Fallen
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Fallen — Capítulo 5
– Hey! Acorda Bela Adormecida!
Rin empurrava Miku, visto que essa não acordou nem quando o despertador tocou.
– AAAAHH!!!!!
Miku deu um grito tão agudo e alto que Rin teve que tapar os ouvidos com as mãos, e se equilibrar pra não cair no chão.
– Você ta louca menina?! – berrou Rin.
No mesmo instante, Miku olhou para Rin, arfante e atordoada, o que fez Rin ficar quieta e amparar a amiga.
– Miku? Você está bem? – perguntou com o semblante preocupado.
Pega de surpresa, Miku abraçou Rin pela cintura, visto que estava sentada na cama e ela em pé, ao seu lado.
– Rin... – disse arfante — Graças a Kami você está aqui...
– Miku... Você teve um pesadelo? – Rin pegou a cabeça dela com as mãos, um em cada lado da cabeça, e olhou bem no fundo dos seus olhos.
Miku concordou com a cabeça.
– Pode me contar o que aconteceu?
– Mas quanto mais tento lembrar mais distante ele se parece...
Miku olhou para a pequena janela do quarto dela, procurando por um pouco de ar. Rin soltou a cabeça dela e levantou, colocando uma mão no queixo e na cintura. Era um sinal de que ela estava pensando.
– Não se lembra de mais nada? – Miku olhou pra ela.
– Eu me lembro que estava em um tipo de igreja, e que estava com uma roupa linda. – entrelaçou as mãos, como se fosse uma menina boba e feliz que teve seu sonho realizado.
É claro que Miku sempre fala de roupas. Se ela não falar, não é a Miku. – Pensou Rin, com um sorriso de canto.
– E o que mais? – Rin apontou para a cama e Miku deu um espaço para ela se sentar ao seu lado.
– E também apareceu um anjo, e quando demos as mãos ele foi engolido por um buraco negro que apareceu do nada, e desapareceu. – Miku abaixou o olhar e disse ainda, já com o olhar alto de novo. – O anjo só podia ser o Kaito, ou muito parecido com ele.
Rin levantou da cama com os olhar baixo e vago, com a franja ocultando os olhos. Miku chamou por ela, mas ela se virou apenas quando estava na porta.
– Eu estou bem, só me atacou uma cólica forte agora... Vou usar o banheiro agora se não se importa. – disse com a voz fraca. Miku apenas concordou com cabeça.
Depois de se levantar e tomar café, começou a estudar. A faculdade pública da qual entrara era cansativa, visto que tinha muito para estudar. Porém, com seu recente trabalho de “garota de programa” suas notas decaíram.
Não se lembrava da sua família, mas lembrava de Rin, uma das únicas lembranças que tinha, delas brincando em um parque, e lembrava-se de estar feliz.
E agarrara-se fortemente a essa lembranças, e Rin nunca lhe fez mal, pelo contrário, sempre procurava fazê-la feliz.
E da ultima vez que sentira tão feliz foi...
E por sorte, ganhou muito dinheiro. Mas era esse seu trabalho, era incerto, pelo menos é o que ela parecia achar.
Quando Rin saiu do banheiro, Miku foi na hora atrás dela. Rin rapidamente recuperou seu bom humor, dizendo que ela não devia entrar no banheiro. Miku rapidamente se lembrou de dizer algo a Rin, algo que ela passara a noite toda treinando como iria dizer para Rin.
– Rin, Rin!
– O que foi?
– Eu tenho algo muito importante pra dizer! Muito importante mesmo! – disse com os olhos ainda mais brilhantes do que já eram.
– Você saiu daquele ramo?
– Sim!!
– Mesmo! – disse Rin feliz.
– E nunca mais irei voltar! – Deu pulos de satisfação, mal podendo se conter. – É sobre aquele emprego!!
Rin gelou, enquanto Miku tremia de ansiedade diante dela.
– E o que aconteceu? – perguntou cautelosa, visto que sua amiga parecia prestes a explodir.
– EU FUI ACEITA!!! YEEES!!!!
Miku pulou pra cima de Rin que nada fez, visto que ela conhece bem a amiga que tem e que provavelmente se tivesse dado um passo pro lado ela bateria o nariz com tudo no chão.
Ela começou a pular, e não demorou muito para que a vizinha delas, SeeU, viesse perguntar o que está acontecendo e se juntasse a festa com a notícia.
SeeU era tão animada quanto Miku, e era amiga delas já que eram vizinhas, e quando soube que Miku largou aquele ramo “obscuro”, como ela costumava chamar, ficou muito feliz.
Depois de acalmar as duas, Rin pediu pra que elas se sentassem no sofá e disse:
– Olha, se acalme e diga qual emprego você conseguiu.
– Eu estou curiosa, Miku-san! – afirmou SeeU.
– Ta bom, ta bom, eu vou contar! – Miku se levantou do sofá e ficou na frente delas, e disse em bom som: Eu sou assistente pessoal de um empresário!
– Parabéns Miku! – SeeU se levantou e abraçou Miku, mesmo sem saber direito o que era ser uma assistente pessoal.
– VOCÊ O QUÊ?!! – berrou/gritou Rin.
As duas que estavam abraçadas se soltaram.
– Eu sou assistente pessoal. O lado bom é que eu vou ganhar bem, mas o lado ruim é que vai ocupar boa parte do meu tempo...
– VOCÊ FICOU LOUCA?! – Rin respirou fundo três vezes antes de continuar – Olha Miku, isso é uma boa escolha? Trabalhar pra alguém que você não conhece bem?
– Quem é esse pra quem a Miku vai trabalhar? – perguntou SeeU.
– Shion Kaito. – disseram Miku e Rin ao mesmo tempo, olhando pra ela. SeeU parou de falar na hora, e desviou o olhar para o relógio simples da parede. Percebendo os movimentos nada alegres de alguns segundos atrás, Miku perguntou:
– Algum problema SeeU?
– Não, não, é que o nome é familiar... Acho que essa empresa de bebidas é a que financiamos na nossa loja. Somente para maiores de 16 anos* e com RG, é claro. — Er, eu tenho que ir, meu trabalho como maid em um café ocupa muito tempo meu... – disse sem jeito. — Tchau meninas, até mais.
– Tchau SeeU. – Disseram juntas.
SeeU foi embora e quando bateu a porta, Rin encarou Miku.
– O que eu disse sobre esse emprego?
– Mãe, eu sei me cuidar, ta legal? – Bufou e cruzou os braços,
– Não é seguro! E você nem sabe o que vai fazer nesse emprego!
– Sei sim! Hoje a noite eu vou ter que ir com ele em uma festa!
– Pra quê?!
– Pra sei lá, ajudá-lo a resolver negócios!
– E por que você acha que um cara como ele, noivo e rico, iria pedir pra uma garota com quem ele dormiu numa sexta feira ser assistente social?!
Essa frase forte teria deixado qualquer garota chocada, mas não Miku. Miku sempre pedia pra Rin ser franca com ela, e nunca se zangava com isso já que a maioria das vezes Rin estava certa.
– Eu pensei nisso também. – Parou e pensou um pouco. – Como você sabe que ele está noivo?
– Ah, algumas clientes comentaram dele... Dizendo que ele era bonito e tal... Foi só isso.
– Huum, ta...
– Mas isso não vem caso. Responda-me com sinceridade: Você está nesse trabalho por que?
– Por que isso vai dar dinheiro, e vou conseguir manter nós duas e a minha faculdade, e se você quiser te ajudo com a sua faculdade!
E por que estou misteriosamente atraída por ele.
– Eu ajudo a minha família do interior com que eu ganho, e ainda estou no cursinho pro vestibular, não precisa se preocupar comigo, mas obrigado mesmo assim.
– Ok, você quem sabe.
Depois de alguns segundos em silêncio, que pareceram horas pra Miku, ela se virou e foi estudar na mesa da cozinha-sala, mas não antes de Rin falar:
– Se você tiver certeza disso, vá a tal festa com o Kaito.
Dito isso ela foi para o quarto e se trocou, indo para o trabalho para apenas retornar a tarde.
Quando Miku não estaria mais em casa.
* * *
Ainda com pensamentos confusos e distantes, Miku pegou seu celular comum e rumou ao quarto. Se jogou na cama simples e gasta de costas, comprimindo o celular contra o peito. Depois de estudar muito (visto que essa matéria não estava tão difícil) perguntou a si o que estava acontecendo, relatando mentalmente o que acontecera:
1- Tinha dormido com um cara lindo de morrer e ele era rico. (o que já é meio estranho).
2- Ele sabia seu número de celular. (e ela nunca dava seu número a ninguém).
3- Ele a contratou e ela nem sabia direito o porquê.
4- E tinha algo de estranho com Rin desde que ela ouvira o nome “Kaito”.
5- Ambos se tratavam como se já conhecessem. O que de certo modo já aconteceu.
O que Rin tem contra Kaito? Ela nem o conhece... Ou conhece? Se conhecesse teria me falado, não? Se bem que ela não é de falar muito...
Apertou uma tecla qualquer do celular e viu as horas. 15h30.
Kaito disse que era para estar pronta, mas estar pronta pra que? Pra uma festa. Que tipo de festa?
Sacudiu a cabeça e foi tomar uma ducha no pequeno banheiro do corredor. De água fria, pra relaxar um pouco.
Alguns minutos depois saiu e foi andando paro quarto, com uma toalha na mão enxugando o cabelo longo e macio. Sentou na cama e Rin veio em seus pensamentos. Fechou os olhos e pediu desculpas mentalmente pra Rin. Como se ela pudesse ouvir.
De repente ela ouve um baque muito alto, seguido de um silêncio.
Arregalou os olhos e pulou da cama.
Tinham invadido o apartamento? Impossível, era um lugar pacifico e de gente humilde morando ali, então não podia ser um ladrão. Um seqüestrador? Não tinha ninguém de importante morando ali.
Então o que poderia ser?
Receosa e com o sangue fluindo muito rápido pelas veias, espiou pelo batente da porta. Viu apenas o chão com azulejos brancos e o sofá velho encostado ao lado da porta. Que estava caída. Analisou a porta. Foi certamente derrubada por alguma coisa anormal, pois tinhas marcas de garras, profundas e grandes.
Foi então que o viu. Era uma besta de quatro patas, do porte um Pitbull, mas que nem em sonhos podia ser chamada de cachorro. Tinha um focinho grande e largo, e quando cheiro o ar abriu a boca, revelando presas e mais presas, que saiam por todos os pontos possíveis de sua mandíbula. A pelagem era de dar nojo. Não tinha pelos, e quando estreitou os olhos Miku pode ver que era carne viva. Quando respirava seu corpo se contraia na barriga, mostrando a carne com sangue seco e entre elas ossos amarelos. Tinha olhos pequenos e escuros, com orelhas grandes e pontudas, porém suas garras eram enormes e pontiagudas.
O que é isso?! E por que está aqui?! Não estamos em um filme de ação de Hollywood!!
A besta levantou a cabeça e pareceu farejar o ar novamente, e virou-se na direção dela.
Miku prendeu a respiração e colocou a cabeça pra dentro, encostando-se na parede, com as unhas longas quase entrando no gesso da parede velha.
Miku ouviu a besta farejando e o barulho ficando cada vez maior. Pensou em fechar a porta, mas aquilo certamente não adiantaria, tinha arrombado a porta da frente, o que a impediria de arrombar mais uma?
Respirou fundo e olhou pra frente.
A janela!
Ela poderia pular dali, mas estava em um andar alto, e a queda poderia quebrar seus ossos. Mas certamente era melhor do que ser devorada por uma besta!
Deu passos silenciosos ou o que achou ser silencioso, mas estava por um motivo não ficou com medo a ponto de ficar estática. Tinha sensação estranha remexendo-se em seu interior.
Subiu na cama, que soltou um rangido. Suando frio, virou-se para a porta: A besta ainda não estava ali, mas estava tudo silencioso.
Respirou fundo, mas se arrependeu por saber que a besta poderia ter ouvido. A janela ficava a um metro e meio do chão, de modo que com o apoio da cama não foi muito difícil de se apoiar para o grande salto. A janela de madeira era simples de abrir e estava com um dos lados abertos. Empurrou o outro e colocou o pé descalço pra fora.
Foi quando ouviu um latido grosso e sobrenatural que a fez congelar. Olhou para trás e a besta estava em uma posição de ataque, com presas e garras a mostra.
É agora ou você morre. – Disse a si mesma.
E pulou.
Não gritou e nem fechou os olhos, mas seu estomago deu uma volta completa de 360 graus. Seus cabelos voaram pra cima e a blusa solta que usava também, mas manteve os braços abertos. Agarrou-se a um galho de arvore do parquinho do prédio, facilitando a sua queda se modo que não quebrou nenhum osso. Pousou com os dois pés e dobrou os joelhos, e os braços ao lado do corpo pra se amparar. Olhou pra cima e viu a cabeça deformada soltando uma baba, que caiu em segundos do seu lado, transformando a grama em que havia caído em um buraco ácido.
Olhou ao redor, tinha duas crianças brincando no parquinho, mas não notaram que ela estava ali.
Levantou-se e viu que a besta parecia hesitar em pular, e foi tomada por um pânico daquilo machucar as crianças e gritou:
– Crianças!
O menino e a menina olharam pra ela como quem diziam “atrapalhou a nossa brincadeira”, mas quando reconheceram Miku deram um “oi” com as mãos.
– Corram!! Voltam pra casa!! – gritou, pela distancia de metros em que estavam e por medo.
Olhou pra cima e viu a besta caindo em sua direção, com as garras prontas para enterrá-las.
Miku recuou passos até o portão, mas as crianças perguntaram o que estava acontecendo, mas Miku fez movimentos para espantar o animal (tentativa falha) e gritava para elas irem embora.
– Elas não conseguem me ver, Hatsune.
Miku parou, não por ter encostado no portão, mas por três motivos:
As crianças não viam a besta, mas podiam ser atacadas; A besta falou; E falou o nome dela.
– O-o que... é você?
A besta estava se aproximando aos poucos, encurralando-a.
As crianças pararam o que estavam fazendo e foram na direção dela, curiosas.
– Tia Miku...?
– Se afastem! – Colocou o braço na direção deles, impedindo-os de avançar.
– O que foi?
– A-ah, eu ah... Estou com uma doença muito contagiosa, isso, e vocês tem que afastar.
O tempo todo estivera olhando pra besta, mas quando olhou para as crianças seu coração parou.
Ambos, menino e menina começaram a ter a pele queimada, começando pela cabeça, e seguindo rapidamente pelo resto do corpo.
Não eram mais crianças, era pequenos demônios, com o corpo todo vermelho, roupas que pareciam trapos e cabelos arrepiados, e no meio destes, dói chifres pretos retorcidos pra trás. O mais estranho era os olhos, brancos, sem pupila ou Iris. As garras brotaram nas mãos e pés, arrancando os supostos sapatos, e triplicaram de tamanho.
Os pequenos demônios sorriram sarcasticamente, revelando presas pontiagudas e letais.
– O que foi tia Miku? – disse o que antes era uma menina, e deu um passo a frente, ficando do lado da besta.
Miku ficou sem fala.
Aquelas crianças inocentes que um dia brincou com elas se transformaram em demônios bem na frente dos seus olhos.
Aquilo só podia ser um sonho.
Um sonho não, um pesadelo. – Corrigiu-se mentalmente.
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