Fallen
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Mas não esqueci de vocês! O cáp está aqui, prontinho =D
Segredos sendo revelados ui ui ui! O que será?!
Espero que gostem =D
COMENTEM COMENTEM COMENTEM E BOA LEITURA!
(Notas no fim do Cáp)
Ariane estava fazendo tudo para mim. Pegava comida, água, ligava a televisão, desligava, me levava ao banheiro...
— Ok Ariane, chega.
— Não Alice! Já falei que você não pode fazer esforço!
— Eu quebrei as costelas, não as pernas, ainda posso andar sabia?
— Mas ainda assim, não pode se esforçar, ainda não está completamente cicatrizado!
— Ari, estou me sentindo bem melhor do que ontem, fique tranquila.
— Tudo bem, — ela suspirou e se jogou no sofá — mas depois que estiver com dor, não reclame — revirei os olhos.
— Você não vai para a aula?
— Não, vou ficar hoje com você, até porque, a aula que Steven e Beatrice irão dar hoje eu já participei em uma outra época — disse ela dando de ombros.
— Em outra época? — comecei a rir.
— O que foi? — disse ela confusa.
— Nada... Só ainda não me acostumei com o fato de anjos terem a eternidade...
Alguém bateu a porta e Ariane foi atender.
— O que foi? — disse ela, e fechou a porta atrás de si.
Desta vez, não tentei escutar a conversa. Ela era a minha amiga, mas também tinha seus segredos. Embora tivesse ficado muito curiosa.
Depois de alguns breves minutos ela voltou e deitou-se no sofá e não disse mais nada.
Resolvi quebrar o silêncio.
— Beatrice e Steven sabem do meu estado?
— Não, eles pensam que você não está disposta a ir para a aula — disse ela friamente.
— Você não se importa de mentir assim para eles?
— Não, eles não tem nada a ver com isso.
Ela não quis mais falar e eu não forcei para continuar a conversa.
Passamos a manhã toda assistindo tv e mais tarde colocamos alguns filmes para não ficarmos no tédio, mesmo assim, acabei dormindo a maior parte do tempo. Eram seis horas quando resolvi tomar meu banho.
— Quer ajuda? – Perguntou Ariane.
— Não precisa, eu estou bem, obrigada.
Entrei em baixo do chuveiro, fechei os olhos e deixei a água cair sob meu corpo. Aquela sensação era maravilhosa, eu adorava água, desde pequena, era o único motivo que não me faria mudar de cidade, eu amava o mar. A água que escorria ali me lembrava dos melhores momentos da minha vida. O melhor ano novo, o melhor aniversário... Meu primeiro beijo com ele... Senti como se seus lábios pressionassem os meus mais uma vez. Eu ainda sentia falta de seu toque, de sua risada, de suas brincadeiras bestas... Alguém bateu a porta.
— Alice? Você está bem?
— Já estou saindo Ari!
Ensaboei-me rapidamente, desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Fui para o quarto e coloquei meu pijama cinza, já que não iríamos fazer nada mesmo. Fui para a sala e Ariane havia entrado no banho, então fiquei deitada assistindo um pouco de tv enquanto isso. Peguei meu celular que não via havia algum tempo. “22 ligações perdidas – Mãe”. Joguei o celular do outro lado do sofá e voltei minha atenção para o filme que estava passando. Alguns minutos depois, Ariane saiu do banho e colocou seu pijama.
— Está com sono Alice?
— Um pouco, por que?
— Nada...
Dei de ombros e continuei assistindo. Ariane voltou para a sala com um grande balde de pipoca.
Estava deitada no sofá e comecei a cochilar. Acordei com um barulho estranho e pela janela da sala vi um vulto sair pela sacada. Mas quem seria? Peguei meu roupão que estava no braço do sofá e o vesti rapidamente para seguir o “ser misterioso”. Quando cheguei a sacada a criatura havia pulado, estava a três andares do chão e corria em direção à... Alguns arbustos?! Não, a criatura os retirou e uma porta de madeira de um porão surgiu. Assim que a criatura atravessou a porta abri as asas e me preparei para pousar em frente aos arbustos. Me senti incrível ao perceber que havia conseguido pousar com tanta leveza e sutileza. Abri as portas o mais devagar que pude para não fazer barulho e desci as escadas de pedras. Elas davam diretamente em um salão completamente fechado, a não ser por algumas poucas aberturas onde ventilava o ar. Haviam correntes no teto e nas paredes, correntes com algemas para braços e pernas. Um grande arsenal de armas e objetos de tortura cobria uma das paredes. No fundo da saleta haviam dois anjos, braços e pernas acorrentados e as asas negras presas também por um tipo de corrente, eles estavam sem camisa, cabeças baixas com vários cortes ao redor do corpo. No centro do salão havia uma cadeira onde sentava uma garota, os pulsos e as pernas presas a cadeira, os braços, pescoço e rosto machucados, ela estava com um top cinza e as azas douradas presas por correntes. Ao seu lado, em uma pequena mesa, a criatura com um sobretudo de couro preto e um chapéu, preparava seus instrumentos para torturar o demônio. A criatura tirou o chapéu, cabelos loiros caíram, quando se virou, gritei.
— Ariane?! O que você está fazendo?! Como pôde fazer isso?!
— Alice?! Droga! Você não deveria estar aqui! Ninguém pode entrar aqui! – Ela correu até a parede e apertou um grande botão vermelho que fez com que uma porta de ferro tampasse a única passagem existente.
— Você vai me trancar aqui?! Vai me torturar também?! – comecei a entrar em desespero. Ariane por outro lado, estava completamente calma. Ela tirou o sobretudo e sentou-se. Ela estava vestindo um espartilho e uma calça de couro preto, o que valorizava muito seu corpo. Como uma gótica, ou Anna Valerious em seu espartilho sexy do filme Van Helsing.
— Não Alice, não vou te torturar...
— Então por que me trancou aqui? Deixe-me sair!
— Não posso. Não agora que esta aqui. Terei de explicar algumas coisas a você e você terá de ouvir e manter segredo. Poucos são os anjos que sabem da existência deste lugar. Você pode fazer isso Alice?
Respirei fundo. Não queria aceitar aquilo, era cruel demais.
— As portas são de ferro celestial. Nenhum anjo consegue quebrar esta porta, estamos presas aqui e só eu sei como sair. Então, você promete Alice?
— Prometo.
— Ótimo, então, deixe-me contar, depois faça as perguntas. Sente-se aqui – Ela apontou para uma cadeira ao seu lado, mesmo insegura, fui até ela e me sentei.
— Eu sou... Uma caçadora de demônios.
— UMA O QUE?! – Ela colocou a mão sob minha boca.
— Shiu! Uma caçadora de demônios! É, sou uma caçadora. Fui treinada para capturar os demônios que trabalham para Lúcifer, que como você sabe, foi quem incentivou a queda, mas a séculos não tenho notícias de onde ele pode estar – Ela suspirou – Isso vem sendo decepcionante para mim...
— E você acha, que eu deveria levar isso numa boa? Sabendo que... Ai meu Deus! Roland é um demônio! Você vai mata-lo também?!
— Não! Fique quieta Alice, por favor! – Ela suspirou – Como eu já lhe disse, eu só vou atrás de demônios que tem contato direto com Lúcifer, mas ele deve estar escondido, ou fora do país, ou se passando por outro alguém... Eu não faço ideia! A cada dia que passa, fica mais e mais difícil rastreá-lo.
— Será que... Você poderia me deixar sair agora? Eu voei pela sacada do dormitório para seguir você.
— Você é um anjo novo Alice, não foi criada como nós, foi transformada, você ainda tem muito o que enfrentar pela frente. Ainda não sabe nem metade dos seus poderes, sua recuperação, por enquanto, será mais lenta que a nossa, porém mais rápida que a dos mortais. Só... Tenha paciência, e tente não se meter em encrenca está bem?
— Sim, tudo bem.
Ariane apertou novamente o grande botão vermelho na parede, que fez a porta de ferro recuar.
Beatrice entrou no aposento aos berros.
— Quem estava acordado a esta hora?! Quem invadiu desta... Alice?!
— Sim Senhorita Beatrice, desculpe.
— Ela me seguiu, já expliquei tudo a ela, e prometeu que estaria disposta a manter segredo.
— Ela prometeu? – Ariane assentiu – Alice, saiba que uma promessa para um anjo é muito valiosa, quando quebrada, a vida do próprio anjo pode se esvair. Então tome cuidado com o que você promete.
— Tudo bem...
— Então, volte para seu dormitório, você ainda não esta completamente recuperada.
— Mas eu estou...
— Pode ir voando se quiser, agora se me der licença, preciso conversar com Ariane.
— Está bem.
Assim que pousei na sacada, vi as portas da sala subterrânea sendo fechadas. Deitei-me no sofá e liguei a televisão, não estava me sentindo cansada. Prestar atenção na programação? Como depois do que havia acontecido? Pelo que sei, todos os anjos fazem parte de uma mesma família, são todos irmãos. Como Ariane consegue machucar seus irmãos desta forma? Mesmo eles tendo passado para o lado do mal... E por que querem tanto encontrar Lúcifer? Não entendo, juro que não compreendo. A cada dia que passa uma coisa nova acontece nessa escola. Ainda vou ficar louca.
Algum tempo depois, Ariane entrou pela sacada, como se nada tivesse acontecido.
— Está com frio? – Ela perguntou, balancei a cabeça – Quer um cobertor? – neguei novamente e ela foi em direção ao quarto. Ouvi o barulho de cadeira sendo arrastada e um lápis percorrendo pela folha. Fui até o quarto e Ariane estava escrevendo.
— O que está fazendo?
— Beatrice me pediu para fazer um relatório. Todas as vezes que um anjo descobre meu segredo ela me pede.
— Quais foram os anjos que já descobriram?
— Bem, Gabriel, Molly, Roland e agora você.
— Molly sabe?! – Ariane assentiu.
Peguei meu cobertor em cima da cama e me deitei novamente no sofá. Desta vez, os olhos foram pesando como se eu tivesse corrido uma maratona e precisasse descansar pelo resto da minha vida. E em poucos segundos, apaguei.
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