Fairy Tale and Horror - Snow White
6 Capítulo 5
Acordo em meio a escuridão, não consigo ver nada, mas ouço barulhos que parecem ser de ratos, algo passa por cima de minha mão e eu a retenho rápido, as correntes apertadas em meus pulsos tem cheiro de ferrugem. O fedor da sela me deixa tonta e me dá náuseas, tento me levantar, mas meus tornozelos doem por causa do peso de mais um par de correntes enferrujadas. Ouço o barulho de algo gotejando, talvez uma torneira ou algum cano, o barulho me faz lembrar que estou com sede e fome. Rastejo pela sela usando as mãos para não esbarrar em algo e para saber se deixaram alguma bandeja com comida, que possivelmente poderia ter sido devorada pelos ratos. Passo a mão pelo chão áspero de cimento, toco em algo grudento e meu estomago se revira de nojo, prendo a respiração, espero o enjoo passar e volto a procurar, esbarro em um prato, mas não há nada dentro. Continuo apalpando tudo o que encontro, mais pra frente encosto em um tipo de galho seco, mas leve e lisos, subo um pouco mais as mãos e os galhos ficam um pouco mais grossos e com espaços no meio, assim que chego ao topo sinto algo estranho, como se fosse um crânio, assim que chego aos dentes me encolho no canto da sela, assustada.
— Por favor! Alguém! Por favor me tirem daqui!
Grito sem resposta alguma, já não podendo controlar começo a chorar, não quero acabar como aquela caveira, não quero morrer dentro de uma sela, não quero dar esse gosto a rainha, a minha mãe. Um vento gelado entra do lado esquerdo da sela, sinto um arrepio e congelo. Um estrondo vem da parte de cima da sela, meu coração acelera e posso jurar que qualquer um poderia ouvi-lo naquele silencio imenso. Mais um estrondo e então algo cai em frente as grades da sela, contraio-me mais contra a parede atrás de mim.
— Branca? Princesa, você está aí?
Ao ouvir a voz de Jasper meus olhos se enchem de lágrimas, um alivio enche meu peito, corro até as grades da sela e seguro as mãos dele.
— Jasper, por favor, me tira daqui. — Ele aperta minhas mãos.
— Eu vou, só preciso de um tempo, está bem? Preciso distrair os guardas, um amigo meu está lá fora, ele vai me ajudar e então tiro você daqui. — Ele acende uma lanterna, a coloca entre nós, uma luz que só pode iluminar nossos rostos. Eu estava tão feliz por ver alguém familiar que as lágrimas escorriam sem parar.
— Seja rápido, por favor, eu não aguento mais ficar aqui. — Ele tira as chaves do bolço da calça e balança em frente aos meus olhos.
— Fique tranquila, assim que os guardas começarem a seguir meu amigo eu venho lhe buscar. — Ele beija minha testa entre as grades, um gesto tão carinhoso que nunca nenhum dos dois tivera a coragem de fazê-lo e vai embora deixando a lanterna.
Arrasto a lanterna para dentro da sela, ergo para ver o que há mais do que já descobri dentro da sela, ilumino todos os cantos e foco o esqueleto que toquei a pouco tempo, o crânio estava rachado, lhe faltava uma das mãos e não tinha pernas, só de imaginar no estado em que estava aquela pessoa volto a ficar enjoada. Encolho as pernas e coloco a lanterna em frente aos meus pés. Jasper estava se arriscando demais por minha causa e eu iria fugir, talvez nunca mais visse ele, talvez até mesmo eu esquecesse dele. Tanto anos presa nesse castelo, esperando que um dia eu pudesse sair.
Fale com o autor