Fall
15 Décimo Quinto Capítulo
Notas iniciais
POV do Harry, de novo.
E lá em cima estava ele, sentado de costas para nós – de frente para a cripta. Ele não tinha nos visto e não me viu, nem ouviu chegando até ele. Tom ficou alguns metros para trás, vestiu o capuz me assistiu chegar até Dougie.
Ele se assustou ao ouvir meus passos em sua direção e se virou. Seus olhos estavam muito vermelhos, seu rosto encharcado e seu rosto estava um pouco inchado. Eu olhei para trás dele, ele havia deixado uma pintura encostada na cripta.
-Como vocês... ? – Ele perguntou pasmo, um pouco desesperado enxugando o rosto. Eu o interrompi.
-Não importa agora. – Me joguei no chão em sua frente e o abracei com força. Ele voltou a chorar.
Eu tirei uma mão do abraço e apontei para Tom, o chamando até nós. Ele veio logo e abraçou Dougie também. O pequeno chorava em nossos ombros e nos abraçava com força. Eu dei um beijo em seu rosto, e Tom beijou do outro lado. Se eu estivesse assistindo a cena de fora, eu teria achado bem fofo...
Ficamos naquela posição por um bom tempo, ele chorava inconsolavelmente. Eu me esforçava para não deixar meus olhos transbordarem – Tom nem tentou. Eu afaguei o cabelo dos dois e tinha meus pensamentos vazios na cabeça. Senti uma tristeza mórbida dentro do meu peito. Então Dougie disse algo:
-Hoje faz um mês. – ele parou por um segundo, derramando um par de lágrimas – E eu tinha esquecido... – ele soluçou – A cerimônia foi de manhã... E eu não vim! – Com certeza, quando as palavras saiam pela boca, a dor no peito dele se triplicava. Falar dói às vezes.
Eu e Tom nos vimos sem saber o que fazer. Então ele começou a falar:
-Mas você está aqui agora Dougie... Isso que importa. – Eu não tinha pensado por esse lado, Tom era um gênio mesmo.
-Eu deveria estar aqui... – Ele sofria para falar, meu coração se rasgava ao vê-lo daquele jeito – Eu tinha que estar aqui... Mas eu dormi demais, eu me esqueci! – Ele derramava mais e mais lágrimas.
-Dougie, escuta – Eu comecei a falar – Você estava com ela quando ela podia estar com você. Eu tenho certeza que ela iria querer que você fosse feliz, que você superasse e seguisse em frente. Que você vivesse.
-Eu ia querer isso – Tom completou.
-Não! Vocês não... – Ele se agarrou em nós dois pelas blusas – Eu não suportaria...
Eu beijei Dougie e nós deitamos na grama, Tom foi junto e o abraçava por trás levemente, ele também estava chorando um pouco. Eu não sentia ciúmes algum, eu gostava da presença dele ali. E eu sabia que não era ali que seu coração estava.
Ficamos os três na grama por alguns minutos, até que a chuva começou a cair. Estava muito frio para ficar lá deitado, sentindo-a molhar cada parte da minha existência. Nos levantamos e andamos até o carro. Eu tinha o pequeno em meus braços enquanto caminhávamos no frio.
-Vai no banco de trás com ele, eu dirijo. – Tom mandou quando entravamos no carro. Eu assenti e obedeci.
Sentei de lado no banco e encostei minha cabeça no vidro do carro. Dougie se sentou entre minhas pernas, de costas para mim. Eu o abracei e o mantive contra mim a viagem inteira, senti que ele parava de chorar volte e meia, mas sempre voltava – Até que ele pegou no sono. Eu estiquei minha jaqueta um pouco mais e cobri o que pude dele.
O caminho de volta pareceu ser mais curto que o de ida. Chegamos em casa antes das nove. Tom abriu a porta enquanto eu carregava Dougie, que começava a acordar, para dentro de casa.
Ele subiu para tomar banho quando estava totalmente consciente. Fiquei preocupado dei deixa-lo sozinho, mas parecia ser o melhor a se fazer.
Me virei para Tom, e desabei em seus braços. O abracei com realmente muita força. Eu tinha meus olhos transbordados, sentia isso.
-Obrigado Tom... De verdade... Eu te amo pra caramba, você sabe disso. Nem sei como agradecer.
-Para com isso. Ok? Pode parar. – Ele me abraçou de novo, repousou a cabeça no meu ombro – Eu também te amo, Harry. Amo mesmo.
Eu e Dougie fomos dormir antes que Danny voltasse da faculdade. Eu tinha Dougie em meus braços, ele me dizia que estava bem, mas eu sentia seus soluços durante a noite. Eu me sentia tão mal por tudo aquilo. Se eu pudesse eu absorveria toda sua dor para mim.
Não sabia por que eu me sentia assim, eu não costumava me importar tanto com uma pessoa. Eu não poderia estar... ... ... Não, eu não poderia. Eu não queria, estar desse jeito. Ter somente um, ou uma. Ser de só um, ou uma. Eu nunca soube o que é isso. Eu não vou dizer que é... Amor. Eu nem sei o que é isso.
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