Fake Hiro
5 Capítulo 5
Na sala-de-estar da família Accelheart, Chrome está sentada no sofá tomando sorvete, quando Lily, que acabou de chegar da escola, entra e começa a espirrar.
—A-Atchiiim! Atchiiim! Sniff!
—Sabe, irmãzinha, que você tem um jeito bem peculiar de espirrar~? A cortesia comum quando se espirra, é cobrir o rosto e virar a cabeça em direção oposta às outras pessoas que estão na sala~ Já você, está jogando os braços para trás e espirrando bem na minha cara~~~
—Ugh... Chrome-nee? Nem tinha te visto aí. Acho que me acostumei com você deitada no sofá o dia todo. Na minha cabeça você já virou parte da mobília--- A-A-Atchiiim!
—...
Lily espirra mais uma vez em Chrome, que limpa a sua cara com as mãos, antes de voltar a falar.
—Ara~? Ara~ Ara~? Você está bem, minha pequena demoniazinha roxa~? Pegou um resfriado~? Eu achava que idiotas não ficavam resfriadas~~~
—Só uma idiota para reconhecer outra, não acha, hiki-neet—nee?
—...
—...
—Ah~ Você tem estado bem atrevidinha desde que a cerejinha foi embora, hein~~~~?
—Hehe, eu nunca conseguiria nem me comparar com o seu atrevimento, hiki-neet—nee. Morgan saiu não faz nem uma semana e você já está monopolizando o sofá, enquanto come um pote inteiro de sorvete, só usando suas roupas de baixo... Calma, da onde você tirou esse sorvete...? Ele se parece com os que Morgan costuma comprar, mas você não se daria ao trabalho de ir tão longe para comprar algo...
—Por que mencionar Morgan agora~? Você até parece estar insinuando que eu faria algo como secretamente pegar o sorvete da cerejinha, só porque foi viajar~
Lily percorre com seus olhos o pote de sorvete que a Chrome está segurando. Definitivamente havia uma etiqueta com o nome “Morgan” escrito lá.
Chrome percebe a direção do olhar de Lily, e segue com o seu. Ela empalidece após também perceber o nome na embalagem.
—Calma~ Calma~ Você não deveria perder o seu tempo se preocupando com tantos detalhes sem importância~~~
—Ghh! Devolve isso! Não é seu!
—Ahaha~ Não precisa ficar tão brava por tão pouco~~~
—Você sempre faz esse tipo de coisas! Só porque todo mundo te perdoa depois, não significa que você pode ficar tirando vantagem deles!
Lily tenta agarrar a Chrome, mas suas tentativas são frustradas pelos movimentos rápidos da irmã.
—Ahaha~
—Khh! Para de se mexer!
A mobilidade de Lily não podia se comparar com a evasão da Chrome. Mas sua técnica em analisar o oponente e prever os seus movimentos ficava mais próxima à de Morgan após cada dia de treino.
Finalmente, as mãos de Lily alcançam a Chrome...
—Ó~ Minha calcinha e meu sutiã~~~~ Nãooo~ Lily, sua pervertida~~~~
Mas ela só consegue segurar as roupas que a Chrome estava usando, antes que ela se desvencilhasse.
—Sua maldita---!
A fala de Lily é interrompida quando as duas levam um cascudo na cabeça, fazendo-as exclamar ao mesmo tempo.
—“Ai~” “Buhe!”
Muzet, que caminhava para a cozinha, percebeu a confusão que acontecia na sala-de-estar.
—O que as duas estão fazendo...?
Percebendo a chegada de Muzet, apesar de surpresa, Lily não pôde deixar de ficar um pouco feliz. Sendo que ela mesma costumava ser uma das causadoras de problemas da casa, a chegada de uma das figuras de autoridade da família normalmente a deixaria preocupada... Mas dessa vez, ela tinha a convicção de estar com a razão.
—Mu-nee! A Chrome está roubando as coisas dos outros de novo! E ela também está correndo pelada pela casa!
—Minha nossa~ Só estou pegando um pouco de sorvete emprestado da cerejinha, depois eu fecho o pote e devolvo o que sobrar~
—Isso seria ainda pior!
—Além disso, não estava nua até você me despir~~~
—Esses pedaços inúteis de pano nem contam como roupas de baixo decentes, muito menos como roupas!
As duas voltam a discutir, até serem interrompidas por Muzet mais uma vez.
—Já entendi o que aconteceu... Mas Lily, não é certo brigar com a sua família em nenhuma circunstância, entendeu...?
—Mas---!
—Hoho~ Bem feito~
—E Chrome...! Você sabe muito bem como que a Lily fica quando fazem algo com Morgan…! Então peça desculpas...! E você também tem que parar com o seu habito de pegar as coisas dos outros sem pedir...!
—Mas é só um sorvetinho~
Muzet encara Chrome.
—T-tá bom... Discwupaa~
—Hehe, bem feito para você!
—Não se preocupe, Lily, vou descontar isso da mesada da Chrome e comprar um novo sorvete para Morgan...
—Pera, o que???
—Hehe, bem feito, bem feito!
—Agora, Lily, devolva as roupas da Chrome e se desculpe também. Depois venha para a cozinha para me ajudar a preparar o almoço... Lily...?
Muzet vira em direção a Lily, mas percebe que foi deixada falando apenas com o ar.
—Hmmm...? Para onde a Lily foi...? Ela conseguiu escapar sem eu nem mesmo perceber… Morgan realmente ensinou tudo para ela… Bom, mas já que é assim, então você pode vir no lugar dela, Chrome...
Muzet se vira de volta em direção a Chrome, mas apenas percebe que ela escapou pela janela e agora está correndo ao longe, pelada.
—...
...
...
...
No telhado da casa dos Accelhearts.
—A-Atchiiim!
—Ugh, Li! Por favor, cubra a sua boca quando for espirrar! Além disso, o que você está fazendo aqui no meu jardim? Você odeia vir para cá.
—Hehe, até que eu gostei da redecoração que você fez por aqui, ficou parecendo com um deserto agora, não acha? A-ah, não precisa me encarar desse jeito... Só estou me escondendo por um tempo, para a Mu-nee não me encontrar...
—Mas o que é que você fez dessa vez---?
—A-atchim! Atchiiim!
Lo fica coberta por meleca...
—Ugh! Por que você está espirrando tanto!? Você nem parece estar doente!
—Sniff! Não tenho certeza, mas acho que alguém desagradável chegou perto de Morgan...
—Hã? Você quer dizer alguém perigoso?
Lo se levanta, preocupada, afinal de contas sua irmã possui o dom da clarividência, que a permite perceber acontecimentos ao longe, de vez em quando.
—Mhmmm... Não, não foi isso que eu quis dizer. Não tem ninguém poderoso o suficiente para pôr Morgan em perigo!
—Sei...
—Talvez... Perigoso para mim…?
—Hã? Como assim?
—Quero dizer, um tipo diferente de sentimento de perigo… Não sei explicar direito… Hmmm…
—Diferente como, Li?
—Hmmm... Ah! Já sei! É tipo o que eu sinto quando aquela garota desagradável vem visitar!
—Garota desagradável...? Você quer dizer a Linda?
—Sim, sim! Tenho quase certeza de que esse era o nome dela!
—É mesmo...?
Lo percebe a falta de qualquer tipo de urgência na situação, e se ajoelha para voltar a se concentrar no trabalho de reconstrução do seu jardim...
—Sim! Exatamente o mesmo sentimento, mas a diferença é que eu não estou lá agora!
—(Haa... Me pergunto quanto tempo mais a Tsubaki-nee e a mãe vermelha vão demorar para voltar... Só comprar uns sacos de terra não deveria demorar tanto tempo, afinal de contas a mãe consegue usar magias de teletransporte... Ou melhor dizendo, foi ela mesma que inventou elas, então não deveria ter nenhum problema quanto a isso... Será que teve algum problema com as encomendas que eu fiz na loja...? Espera, não seria mais provável---? Será que elas estão tentando fugir!? É bom que elas não estejam!)
Lily continua a conversa, sem perceber que sua irmã está perdida nos próprios pensamentos.
—Mm hmm... (Vou esperar só por mais quinze minutos...)
—Exatamente o mesmo...
Lily também se perde nos próprios pensamentos.
—...
—...
...
O silêncio perdura até que Lily finalmente solta uma exclamação e sai rapidamente.
—Vou conversar com a mamãe!
—Não acho que ela vai te teletransportar só por causa disso, Li... Mas se você se encontrar com ela, por favor diga para ela vir para cá o quanto antes.
Lily, que já está descendo as escadas, grita de volta.
—Tenho certeza de que vai dar certo de algum jeito!
—Haa... Essa Lily tem esses poderes de clarividência só para as coisas mais inúteis...
—Fufu, mas eu acho que eles são bem úteis para ela.
Lo é surpreendida por uma voz familiar vindo de suas costas.
—Tsubaki-nee, você voltou! Mas cadê a mãe? E por que você está tão machucada!?
—Fufu, no final, apenas os fracos precisam ser sacrificados...
—A-acho que o seu ombro está em uma posição estranha! Não está doendo!?
*Crack!* O ombro de Tsubaki estala enquanto ela o ajeita de volta a posição original.
—Fufu, estou bem, esse tanto não é nada.
—E cadê a mãe?
—Fufu, no final, apenas os fracos precisam ser sacrificados...
—...
—...
—E cadê os sacos de terra que eu tinha encomendado?
—Fufu, ah, é mesmo. Então era por isso que nós tínhamos saído, é?
—!!!
—... Desculpa, vou buscar eles agora…
—NÓS vamos, JUNTAS dessa vez. Por favor, só me ajude a carregá-los, Tsubaki.
—F-fufu, ok...
...
...
...
Em um dos centros de pesquisas da cidade acadêmica, Morgan conversa com o coordenador dos pesquisadores.
—Que bom que você está bem depois do acidente mais cedo, Morgan… Também estou agradecido que você tenha vindo aqui para ajudar com as pesquisas… Mas por que você decidiu vir agora? Não foi você quem disse que analisar as diferenças entre a magia dos monstas e dos humas não te interessava, quando recusou a nossa proposta de trabalhar conosco?
—Não é que eu não pense que o tema seja interessante, é só que eu achei que era um objeto de pesquisa especializado demais, e que ainda temos que estudar melhor os aspectos mais gerais da biologia dos monstas antes de nos aprofundarmos mais nesse assunto.
—Mas você tem que levar em conta a aplicabilidade mais imediata dos resultados---
—E você tem que considerar a aplicabilidade a longo prazo. Não pode esperar que um ponto de vista tão limitado---
—Tudo bem, tudo bem, já entendi, nós já tivemos essa discussão antes... Melhor encerrarmos por aqui.
—De acordo. Foi por esse motivo que concordamos que vocês continuariam com suas pesquisas aqui, enquanto eu vou ir fazer as minhas. Talvez algum dia consigamos trabalhar juntos em um bom projeto, com as nossas descobertas.
—Haha, não me deixe esperando demais! Então, você veio aqui para checar o nosso progresso?
—Bom... Sim, eu estava planejando fazer isso mesmo. Eu estou viajando para o continente dos monstas, e como tinha que passar por aqui no caminho de qualquer jeito, tinha planejado fazer uma visita.
—Que bom! Nós temos tanto para mostrar de novo desde a última vez em que você veio aqui! Por exemplo, sabe como não tínhamos ideia sobre como que os vampiros conseguiam repor a sua mana ao tomarem sangue? Nós descobrimos traços de uma estrutura mágica em seus dentes e na composição celular dos tecidos de seus órgãos digestórios, que podem indicar alguma forma de mecanismo de drenagem de magia!
—Wow! Sério!?
—Venha! Vou te levar para a equipe que supervisiona o projeto, para que descrevam os detalhes! Ah, mas por favor não se incomode se eles parecerem meio abatidos... Afinal de contas, aquela ameaça da Religias foi um balde de água fria... Ainda assim, tenho certeza de que conseguiremos dar um jeito...
—Ah, então, sobre isso... Eu queria poder ajudar, mas infelizmente apareceu um assunto urgente que eu tenho que resolver, e vou ter que deixar a cidade já hoje de noite...
—Clak clak clak! (Sim, e por que você também não explica para ele como você só veio para cá agora para poder se esconder daquelas duas apóstolas malucas? E também que vamos ter que fugir na calada da noite para que não nos encontrem...)
—(Cala a boca sua esqueleto estupida, quem você acha que foi a causa de tudo isso!? O que você acha que vão pensar se alguém que consiga te entender ouvir isso!?)
—Clak clak clak! (Você consegue me entender, mas parece estar fazendo pouco caso sobre o assunto... Que morais corrompidas... Além disso, não fui eu quem nocauteou as duas e depois teve a ideia de fugir para se livrar das evidências...)
—S-sua---!
—Algum problema?
O coordenador pergunta para Morgan, que havia começado a gritar no meio do corredor, do nada.
—Ah... Não, não, sem problemas… Então, pode os levar para a equipe de pesquisas sobre as estruturas mágicas inerentes aos monstas?
—É mesmo? Então tudo bem, me sigam. Mas eu nunca deixo de me impressionar sobre como você consegue entender a linguagem dos esqueletos, Morgan! Honestamente, para mim sempre parece que eles estão fazendo os mesmos sons o tempo todo...
—Bom, eu já tive de conviver com ela (“Esse saco de ossos inútil!”, Morgan cochicha para a Violeta, enquanto a cutuca com seu cotovelo) por catorze anos agora... No começo, eu estudei a linguagem em alguns livros que a minha mãe tinha, mas acho que o resto veio naturalmente com a convivência...
—Clak clak clak! (Urgh, catorze anos já? Você tá envelhecendo hein? E quem é que você está chamando de inútil!? Você fica aí se passando por gente boa, mas no fundo é só uma pessoa glutona, e ainda pior, vigarista que engana todo mundo! Se você pudesse só fechar a sua boca, e remover a sua pele, carne e órgãos, ai sim ficaria bom!)
Violeta responde, enquanto usa o cotovelo para cutucar entre as costelas de Morgan.
—Quer dizer, se eu morresse...?
—Clak clak clak! (Pirou de vez!? Está tentando fugir da responsabilidade, é!? Quem você acha que vai cuidar do nosso futuro filho se você morrer, hein!? Humas não podem ser tão fracos a ponto de que morreriam se só sobrassem os ossos!) -Com certeza, se tem alguém que pirou aqui nessa conversa, não fui eu...
—Ahaha... Vocês estão tendo uma discussão? É um momento ruim para levar vocês para conhecerem a equipe?
—Não, somos sempre assim. Podemos ir.
—Clak clak clak! (Hmph!)
—O-ok...
…
…
…
No laboratório de pesquisas, um dos membros da equipe fazia uma explicação detalhada para Morgan.
—(...) E então, ao analisarmos os tecidos das súcubos, detectamos que elas têm uma composição de estruturas mágicas similar à dos vampiros. Mas a delas é ainda mais complexa. Os seus sistemas reprodutivos podem alternar entre as suas funções comuns, e digerir e consumir certos fluidos transformando-os em mana, mas ainda não conseguimos entender como que elas fazem para alternar entre as funções... Algumas das voluntárias, que já passaram por processos de gravidez, tentaram fornecer explicações, mas as descrições variaram completamente, desde: “tem que ser um gato”, “alguém gentil”, “ele tem que saber fazer direito”; até “tem que doer”; e “fezes”. Então ainda estamos tentando entender...
Morgan então responde ao membro da equipe.
—É... Uma vez eu perguntei a senhora Mono sobre isso, e a resposta dela realmente deixou claro que que a drenagem das súcubos fica sujeita a sentimentos completamente subjetivos quanto aos seus parceiros... Eu tentei avisar a minha irmã Chrome, mas ela riu da minha cara... Honestamente, o sistema dos vampiros parece ser bem mais fácil de entender... Também acho que ele é melhor para ser usado como objeto de pesquisa inicialmente...
Então outro membro da equipe rebate acaloradamente.
—Haha, melhor? E quanto a teoria de Azarius, de que os vampiros são só uma ramificação falha das súcubos, e por isso não conseguem absorver a alma das vítimas---!?
Outro pesquisador diz.
—Azarius? Ele nunca fez pesquisas com nenhum monstas vivo, apenas necropsias durante a guerra...
Outro pesquisador também se manifesta.
—Há vários relatos sobre ele ter sido um necrófilo...
O membro da equipe continua sua fala acaloradamente, mesmo após a interrupção.
—Nós ainda não conseguimos descobrir como que as súcubos são capazes de fazer isso... Morgan, com toda a experiência que ela já teve, você não consegue perguntar para a Mono, a alma negra---
Ao ouvir o termo “alma negra”, a expressão de Morgan se fecha imediatamente.
A pessoa continua discursando acaloradamente por alguns momentos, antes de finalmente perceber a forma como Morgan a está encarando, e então se cala.
O coordenador das pesquisas volta a falar.
—Desculpa Morgan, a Paula fica bem, hã, intensa quando esse assunto aparece, mas ela não queria insultar ninguém...
—...
—Mudando um pouco de assunto... Graças as amostras de pelagem de raposa de nove caudas que você nos deu, também detectamos uma outra estrutura mágica, que anula parcialmente outras magias com as quais ela entra em contato. Isso explicaria as suas altas resistências mágicas...
Morgan finalmente responde.
—Então, em conclusão, monstas herdam características físicas que naturalmente fazem uso de estruturas mágicas...
—Exatamente! Isso é bem similar aos nossos santos, não é mesmo? Talvez possamos entender os motivos pelos quais nos nossos casos eles aparecem como mutações aleatórias, enquanto que os monstas conseguem replicá-las para as próximas gerações... E por que será que não existem santos entre os monstas?
—Talvez existam, como casos mais raros ou menos perceptíveis. Mas ainda assim, nem sabemos porque os monstas geram apenas monstas do mesmo tipo ao se reproduzirem... Ou se existem exceções...
—Mas isso tangenciaria demais de nossa área de pesquisa...
—Não significa que vocês não precisem da informação para poderem se aprofundar mais.
...
—Hahaha! Ok então, Morgan, contamos com você para isso.
—Heh, pode deixar. Agora, que outras áreas podemos ver? Ainda temos tempo... Ou melhor, como vocês fazem na hora do jantar por aqui---?
Nesse momento, barulhos altos começam a ser escutados, aparentemente vindo da direção da entrada do prédio.
Um acadêmico aleatório corre para dentro da sala.
—Chefe Fausto! É uma emergência! O pessoal da Religias está de volta, e dessa vez parece que vieram executar a ordem! Elas estão tentando nos forçar a fechar o centro de pesquisas imediatamente!
—O que você disse!? Mas mais cedo elas disseram que ainda teríamos uma semana! Isso é cedo demais! Ainda não tivemos como preparar nossa defesa, acabamos de enviar cartas para os nossos simpatizantes do governo, mas não tem como conseguirmos uma resposta tão rápido!
Morgan, fingindo não ter nada a ver com a situação, então responde.
—Nossa, a aleatoriedade com que esse pessoal da Religias muda de ideia nunca deixa de me impressionar... Vamos, Violeta, melhor partirmos para não distrairmos os acadêmicos enquanto pensam em uma solução. Agradeço por sua hospitalidade, e espero que possamos nos encontrar logo, em melhores condições.
—Clak clak clak! (Ei, ei, Morgan Accel-vigarista, não acha que está tomando rápido demais a decisão de fugir daqui? Afinal de contas, tenho quase certeza de que a razão para adiantarem o limite de tempo foi porque---)
O coordenador volta a inquirir o pesquisador que entrou na sala.
—Que diabos aconteceu para que mudassem de opinião tão rápido!?
—Não tenho certeza, chefe! Disseram algo sobre estarem sob ataque de forças inimigas, que estavam tentando atrapalhar a missão... Então decidiram que iriam entrar no prédio e, que deveríamos encerrar as pesquisas imediatamente! Agora todo mundo está tentando pará-las na entrada! M-mas se elas ficarem sérias---!!!
—Clak clak clak! (Hue hue hue, se você não achar uma porta dos fundos, Morgan, melhor começar a lavar o pescoço... Se os acadêmicos não te matarem se descobrirem o que você fez, então vai ser aquela velha de roupas estranhas que vai cortar sua cabeça em um corte só. Mas não se preocupe, depois eu ajeito ela de volta direitinho, kukuku)
—O-o que devemos fazer agora!? Tem que ter um jeito---!!! Não podemos perder todas as nossas pesquisas, tanto monstas como humas estão contando conosco!!!
—Rapidinho só uma pergunta...
Morgan interrompe a discussão.
—Os banheiros têm janelas?
—? Não Morgan, como lidamos com várias substâncias, todo o sistema de ventilação é manejado internamente por equipamentos mágicos que padronizam a qualidade do ar. É por isso mesmo que também só temos uma entrada, que higieniza as pessoas ao entrarem e saírem do prédio.
—... E o tamanho dos dutos que ligam as salas com esse equipamento...?
—Uns vinte centímetros de diâmetro, se não me engano. Por que?
— Tá bom, não tem outro jeito...
Morgan dá um passo para frente.
—Hã? O que foi, Morgan?
—Vou dar um jeito nessa situação.
—Que? Sério, Morgan!? Mas como…?
—Vou ter uma conversa com elas. Isso pode não ter nada a ver comigo pessoalmente, mas como alguém que compartilha os mesmos ideais, não posso deixar algo assim acontecer!
—Clak clak clak! (Nossa, do jeito que você falou, até parece que a culpa não foi sua! Como esperado de alguém que só sabe mentir compulsoriamente! A minha única pergunta é por que que você sempre só decide assumir a responsabilidade quando as coisas chegam no pior grau?)
—(Cala a boca seu amontoado de cálcio! Eu estou fazendo isso justamente para evitar a pior situação! Agora que as coisas chegaram nesse ponto, se eu não der um jeito imediatamente, depois vai chegar uma hora em que todos vão começar a procurar o culpado, e se conseguirem chegar em mim, daí vai ser impossível inventar uma desculpa!)
—Clak clak clak! (Uah, que baixo… Você teria perdido meu respeito agora, se já não estivesse no negativo…)
—(Isso seria muito mais convincente, se você não estivesse rindo do desespero dos pesquisadores...)
—Clak clak clak! (Nunca disse que fazíamos um par ruim, lol)
...
...
...
Na entrada do centro de pesquisas, Linda e Erika estavam no meio de uma confusão com os acadêmicos.
—Saiam do caminho, AGORA! Esse é o meu último aviso!
—Por favor, movam-se! A senhora Erika está falando sério!
Morgan então aparece na entrada.
—Morgan! Era aqui que você estava!
—O-oi, Linda, tudo bem?
—S-sim, estou bem! Quero dizer não, precisa se preocupar mais comigo!
—Hã, quer dizer, “não precisa se preocupar mais comigo”?
—I-isso não importa agora! Você tem que ficar mais perto de mim, Morgan, vou te proteger! Você também pode estar em perigo, já que estava na cena!
—É-é, não sei se isso iria funcionar...
Erika se aproxima de Morgan.
—Então você era o garoto que estava conosco quando tudo aconteceu!
Morgan, Violeta e Linda respondem ao mesmo tempo.
—Hã!? Eu não---
—Clak clak clak! (Essa mulher é louca…)
—Senhora Erika, na verdade---
Mas Erika não quer perder tempo.
—Rápido! Diga o que aconteceu!
—Clak clak clak! (Que seja, Morgan, só ande logo e cave a sua própria cova!)
Linda se vira novamente em direção a Morgan.
—Hã, é... Como se trata de uma questão de vida ou morte, acho que isso tem prioridade... Morgan, mesmo depois que você me disse para ter cuidado, eu ainda acabei ficando inconsciente sem perceber… Você deve ter visto o que aconteceu, já que nos salvou depois, não é mesmo? Poderia nos dizer o que aconteceu?
—(Os olhos sinceros da Linda machucam um pouco…) S-sim, é verdade que eu vi tudo o que aconteceu...
...
—...
—Então? O que aconteceu?
—Não me apressa! Estou só organizando os pensamentos, para contar a história de um jeito fácil de entender!
—O-ok...
...
—...
Erika perde a paciência e levanta Morgan pelo colarinho.
—Ei, ei, tá de brincadeira!? Eu não tenho o dia todo, anda logo!
—Ok, ok, não precisa se estressar tanto. Já organizei tudo.
Erika relutantemente põe Morgan de volta ao chão.
—Então?
—Do que você se lembra, Linda?
—Hã? Eu? Bom… Eu lembro que estávamos tendo uma ótima conversa, quando uns barulhos altos vindos do corredor nos interromperam. Então me lembro de que você correu para abrir a porta, e então eu ouvi um alto “Bump!”---
—C-caham!
—Hã? O que foi, Morgan?
—N-nada não! Por favor, continue, Linda!
—Bom... Depois disso, ouvi você gritando com a esqueleto, e quando eu fui ver, encontrei a senhora Erika desmaiada no chão. Então, imediatamente você fez uma cara assustada e me mandou tomar cuidado. Mas enquanto eu tentava entender a situação, fui atingida por algo e desmaiei também...
—Hmmm, entendo, entendo... E quanto a você, senhora Erika, poderia me dizer do que se lembra?
—Por que estamos perdendo tempo com isso!? Só ande logo e nos diga o que VOCÊ sabe!
—O que você quer dizer, senhora Erika? Como vamos conseguir alcançar a verdade, se não tivermos acesso a todos os fatos? É essencial que nós compartilhemos as informações antes de tomarmos quaisquer posições sobre o assunto!
-Mas eu e a linda já conversamos entre nós, e agora só precisamos saber sobre o que você sabe! E de qualquer jeito, por que que eu deveria falar antes de você!?
—(Só me diz logo o que você sabe, para que não contradiga o que eu vou inventar!) Senhora Erika. Nós só vamos perder tempo com a discussão que vamos ter aqui. Nos diga logo o que você sabe para que possamos acabar com isso e seguir em frente.
—Por que você não pode falar antes, então!?
—Senhora Erika, por favor não seja tão teimosa! O que você acha que vai acontecer com o respeito que a Linda tem por você, se ela ver que você está sendo menos madura do que alguém com menos da metade de sua idade!?
—Ugh! Eu sinto como se devesse estar brava pela forma que você fraseou isso, especialmente pela última parte... Mas consegui entender o que você quis dizer... Tudo bem! Vou mostrar para vocês, crianças, como um adulto responsável deve agir!
—Clak clak clak! (Ei, ei, por que é que você está sendo enganada por essas mentiras deslavadas!? Todo mundo aqui já é de maior, não tem nada a ver com maturidade! Não caia na lábia de---)
—(Cala a boca, Violeta, esqueceu que a culpa disso tudo é sua!?)
—Clak clak clak! (Hipócrita! Vai colocar toda a culpa por isso em mim, mesmo?!)
—Hã!? O que é que essa criatura horrorosa está dizendo?
—(Fica quieta, senão você vai arranjar briga com ela de novo!) N-não é nada, senhora Erika, por favor prossiga.
—Bom... Não me lembro de nada demais. Eu apenas estava interrogando esse esqueleto suspeito sobre o que estava fazendo vadiando na frente de nosso quarto... Quando de repente ouvi o barulho de uma porta se abrindo e senti uma dor intensa em minha cabeça...
—C-caham!
Linda olha para Morgan suspeitando de algo.
—… A próxima coisa da qual me lembro, eu já estava deitada no sofá em nosso quarto.
—Valeu, senhora Erika, agora eu entendi completamente o que aconteceu, e posso dar a solução do caso.
—H-hmmm, ok... (Ei, Linda, por que essa pessoa está agindo de forma tão suspeita?)
—(Ah, bom, Morgan demonstra certa agressividade e tenta impor suas opiniões, além de também gostar de falar bastante e se exibir. E na maioria das vezes, não sabemos nem aonde quer chegar até terminar de falar. É mais fácil só acenar com a cabeça até entender onde está querendo chegar...)
-(Entendo... Conheço uma outra pessoa assim...)
—Então, pelo que eu me lembro, eu tinha acabado de acordar e estava tendo uma conversa com a Linda, quando ouvimos uma discussão fora do quarto. Quando eu fui ver, eu abri a porta e ouvi um alto “Bump!”---
Linda solta um “Ah!”, e faz uma cara como se finalmente tivesse percebido algo, enquanto olha para Morgan.
—...
Erika perde a paciência mais uma vez e pergunta.
—Sim, e então, o que aconteceu!?
—É, Morgan, o que aconteceu? Por algum acaso não foi você quem---?
—Ca-caham! N-na hora eu até pensei que poderia ter sido eu quem acertou a senhora Erika com a porta, mas ela já estava no chão quando eu a vi, além disso, não tem como uma simples porta causar tanto dano a alguém da magnitude dela!
Erika responde sem sombra de dúvidas.
—Obviamente!
—E-eu não tenho tanta certeza, quero dizer, a senhora Erika foi pega de surpresa, então não deve ter tido tempo de conjurar sua armadura mágica, e Morgan tem braços fortes e definidos---
Morgan interrompe a Linda, para que ela não tenha tempo de continuar com essa linha de pensamento.
—Mas eu certamente senti a porta batendo com algo!!! E foi então que eu percebi---!
—!!! Percebeu o que!?
—Percebi---
—Clak clak clak! (É, Morgan, percebeu o que? O quanto você ferrou com tudo, tanto antes como agora com essa explicação ruim?)
—Percebi...
—Que se você se desculpar e contar a verdade agora, pode evitar que esse incidente fique ainda pior?
Linda complementa.
...
—Um ninja?
As três respondem em uníssono.
—“Um ninja!?” “Clak clak clak! (Um ninja!?)”
—Um ninja! Antigos espiões e assassinos, que vivem secretamente, escondidos nas sombras! Eles usam máscaras e roupas totalmente negras, além de usarem bandanas para identificarem seus clãs! Esse estava usando uma bandana da vila oculta da folha seca! Quando eu abri a porta, acertou direto na cara desse ninja, que tinha acabado de imobilizar a senhora Erika!
Ao que as três respondem juntas, de novo.
—“Por que um ninja atacaria a mim/ela!?” “Clak clak clak! (Um ninja!?)”
—Eu ia tentar capturar e interrogar ele, mas ele desapareceu do nada! Foi então que a Linda entrou no corredor, e eu percebi uma gota de sangue caindo por trás dela. O ninja estava escondido no teto, e o seu nariz estava sangrando por causa da portada! Eu a avisei para tomar cuidado, mas foi tarde demais, e ela também foi nocauteada... Mas dessa vez eu consegui engajar ele em uma luta! E enquanto eu estava batendo nele, ele confessou que estava atrás de...
—Atrás do que!?
—Sim, Morgan, do que ele estava atrás que era tão importante a ponto de atacar dois membros do alto escalão da Religias!? Algo que poderia levar a sérios problemas políticos com ditos ninjas e outras pessoas envolvidas, caso por alguma coincidência tal vila acabe existindo de verdade! Problemas que não vão ser resolvidos por um simples espancamento quase-até-a-morte pela senhora Erika agora, como seria o caso com um simples pedido de desculpas!
—Clak clak clak! (Um ninja!?)
—E-eu sabia que ia ter um espancamento---! Q-quero dizer! Ele estava atrás de---!
...
—O que foi!? Pare de enrolar! Ou será que você está mesmo mentin---
—Ele estava atrás das roupas da senhora Erika!!!
—As roupas dela!? Não tem nenhum motivo possível para alguém querer---
—Clak clak clak! (Não sei como o ninja passou, mas ninguém vai acreditar nisso agora, idiota!!!)
—Minhas roupas!? Como aquele ninja desgraçado ousa!? Para onde ele foi!? Vou exterminá-lo eu mesma!!!
—(Ufa! Uau... Desculpa ninjas, espero que vocês não existam de verdade...) Infelizmente, por causa dessa situação surpreendente, eu baixei a guarda por um momento e ele usou a oportunidade para fugir pela janela. Eu só fui atrás dele depois de cuidar de vocês, e confirmar que não tinham mais outros, hã, ninjas por perto, mas não fui capaz de alcançá-lo. Ele estava bem machucado, e acho que com medo, então não deve voltar por um tempo... Já que ele foi embora, acho que vocês não precisam fechar o centro de pesquisas imediatamente---
—Alguém tão poderoso assim atrás do meu vestido! Eu não posso deixá-lo fugir! Linda!
—S-sim, senhora Erika!
—Termine a missão! Eu vou atrás dele!
—Clak clak clak! (O que essa velha idiota tá fazeeendooo??? Para! Não é obvio que Morgan está mentindo!? Um ninja que quer as suas roupas feias!? Como que alguém poderia acreditar nisso???)
—Hã!? E-espere, senhora Erika! Você não pode abandonar a missão para ir atrás de um suposto ninja!!! Para falar a verdade, tenho quase certeza de que Morgan está inven---
Morgan coloca um braço envolta dos ombros da Linda.
—Não se preocupe, senhora Erika! Minha amiga Linda é uma funcionaria bem capaz! Séria e trabalhadora, tenho certeza de que ela vai ser capaz de resolver qualquer problema que apareça por aqui! Além disso, nós vamos estar aqui para ajudá-la caso precise de qualquer coisa! Trabalhamos super bem em equipe, sempre fazíamos os projetos da escola em grupo. Não é mesmo, Linda!?
—É mesmo!? Conto com vocês então, Linda e Morgan!
—Clak clak clak! (Ei, ei, representante de classe! Você não pode deixar Morgan sair livre depois dessas mentiras deslavadas! Diga algo!)
Linda parece murmurar algo, enquanto olha para baixo.
—Perto demais... Você está perto demais, Morgan! Posso sentir seu calor em meus ombros e lado! Ahhh... Seu cheirinho é t-tão booom... E sua cara está tão próxima que posso sentir a sua respiração na minha nuca... Huehuehue
Linda começa a babar.
Violeta cobre a cara com a mão.
—Clak clak clak! (Que droga, sua estudante de honra pervertida de armário, inútil!!!)
Erika corre em direção ao horizonte.
—Clak clak clak! (Idiotas!!!)
—Depois vamos ter uma conversinha, Violeta. Ahhh… Mas essa passou perto, achei que ia dar ruim por um momento… Agora podemos continuar na cidade por mais um tempo, como planejado. Ah, verdade, já ia esquecendo. Ei, Linda, então você não vai ter que fechar o centro de pesquisas agora certo? O prazo ainda está para daqui uma semana?
Linda continua a murmurar.
—Ahhhh... Cada palavra reverbera nos meus ouvidos...
Morgan se aproxima para olhar nos olhos dela.
—Linda, está ouvindo?
—Ahhh!
Linda empurra Morgan para longe.
—Ah! Usando essas técnicas baixas para atrapalhar o meu trabalho! Não interprete mal Morgan, isso não tem nada a ver com aquilo!!!
—Hã? Por que ficou nervosa? Do que é que você está falando...?
—Urgh! Idiota de cabeça dura! Que seja! O que eu quis dizer é que a nossa relação não tem nada a ver com o meu trabalho! Então mesmo que eu não faça as pesquisas se encerrarem agora, eles só vão ter uma semana de prazo! Não vai dar para fazer nada até lá de qualquer jeito!
—Quer apostar? Mas não se esqueça de que você não venceu nenhuma de nossas competições até hoje! Haha, mas é bom ver que você está ficando animada.
—Urgh! Agora eu sou diferente, Morgan. Não vou perder, mesmo que você queira transformar isso em outra competição! Além disso, eu nunca perdi em nada relacionado com magia...
—M-magia não conta! D-de qualquer forma, vamos ver como você se sai dessa vez!
—Clak clak clak! (Tá, tá, já acabaram? Podemos deixar logo ela ir trabalhar e sairmos para passear? Não está com fome, Morgan?)
—É, acho que já está na hora de irmos. Mas antes disso, ei, Linda, posso ver a notificação da Religias por um momento?
—Hmmm... Tudo bem, para podermos ter uma competição justa.
Morgan lê o documento.
“O Reino de Rosewald (...) blá blá blá...
Por ordem e autoridade da família real (...) blá blá blá...
Levando em consideração os melhores interesses do povo e (...) blá blá blá...
Blá blá blá...
(...) O ‘Departamento de mana para pesquisa conjunta entre monstas e humas’ deve encerrar suas atividades imediatamente (...) blá blá blá”
—Ok, valeu.
Morgan devolve o documento.
—Hã? Só isso? Não leu meio rápido demais?
—Hã? Não, já resolvi o problema. Vamos jantar então, Violeta. Podemos visitar um ponto turístico ainda hoje, e amanhã passeamos mais.
—Hoeeee??? C-como assim “já resolvi o problema”!?
—Hmmm... Acho que não vai causar problemas para você, Linda. Sinceramente não é culpa sua, é culpa do pessoal que mandou oficializar essa ordem desse jeito. Vamos comer, Violeta. E acho que você também deve estar ocupada com outros trabalhos da Religias para fazer na cidade, não é Linda? Não queremos te atrapalhar, então te vemos mais tarde, até mais.
—Pera! Hã? Queee???
Morgan e Violeta começam a ir embora.
—Esperaaa! Então pelo menos deixa eu ir jantar junto! Já que você fez a senhora Erika ir embora, fiquei sozinha aqui! Ah! E não quer vir para o meu quarto, para colocarmos a conversa em dia? E depois... Ufufufu...
E então, a Linda vai junto da dupla que cometeu o crime perfeito...
...
...
...
Dentro da vila oculta da folha seca.
Um mestre e seu estudante que havia acabado de se graduar estavam meditando, uma forma de comemoração em memória dos dias de treino.
Após esse dia, o estudante finalmente poderia participar em missões fora da vila. Para os ninjas, esse era considerado como um rito de passagem para a vida adulta.
É um momento de silêncio e paz, para que se lembrem do passado, analisem o presente e pensem sobre o futuro.
Pode-se dizer que tal rito de passagem é---
—Ugyaaaaaahhhh!!!
Um grito ensurdecedor quebra o silêncio, enquanto o mestre cai para trás.
—Caramba! Qual o problema, Mestre!? Você está bem!?
—Gorou!
O mestre levanta sua mão, procurando por alguém.
—Gorou!
Com uma de suas mãos, Gorou segura a mão do mestre, enquanto que usa a outra como um travesseiro, para tirar a cabeça dele do chão.
—Estou aqui, Mestre! Estou aqui! Qual o problema!? Você teve mais uma visão!?
—Você deve ter cuidado, Gorou! Muito cuidado ao sair da Vila! Em minhas visões, vi um destino muito perigoso avançando em sua direção!!! Cuidado com a guerreira de cores estranhas!!!
—Q-que guerreira de cores estranhas!? Por que motivo, Mestre!?
—Eu não sei... Eu não sei, mas o destino segue seu curso como um rio e não temos outra opção além de seguirmos o seu fluxo... Mas lembre-se, “cuidado com a guerreira de cores estranhas”! Quando a hora chegar, apenas você pode decidir se a curva vai te quebrar ao meio ou fortalecer o seu espirito!
—Sim, Mestre!
—Esse deve ser um desafio, criado pelo destino, apenas aos merecedores! Nunca perca sua determinação, Gorou!
...
...
...
Em um restaurante na cidade acadêmica.
—A-atchiim!!! Sniff!
—Clak clak clak! (Oh, isso é raro, Morgan. Achei que idiotas não pegassem resfriado fora do verão)
Morgan permanece em silêncio, e apenas dá um mata leão na Violeta.
—Morgan, está doente? Se quiser posso te preparar uma canja, no meu quarto...
—Não, não, estou bem. Acho que só espirrei porque devia ter alguém falando sobre mim, haha.
—Clak clak clak! (Se tivesse, tenho certeza de que estavam falando mal! Hue hue hue!)
*Crack!*
Diário de Monstros, por Morgan Accelheart
As Sete Espadas do Destino
Por todo o mundo, existem diferentes objetos embutidos de magia, que possuem grandes quantidades de poder.
Dentre esses objetos, existem itens ainda mais raros, chamados de “Aesir”, que são capazes de escolher seus próprios donos. Com maiores restrições para o seu uso, eles possuam ainda mais poder do que os objetos comuns.
E finalmente, dentre os Aesir, existem as Sete Espadas do Destino, que têm, como diria a Violeta, poderes capazes de “mudar o jogo”. Realmente, além de serem indestrutíveis, com a exceção de uma, diz-se que cada uma delas possui poder suficiente para ser capaz de mudar o mundo como o conhecemos.
Elas são:
—A Espada do Hiro, ou Astra. Uma espada que apenas pode ser utilizada por hiros, aqueles que derrotaram o líder supremo dos monstas. Atualmente está sob a posse de meu pai, a única pessoa capaz de usá-la no momento. Uma vez tentei usá-la para praticar, mas não consegui movê-la nem um milímetro do chão. Não tenho certeza se foi por falta de força ou porque a espada não me deu reconhecimento.
Supostamente, o poder da espada está em, além de ser indestrutível por meios conhecidos assim como as outras, ser capaz de deixar o usuário quase imortal com seus efeitos de cura. Variando desde uma proteção contra o envelhecimento, cura de feridas e imunidade contra venenos; até o ponto de impedir o esgotamento de sua resistência física e substituir a necessidade de consumir bebidas ou alimentos. Não seria de muita ajuda para alguém que pudesse ser obliterado imediatamente em um único ataque, mas fornece uma grande vantagem para um hiro experiente, especialmente em batalhas longas. Isso faz o título de meu pai como o mais forte do mundo claramente indisputável.
—Mystletainn. Um dos tesouros da Religias, atualmente sob a posse de minha amiga Linda. Os requerimentos para que ela escolha um dono não são claros. Eu ainda não tive a oportunidade de ver, mas diz-se que o poder da espada está em seu ataque magico devastador, capaz de dizimar exércitos inteiros com um simples brandir. Apesar de também estar escrito que ela possui um encantamento extremamente longo antes de que se possa usar tais tipos de ataque. Se a Linda realmente for capaz de controlar tal arma, então se tornar a maior causadora de dano mágico da nossa geração pode não ser apenas um sonho para ela.
A espada libera uma magia intermediária de eletricidade quando alguém que ela não aceita como seu usuário tenta tocá-la (confirmado pessoalmente...). Talvez isso não seja suficiente para pessoas com maiores resistências, mas é possível que a intensidade da magia liberada escalone proporcionalmente com o tempo que tal pessoa tente segurá-la, ou mesmo que a própria espada seja capaz de variar a intensidade da magia conforme aquele que a está segurando. De qualquer forma, não é uma boa ideia usar o seu próprio corpo para testar os limites de uma espada que consegue destruir cidades inteiras.
—A Espada do Oráculo. Outro dos tesouros da Religias, aparentemente sob a posse da virtude da caridade, atualmente. Os livros descrevem que ela teria o poder de observar acontecimentos longínquos. Assim, nos tempos de guerra, seus usuários costumavam ser posicionados próximos as bordas, para espiar as forças inimigas. Nesses tempos de paz, me questiono para que ela está sendo usada. Para manter os monstas “sob controle”? Para obter vantagens econômicas e políticas? Manter a ordem? Me pergunto…
—Estrela eruptiva. Uma espada conferida a guerreira mais poderosa da vila das súcubos... Ela permite o uso de poderosas magias de cada um dos elementos: vento, terra, fogo e água. Tal poder faz de sua usuária uma temível espadachim mágica, especialmente quando combinado com a aptidão das súcubos com a magia de horror, tal aptidão considerada como uma das maiores para esse tipo de magia dentre os todos os outros monstas; e com a agilidade natural das súcubos, que também é muito reconhecida. A senhora Mono também disse que, atualmente, a espada pertence ao pecado do orgulho.
—A Espada do Caos. A terceira e última espada sob o controle da Religias. A espada é guardada não para que alguém da Religias seja escolhido para usá-la, mas sim para que ela seja selada e mantida longe das mãos dos monstas. Ela é uma espada que foi usada pelos mais poderosos e cruéis reis e rainhas dos monstas da história. Seu poder e as condições para a escolha de seu usuário ainda não são completamente conhecidas, mas se alguém tivesse de adivinhar, é melhor que ela permaneça selada.
—O Advento de Poseidon. Ela é descrita como “a Espada que Coroa Aquele que Reina Sob os Mares”. Como é difícil de adquirir conhecimento quanto ao reino do mar, não dá para saber mais sobre essa espada. Talvez algum dia eu seja capaz de estudar os monstas que vivem no fundo do mar também.
—A Carniceira de Dragões. A espada que era capaz de cortar por qualquer coisa. Seus usuários conseguiam cortar mesmo as escamas dos dragões, como se fosse manteiga. Não se sabe quantos foram vítimas de sua lâmina até que os dragões ativamente criassem alianças para lutar contra tal espada, a despeito de serem monstas conhecidos pelo seu extremo individualismo. Diz-se que durante a luta entre a coalisão dos dragões e o usuário da espada, alguém, de algum jeito, foi capaz de quebrar a espada, cuja resistência não era tão boa quanto o seu fio. Mas a trilha de morte deixada até esse momento foi suficiente para causar uma expansão dos territórios dos mortos-vivos...
Assim, apesar de essa espada ainda ser considerada uma das Sete, seu poder foi para sempre perdido nos anais da história... Mas como dizem, lendas nunca morrem.
Fale com o autor