Fallen World
32 Capítulo 32: Ferro Velho
Notas iniciais
Fallen World
Capítulo 32: Ferro Velho
O grupo já tentava superar a perda sofrida algumas horas antes afinal, nas condições atuais, ninguém tem chance de lamentar algo, seja lá o que for. Todos caminham em um silencio incomodante, Nick assegurava a proteção de todos indo mais à frente tendo Abraham dando-lhe apoio. Já Eugene estava recuado fazendo Francis e Daryl fornecerem proteção na parte de trás do caminho.
Julie caminhava no meio dos demais com Mari e Bernardo ao seu lado, ambos focavam seus olhos na imensa estrada sem fim, Abraham andejava cabisbaixo ainda sentindo a perda recente de Rosita.
– Minhas pernas já estão doendo. – Reclamou Mari parando de andar enquanto massageava suas coxas à mostra diante de um short ,verde escuro cedido por Rosita, que a garota trajava.
– Vamos continuar só mais um pouquinho certo? – Indagou Francis em tom de sussurro dando um pequeno empurrão nas costas da jovem que realiza alguns passos desequilibrados.
– Aquilo, parece ser seguro? Pelo menos por essa noite ou talvez mais dias ... – Proferiu finalmente Nick, apontando para um casebre completamente destruído. O local parecia ter desmoronado mais ainda assim a parte da frente da singela casa, o terraço, estava intacto.
–Acha que essa parte pode cair a qualquer momento? – Alertou Daryl socando um dos troncos de madeiras que sustentavam as estruturas que sobraram do local.
– É o suficiente por hora. – Interrompeu Abraham encostando na parede que sobrou do local. Todos se entreolham adentrando com cautela no local, Mari dorme com a cabeça sobre a perna de Francis enquanto Daryl fazia a vigia no lado de fora.
– Você não vem dormir? – Estranhou Julie com Bernardo encolhido no colo da jovem.
– Irei mas não agora, vou ajudar o Daryl lá fora. Tente dormir ok? — Respondeu Nick beijando a testa de Julie que fecha os olhos instantaneamente.
– Temos que repor nossos mantimentos perdidos ou não iremos aguentar a viagem até Washington. – Indagou Mari coçando os olhos.
– Amanhã iremos buscar mais, quer ir comigo? – Questionou Abraham colocando suas duas mãos atrás da nuca.
– Nossa sério!!?? – Elevou a cabeça bastante empolgada a jovem.
– É, agora vá dormir que amanhã iremos acordar cedo. – Interrompeu o momento Francis forçando Mari a retornar para a posição em que descansava.
Logo a noite se vai e a luz do sol acorda todos que tentavam descansar incomodando-o os seus devidos olhos. Mari já estava em pé, entusiasmada com a missão que Abraham prometera.
– Não sei Mari, estávamos brincando quando disse que você ia! – Murmurou Francis arrumando seus longos cabelos escuros.
– Na verdade, eu e o Daryl estamos bastante cansados já que nem dormimos de ontem para hoje. Você tem que ajudar a Julie com o Bernardo e o Eugene não sabe nem como apunhalar uma arma. – Protestou Nick arranco um largo sorrio em Mari.
– Agora se acontecer algo, você terá que se virar sozinha. Não sou babá de ninguém! – Alertou Abraham levantando-se.
– Vira essa boca para lá Abe! – Interrompeu rapidamente Francis encarando-o sério. Alguns minutos logo se passam e ambos já estão devidamente equipados e cientes do que procurar como mantimentos.
Abraham andava mais a frente com sua enorme arma encostada no seu ombro esquerdo já Mari dava longos passos com suas duas pistolas encaixadas no coldre envolta da cintura bem formada da jovem.
– Ei Abraham! – Chamou-lhe atenção Mari acelerando um pouco os passos para alcança-lo.
– Você não sentiu a morte da Rosita? Quero dizer ... ela foi sua namorada por mais de dois anos e você nem sequer lamentou. – Mesmo evitando o assunto, a jovem proferiu aos poucos.
– Na verdade, senti sim. Mas acontece Mari, que nessa longa jornada até Washington D.C eu tive inúmeras perdas de companheiros e familiares e mesmo assim, eu continuei seguindo o meu caminho, eu tenho que continuar afinal, a vida de todos nós está em jogo. – Respondeu o ruivo olhando ao horizonte. Mari abaixa a cabeça entristecida enquanto ajeitava suas duas pistolas.
– Você sabe como usar isso? – Perguntou curioso Abraham, dando uma leve bufada seguida por um sorriso.
– Claro que sei! Aprendi lá na prisão, até matei uma mulher que tentava invadir nosso lar .. – Respondeu contente a jovem mudando logo o tom de voz ao continuar com a indagação: — Foi o Carl quem me ensinou ...
Ambos então, permanecem em silêncio por alguns minutos. Abraham nunca foi um homem sensível e não sabia como lidar com os sentimentos de uma adolescente.
– Você ... realmente gostava dele? – Quebrou o silêncio o ruivo.
– Sim, eu meio que cresci nesse apocalipse então a minha primeira paixão foi o Carl, é difícil ter que me separar dele, pelo menos foi no inicio mas ainda tenho esperança de encontra-lo vivo.
– Sei ... – Foi só o que disse Abraham arrancando alguns sorrisos de Mari que indaga:
– Faz uns dois anos que convivemos juntos e não consigo vê-lo como um homem que se importa com os sentimentos dos outros. Como esteve tanto tempo com a Rosita?
– Tenho pegada. – Brincou o ruivo enquanto ambos imergiam em gargalhadas que logo foram cessadas com a presença de três errantes que voltam-se na direção dos dois devido ao barulho dos risos. Abraham faz um sinal com as mãos para Mari ter calma já que a garota já ia pegando suas duas armas.
– Deixa que eu faço isso. – Sussurrou Abraham deixando sua arma no chão enquanto apunhalava um faca de grande porte e corria na direção dos transformados que rosnavam de fome. Abraham consecutivamente, finca sua faca no cérebro de todos os walkers que ali estavam mas logo é surpreendido por mais dois errantes que surgem por dentro da floresta ao lado do ruivo.
– Abraham! – Gritou Mari efetuando rapidamente, dois disparos que atingem em cheio, os dois caminhantes que caem já sem vida, ao lado de Abraham.
– Você é durona mesmo hein! – Brincou o ruivo suspirando de alivio enquanto pegava sua arma que estava no chão e olhava para a garota sem acreditar no feito da mesma.
– Vamos por ali, deve ter alguma loja ou coisa do tipo. – Apontou Abraham enquanto Mari pegava a mochila branca e colocava com uma única alça, no seu ombro.
Os dois então atravessam a rua e em questão de segundos, chegam numa ladeira que da continuidade a estrada.
– Filhos da mãe ... – Disse quase em tom de cochicho Abraham com os olhos arregalados enquanto observava a imensidão de errantes que perambulavam sob a ladeira da estrada. Mari engole a própria saliva enquanto sentia sua pernas bambas, nunca havia vista um horda tão grande.
– Droga! – Murmurou Abraham enquanto puxava Mari pelos braços. – Estão vindo para cá, os disparos os atraíram! – Completou o rapaz notando que os errantes mais próximos já vinham na direção de ambos sedentos por carne.
– E agora o que vamos fazer? – Perguntou assustada Mari.
– Não podemos simplesmente confronta-los. Não viu aquela imensa quantidade? Aquilo faria de você inúmeros farelos. Apenas corra ok? – Respondeu Abe enquanto continuava a puxar a jovem mata a dentro.
Os dois corriam intensamente desviando dos obstáculos que encontravam pelo caminho. Folhas, galhos dentro outros .. a floresta estava mais escura diante das imensas árvores que cercavam o local. Os transformados já surgiam por todos os lados parece que o cheiro dos vivos atraíram também, os errantes das localidades da floresta.Mari já retira suas pistolas do coldre sendo impedida por Abraham pondo a mão em cima da arma.
– Tudo que menos quero agora, é que mais deles sejam atraídos e que descubram onde estamos. – Retrucou Abraham olhando atentamente a sua volta.
– Eles irão nos cercar mais cedo ou mais tarde. É melhor livrarmos o caminho para depois seguirmos em frente, logo aquela horda vai infestar essa floresta e não teremos mais saída. – Rebateu a jovem forçando a retirada das pistolas. Abraham enfim cede já apunhalando sua arma enquanto ia na direção dos transformados que surgiam por dentre as plantas, Mari estica seus braços mirando suas pistolas em direções diferentes. A garota demonstra ser ágil efetuando diversos tiros completamente certeiros que iam derrubando um por um.
Abraham a observa sem acreditar no que via. Havia subestimado a agilidade da jovem em relação as armas.
– Mari, vamos por ali! Tem uma claridade maior, provavelmente é a saída da mata. – Proferiu Abraham correndo pelas laterais enquanto alguns errantes o seguiam, Mari livra-se de alguns que estavam mais próximo e logo retorna a correr junto ao ruivo na direção escolhida.
Enquanto corriam, os dois olhavam constatem ente para atrás e logo viam a imensidão de transformados tomarem conta da vasta área da floresta e a partir de agora, eles poderiam surgir de qualquer lugar.
Não demora muito e logo Abraham e Mari se deparam com a saída da floresta que dá bem de frente a um ferro velho abandonado, Abraham gira apreensivo tentando encontrar algo para que sirva de proteção mas logo os dois caminham sobre o local. O ruivo faz um sinal para a jovem indicando por onde continuar a andar, ambos ficam cautelosos com suas armas apunhaladas.
Ambos passam por uma fileira de inúmeros carros enferrujados e abandonados. Do piso de barro, já surgiam algumas plantas enquanto iam pisando sob as pedras no caminho.
– Abraham! – Berrou a jovem, virando-se imediatamente para a floresta de onde estavam e lá saiam os errantes que o seguiam, o espaço do ferro velho era pequeno e rapidamente seriam cercados e provavelmente, mortos se não arranjassem um jeito de se safarem dali urgentemente.
– Não tem outro jeito, vamos! – Esbravejou Abraham já atirando nos errantes que se aproximavam de ambos enquanto iam derrubando um a um. Mari se afasta um pouco do ruivo enquanto eliminava com sua dupla pistola, os caminhantes mais próximos.
– Mari, vai com calma! Mari!! – Gritou Abraham ao ver que Mari estava se aproximando demais dos errantes, a horda era muito maior que aquilo e obviamente mais zumbis surgiriam em questão de segundos.
Mais errantes surgem surpreendendo a garota que não consegue mais elimina-los já que sua munição havia acabado e que não tinha mais nenhum outro pente para poder recarrega-la. Abraham estava ocupado derrubando uma parte dos zumbis que se aproximavam enquanto Mari corria na direção contrária, por detrás da fila de carros que estavam ficando do outro lado do ferreiro, completamente cercada e sem nenhuma munição.
– Mari!! – Gritou Abraham notando que tinha perdido a jovem de vista, logo o ruivo tratou de eliminar todos que estavam a sua volta correndo desesperadamente, na direção de onde Mari estava sendo cercada.
O ruivo observa os errantes andejarem lentamente na direção da garota que fica completamente nervosa. Abraham logo eleva sua arma pretendendo aproveitar a chance de que os errantes estavam de costas para ele e também, dar uma chance para Mari correr. Entretanto, Abraham também já havia gastado toda sua munição a essa altura, o ruivo então fica atordoado sem poder fazer nada para ajuda-la, apenas eliminar com sua faca, os mais próximos.
– Abraham! – Gritou Mari olhando atentamente para todos os lados enquanto fitava desta vez, nos errantes com suas mandíbulas afiadas que já tomavam conta do vão do local. Mas eis que um disparo se ecoa atingindo o transformado que estava na frente da jovem e logo uma chuva de disparos vem em seguida, atingindo os demais errantes.
– Ei garota! Venha por aqui, logo! – Uma voz masculina surge no local, Mari se vira assustada quando percebe a presença de dois homens e um mulher, disparando contra a horda iminente. A garota corre então na direção do jovem sem entender do que se tratava.
– Somos um grupo, você ficará bem aqui. – Disse o rapaz de pele escura e cabelo arrumado.
– Jenne! – Exclamou o rapaz fitando o olhar em alguém que se aproximava mais a frente. – Ele veio com você? – Perguntou agora em relação a Mari que nota a presença de Abraham junto a uma mulher também de pela escura mas não tanto, e cabelos castanhos que atingem a cintura.
– Vou leva-los para dentro. – Indagou a mulher pegando na minha mão enquanto levava-os para uma espécie de galpão que existia no fim do ferro velho.
– Freddy! Tylor! Venham logo, deixem os que sobraram por ai mesmo, não podemos desperdiçar tanta munição. – Protestou o rapaz enquanto esperava o homem e a mulher adentrarem também ao galpão enquanto fechava os portões.
– Você se arriscou demais garota. – Indagou um loiro arfante.
– Aquilo? Não foi nada demais. – Ironizou a jovem suspirando de alivio. Mas logo uma voz familiar surge ecoando-se por todo o local.
– Mari?
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