Fico impaciente esperando que Jasper me tire daqui o quanto antes, mesmo nós dois correndo um risco enorme ainda assim tenho que tentar. Já pensei em tudo, assim que ele chegar iremos esperar que todo o castelo adormeça, então ele cuidará dos guardas com alguns soníferos, distrairá as cozinheira com um pequeno incêndio na cozinha e uma pequena confusão no jardim, assim sairemos pelo portão do qual ele tem as chaves e enfim estarei livre. Analiso o plano o dia inteiro, penso em cada detalhe para ver se não esqueci de nada, um barulho de chaves me faz voltar a realidade, salto da cama e paro em frente a porta, esperando que seja Jasper. Meu coração da pulos de alegria, mas quase para ao ver o guarda parado do outro lado.


— Senhorita, peço que me acompanhe, a rainha quer vê-la.


— M-me ver? Por que? Eu não quero vê-la. — Começo a tremer e recuo batendo de costas na parede fria.


— Não se preocupe, ela só quer conversar.


O guarda me pega pelo braço e me arrasta para fora do quarto, luto para que ele me solte, mas outro guarda aparece e os dois me erguem como se eu não tivesse peso algum. Me debato no ar e meus olhos se enchem de lágrimas, é certo que ela não quer apenas conversar comigo, talvez ela queria se livrar de mim também, assim como fez com o meu pai. Talvez eu não seja mais útil, embora eu ache que nunca tenha sido, esse pode ser meu fim, nunca vou ser livre, não vou poder sentir o perfume das flores, a chuva, o sol e nunca vou me casar. Minha mãe, minha própria mãe me odeia como se eu fosse sua pior inimiga e faria de tudo para me tirar do caminho, até mesmo me matar.


Assim que chegamos ao subsolo do castelo os guardas me colocam em uma cadeira de ferro no meio da sala, a rainha está em um canto, onde a sombra cobre seu rosto deixando a amostra apenas seu vestido preto e com detalhes vermelhos como sangue, sua pele branca brilha com a luz da lua, suas unhas são como garras pintadas de preto e em sua mão há uma faca banhada em ouro com pequenas joias na lamina afiada. Ela se aproxima revelando um sorriso doentio, sua boca coberta com um batom vermelho como os detalhes de seu vestido, os olhos delineados fazendo curvas nos cantos, realçando o azul de seus olhos. Ela pousa sua mão em meu braço, gelo com o seu toque, ela sorri e se afasta novamente.


— Calma minha querida, não precisa ficar com medo, a mamãe não irá te machucar. — Ela anda em volta da cadeira e eu me encolho.


— O que você quer?


— Não fale assim comigo, eu sou sua mãe e você...


— Você não é minha mãe! — Ela bate em meu rosto fazendo eu me encolher de dor e medo.


— Jamais ouse levantar a voz para mim outra vez! Agora me diga, o que Sr. Hugs fazia em seu quarto?


— Ele estava me fazendo companhia. — Ela sorri e caminha pela sala.


— Interessante. Por precaução vamos mudá-la de quarto, minha querida. — Ela vira para os guardas. — Levem-na para a sela, quero que a prendam com correntes para que não possa nem sequer tentar fugir.


— Não! Não, por favor! — Pulo da cadeira e me ajoelho na frente dela, agarrando a saia de seu vestido. Ela me empurra fazendo com que eu caia de costas no chão.


— A mamãe sabe o que é melhor para você, docinho.


Ela vai embora e os guardas me levam para sela, tento livrar meus braços das mãos deles, mas são fortes demais. Minha garganta queima com cada grito que dou, o ar em meus pulmões diminui e minha visão fica embaçada, luto para ficar acordada, meus olhos se fecham e eu desmaio.

Notas finais
Só vou poder postar o resto dia 5, então adiantei alguns capítulos.