Fallen
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Não sejam leitores fantasmas, deixem nos comentários o que vocês gostariam que acontecesse! Quem sabe não atendo alguns pedidos? haha! e...
BOA LEITURA!
Voei até perceber que o sol estava se pondo. Eu não estava cansada. Sequer com fome ou sede. Sentia meu corpo mais forte. Me transformar em anjo havia modificado meu corpo completamente. Pousei no alto de uma montanha e fiquei ali observando até o sol se por.
Senti meu celular vibrando no bolço. Ariane.
“Você está bem Ali? Fiquei sabendo do que houve…”
Joguei meu celular contra uma rocha e ele se estilhaçou. Meus olhos se encheram de lágrimas, me levantei e soquei a rocha, eu ainda não tinha conhecimento da minha força, a rocha se partiu ao meio, continuei sando socos até ela ficar em centenas de pedacinhos aos meus pés.
Me sentei novamente e abracei os joelhos, as asas ao meu redor. Eu sempre estrago tudo. Quando tudo está indo bem, faço questão de estragar. Não sei como isso acontece, mas eu tenho esse dom, sempre tive.
— A princesa está chorando? — assim que me virei para ver quem era levei um tapa na bochecha que logo começou a formigar. Quando me virei novamente havia um homem loiro, pálido, seus olhos eram totalmente brancos, suas asas eram bege com um brilho fraco, ele era magro, mas tinha músculos definidos, vestia roupas pretas e me encarava sorridente.
— Quem é você?! — tentei não parecer assustada, mas minha voz e meus olhos me traiam.
— Você não precisa saber quem, nem mesmo o que eu sou.
— O que você quer de mim? — Mais dois deles apareceram. Dessa vez um homem de cabelos castanhos e uma pequena mulher de cabelos negros que parecia mais frágil que os outros. Eles pareciam felizes em me ver.
— Ora Chris, acabe logo com ela! O que está esperando?!
— Cale a boca Mary! — Chris agarrou Mary pelo braço, cravando suas unhas nele, Mary gritou e lhe deu um tapa no rosto. Chris se virou novamente para mim puxou meus cabelos — Acho que podemos abusar dela um pouquinho antes de terminar o trabalho.
Senti outro tapa no rosto. Ele me jogou no chão e me deu um chute no estômago.
— Minha vez! — Gritou Mary sorridente e tomou o lugar de Chris. Ela puxou meu cabelo até que uma boa quantidade de fios saíssem em sua mão. Eu gritava, e a cada grito, mais Chris e Mary se divertiam. O outro homem ficou zangado. Empurrou Mary que caiu sentada no chão.
— Ei John! O que pensa que está fazendo?!
— Terminando o serviço que vocês já deveriam ter terminado.
— O que?! — disse assustada. Deveria ter ficado quieta, pois John olhou para mim, os olhos brancos pareciam ter ficado vermelhos de fúria. Senti sua mão descer em meu rosto, fazendo-o formigar novamente.
Do bolço da calça John tirou uma flecha prateada, porém sem ponta, ela tinha um brilho intenso e iluminava seu rosto, ele parecia feliz. John segurou meu pescoço com força e me ergueu no ar. Jogou-me contra uma rocha onde eu senti alguns ossos da costela estalarem. Gritei de dor, meu corpo latejava. Com a flecha na mão ele se aproximou de mim e deslizou a flecha lentamente da minha sobrancelha até a bochecha. Senti o sangue quente escorrer pelo meu pescoço. Se eu não saísse dali, ia morrer. Mas que chance eu tinha com três anjos, demônios, ou seja, lá o que eles eram, me cercando? John passou a flecha por meus braços até os pulsos, o líquido vermelho percorria pelo meu corpo. Queria gritar, mas não conseguia respirar direito, meu pescoço doía.
Chris e Mary observavam sorridentes enquanto ele segurava a flecha acima de sua cabeça, mirando no meu coração. Fechei os olhos e ouvi algo cair no chão. Eu havia morrido? Não, não era possível, eu ainda senta o sangue escorrer, sentia a dor de minhas costelas. Abri os olhos e vi um anjo com as lindas asas brancas lutando contra meus torturadores. Ele chutou Mary na cabeça, que ficou um pouco zonza, em Chris ele deu uma chave de braço, sufocando-o Assim que ele pegou a flecha que John havia deixado cair no chão, os três saíram voando.
O glorioso anjo se aproximou de mim.
— Vict… — tentei sussurrar seu nome.
— Shh Ali, fique tranquila, eu estou aqui — eu me sentia bem. Victor havia me salvado Eu estava perdendo muito sangue, meu corpo estava enfraquecendo e eu estava sendo sugada para a escuridão.
— Vic… Me desc… Desculpe — minha voz soava fraca, eu estava sem forças para continuar acordada. Estava com dificuldade para respirar.
— Shh você não tem que se desculpar por nada Ali — uma gota de água caiu sobre meu rosto, o rosto de Vic estavam molhados. Ele estava chorando?
— Por… Fav… Favor…Desculpe… Eu… Te amo — minha respiração estava ofegante. Eu havia dito que o amava. Não era mentira, mas não sei se queria ter dito aquilo.
— Durma Ali, eu também te amo — tentei tocar seu rosto para ver seus lindos olhos verdes uma última vez antes de adormecer.
Acordei atordoada, não sabia onde estava, mas me parecia familiar. Provavelmente haviam me colocado em um… Sofá? Ouvi pessoas sussurrando, tentei ouvir, mas não consegui entender nada. Minha cabeça latejava, mas eu não queria ficar deitada. O que havia acontecido aquela noite? Eu estava morta? Tentei me levantar e leves mãos me empurraram de volta para baixo.
— Ariane?
— Sou eu Ali — ela sorriu — fique deitada, você precisa descansar, teve uma noite agitada ontem.
Ela colocou a mão na minha testa para ver se eu estava com febre. Tentei me levantar novamente, mas ela não permitiu.
— Alice, fique deitada! Você perdeu muito sangue ontem, além de ter quebrado três costelas que quase perfuraram seus pulmões!
Suspirei. Na noite anterior eu quase havia morrido, se não fosse por…
— Onde o Victor está?
— Bem aqui — disse ele sorrindo sentado no outro sofá.
— Posso falar com você? A sós? — olhei para Ariane com um olhar suplicante, o que fez o corte na lateral do meu rosto latejar.
— Tudo bem — ela deu de ombros e saiu do quarto.
Victor se levantou, me deu um beijo na testa e se sentou no chão em minha frente.
— Obrigada.
— Pelo que?
— Por ter salvado minha vida.
— Não há de que — ele sorriu, mas percebi imediatamente seus olhos se encherem de lágrimas.
— Ei, por favor, não chora, me desculpe — meus olhos se encheram de lágrimas, mas diferente de Victor não me esforcei para segura-las, elas escorreram rapidamente pelo meu rosto. Ele colocou as mãos em volta do meu rosto e enxugou minhas lágrimas, mas elas não paravam de escorrer.
— Tenho que me justificar.
— Não precisa, não precisa dizer nada Vic, você salvou minha vida…
— Mas eu preciso me justificar.
— Não! Você me salvou mesmo eu tendo te magoado, nunca vou me perdoar — ele tampou minha boca com uma das mãos.
— Alice! Deixe-me falar! — suspirou — Eu senti que deveria ir naquela direção, eu não fazia ideia de que você havia sumido, foi pura intuição. Mas… Quando eu te vi ali… Sendo… Espancada… Eu não aguentei Alice, eu… Comecei a chorar, não podia deixar você ali, senti uma enorme necessidade de te proteger, porque eu ainda te amo e ontem quando você disse que me amava foi maravilhoso! Não sei se o meu amor é realmente correspondido, mas é isso, eu ainda te amo, ainda te quero comigo, sinto sua falta, eu sei que me afastei de você quando namorávamos, mas eu tinha medo do que você diria quando descobrisse que eu era um anjo. Tive medo de perder você de uma forma pior do que perdi quando terminamos. Mas ontem? Ontem foi o fim pra mim. Senti que iria perder você totalmente ali e... O fato é… Que eu não quero te perder.
Ambos estávamos chorando, passei meus dedos por seus cabelos e puxei-o até que colássemos nossas testas.
— Eu também ainda te amo — fechei os olhos e suspirei. Senti algo quente e macio pressionar meus lábios suavemente. Abri os olhos, Victor estava se afastando, deu um beijo rápido em minha testa e foi em direção à sacada. Tentei chama-lo, mas ele logo abriu suas gloriosas asas brancas e mergulhou no céu.
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