A BOCA, FOI VOCÊ QUE CHAMOU ELE DE BICHO PAPÃO ALI ATRÁS.—
— EI, THALLES. —
— O QUE? —
— ESSE BECO É SEM SAÍDA. —
— O QUÊ?? —
Era um beco como qualquer outro, uma viela comum, mas seria o nosso fim, sua parede era maciça como ferro, mesmo sendo de tijolos, porém alta demais pra pular e segurar no topo, talvez se esperássemos ele vir pra esquivar e correr, olhei para o Léo pra sugerir a idéia, mas ele teve uma melhor, estava abaixado, com as mãos cruzadas em forma de calço, próximo a parede, realmente, somos uma dupla perfeita, tanto nos tempos de acampamento quanto hoje, apoiei meu pé nas mãos dele e pulei ao mesmo tempo que fui arremessado pra cima, segurei na ponta do muro e subi, o errante se aproximava, mas consegui erguer o Léo a tempo, e então começamos a correr pelo telhado de uma casa, conseguimos ouvir ao fundo o impacto do errante no muro, que depois urrou de decepção, ao ver que perdeu duas presas fáceis como nós.
— E agora? Vamos embora? —
— Não, ainda não, se toparmos com um desse lá na frente, quero comprovar uma coisa antes, ainda tenho duas balas. —
— O que? —
O Léo foi até a ponta do telhado da casa, onde pode ver o errante anormal, que lutava pra se levantar e tentar se agarrar ao telhado, o Léo apontou a arma pra ele e balbuciou.
— Fique quietinho, ou não poderei te fazer pagar pelo que fez. —
Eu não sabia o que ele estava fazendo, mas não adiantaria atrapalhar, então apenas fiquei olhando.
— Sh… calma, eu só vou te mandar pro inferno. —
— Vai logo, eu quero que- —
Ele disparou exatamente na testa do errante, que urrou e continuou a inutilmente tentar se erguer.
— Você é um saco… —
O seu segundo tiro entrou pelos olhos do errante, que caiu numa poça de sangue, jorrada pelo seu nariz, olhos, boca e orelhas.
— C-Como você? —
Eu estava surpreso, mas ele caiu desmaiado assim que comemorou pelo seu feito, eu o peguei e apoiei seu braço no meu pescoço, não daria pra descer, estava fraco e desarmado pra lidar com zumbis comuns, então apenas o arrastei pra beirada do telhado e olhei em volta, podia ver no horizonte a ponte Williamsburg.
— Estávamos tão perto… como podemos morrer aqui? —
Minha surpresa ficou clara quando ao olhar pro lado vi um Carro enorme se aproximando, era um veículo militar, larguei o Léo no telhado e comecei a acenar pra pedir ajuda, o carro parou em frente a casa em que estávamos e duas de suas portas abriram, de um lado desceu um homem rindo, ele tinha aparência de adulto, mas ria feito criança, barbudo, cabelos brancos, meio gordo e fortemente armado, o outro cara, era-
— ADARLAN? —
Ele estava com uma roupa militar, segurava uma espingarda calibre 12 na mão, e sorrindo pra mim falou,
— Vocês dois são os últimos. Achar vocês separados foi um saco, era pra estarem na ponte as sete horas, não semimortos em um prédio qualquer. —
— Ei… como você? —
— Não temos tempo pra isso, vamos logo pro porto, la tem um acampamento do exército, os outros já estão a caminho. —
— E-Então todos estão B-bem? —
Como ele ainda tinha energia pra se acordar eu não fazia ideia, mas fiquei feliz em ouvir a voz daquele idiota.
— Vamos logo. —
Uma hora depois
Vou te falar a verdade, eu estava esperando chegar no porto e ver uma base do exército cheia de suprimentos, com barcos levando pessoas para um lugar seguro, mas o que ví foi uma estrada de corpos a caminho do porto, e ao chegar lá, a base estava quase que destruída, meu queixo caiu ao ver montanhas de errantes por todos os lados, mas ao menos estavam mortos.
— O que houve aqui? —
— Vou contar isso a todos, apenas uma vez, quando estivermos reunidos. —
O Léo estava consciente, talvez um pouco melhor por descansar.
— Eu sabia que isso aconteceria… —
Quando descemos do carro, Fomos recebidos por todos de roupas limpas e bem, o que me deu um certo alívio, o Heitor estava afiando uma faca enquanto conversava com o amigo da Sasha, então não nos notou de imediato, mas quando a Luana, Gabriela, Sasha e Júlia nos viram, correram pra nos abraçar imediatamente, a Sasha me abraçou enquanto falava:
— Esse nosso reencontro foi o pior, mas estou feliz de te ver de novo. —
— Ainda bem que vocês sobreviveram, eu estava surtando. —
Disse a Júlia, enquanto eu era abraçado por ela logo em seguida,
— Hey, parece que o Heitor não deixou vocês morrerem, ele serve pra algo. —
Olhei para o Léo enquanto ele abraçava a Luana e Gabriela ao mesmo tempo, ele parecia feliz, apesar de cansado.
— Seu idiota, como você pode fazer aquilo de novo? —
— O que? —
— Eu te disse que se fizesse aquilo de novo eu iria te bater! —
— Quando você disse isso? —
— E dessa vez você ainda arrastou o Thalles junto, porque você fez isso? —
A Luana estava chorando, então a abracei também, e o Léo disse:
— Fico feliz de estarmos todos bem, eu já não tinha esperanças… —
Ele baixou sua cabeça e se desculpou.
— Sinto muito, eu prometo nunca mais preocupar vocês de novo. —
Achei que as garotas dariam uma dura nele ou algo assim, mas a Gabriela falou:
— Nos ensinem a atirar, poderíamos ter ajudado muito mais, assim você não vai precisar arcar com tudo na próxima vez, líder. —
Ela deu um tapinha das costas do Léo e saiu andando enquanto limpava uma lágrima dos olhos.
Ele olhou pra mim e pude ver que estava aliviado, foi quando o Heitor chegou e olhando pra gente falou:
— Você é o mais idiota de todos os líderes, deveria estar morto exatamente agora. —
Apenas consegui fechar meus punhos e serrilhar meus dentes enquanto o Léo sorria e soltava um vazio:
— O que? —

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