Fall

6 Sexto Capítulo


Notas iniciais
Está bem óbvio, mas esse capítulo está em POV do Danny

Eu tinha passado na padaria para fazer um lanche quando chegasse em casa, levei algumas cervejas também.

Eu ainda não tinha entendido tudo o que tinha acontecido naquela manhã, por que Tom estava tão desesperado em trazer Dougie de volta, mas eu o apoiei porque não haveria nada no mundo em que eu não o apoiaria, a não ser que o fizesse mal.

Tom era a pessoa que eu mais me importava no mundo. É claro que eu gosto do Harry, gosto muito... Mas com Tom era tudo diferente, nos conhecíamos há muito mais tempo... Eu não sabia mais como era viver sem ele.

Mas eu acho que estraguei tudo com Tom quando nós ficamos no inverno passado.

Eu tinha percebido que gostava dele em outubro. Foi complicado no começo... Eu nunca tinha gostado de garoto nenhum. Eu o amei em silêncio, eu o via sair com alguns garotos da faculdade, ou dos bares que ele ia de vez em quando. Doía quando ele me contava de seus romances, mas eu apenas sorria. Escondi tudo no fundo do meu peito e engolia o choro antes de dormir. Foi quando eu comecei a beber mais álcool. Porque eu não entendia porque eu gostava dele daquele jeito, e mesmo sendo gay, ele não olhava pra mim.

Por algumas vezes caí bêbado pelas calçadas do campus, numa dessas, nos meados de dezembro, Harry me levou pra casa de manhã em seu ombro. Tom não estava em casa, e Harry perguntou o que estava acontecendo comigo. O álcool me fez falar sem pensar duas vezes. Eu contei o que estava acontecendo – O quanto eu gostava de Tom, e todo meu dilema.

Então Harry me deu uma ideia... No dia 22, ele viajaria para casa, para passar seu aniversário com sua família, e no dia seguinte o Natal. Ele me disse para convencer Tom a só irmos para nossas casas na manha seguinte – E na noite que estivéssemos sozinhos, que eu desse vinho para Tom e tomasse junto. Assim eu teria mais coragem para beijá-lo, e seria mais fácil dele aceitar, uma vez que estivéssemos bêbados.

Achei a ideia sensacional, e resolvi por em prática – Tom nem questionou de passar mais uma noite na república, porque preferia lá a sua casa em Harrow.

Um dia antes de seu aniversário, levamos Harry até a estação de trem, e ele se foi. Voltamos para casa e começamos a ver um filme que passava na tevê naquela hora. Eu servi as primeiras taças de vinho e tomamos juntos. Tomamos mais algumas e o frio já era algo banal. Foi uma questão de tempo até eu deixar minha mão para o lado – Meu coração acelerou quando ele a segurou. Eu só podia sentir as borboletas. Quando o filme acabou, eu tomei coragem, mas meu peito já não cabia mais na camiseta de tão forte que aquele órgão estúpido batia. Eu me movi até ele e o beijei.

Eu só me lembro de acordar na manhã seguinte na cama dele, sem saber o que aconteceu. Tudo o que houve depois do beijo era uma grande nuvem na minha mente, eu não me lembrava de nada. Me desesperei, fui até o meu quarto e arrumei minha mala, eu pretendia ir embora sozinho até a estação para voltar para Bolton. Depois disso, desci até a cozinha e preparei um café da manhã simples para Tom como pedido de desculpas, escrevi uma carta e a guardei no bolso para deixar em seu criado mudo quando saísse.

Subi até o quarto com a mesa do meu notebook com o café em cima dela. Eu pretendi deixa-la ao pé da cama e partir em seguida. Meu coração quase não compassava de tristeza. Foi então que Tom acordou.

Tentei sair correndo do quarto, mas ele me viu e me chamou pra cama antes que eu me virasse... Tomamos café falando sobre o Natal. Tom nem percebia, mas ele só falava disso no ultimo mês. Eu mais ouvia do que qualquer coisa, eu gostava de ouví-lo.

Por mais agradável que aquele momento fosse, eu não conseguia me lembrar o que tinha acontecido noite passada, e aquilo estava me levando a loucura.

Mais tarde nos despedimos na estação, com um beijo longo que eu ainda sentia mesmo meses depois quando estava perto de Danny. Era algo que eu sentia falta, mesmo meses depois.

Usei o tempo do Natal e do ano novo para tentar esquecer Tom, mas tudo caía por terra quando eu ouvia sua voz, ou lia o que ele escrevia em nossas conversas no computador – Então comecei a me afastar... Quando às aulas voltaram fingi que nada nunca acontecera, e pelo visto Tom queria o mesmo, pois ele fingiu o mesmo e nunca contou para Harry.

-o-

Então, naquela tarde fria de outono, eu chego em casa, procuro por Tom pela casa, subo os degraus sem sucesso no primeiro andar, abro a porta e me deparo com o garoto novo deitado com Tom debaixo de cobertas.

Liguei os fatos de mais cedo e tudo fazia todo o sentido do mundo, Tom só quis que o garoto ficasse, porque em menos de 24 horas de sua estadia, eles já tinham um caso. Doeu ver Tom com outro garoto na cama que eu talvez tenha tido a melhor noite da minha vida.

-E as coisas começam a fazer sentido... – Apenas Tom se virou para mim. Minha voz saiu mais ríspida do que o esperado, mas mantive a postura.

Eu estava realmente nervoso e agia com adrenalina – Fiquei realmente mais satisfeito de vê-lo vestido enquanto ele se levantava. Ele estava boquiaberto e bobo, não sabia o que fazer.

-Você não queria que ele fosse embora porque você tá pegando ele, não é? – Perguntei duro – O garoto mora aqui há um dia e você já está na cama com ele... – Tom me olhou com desespero enquanto eu me mantinha ao lado da porta.

-Danny... Calma! Não é o que você está pensando. – Aquela frase era tão clichê – A gente não... Você sabe – Gesticulava com as mãos – A gente não transou.

-Vocês estão juntos... – Eu nem sabia o que dizer, afinal era só ciúmes mesmo – Você não deixa passar um mesmo... – Pude ver que Dougie começava a acordar na cama.

-Desculpa... Danny... Mas se eu me lembro bem... Foi você que me beijou aquele dia. – Mesmo um soco não teria doído tanto como a rispidez da voz de Tom, parei de olhar para seus olhos, e vi que Dougie havia arregalado os olhos, ainda calado e assustado no canto da cama.

Me virei e deixei o quarto com os olhos já coçando, mas eu me forçava com o pensamento frenético “não chore, não chora” correndo por meu cérebro. Desci os degraus de dois em dois e fui até sala. Aquilo parecia muito um sonho – um pesadelo. Eu tinha as duas mãos na nuca puxando uma mecha ou duas de cabelo. Tudo estava girando, e eu sabia que eles ainda estavam naquele quarto. Saber que Tom ficava com outras pessoas não era tão ruim quanto saber que ele estava ficando com um garoto que mora sobre o mesmo teto que eu, que divide quarto comigo.

Parti para a cozinha, peguei as cervejas na geladeira e subi para o meu quarto. Tranquei a porta com a chave que eu guardava na ultima gaveta da cômoda. Abri a primeira cerveja e comecei a toma-la de golão. Eu queria chutar tudo naquele quarto e destruir toda a mobília, mas eu me contive porque eu não podia demonstrar minha raiva – Eles não podiam ouvir.

Outra, e outra. A vida me engolia. O mundo me aterrorizava, meu rosto estava trêmulo e a sexta tampinha atingiu o chão. Estava tudo girando depressa e as proporções eram balela, os pensamentos vinham de turbilhão por meus neurônios seriamente afetados.

A cerveja não me saciou, cambaleei até meu guarda roupas e puxei uma caixa ao fundo dele. Abri e arranquei uma pequena bolsa de couro com dois copos e uma pequena garrafa, eu li o rótulo “Jose Cuervo” e já sabia o que faria. Desprezei os copos e dei um gole direto do gargalo. Aquilo realmente desceu queimando, mas não me significava nada. Liguei o aparelho de som em cima da cômoda em qualquer estação e deixei que tocasse qualquer merda – No volume mais alto – Eu acho que estava ouvindo James Blunt quando caí no chão junto com minha garrafa, que se transformou em mil cacos de vidros e dois goles de tequila pelo chão encarpetado.

Fiquei lá sentindo um caco debaixo do meu rosto, aparentemente eu havia me cortado na testa, porém não me movi, fiquei lá cultivando milhões de pensamentos fúteis, inúteis e apáticos sobre o mundo e minha vida miserável. Eu era ridículo.

Eu não sei quanto tempo eu fiquei lá jogado, mas nenhuma conclusão pude tirar de meus pensamentos insanos. Um hora ouvi passos subindo a escada, eu já sabia quem era, era meu amigo de um metro e oitenta e poucos, olhos azuis e cabelo heterossexualmente aparado. O que sempre me erguia quando eu caía. Me recompus quando ele atenciosamente passou a mão por meu cabelo e me levantou do chão cuidadosamente e me deitou em minha cama.

-Como você entrou? – Perguntei ainda confuso de como Harry tinha entrado no meu quarto, eu me lembrava de ter trancado.

-Eu mandei fazer uma cópia da sua chave Dan... Eu sabia que uma hora ia precisar, e precisei. – ele mexeu no meu cabelo por uns segundos. Ele falava sério, mas ao mesmo tempo doce.

As coisas ainda giravam. Eu não via tão bem o rosto de Harry, mas ele tirou meus tênis e me deixou na cama, fazia seu caminho para fora do quarto esperando que eu dormisse. Me curvei e o segurei pelo braço por impulso. Quando fiz isso, a tristeza que dominava meu quarto e meu peito pareceram se proliferar pela minha consciência. Eu me via necessitado da presença de Harry, ali... Naquele momento.

-Fica... Por favor – Eu balbuciei.

Ele não falou nada, apagou a luz, se deitou por trás de mim me envolvendo em seus braços fortes e começou a afagar meu cabelo. Encaixou seu rosto em minha nuca e eu podia sentir sua respiração correr por minha pele.

-Chora tudo que tiver que chorar Dan... Eu estou aqui... E não vou embora.

Eu afundei meu rosto no travesseiro e me afoguei em nostalgia, em vontade e medo. Senti a falta. Minhas lágrimas tinham cada uma um sentimento puramente sujo enfiado nelas.

Eu começava a entender porque chorava, era por ter feito escolhas erradas em sequencia e não saber o que fazer... Por ver o cara que eu gostava na cama com outro. Por saber o quanto eu era um idiota. Por não ter Tom – Por não perceber que tudo que eu queria, eu não tinha – E tudo que eu queria, era ele.

Harry passou a mão por meu cabelo, de repente senti uma dor horrível na parte da testa onde seu dedo passou. Ele puxou a mão assustado com meu reflexo de dor.

-Danny, você está sangrando! – Me virei assustado de frente para ele.

-Nossa Dan! Vamos lavar isso e fazer um curativo.

Meu raciocínio ainda estava lento. Levantei fraquejado da cama, Harry passou por cima dela para não deixar cair no chão. Me levou até o banheiro do outro lado do quarto. Lavamos o corte, mas era algo tão superficial que não fizemos curativos. Ele lavou meu rosto com água morna e sabonete líquido. Me carregou para a cama de volta resmungando que eu era pesado.

Já na cama, eu me deitei e o puxei para se deitar comigo. Ele alcançou o interruptor ao lado da minha cama e apagou a luz. Se deitou de frente para mim, sem que eu pensasse, meu corpo se moveu para mais perto do dele e eu toquei seus lábios com os meus, mas nada mais do que isso. Me gesto foi visto como um de gratidão, e era exatamente o que era. Ele acariciou meu cabelo depois disso e caímos no sono abraçados.

Notas finais
POV de quem no Próximo?