Fallen

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Acho que vocês irão se surpreender um pouco nesse cap. haha
E vou ver se pro próximo (mesmo já estando pronto) eu acrescente alguma coisa que ainda não fiz =)
Então... comentem e...

BOA LEITURA!

Eu e Gabriel entramos na sala de aula, todos estavam olhando pra mim como se eu fosse explodi-los também. Gabriel sentou-se ao meu lado em nossos lugares habituais.

Assim que Beatrice e Steven entraram, todos se sentaram e ficaram em silêncio. Steven começou explicando as teorias que os anjos e demônios tinham sobre o que acontecia no céu. Enquanto ele explicava, Beatrice me chamou no canto da sala.

— Alice, querida acho que seria melhor se você não participasse da aula de hoje — o que?! Estava confusa — Chamei seu pai para vir à escola hoje, então assim que acabar a aula, vá para minha sala, vamos descobrir uma forma de ajudá-la.

Engoli em seco e assenti enquanto ainda tentava raciocinar que havia sido expulsa da sala. Fui para meu quarto e me deitei na cama, coloquei os fones do meu celular e liguei o volume no último. Acabei adormecendo e acordei com um dos fones caído e o barulho do sinal indicando a próxima aula.

Me levantei sem vontade nenhuma de ir ver Beatrice. Esbarrei com os alunos nefilim nos corredores, estavam indo para a próxima aula e me olhavam como se eu fosse ser proibida de chegar a menos de 3 quilômetros daquela escola. Subi as escadas que levavam ao escritório de Beatrice. A porta estava semiaberta, e antes que eu pudesse chegar até ela, Beatrice gritou.

— Raphael! — Raphael? Mas não era meu pai que iria visitá-la hoje? Ela foi de encontro ao homem que havia entrado pela janela — Que bom te ver meu velho amigo! Como tem passado todos esses séculos?! — o homem riu.

— Vou muito bem minha velha amiga! Só espero que você não me chame de Raphael na frente de Alice, ela acha que meu nome é Jason. Claire ainda acha que é cedo para ela descobrir tudo.

O meu pai havia mentido para mim. Além de se esconder de mim por 16 longos anos, ainda mente seu nome. Lindo isso, maravilhoso, e ele ainda quer que eu o perdoe? Só estava aqui por completa consideração a Beatrice!.

— Ah sim, ela deve estar chegando. — Ela o conduziu para sua mesa — Coitadinha, ficou tão chateada com o ocorrido ontem. Aceita uma xícara de chá gelado?

— Não, obrigado. Então os computadores simplesmente explodiram na frente dela? — Meus olhos ficaram marejados ao relembrar da cena.

— Sim, no momento ela ficou tão atordoada, não sabia o que estava acontecendo, tive que trazê-la para cá e explicar que ela deve descobrir seu destino e sua profecia sozinha.

Respirei fundo e engoli as lágrimas. Bati na porta como se não estivesse ali aquele tempo todo.

— Entre Alice — Beatrice como sempre, estava radiante, ela raramente ficava verdadeiramente abalada, sempre via o lado bom de todas as coisas.

— Filha! — Ele se levantou com um sorriso no rosto.

— Ah… Oi R-Jason — eu estava tão nervosa que quase soltei o Raphael ai mesmo. Mas eles ainda não podiam saber que eu havia escutado a conversa. Sentei-me ao sem lado, acho que ele estava esperando que eu lhe desse um abraço ou sei lá, mas ele ficou paralisado por um momento, mas logo se sentou.

— Então Srta. Beatrice? O que queria conversar comigo? Eu ainda tenho outras aulas para comparecer — fiz uma cara de quem sente muito, mas que precisava sair dali.

— Bem Alice, trouxe seu pai aqui porque assim como eu, está disposto a ajudá-la no que precisar para você descobrir tudo.

— Seria mais fácil se me contassem tudo logo de uma vez — dei de ombros.

— Filha, você não entende? Se ontem, através de um, computador você não conseguiu terminar de ler, como um anjo iria te contar? Ele poderia… simplesmente explodir na sua frente! — imaginei a cena nenhum pouco agradável de qualquer um de meus amigos anjos tentando me contar. Abaixei a cabeça e fiquei em silêncio.

— Alice, você tem de entender que nós só podemos lhe dar as pedras do quebra-cabeça, você tem que montá-lo sozinha. — Beatrice disse calmamente, mas eu já estava sem paciência.

— Pedras do quebra-cabeça? Tipo ouvir você e Jason conversando e de repente descobrir que seu verdadeiro nome é Raphael e que ele e minha mãe mentiram pra mim? — Eles me olhavam boquiabertos. Levantei-me e fui em direção à porta — E se eu não quiser montar esse quebra-cabeça? E se eu não quiser brincar?

— Você não tem escolha, é o seu destino — ele disse friamente, olhando para baixo, como se as próprias palavras o ferissem.

— Eu não pedi por isso. Eu só quero ter uma vida normal. Como sempre havia sido até meus 16 anos! Eu poderia muito bem continuar vivendo sem saber se anjos realmente existiam ou não! — sai correndo da sala de Beatrice. Não iria para a aula. Meus olhos estavam nebulosos por conta das lágrimas, estava correndo pelo pátio, nem tinha me dado conta que a segunda aula havia acabado e os alunos estavam todos no pátio indo para suas próximas aulas. De repente me choquei com alguém, mas não caímos no chão. Essa pessoa havia me abraçado. As lágrimas escorriam por meu rosto, não queria que ninguém me visse daquele jeito, iria dizer para meu “salvador" me largar, mas quando levantei a cabeça para olha-lo, seus grandes e lindos olhos violeta me cegaram e por um instante eu havia esquecido de tudo.

— Gabriel, eu quero ir embora daqui — eu o abracei e comecei a chorar. Senti os olhares dos nefilins e dos mortais, mas eu estava com Gabriel, era isso o que importava, com ele eu me sentia segura, com ele tudo poderia e iria dar certo.

Ele me levou de volta ao dormitório, nos sentamos no sofá e eu me apoiei em seu peito, enquanto ele acariciava meus cabelos e eu explicava tudo.

— Eu não pedi por isso, eu não queria essa vida, não quero ter de descobrir nenhuma profecia nem mesmo salvar alguém. Eu só quero ser uma garota normal e ficar com meu namorado normal!

— Creio que isso não vai ser possível… Lembra de que eu não sou normal? — ele disse meio tristonho, como se fosse um peso que carregava ser um anjo.

— Ok, deixe-me reformular a frase. Eu só quero ser uma garota normal que tem um namorado, lindo, inteligente e maravilhoso que é um anjo e me ama de verdade.

— Alice, sei que Beatrice já deve ter lhe dito isso, mas não é possível. Você está destinada a conhecer e decifrar a profecia — ele disse calmamente para que não ficasse nervosa novamente.

— Tudo bem Gabriel, eu entendi, mas não quer dizer que eu aceite isso! E não vou aceitar. Isso não está certo!

— Mas você não tem escolha, você terá de decifrar.

— Tá Gabriel, eu já entendi! – Levantei-me para encara-lo — Só estou dizendo que nunca pedi por essa vida! Nunca pedi para um anjo simplesmente aparecer na minha vida e me convencer de vir estudar nessa escola para eu descobrir que preciso decifrar a merda de uma profecia! — Ele me encarou espantado com o que eu havia dito. Ótimo, para completar meu dia, eu havia magoado meu namorado. Simplesmente perfeito!

— Olhe Gabriel, desculpe-me. Não era isso o que eu queria dizer...

— Então era o que? – primeiro ele foi grosseiro, mas então suspirou e sussurrou – Se você não me quer mais, se for mais fácil assim pra você, tudo bem eu vou entender... – tentei negar, mas ele logo me impediu – Só escuta esta bem? Eu te amo Alice, não gosto de vê-la nessa situação. Mas se você acha que eu sou um problema na sua vida, tudo bem, eu entendo, não precisa mais se preocupar.

Ele se levantou e foi em direção à porta.

— GABRIEL! POR FAVOR! Não vai, por favor! Não agora.

Gabriel se virou e olhou diretamente nos meus olhos. Dor. Era só o que eu sentia ao ver aqueles lindos olhos cor violeta enchendo-se de lágrimas por minha culpa. Eu havia errado. Falhei com a única pessoa que se importava comigo de verdade.

— Gabriel – tentei chamá-lo mais uma vez. Tentei tocá-lo, ele recuou e desapareceu no corredor.