Fall
7 Sétimo Capítulo
Notas iniciais
Depois Vira do Danny, prestem atenção :D
Danny ainda dormia quando eu deixei a cama. Desci aquela escada rangente até a sala, onde Dougie assistia a um filme sozinho, embrulhado no cobertor da cama do Tom. Ele se virou sem graça quando eu cheguei à sala. Eu olhei em seus olhos sem saber o que dizer, mas se ele esperava que eu estivesse bravo com ele, ou algo do tipo, estava errado.
-Você não tem culpa de nada... Você não sabe da metade. – Disse com o tom de voz mais calmo que pude.
-Isso é tão desconfortável... O Danny não sabia que o Tom... É gay? – Perguntou quase com certeza que Danny, de fato, sabia.
-Sabia... – Respondi erguendo uma sobrancelha, nós não temos problema nenhum com isso. Nem com o Tom ser, e tão pouco por você ser...
-Eu pensei que o Danny fosse sei lá... Homofóbico... – Ele disse franzindo o cenho.
Eu ri por alguns segundos, ele não entendeu o por que... Então eu voltei a falar.
-O Danny e o Tom já ficaram uma vez...
A expressão de apocalipse no rosto de Dougie é algo que guardarei para a vida toda.
-Foi no inverno passado... Eu tinha ido embora pra casa dos meus pais, porque no dia seguinte era meu aniversário e fazia dois anos que não passava com eles.
-E ai? – Dougie perguntou se sentando no sofá, dobrando os joelhos e ficando totalmente de frente pra mim. Com os olhos inquietos.
-O Tom não me contou muito, disse que beberam demais e se beijaram, no dia seguinte foram pra casa da família, cada um pra sua, e nunca mais tocaram no assunto.
-Nossa! Eu nunca diria, mesmo. Mas o Danny... – Ele pareceu desconfortável – Já beijou outros caras? – Diminuiu o tom da voz.
-Não. – Ele olhou vazio – Você já tomou café da manhã?
-Ainda não, o Tom tomou enquanto eu dormia e foi pra aula.
-Vou comer agora, me acompanha? – Ele era novo na casa, provavelmente não comeria sem ser convidado.
-Aham, eu estou morrendo de fome – Eu estava certo.
-Então vem comigo – O puxei por cima do sofá, e ele pulou do encosto para o chão.
Puxei a cadeira e ele se sentou, como o esperado. Peguei leite na geladeira, e com ela ainda aberta, perguntei:
-Você toma leite, chá, ou chá com leite?
-O que você for tomar... Que for mais fácil.
-Vou tomar Leite com chocolate, você gosta? – Ele assentiu, então preparei dois.
Empurrei a caneca até ele, e peguei a outra. Me sentei de frente para ele. Havia pães e torradas na mesa, e Tom havia esquecido a geleia fora da geladeira.
-O que está rolando entre você e o Tom? – Perguntei pausadamente.
-Eu não sei, a gente se beijou umas vezes, e ele foi atrás de mim quando eu quis partir, ele é um fofo... Mas eu sei que é algo passageiro, da parte dele, e da minha também... Eu sinto isso em nós. Acho que sentimos algo mais fraternal um pelo outro, mas nos beijamos... – Ele parecia não estar satisfeito com o que falara, então começou outra vez, gesticulando. Pensei ter ouvido algo na escada – Não é algo que você pense “Nossa, eu quero que dure pra sempre, eu encontrei minha cara metade” sabe?
Tive uma sensação ruim por uns segundos, mas passou, olhei para Dougie e assenti.
-Vocês conversam sobre isso?
-Conversamos ontem à noite. E é por isso que acho que ele gosta de mim mais fraternalmente, e vice-versa.
-Entendi, acho sensato da parte de vocês conversarem sobre isso. Porque vocês moram na mesma casa, e seria uma tragédia se vocês acabassem mal.
-Eu realmente não quero isso...
-Eu sei. Ninguém quer.
Ficamos na cozinha por mais alguns minutos. Quando estávamos na sala, ele estava no mesmo sofá que eu, mas estávamos em pontas diferentes.
-Tem muito problema se eu sair um pouco mais cedo hoje? Eu precisava falar com uma amiga minha... – Eu estava me referindo a Megan, uma garota que eu estava saindo.
-Não sei, acho que não... Mas eu não sei do Danny... Ele parecia meio bravo ontem.
-Você não quer ir comigo então? Daí eu te levo pra dar uma volta no campus depois de falar com a minha amiga...
-Por mim está ótimo.
Então fomos. Em dez minutos estávamos na porta do prédio, fomos de carro. Pedi que Dougie esperasse no carro quando desci para ir até Megan, que estava sentada no capô do próprio carro – Um Ford Focus vermelho, da cor de seu cabelo. Ela tinha estrelas tatuadas nos ombros, muito parecidas com a de Tom, no peito, porém menores.
Ela sorriu ao me ver chegar, mas eu tinha um abismo dentro do peito. Me senti de repente vazio como nunca sentira antes. Eu não sabia como falar o que tinha para falar, eu tinha pensado no assunto por dias, mas não em como executar. Eu só não podia mais deixar aquilo continuar acontecendo. Dei mais um passo em direção a ela, então ela tentou me beijar. Eu a impedi colocando a mão em seu cabelo e o passando para trás da orelha. O sangue se acelerou pelas minhas artérias e veias. Eu olhei em seus olhos confusos, e então tudo perdeu a cor, menos seus cabelos de fogo.
-A gente tem que conversar. – Acho que ela começava a imaginar, e eu começava a fraquejar.
-Não fale Harry... – Ela já sabia. Eu ignorei.
-Acho melhor a gente parar de se ver. – Seu sorriso se foi como se nunca tivesse existido.
-Por quê? – Sua voz era instável, mas ainda assim, forte.
-Você está pronta para um passo que eu não sei se quero dar. Eu não estou pronto, e umas coisas complicadas estão acontecendo em casa.
-Eu não acredito que você está terminando comigo Harry. Nossa! De verdade – Ela elevava o tom da voz – Eu pensei que você fosse melhor.
-Eu sinto muito.
-Harry, me faz um favor... Vai à merda!
Mesmo ela sendo ridícula a esse ponto, eu me recusei a responder. Ela não significava nada, era só uma garota que saí pouquíssimas vezes, que nem tinha ido para a cama ainda. Ela entrou no carro e foi embora, cantando pneu.
Como o esperado, aquilo não me abalou, entrei no carro... Calmamente eu virei para Dougie, e perguntei onde ele gostaria de ir primeiro.
-Você está bem? A conversa parece ter acabado mal. O que houve?
-Estou bem, acabei de terminar com ela. – Ele virou boquiaberto.
-Nossa! Que... Chato isso. – Não sabia o que falar, e eu achava aquilo... fofo. – Talvez não fosse a palavra mais indicada.
Saí com o carro pelo campus com Dougie, como prometido, acho que ele não tinha visto 30% do lugar. O mostrei a biblioteca, o anfiteatro, as piscinas e todo o resto, ficamos mais de uma hora nisso. Paramos para comer cachorro quente de almoço, então mandei mensagens para Danny e Tom avisando que não almoçaríamos em casa.
Depois disso, fomos para a aula, deixei Dougie no prédio de Artes e fui para o meu.
POV – DANNY
“Nossa, eu quero que dure pra sempre, eu encontrei minha cara metade” — Eu ouvi quando descia as escadas para tomar meu café da manhã com meu ipod no bolso.
Aquelas palavras me tocaram cada membro vital com uma lâmina gélida como o inverno que castigava Londres todos os anos. Eu aproveitei que estava apenas de meia nos pés, e corri para a lavanderia, no porão para que não me vissem se tivessem ouvido algum barulho naquela escada maldita.
Me tranquei lá, e fiquei sentado com a cabeça encostada na maquina de lavar obsoleta. Puxei os fones do ipod e o liguei tentando achar alguma música, mas nenhuma me agradava, o deixei no chão.
Eu não sabia o que fazer, o garoto tinha conseguido em dois dias o que eu não conseguira em meses. Ele tinha Tom e “desejava que durasse pra sempre”. Então fiquei lá por mais de uma hora, mesmo quando percebi que eles tinham saído. Passada uma hora e meia, ouvi Tom chegar e chamar nossos nomes. Ninguém respondeu, então ele ligou a TV.
Recebi uma mensagem de Harry no celular falando que ele e Dougie almoçariam na rua mesmo. Então eu tive a ideia mais maluca da minha vida. Subi correndo para meu quarto e vesti uma roupa de frio.
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