Fallen World
33 Capítulo 33: Cercados Pelos Vivos
Notas iniciais
Fallen World
Capítulo 33: Cercados Pelos Vivos
A voz um pouco rouca e familiar logo se ecoa novamente pelo local. Mari juntamente aos demais, se viram para descobrirem de quem era aquela voz e eis que surge, mais ao fundo do local, Tyresse com um casal logo atrás dele. O negro estava completamente diferente, estava mais magro e o rosto mais afinado, sua barba já estava grande além de trajar uma jaqueta azul juntamente com uma calça jeans um pouco escura.
– Tyresse? Como você ... — Indagou surpresa Mari sem acreditar na presença do companheiro da prisão.
–Sobrevivi? — Interrompeu Tyresse fazendo uma pausa enquanto retornava a indagar já próximo dos demais. — Eu não havia sido mordido como disse a você no instante que me salvou, uma bala atingiu meu pulso de raspão e por isso estava perdendo sangue mas acontece, que não queria mais viver, vi a Carol cometer suicídio e a Sasha ser morta por um maníaco ... não tinha mais motivos para continuar.
Tyresse explica cabisbaixo enquanto Mari o abraça feliz por tê-lo encontrado.
– Como você chegou aqui? — Perguntou a garota curiosa.
– Quando fugi da prisão, vaguei por dias ou semanas por ai até encontrar eles, então estamos vivendo sempre em busca de um local mais seguro e atualmente, estamos aqui, neste galpão. — Disse por fim o negro.
– Meu nome é Jordan, esta é a minha irmã Jenne. — Esbravejou o moreno ao lado da mulher de cabelos cumpridos de tonalidade castanha, ela estava de braços cruzados mantendo sua postura.
– E estes são Freddy, Tylor e Alissa ... — Continuou Tyresse apontando para um homem de aproximadamente 45 anos, o mais velho do grupo, e logo em seguida para uma mulher de cabelos loiros presos por um rabo de cavalo, e por fim outra garota que tinha possivelmente a mesma idade de Mari.
– Não vá esquecer de mim hein, me chamo Cody. — Disse um jovem de cabelos loiros, pele clara surgindo por detrás de Tyresse vestindo uma camisa vermelha um pouco apertada que realçava seu porte físico.
Após as devidas apresentações, Mari explicou a situação atual dela e do restante do seu grupo, citando a presença de Julie e do restante do pessoal. Tyresse explica que o galpão mediano do ferro velho vem sido a moradia deles durante alguns dias e que é mais do que o suficiente para permanecerem vivos.
– Não vamos poder sair daqui nem tão cedo certo? — Questionou Abraham de frente à porta de entrada do galpão onde a parte de cima era rodeada de janelas por todas as paredes do local, possibilitante a visualização do local externo.
– Logo eles desistirão, sempre é assim. — Respondeu Tyler aproximando-se do ruivo que olha a mulher dos pés a cabeça. Ela vestia um top de cor preta que ia até a parte de cima do seu umbigo enquanto usava uma saia verde escura bem acima do joelho e por fim, uma bota de pequeno porte de cor acinzentada.
– Venha, Tyresse mandou lhe chamar. — Completou por fim a mulher andejando para onde os demais estavam sendo seguida por Abraham.
Os sobreviventes fazem um circulo envolta de um lampião que iluminava uma pequena parte do local já que a noite já havia surgido. Abraham e Tyler permanecem em pé enquanto os demais já estava sentados ao chão.
– Como vocês fazem para comer? — Perguntou Mari, colocando seus braços envolta de suas pernas.
– Não sabemos o que é comer à dias. A sobrevivência vem ficando difícil a cada passo que damos. — Lamentou Tyresse procurando aquecer o corpo.
– Acho que isso vai ser um problema, pelo menos hoje. — Proferiu Mari jogando sua mochila mais ao centro, enquanto retirava alguns alimentos e frutas que trouxe para a missão junto a Abraham.
– Podem pegar, você precisam mais do que eu. — Disse por fim a garota olhando para Abraham que fazia um sinal negativo com a cabeça mas Mari simplesmente o ignora.
–Isso aqui é uma delícia! Nunca pensei que comeria isso outra vez. — Enalteceu Jordan, abocanhando um enlatado entregue por Mari. — Como conseguiram tudo isso?
– Saqueamos vários locais. Para uma viagem longa que estamos fazendo. — Respondeu Abraham.
– Que tipo de viagem? — Perguntou Freddy enquanto comia tranquilamente uma pêra madura.
– Vamos para Washington D.C, temos um homem no nosso grupo que conhece a cura para todo esse caos, e lá entregaremos essa solução e o mundo será novamente um lugar dos vivos. — Respondeu empolgada Mari, com um largo sorriso em face.
– Uma cura? Mas como isso é possível? Trabalhei tanto tempo e sempre chegava a lugar nenhum. — Questionou Jordan entristecido. Mari e Abraham o encaram sem entender do que se tratava, até que o moreno explica:
– Sou .. na verdade, fui um cientista. Fiquei junto à Jenne no Centro de Controle de Doenças por muito tempo para tentar achar uma cura para essa praga mas não consegui. Então ela e esse seu gênio forte, me fez abandonar tudo e seguir estrada.
– E o que você fazia antes de tudo isso? — Perguntou Abraham à Jenne.
– Policial. Algum problema? — A morena o encara com os olhos firmes.
– O Freddy era professor de história já a Alissa não chegou a terminar o primeiro ano e o Cody era capitão no time de futebol. A Tyler .. bem, ela era ... — Ia explicando o passado de cada um Tyresse, gaguejando assim que chegou na parte de Tyler.
– Garota de programa. — Completou a loira dando uma leve risada enquanto Abraham a olhava. Mari solta um pequeno sorriso de constrangimento enquanto direcionava o seu olhar para alguns colchões finos que estavam espalhados mais ao ao longe, a garota olha então todo o local atentamente enquanto suspira bastante cansada.
– Vamos trazer a Francis e os outros para ficarmos aqui ou vocês virão conosco para Washington? Araham sempre diz que quanto mais gente, melhor. — Proferiu a jovem por fim.
– Vamos com vocês, acho que todo mundo aqui prefere isso. — Respondeu Tyresse enquanto recebia um sinal de cabeça dos restante como uma aprovação.
– Rick, Carl e os outros ... nenhum deles sobreviveram? — Perguntou o negro mudando de assunto.
– Não. — Respondeu Mari ficando cabisbaixa enquanto retornava a indagar: — Digo, eu não sei muito bem. É uma história confusa mas logo você saberá.
Rapidamente o sono chega em alguns dos sobreviventes que já arrumam os colchões pelo o local. Tyresse pede para que Freddy e Tylor fiquem vigiando as coisas no lado de fora enquanto mostra à Mari e Abraham onde eles descansariam.
– É insuficiente para todo mundo. — Indagou Mari enquanto posicionava um colchão no lugar ordenado.
– Se quiser pode dividir comigo. — Proferiu Cody lançando um olhar malicioso para Mari que o ignora completamente.
– Cody! Você sabe que eu divido com você — Repreendeu Alissa fuzilando-o com o olhar.
– Calma Ali, nós três podemos dormir juntos numa boa. É até bom para nos aquecermos. — Brincou o rapaz continuando a olhar para Mari.
– Vão dormir e parem de encher o saco de Mari. — Interrompeu Tyresse olhando-os bastante sério, o jovem logo se cala enquanto deita-se ao colchão junto à Alissa.
Todos então, tentam descansar principalmente Mari e Abraham que passaram por longos e cansativos momentos mais cedo. Algumas horas se passam e a voz receosa de Tylor faz a maioria acordarem.
– Estamos com um prolema! — Surgiu a mulher no local onde todos descansavam bastante nervosa. Tyresse levanta-se assustado enquanto seguia Tylor que partia na direção frontal do local.
– Eles ... — Indagou a loira enquanto recuperava o fôlego. — Estão surgindo por toda parte. Desse jeito nunca vamos sair daqui! — Indagou a mulher apreensiva.
– Droga, isso não pode estar acontecendo! — Berrou Tyressse suspirando de tensão. Todos olham pelas janelas e percebem a grande quantidade de transformados que surgiram na direção do galpão sem qualquer explicação.
– Será que foi da horda que nos seguiu? — Questionou Abraham olhando para Mari.
– Isso é impossível, aquilo foi mais cedo e a Jenne observou boa parte deles indo para o lado oste do ferro velho e desde etão, não fizemos nenhum barulho para atrai-los para cá.- Contraditou Jordan.
– Peguem suas armas, fiquem em cada janela e atirem em todos os vermes que surgirem! O galpão pode estar sendo cercado por todos os lados. — Ordenou Tyresse pondo-se na frente dos demais enquanto olhava atentamente para a floresta que fica na frente do ferro velho.
– Vamos logo com isso, prefiro ser cercada pelos vivos do que pelos mortos! — Murmurou Jenne já apunhalando sua arma. Todos então correm para cada janela, algumas estavam enferrujadas e não abriram por completo o que foi o caso de Freddy que colocou sua sniper no batente da janela deixando uma parte do seu braço direito para a fora da janela. O homem ia disparando contra todos que ali surgiam e o mesmo acontecia com os demais que iam reduzindo a quantidade de transformados aos poucos.
– Acha que consegue dar conta com essa arma? Bonitinha. — Soltou suas gracinhas Cody entregando uma arma de bom porte para Mari que apenas responde com um sorriso amargo afastando-se do garoto.
Em um momento de descuido, Freddy acaba sendo surpreendido por dois caminhantes que surgem na lateral do galpão que não estava no ponto de vista do homem. Os dois errantes então, agarram o braço exposto de Freddy que grita surpreendido.
– Freddy! — Berrou Jenne e Abraham em uníssono enquanto corriam para ajuda-lo.
– Me solta!! — Gritou inúmeras vezes o rapaz enquanto tentava soltar tirar seu braço dali mas como só metade da janela estava aperta e com o susto, sua sniper caiu no lado de fora, o homem já não tinha mais opção. Jenne e Abraham rapidamente chegam para dar apoio, a mulher mira cuidadosamente nos errantes que tentavam abocanha-lo enquanto Abraham fazia força para subir a janela por completo, o que teve efeito.
Jenne realiza quatro disparos e rapidamente Freddy retorna seu braço direito para o lado interior do galpão indo ao chão todo desequilibrado ficando completamente arfante diante da tensão. Jenne e Abraham se entreolham também ofegantes enquanto os demais surgem posteriormente.
– Tudo tranquilo? — Perguntou Tyler à Freddy que ainda estava ao chão. O homem sinaliza um sim com a cabeça enquanto olhava para os demais.
Tyresse estava parado, observando novamente, a floresta mais a frente do ferro velho, o negro direciona o seu olhar para as primeiras árvores e plantes de lá.
– O que foi? — Perguntou Mari percebendo a face séria do mesmo.
– Acho que estamos sendo vigiados. — Respondeu por fim.
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