Fallen
10 Capítulo 10
— Eu quero fazer o programa de honra.
Disse aparecendo na porta da cozinha enquanto minha mãe fazia o café. Ela deu um pulo e colocou a mão no coração murmurando “Que susto!”. — Se você não ligar para sua amiga Beatrice, eu mesma ligo. Quero fazer esse tal programa. — Posso saber o por quê? – disse mamãe, ainda com a mão no coração, enquanto se sentava junto à mesa. — Porque isso diz respeito a mim, diz respeito ao papai e a coisas que você não queria me contar. Além de estar muito curiosa para saber o que são. — Querida, você não precisa fazer esse programa de honra, eu posso te contar tudo pra você aqui mesmo. — Não! – disse quase gritando – Você me escondeu coisas antes, quem sabe não vá me esconder fatos que você julgue não serem importantes e que poderiam muito ser? Eu aprender sobre essas coisas na escola, quem sabe finalmente descubra tudo? — Mas filha... — Sem “mas” mãe! – ela se assustou, odiava quando eu a chamava apenas de mãe em casa, e sabia que eu estava muito brava e falando muito sério e era essa a intensão. — E então? Você vai ligar para Beatrice ou não? Mamãe suspirou, derrotada e foi pegar o telefone na sala. Peguei as chaves de casa, meus óculos de sol e fui dar um passeio na praia para aproveitar minha sensação de vitória. Andei sem rumo na praia, até que notei que estava em um lugar familiar. “Ops!” pensei. Não era para eu estar ali, eu não queria estar ali, mas, no entanto, eu estava ali, e me sentia bem por isso. Resolvi voltar e andar para o lado oposto das duas praias onde se encontravam Gabriel e Victor, mas assim que me virei senti um toque no meu ombro, um choque percorreu por todo meu corpo. Dei um pulo e gritei. Virei-me para ver quem era e ao mesmo tempo envergonhada por todos estarem me olhando como se fosse louca. Ele sorria pra mim, sorria como se estivesse vendo um lindo pôr-do-sol. Gabriel estava lindo, como sempre estava. Seus olhos cinzentos me fitavam com tom de admiração e eu pensei por que e como havia conseguido ficar tanto tempo longe dele. Ele estava com uma bermuda cinza e como sempre, sem camisa, deixando expostos os músculos do tórax e dos braços. Ele ficou me olhando com as sobrancelhas arqueadas até que eu percebi o que estava fazendo. Estava quase babando em cima dele! Que absurdo! — Hã... Você está bem? — disse ele com um sorriso divertido no rosto. — Sim, – eu assenti e acrescentei para disfarçar – um pouco tonta na verdade – mas acho que não foi uma boa ideia. — Um pouco tonta? – ele sorriu ainda mais tentando disfarçar uma risada – Por que não se senta um pouco? Fará bem a você. — Tudo bem, tanto faz – me sentei devagar, fingindo estar mal, ele se sentou ao meu lado. — Por que não veio à praia esses dias? Fiquei esperando por você. Me surpreendi com aquelas palavras. Ele havia me esperado por uma semana. Arregalei os olhos. Mas logo desviei o olhar para disfarçar. — Tive alguns desentendimentos com minha mãe sabe... E também fui comprar o meu material, não posso ir pra escola de mãos abanando. — Entendi. Mas fico feliz por você ter aparecido hoje – disse ele dando aquele seu sorriso encantador que me deixava tonta. Sorri de volta, mas não disse nada, fiquei olhando as ondas indo e vindo. Era bom estar com ele novamente, era uma sensação boa estar ao seu lado. Senti seus dedos se entrelaçando aos meus. Recostei minha cabeça em seu ombro, sem me importar com a minha consciência dizendo não. Ficamos um bom tempo assim, até que ele virou-se para me olhar. — O que foi? – perguntei preocupada. — É que... É bom ficar perto de você – ele sorriu timidamente, o que o tornava admirável. — Bem, se isso te faz sentir melhor, eu também gosto de ficar perto de você – sorri meio constrangida, era verdade, por mais que eu odiasse admitir. Gabriel se aproximou e prensou seus lábios contra os meus, eu instintivamente correspondi. Não me importava mais com nada, só com o oque de seus lábios nos meus. Gabriel se afastou e eu tristemente fiz o mesmo, eu queria mais, queria que ele me segurasse em seus braços, que me apertasse contra seu corpo e que me beijasse ternamente. — Alice, sei que o primeiro dia de aula nunca é fácil pra ninguém, principalmente se está indo para outra escola, mas... Você gostaria de ir pra escola comigo no primeiro dia de aula? — Claro Gabriel! Seria ótimo – sorri. — Tem certeza? Você não... — Certeza. Seria chato ir pra escola sozinha. Ele sorriu. Levou minha mão até seus lábios e a beijou. Sorri olhando para baixo. Acho que Victor nunca havia sido tão carinhoso comigo. Deitei a cabeça em seu colo e ficamos um tempo sem dizer nada, até que eu me levantei. — Preciso ir para casa. — Já?! – percebi o tom chateado e triste em sua voz. — Sim, já. – Sorri – Mas você poderia me acompanhar até em casa, para que não se perca quando formos à escola. Num piscar de olhos, Gabriel já estava de pé, estendendo a mão para que eu a pegasse e me levantasse. Pegou sua camiseta branca que estava jogada na areia e vestiu-a. Fomos andando em silêncio e de mãos dadas, realmente parecíamos um casal.
Cheguei em casa e convidei-o para entrar. Fomos para meu quarto e liguei a televisão para que ele assistisse um pouco enquanto arrumava alguns papéis que teria que levar para a escola. Gabriel ficou quieto, mas em vez de acompanhar a programação, ficava me olhando zanzar de um lado para outro no quarto. Olhei para ele. — O que foi? – perguntei sorrindo. — Nada – disse ele dando uma risadinha. — Anda, pode dizer, você está me escondendo alguma coisa. — Não é nada – riu ele novamente – é só engraçado ver isso. — Isso o que? – perguntei um pouco confusa e fui me sentar ao seu lado. — Estar aqui com você – ele suspirou pegando minha mão – parece que somos... Ah, você entendeu. Dei uma risadinha. — Sim eu entendi. — Mas e então? Somos ou...? – disse ele dando de ombros, mas percebi a esperança em sua voz. — Eu já te disse que ainda estou um pouco confusa, — disse com a cabeça baixa — eu praticamente acabei de terminar com meu namorado... — Talvez isso a faça mudar de ideia – Gabriel me puxou e me envolveu em seus braços e me beijou, no começo seus lábios eram doces e leves contra os meus, mas rapidamente se tornaram brutos com um toque de desejo. Passei a mão pelos seus cabelos loiros e o puxei contra mim. Sua mão, que antes estavam na minha cintura, agora segurava minha nuca enquanto me puxava contra ele. Fui puxando contra mim até que senti algo encostar-se às minhas costas, o colchão. Eu estava deitada e ele estava em cima de mim, não conseguia parar de beijá-lo. Ouvi a porta lá de baixo se abrir, eu não havia trancado a porta. — Alice? Você está ai? Afastei Gabriel, um pouco envergonhada, minha mãe não tinha culpa, ela não sabia que eu estaria com um menino em casa. — Estou! – gritei me levantando e terminando de arrumar a papelada. Mamãe subiu correndo as escadas e me viu no quarto com ele. — Ah! Hã... Porque não me avisou que tínhamos visitas? Oi, eu sou a mãe... Hã desculpe, tenho que fazer uma ligação urgente, desculpe a intrusão. Olhei para Gabriel, procurando algum sinal de incômodo ou vergonha, mas ele estava timidamente confortável e seu olhar me dizia estar tudo bem. Assim que minha mãe sumiu de vista, ele veio até mim e me abraçou por trás, segurando minha cintura. — Tenho que ir. — Já? — Sim, — ele riu – mas você poderia me acompanhar até a porta. Ele me seguiu e quando eu já estava com a mão na maçaneta ele se virou para mim e me deu um beijo na bochecha. — Até mais! – ele disse. A única coisa que consegui fazer foi sorrir e acenar. Minha garganta simplesmente travou quando eu tentei dizer “Tchau”. Não sabia porque aquilo acontecia mas era doloroso. Eu tinha adorado passar o resto do dia ao lado de Gabriel. Ele fazia com que eu me sentisse bem, segura e protegida. Uma sensação única. Vê-lo partir fora muito doloroso. Eu gostava dele. Na verdade, eu o amava.
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