Fall

13 Décimo Terceiro Capítulo


Notas iniciais
Começa com POV do Dougie, só pra registro.

A luz já havia passado pela janela fechada há muito tempo. Eu acordei nos braços de Harry na cama quente com cobertores sobre nós. Eu não me lembrava muito bem de tudo da noite passada, mas eu lembrava das melhores partes, e das piores.

Eu não tinha perdoado Harry – De maneira alguma. Mas nós não tínhamos nada, de fato. Eu me excedi por ele ter me convidado para a festa e ter ficado, ou algo mais tenso com o dono dela. Mas se ele não se importasse, ele não teria ido atrás de mim. Eu vi a frieza com que ele terminou com aquela garota ruiva. Ele teria sido frio do mesmo jeito comigo.

Nós estávamos de cueca, apenas, e eu estava de costas para ele, deitado na cama. Me virei de frente e beijei seu rosto. Ele não acordou.

Eu tinha prometido para mim mesmo que eu não ia mais me apaixonar, depois de ter quebrado a cara tantas vezes no ultimo ano de colegial com histórias que não precisam ser contadas assim, ao relento. Mas aquele momento com Harry, ali na cama com ele, depois de ter ido pra cama com ele na noite anterior... Aquilo começava a me fazer pensar diferente – Me fazia querer quebrar minha própria palavra. Ou talvez ele fosse única exceção.

Não, eu não estava me iludindo. Eu sabia que Harry não era o tipo de cara que namoraria por qualquer coisa, nem que me diria “eu te amo” quando acordasse. Mas aqueles olhos, aquele toque, me faziam querer jogar tudo pra cima e ficar ali com ele pra sempre, preso a ele. Me fazia querer nunca deixar aquela cama.

Eu comecei a acariciar seu cabelo. Eu olhava para seu rosto, sem afeição com seus olhos fechados, mas eu sentia sua respiração em minha pele. Então eu pude ver os oceanos brilharem em minha frente, quando ele abriu os olhos. Ele sorriu e beijou meu rosto. Ele se virou por alguns segundos pegando um pacote de chicletes na mesa de cabeceira, enfiou dois na boca e me deu o pacote. Eu fiz o mesmo.

-Odeio mal hálito matinal – Ele disse sorrindo – E não quero levantar agora...

-Eu também odeio – E odeio mesmo.

O chiclete era de morango. Harry mascou por mais alguns segundos e voltou a falar comigo. Dessa vez ele tinha a mão indo por meu rosto e minha nuca lentamente.

-Eu queria pedir desculpas por ontem... Eu acho que eu ainda não estou acostumado com ter alguém... Eu sou um idiota mesmo.

-Tudo bem – Aquilo realmente não estava nos meus planos – A gente pode tentar fazer isso funcionar, se você quiser... Né?

-Eu quero... Quero ter você. Não por uma noite, não por um momento de sexo, eu quero ter você.

-Você já tem... Só não desperdice isso Harry. – Ele segurou minha mão.

-Não vou. – Selou meus lábios com os seus. Macios.

Ele colocou uma lista de musicas realmente muito calmas que eu não esperava ver em seu ipod. Ficamos na cama por mais uma hora, ou duas. Quem está contando?

POV – Tom

Eu e Danny não havíamos dormido na mesma cama naquela noite, e se não fosse por mim, ele nem teria dormido numa cama, teria ficado no chão do quarto inconsciente de calça, tênis e jaqueta.

Ele desceu as escadas depois de duas horas que eu estava vendo TV e se sentou ao meu lado, com um sorriso besta no rosto.

Eu não diria que eu estava com raiva dele, mas eu daria um tapa na cara dele se eu pudesse naquele momento. Se a vida de Daniel tivesse um rosto, eu o socaria – Ou talvez eu estivesse lendo quadrinhos demais.

-Que merda foi aquela ontem, Danny? – Eu perguntei cínico levantando uma sobrancelha.

-Do que nós estamos falando mesmo, Tom? – Ele respondeu de imediato.

-Você sabe... Me chamar pra uma festa um dia depois de ficarmos e nem olhar na minha cara lá dentro. Desculpa... Mas eu estava mal vestido ou é pelo fato que eu tenho um pênis?

-Não faz drama, Tom... Eu só não queria que todo mundo me visse pegando um cara.

-Bom Danny, até o host daquela festa é gay, o Harry pegou ele.

-Não é só porque o Stephen é viado, que todo mundo tem que achar que eu sou viado também.

-Legal Danny, se você não quer ser chamado de viado então porque dorme pelado com um cara?! – Eu comecei a me exaltar.

-É diferente Tom!

-É diferente o caralho! – Eu me levantei do sofá – Você escolhe Danny, ou você fica comigo, o tempo todo... Ou você pode voltar a cair de bêbado pelo campus, ligando pro Harry e ir te buscar, porque você tem vergonha de olhar na minha cara.

-Então você me ensina a passar delineador e rímel já que é pra eu ser o pacote completo de bichona.

Eu não falei mais nada, parti pra cima dele dando um soco em seu rosto. Rolamos no sofá e ele me deu um gancho no estomago. Nos estapeamos até cairmos no chão... Meu sangue pulsava freneticamente por meu corpo. Eu sentia a adrenalina voar por mim. Ele olhou em meus olhos por alguns segundos, com a mão para cima, preparando um soco. Quando juntou as duas em minha camiseta e me beijou, me puxando para si e puxando meu cabelo. Eu mordi seu lábio e retribui o beijo. A adrenalina se dobrou. Eu puxei seu moletom para frente passei minha mão para dentro de sua camiseta. Eu o segurava pela cintura, com minhas mãos apertando diretamente sua pele. Fomos pelo chão, rolando trocando o amasso mais intenso que eu já tinha pensado em dar na minha vida. Eu o tinha entre minhas pernas cruzadas e seus lábios nunca foram tão saborosos. Eu ofegava em seu ouvido e mordiscava sua orelha, dava chupões fortes por seu pescoço e ele fazia o mesmo quase sincronizado comigo.

A raiva ainda estava lá, mas machucava de um jeito muito melhor. Era meio que uma descrição de paixão, ou seja como fosse o nome daquilo.

Ouvimos passos na escada, sessamos o beijo no mesmo instante. Eu o empurrei para o sofá e deitei ao seu lado. Olhamos para o lado ao mesmo tempo, e lá estavam Harry e Dougie.

-Bom dia – Eu disse, recebendo resposta dos dois – Tem leite fervido e uns frios, se quiserem tomar café... Só pegar na geladeira.

Eles sorriram e entraram na cozinha. Harry foi na frente e até pude ouvir ele perguntar o que Dougie queria comer – Comportamento não condizendo com a pessoa. Mas preferi não me meter.

-Nosso assunto não acabou, Danny... – Eu virei para ele de sobrancelhas altas e olhar baixo. Acho que eu tinha um bico bem grande na boca.

-Não quero ficar mal com você, mas também não quero pintar um arco-íris na minha testa... Eu te amo, tá legal? E não vou mais agir que nem ontem.

-Promete pra mim? – Eu perguntei sentimental, acho que por causa do que ele disse pra mim.

-Prometo Tom... E eu não espero ouvir um “eu te amo” de volta. Prefiro esperar até que isso signifique algo.

-Mas eu te amo Danny... Pensei que você soubesse isso. Eu te amo sim. E é por isso que eu fico com tanta raiva de você ter vergonha de namorar um cara, de namorar comigo.

-Eu não tenho vergonha – Seus olhos tomaram outra forma, e se encheram de lágrimas – Eu tenho medo.

Eu m levantei e o fiz levantar também. Então eu o puxei para mais perto, o abracei e juntei nossos lábios. Ele apertava mais o abraço, e eu correspondia.

-Não desiste de mim Tom, não agora.

-Eu não vou – Eu disse fechando meus olhos, com sua cabeça em seu ombro – Eu não vou...

E então eu tive certeza que eu tinha perdoado Danny pelo o que ele fez. E ver aquele hematoma se formando em volta de seu olho me dava a sensação que eu que teria que ser perdoado quando ele se olhasse no espelho.

Notas finais
Ai gente, continuem sendo lindos(as) deixando reviews me fazendo o escritor mais feliz do mundo *---*