Notas iniciais
OLÁÁÁÁ!!!! Quanto tempo! Senti falta de vocês :3 Infelizmente surgiram imprevistos e não deu pra postar no final de semana >< Mas tenho uma boa notícia: Tenho personagens definidos e preciso de tempo pra escrever, por que acho melhor demorar pra postar e vir com algo bom do que vir com um capitulo meia-tigela. Espero que gostem! P.S. Esse capítulo é realmente importante, é literalmente a porta de entrada para esse novo mundo.

Fallen — Capítulo 6

Não deu tempo de Miku sequer fechar os olhos.

O cão infernal explodiu bem na sua frente, em milhares de pedaçinhos.

Prendeu o ar.

Como aquela... Coisa, no mínimo muito estranha, apareceu e sumiu do nada?

Olhou ao redor. As crianças demoníacas tinham se afastado e grunhiam para o matador da besta.

Mais precisamente uma matadora.

Miku nem precisou olhar duas vezes para saber quem era, mas olhou mesmo assim para ter certeza: Era aquela moça de cabelos rosa do escritório. Se não se enganava, Luka.

Seus olhos se arregalaram, e notou que ela segurava uma espécie de chicote de prata que reluzia ao sol, assim como seus olhos azuis-esverdeados que brilhavam em fúria.

Ela estalou o chicote que cortou o ar com força, fazendo suas vítimas e Miku darem um salto para trás. Ela jogou o braço direito para trás, pronta para bater e dilacerar suas vitimas, mas elas foram mais rápidas e se separaram, cada uma indo para um lado oposto. Luka conseguiu perceber isso a tempo e foi mais rápida, rodou o corpo em uma espiral perfeita com o chicote acertando em cheio o menino. A criaturinha berrou e se desfez como a besta infernal, em milhares de pedacinhos pretos e vermelhos.

A menina-demônio rugiu e mostrou suas garras e dentes afiadíssimos para a rosada, que estava de costas, e pulou.

Nesse momento Miku não pensou, apenas reagiu: Levantou-se em milésimos, quase voando, e se jogou contra a criatura. Rolou-se com ela, segurando seus ombros, mantendo certa distância. Só nessa posição percebeu o que fez, e que também iria morrer.

Primeiro: Estava sem arma ou qualquer coisa para sequer ameçar a criatura.

Segundo: Estava com medo e não teria tempo e coragem para atacar. E duvidava que a criatura teria medo mesmo com uma faca sob a garganta.

E terceiro: A pequena demônio estava com garras prontas para rasgar sua garganta, sendo a mão de Miku a única coisa que a separava de sua morte jovem.

Luka virou-se e atirou precisamente o chicote na direção delas.

O resultado foi imediato: ele envolveu a cintura da menina-demônio e Luka a jogou para o alto com força, libertando Miku, que respirou fundo e tentou se recompor.

A criatura girou metros e metros no ar, e quando Luka ia dar o golpe final em pleno ar, a criatura conseguiu fazer surgirem asas negras e pontudas que rasgaram a parte de trás de suas roupas e costas.

Tentando se equilibrar, a menina deu bateu as asas algumas vezes no ar e grunhiu. Virou-se e se foi, mas não antes de fazer uma careta de ódio puro a elas, fazendo uma promessa silenciosa de que voltaria.

Luka correu para ganhar velocidade e jogou o chicote, mas esse passou por centímetros da criatura, que vou para mais longe ainda.

Apenas um pequeno laçinho rosa escuro foi deixado para trás.

Ela respirava fundo, sua caixa torácica levantando e descendo sem parar. Separou os fios suados da testa com a mão trêmula, a cabeça abaixada.

Mas o que aconteceu aqui mesmo? Foi isso tudo?

Miku ficou olhando até ela sumir no horizonte, se apoiando na grama Miku colocou um joelho na frente do corpo e tentou se equilibrar, mas estava tonta. A mão enluvada de Luka apareceu na sua frente e ela aceitou por instinto. Foi puxada e levantada com força, quase tombando em cima de Luka.

Já levantada, tirou a sujeira do vestido e se concentrou em equilibrar a respiração.

Limpou a sujeira da roupa já em pé, perguntando logo em seguida:

– É...

– Fique calma, vou explicar tudo. Venha comigo por favor. – Disse séria.

Miku estranhou seu comportamento. Ela tinha acabado de salvá-la e agiu como se tivesse acabado de derrubar uma casquinha de sorvete e dito que iria comprar outra.

Miku pensou em duas alternativas: Ou surtava e pedia explicações ali mesmo e fosse ignorada, ou iria com Luka, pra provavelmente um lugar mais seguro e sem crianças demônios por perto.

Então seguiu a ultima opção.

De fato queria explicações, e Luka a salvara, não? Agora o por que e como fez aquilo faziam a cabeça de Miku girar.

Pensou fazer dezenas de perguntas, mas nem saliva saía de sua boca.

E por mais que a situação fosse completamente estranha e inacreditável, Miku se recusava a não acreditar, pois tinha visto tudo com seus próprios olhos.

Era uma sensação...

Incrível. Parece que tive adrenalina injetada nas veias, e agora não consigo conter esse ânimo dentro de mim.

Respirou fundo.

Acenou com a cabeça e Luka a pediu que a acompanhasse.

Luka virou-se e Miku começou em segui-la. A rosada dava passos curtos, mas rápidos, como se estivesse atrasada. Ela tentou acompanhar esse ritmo, e quase ficou para trás.

Caminharam até virarem uma esquina escura com o prédio, com o clima estranhamente silencioso ao redor. Foi quando Miku disse:

– Obrigada por me salvar.

– Não foi nada. – e jogou a mão no ar, como se realmente não tivesse sido nada.

Depararam-se com um carro enorme preto, parecido com que a policia usa para pegar ou transportar dinheiro em grande quantidade ou jóias de valor. Luka pegou a chave de um bolso da calça preta e ligou o carro, que fez um bip bip, como se estivesse reconhecendo a dona. Abrindo a porta do motorista, Luka disse séria:

– Entre, estamos sem tempo.

Miku arqueou uma sobrancelha e disse:

– Mas eu preciso perguntar...

– O que? – perguntou direta.

Miku parou e pensou: Conseguiu a atenção de Luka e não poderia desperdiçar a oportunidade.

– Por que e como você apareceu aqui?

– Bem, — disse suspirando, já com uma perna dentro do carro e apontou para esse – vim com o carro, e vim por que achei que você precisaria de ajuda.

– E como sabia que precisava de ajuda?

– Na verdade, vim por que iria te pegar pra fazer compras, mas aquela coisa azul chamada Kaito – nesse instante o coração de Miku deu pulos cardíacos — sumiu hoje de manhã. Mas meu sinalizador detectou presença demoníaca e acabei te salvando.

– E fico muito grata por isso, mas... – franziu as sobrancelhas — Peraí. Como isso aconteceu? E você é realmente a moça do escritório.

– Por favor, entre no carro. Te explicarei tudo.

Um tanto receosa, Miku por fim deu a volta e entrou no carro.

* * *

– Mas me conte então, por favor!

Fazendo um grunhido de raiva, a rosada respirou fundo e disse:

– Eu. Já. Disse. Não posso. Só quando você chegar na AA.

– O que é AA?

– Também só vai saber quando chegar à Base. Não sou a melhor pessoa para dar explicações.

Apertando a mão em soco, a azulada chegou a conclusão que as infinitas perguntas não respondidas não levariam a nada. Luka sequer falou onde era a tal Base.

Mas o que é a tal Base? E onde fica? E...

Foi como se uma flecha tivesse acertado em cheio seu coração. Paralisou e isso não passou despercebido por Luka.

Rin...

Parecia que tinha levado um tapa bem forte no rosto ao lembrar o nome dela.

Será que já voltou pra casa e está se perguntando onde estou? E aquela bagunça feita pela besta? E o mais importante: Onde ela está?

Perguntas giravam em torno da cabeça de Miku fazendo com que massageasse as têmporas.

Pensou em alguma coisa pra se distrair, mas nada vinha a mente. E o silêncio de Luka e sua aura irritadiça não ajudavam em nada.

Por fim perguntou:

– Pode... Por favor, ligar o rádio?

Luka mostou um sorrisinho e apontou com queixo na direção da frente do carro.

– Não tenho rádio. Nenhum de nós da Base tem.

– E por que não? Como fazem em viagens longas e cansativas?

– Respondendo a sua primeira pergunta, não, não podemos usá-los por que emitem ondas que atraem eles, refiro-me aos demônios e o mesmo vale para celulares. E temos outros métodos para viagens.

– Mas e a empresa? – perguntou de braços cruzados.

Franzindo as sobrancelhas, Luka perguntou com um tom suspeito:

– O que tem a empresa?

– Uma empresa requer sistemas e pontos de localização. E de muitos celulares e rádios, certo?

– Nossa empresa tem... Um jeito diferente de responder e enviar sinais. Isso não é problema, mas... – Deixou a frase pairar no ar.

– Mas o que?

Suspirando pela mlésima vez, pelo o que Miku contou, ela disse:

– Aquela coisa azul é um imprestável, mesmo! Inventa coisas toda hora sem se importar com todos ao redor.

– Está falando... – Miku estremeceu — Do Kaito?

– Sim, ele mesmo. Nós combinamos de nos encontrar no shopping pra uma tarde de compras, certo? Mas ele me pediu pra te buscar por que achou que fosse mais seguro. Até ai não tinha problema nenhum, certo?

Miku concordou com um aceno de cabeça. Continuando, Luka disse:

– Mas quando entrei no carro, percebi que tinha esquecido de pegar minha bolsa, e subi de novo pra pegá-la. Foi quando não ouvi barulho nenhum, e ele disse que estava em reunião na sala dele mesmo. Obviamente suspeitei e entrei na sala dele. Mas só encontrei a janela aberta.

– E o que aconteceu depois? – Miku perguntou como se fosse uma criança que tivesse ouvindo uma história pra dormir e ficasse mais mais e mais curiosa a medida que ia ouvindo.

– Sai irritada, é claro. Ele saiu e não sei pra onde, mas decidi deixá-lo por conta própria e fui te buscar, e foi quando acabei te salvando. Foi por pouco aquela demôniazinha e a besta estavam prestes a fazer uma Miku em picadinho.

Engulindo o seco, a azulada disse:

– Certo... Mas... Sabe de alguma coisa dele agora?

– Não, mas espero que ele tenha voltado a Base.

– Ele também faz parte dessa organização de nome Base?

– Sim.

– E esse lugar, a Base é seguro?

– O mais seguro que conheci na vida para pessoas como nós. Aquela coisa vai voltar atrás de você, e não vai estar com apenas uma besta.

– Nós?

– Somos... Diferentes. Eu, você, Kaito, e o pessoal que vou te apresentar.

Desviando os olhos da estrada para Miku, seu olhar transmitia algo que há muito tempo não sentia e via: Carinho.

Dentro de alguns segundos ela disse novamente – Chegamos.

Luka buzinou diante de um portão antigo e com a sigla “AA”, adentrando um lugar cheio de árvores densas e verdes escuras em ambos lados da estrada de pedra.

Miku quase deixou soar um “finalmente”, mas quando olhou para frente sua boca se abriu em um perfeito O.

Estava diante de uma igreja gótica.

A entrada era de uma porta de madeira escura e tinha dois pilastres detalhados de cada lado, mas também com duas torres mais longes que pareciam chegar ao céu, e sem nunca perder o estilo, com muitos vitrais coloridos e janelas e mais janelas.

Era o tipo de lugar que você não se cansava de olhar não importa quantas vezes o olhasse.

Luka estacionou o carro embaixo de uma árvore e desceram rapidamente.

Subindo os inúmeros degraus, Miku se manifestou:

– Esse lugar é incrível. Mas tenho a impressão de já ter vindo aqui antes.

– Entendo... Bom, de qualquer maneira, seja bem vinda à Base.

Miku agradeceu com um aceno de cabeça e continuou olhando e subindo, e seus pés pareciam já ter pisado naqueles mesmos degraus.

Notou que a vitral lhe era familiar, familiar até demais.

Luka chegou primeiro, olhando para Miku antes de empurrar a porta que lhe pareceu leve, o rangido das dobradiças fazendo eco no interior da igreja.

Ao adentrarem, aquela sensação familiar só aumentou, fazendo seu coração bater mais forte dentro de seu peito.

Ao dar passagem para Miku entrar, a porta foi fechada com um baque. Luka pediu que a acompanhasse, o som das suas botas de salto alto estalando no chão de mármore.

A igreja formava uma cúpula com o teto de vidro mostrando o dia nublado, com detalhes curvilíneos delicados cercando o núcleo e as bordas. Das laterais destes, mais dois pilares pretos mais finos entravam no chão e era possível também que continuavam através do vidro, interferindo em outras partes da igreja.

No centro da cúpula, pendia um enorme lustre de cristal, e ao invés de ter um pedestal havia uma escada dupla, onde uma levava para a direita e a outra pela esquerda, grandiosas e com um tapete vermelho.

Não havia bancos compridos de madeira escura, apenas objetos comuns como alguns espelhos grandes nas paredes, muitos corredores e algumas mesas de madeira escura, assim como a porta de entrada.

E no centro da escada, estava uma moça de cabelos verdes e atrás dela o mesmo vitral da entrada. Ela começou a descer as escadas, e Luka andou na direção dela.

Miku a acompanhou e em segundos estava diante da moça desconhecida. Ela vestia uma jaqueta de couro e calças grossas, calçava botas de cano alto, tudo preto.

– Luka, o que aconteceu?

Quando falou, Miku teve a impressão de conhecer a mulher. Ela emanava elegância e autoridade, e tinha uma voz solene e feminina.

– Acho melhor contar na sala de reunião, Sonika. Onde estão os outros?

Cruzando as duas mãos atrás das costas, e pareceu notar Miku.

Miku teve a impressão de que os olhos de Sonika se arregalaram minimamente, mas se arregalou ou não, sua postura e rosto sereno voltaram ao normal, como a vira há poucos segundos.

– Miku. – disse Sonika — Bom te ver.

Cruzando as sobrancelhas, ela pergunta desconfiada:

– Como sabe o meu nome?

– Ah... Bem... Luka...

– Acho eu que deveríamos chamar todos para a sala de reunião. Agora.

– Certo, vou chamá-los. – Afirmou Sonika, virando-se e correndo para dentro de um dos corredores da Base.

Fez-se um minuto se silêncio, o qual os pés de Miku agiram sozinhos e a levou para o mesmo lugar em que Sonika aparecera.

Seu caminhar era leve, como se tivesse todo o tempo do mundo para fazê-lo, e quando parou, estava diante do vitral da escada.

Esticou a mão direita e em seguida o braço para tocar o vitral.

Seus dedos estavam a centímetros dele, parecendo que a mente dela estava indo para outro lugar, como se uma luz a estivesse puxando cada vez mais e mais...

– Miku... – chamou Luka.

Paralisou e virou-se lentamente, como se estivesse acabado de acordar, só que em pé.

E foi quando notou.

O salão. O tapete. E o mais marcante e brilhante objeto de lembrança: O vitral.

Eram o mesmo do sonho que tivera com Kaito.

Uma forte tontura lhe tomou conta do corpo, fazendo sua cabeça zunir e girar.

Mil vozes pareciam falar ao mesmo tempo, e a energia vital do corpo se esvaindo rapidamente. Colocou a mão direita na testa, a mesma que usou para tentar tocar o vitral. Ela estava fria e tremendo, e sua cabeça pegando fogo.

As portas principais foram abertas com um rangido de dobraduras incrivelmente alto, atraindo a atenção das mulheres do salão.

– Miku!

Ela estava tão tonta que não conseguiu identificar quem a chamara, se era homem ou mulher.

Só soube que lhe era familiar.

Esticou a mão para o vazio e caiu em um baque surdo.

Notas finais
Acho que tenho um problema em acabar capítulos, os personagens sempre acabam desmaiando (cof cof Rin cof cof) mas se ela estivesse acordada o capítulo seria ainda maior, e seria cansativo :3 E quem vocês acham que que chamou ela?! Respostas em reviews, por favor! Pessoas que leram e comentaram até agora em ambas fics, ou só em uma, agradeço de coração a todos vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.