Notas iniciais
Olá. Bem, obrigada de verdade aos comentários do capítulo passado! Sério, me deixaram super animada para postar o próximo, e, bem aqui estamos nós. Well, Well, Well. Vocês devem estar tentando me matar. Mais duas recomendações??? Omg, muito obrigada, sério! Louise Dragneel e Kori Mitsue, muito obrigada, de verdade, por terem recomendado Fairy Tale! Agradecendo à Isa-chan e Yukari chan, de novo, porque elas também merecem! Devem ter notado que tenho uma paixão arrebatadora por finais de capítulo impactantes, não? Bem, já vou avisando que esse não é exceção. O fato é: Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!

Confusão. A palavra que descrevia Lucy Heartfilia naquele momento. Conforme caminhavam naquela imensidão de verde, ela se perdia na imensidão de pensamentos.

Talvez também estivesse com um pouco de medo. Medo de que Natsu a descobrisse. Mas não pense que o medo dela era referente à um possível assassinato. Não, de forma alguma. Lucy estava com medo de que ele a rejeitasse.

Loucura, não? Em questão de dias, ele havia confiado tanto nela, que sentir o mesmo com relação à ele fora inevitável. No fundo, ela só queria dizer seu verdadeiro nome e quem era, e jogar toda a verdade para o alto.

Infelizmente, isso não seria possível tão cedo. Lucy ainda tinha uma prioridade bem maior que uma simples amizade. Todo um povo esperava por ela, e sofria sob os comandos de uma bruxa cruel e manipuladora.

–Hey, Natsu! — Happy chamou o rosado, olhando de relance para a loira, que caminhava um pouco mais atrás deles. -Ela está muito quieta...

O dragão observou-a por cima dos ombros, com curiosidade.

–Acha que ela está chateada comigo? — ele perguntou, tentando soar despreocupado. O que não adiantou nem um pouco.

–Por que se importa? — Happy estreitou os olhos, dando de ombros em seguida. -Bem, eu não faço ideia. Talvez. Mas o que você fez mesmo?

–Também não sei. Eu acho que fui bem simpático, até. — fez um bico contrariado, que seria considerado — enfatizo: pelas fêmeas! — como algo fofo. -Mas ela é do Império. Acho que faz sentido ela me odiar ainda mais, já que serei o futuro Chefe da Liga. E futuros inimigos...

A última sentença fora pronunciada com um tom imensamente mórbido. Happy reparou, e não deixou que passasse em branco. Para ele, era algo totalmente novo ver Natsu se preocupando com coisas tão triviais. Normalmente, o dragão só daria valor caso seus problemas tivessem a ver com sua futura liderança.

E Lucy deveria ser considerada algo trivial. Afinal, ela era uma elfa. E Natsu sempre odiou elfos.

–Lucy, venha aqui!

Happy ergueu uma sobrancelha quando seu dono cessou a caminhada, apoiando os braços atrás da nuca.

Lucy também parou próxima à eles, parecendo finalmente prestar atenção no que acontecia ao seu redor.

–Hm? — ela piscou os olhos algumas vezes, sem entender.

–Happy pediu para te mostrar um truque. — o Dragneel comentou, sorrindo de lado convencido. -Só espero que não fique muito chocada, sabe. Dragões têm um péssimo hábito de humilhar os outros seres com suas habilidades.

A loira sorriu fraco, erguendo as sobrancelhas.

–Oh, é mesmo?

–É, é mesmo, Natsu?! — Happy fechou a cara, enciumado. -Eu não lembro de ter pedido nada!

–Cale essa boca, Happy. Pare de mudar de ideia! — o rosado murchou a expressão para o exceed, num claro sinal de "fecha a matraca e me deixa". -Bem, pode se sentar, madame. O espetáculo pode ser um pouco chocante.

–Poucas coisas me deixam chocada, Natsu. — Lucy afirmou, com um leve tom irônico. -E tenho certeza de que você não será uma delas.

–Eu não ficaria tão convencido assim no seu lugar.

A Heartfilia assistiu-o largar a bolsa no chão, alongando os braços pacientemente. E, por favor, não fiquem encantados com o que ele fará em seguida. É simplesmente o truque mais simples para um dragão.

Natsu abriu a boca e deixou que uma rajada de fogo saísse da mesma, agarrando-a com as mãos e dando forma ao fogo, formando uma bola mediana e palpável, ao menos para ele, cuja pele resistia ao elemento.

Lucy não ficou chocada, mas impressionada, sim. Sorriu ao outro com admiração, e aproximou-se para vê-lo criar outras duas bolas e fazer um malabarismo ritmado e veloz.

Happy assistia ao showzinho com náuseas.

–Incrível. — a loira riu, observando-o continuar. Fez menção de tocar numa das bolas, mas Natsu afastou-se antes que ela o fizesse.

–Vai te queimar.

–Mas não queima você. — ela apontou. O rosado rolou os olhos.

–Porque, obviamente, dragões têm uma certa resistência ao fogo. — rebateu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

–Eu li que as chamas de outros dragões podem feri-los. E não acho que seja mentira, já que, se não fosse por isso, as lutas entre vocês não teriam fim. Seria algo corporal.

–É, outras chamas nos queimam. Mas não as nossas. É apenas um formigamento. A pele por baixo dessa "casca" — olhou para o próprio braço, e Lucy fez o mesmo. -é na verdade escamosa e resistente ao fogo.

–Aquela hora... você ficou metade humano, metade dragão — ela recordou-se, medindo as palavras ao falar. -Como faz isso? Quero dizer, é algo normal?

–Não muito. Quando perdemos o controle, as duas formas se misturam, e dá naquilo. Se eu pudesse, a usaria sempre. — ele admitiu, e Happy, que observava tudo, ficou chocado. Nunca havia escutado aquela confissão do Dragneel, nem mesmo para si. -Sempre me dá uma sensação de liberdade.

–Não sabia que algum dia você não houvesse sido livre. — Lucy murmurou, mais para si mesma do que para qualquer outro. Entretanto, Natsu a ouviu.

–Tem razão. Sempre fui. — disse, dando de ombros. -Mas o conceito de liberdade é variável para cada um, não acha?

–Não. Só conhece a liberdade quem um dia esteve preso.

E, num passe de mágica, o clima tornou-se tenso novamente. Uma discussão se formara em questão de instantes, e Natsu, pela primeira vez em sua vida, não teve o que dizer para se defender. No entanto, sempre havia o plano B.

Atacar de volta.

–E você, cujo vestido deve valer casas de pessoas normais, algum dia não foi livre?! — cuspiu as palavras na cara dela, assumindo a postura normal. E dessa Happy gostou.

–Desde quando ter dinheiro é sinônimo de liberdade?!

–Tente ser pobre e livre, para ver como é divertido!

–E você algum dia foi pobre, herdeiro da Liga?! Garanto que teve sempre o que quis, e esteve sempre rodeado por seu pai e seus amigos, vivendo aventuras nessa maldita floresta que conhece tão bem! Rio Flecha, Rio sei lá o que. Vocês sabem onde tudo fica, e aposto minha vida que não foi por necessidade!

Peço que não se assustem com o que veio a seguir.

–Ah, e você não, né? Não é problema meu se sua família é visivelmente uma droga!

–E o que você sabe sobre a minha família?!

–Se em algum momento disse a verdade, e foi realmente exilada, então tenho motivos suficientes pra achar que sua vida é uma droga, e não é por falta dinheiro. Deve ser só porque é mal amada mesmo!

E, se num momento Lucy estava no chão, no outro estava no ar, voando no pescoço de seu sequestrador com uma ferocidade nova para si. E não pense que a lei de "homem não bate em mulher" valia naquelas terras, caros amigos, porque ela mal existia. Principalmente quando se tratava de Liga vs. Império.

Natsu e Lucy rolaram no chão, trocando socos e arranhões, além de cuspes inconvenientes — provindos da loira — para distração. Rosnavam um para o outro feito bichos, e quem olhasse de longe, realmente acharia que o eram.

Happy sentou-se num dos galhos e desatou a rir, porque achou a cena a melhor em muitos anos de comédia.

Os chifres tomaram o topo da cabeça de Natsu, e algumas partes de seu corpo foram cobertas por escamas, conforme a luta se desenvolvia. Reparando nisso, Lucy decidiu que não podia ficar muito atrás.

Reunindo todas as suas forças, deu um chute na lateral do corpo do maior, fazendo-o tombar para o lado, saindo de cima de si. Aproveitou a distração para fechar os olhos, e usar o seu truque.

Natsu arregalou os olhos quando uma raiz — de árvore — simplesmente envolveu seus tornozelos com força, puxando-o para o chão.

Não foi muito difícil notar que, quem controlava a árvore naquele momento, era a elfa.

Mais uma vez, ela usou seu tempo precioso para chegar ao arco, guardado na bolsa do Dragneel, e armou-o com uma flecha em questão de segundos.

Natsu estava boquiaberto, enquanto ela mirava bem no meio de sua testa.

–A minha vida pode ser uma droga, minha família pode ser desestruturada, e eu posso ter sido exilada. Mas isso não o torna melhor do que eu em nenhum aspecto, Dragneel. Estou cansada desse seu tom superior quando fala comigo. Você pode cuspir fogo, raios, trovões ou tempestades. Não muda o fato de que não tenho medo de você.

Nessa parte, você pode achar que meu filho enlouqueceu de vez, assim como eu achei, quando escutei essa história pela primeira vez.

Mas, se avaliar bem, não era algo tão insano assim. Para um garoto que sempre teve tudo fácil, inclusive a tão adorada liberdade, conhecer alguém que não se importava nem um pouco com seu título e sua raça era quase um milagre.

Ele não era só um dragão, como também o dragão herdeiro da Liga. E agora convivia com uma elfa — espécie que deveria ser considerada inferior — que não dava a mínima para sua autoridade. O que não era muito difícil de deduzir, já que ela estava, nesse momento, prestes à matá-lo com uma flechada no meio da testa.

E, Natsu, ao notar isso, sentiu-se diferente. Não um diferente qualquer. Um diferente diferente. O tipo de sentimento que, quando vem, não há como não estar desprevenido.

Ele estava de joelhos, na frente de uma criatura que, pela primeira vez, viu como sendo tão forte quanto ele.

E isso o excitou como nenhuma mulher havia feito antes.

Devem estar pensando: "Oh, mas ele era noivo desde cedo. Não deve ter dado valor a muitas mulheres, senão Lisanna". É, digamos que o relacionamento deles não fosse algo muito fechado. Muitas moças haviam deitado-se com Natsu ao longo da vida dele. Entretanto, Lisanna sempre seria seu porto seguro. O tipo da mulher pela qual ele nutria um sentimento diferente. Porém, não o mesmo "diferente" aplicado aqui, por Lucy.

Nunca havia conhecido uma mulher que tivera audácia de desafiá-lo. Muito menos uma que não só o fizesse com palavras, como também com ações.

Nesse momento, ele estava acidentalmente confuso. O que, para Natsu, já era um grande passo. Se tinha um assunto no qual ele era lerdo, amor era ele.

–Truque maneiro. — murmurou, dando um sorriso debochado quase imperceptível. Eu disse quase.

Lucy ergueu as sobrancelhas.

–Esse é o seu jeito de pedir desculpas?

–Assim como detesto agradecer, odeio me desculpar. Não abuse da minha paciência. — fechou a cara. Ela quase riu, divertindo-se com a cena.

–Não está em posição de reclamar, Natsu.

Ironia era um ponto forte de Lucy, como puderam observar. Mas a elfa era tão, mais tão, bem educada, que usava-a com uma sutileza que, para muitos, seria considerada bem elegante.

A Heartfilia abaixou o arco, e fechou os olhos novamente, fazendo com que a raiz da árvore retornasse para o subterrâneo, deixando o pé de Natsu livre de novo.

O dragão o massageou, sentindo uma dor inconveniente no local.

–Como faz isso? — ele a questionou, interessado verdadeiramente na resposta.

Lucy deu de ombros.

–É exercício da fé. Todas as coisas têm espírito, assim como nós. Nosso único obstáculo é se comunicar com elas tão bem quanto fazemos com nossa própria espécie.

–E como se... faz isso?

–Há uma língua universal que, teoricamente, todos deveriam falar. Uma língua que não requer palavras, mas possui som. Não há como explicar, apenas como sentir.

Natsu piscou os olhos consecutivas vezes, achando aquilo uma tremenda idiotice.

–Você é estranha.

–E você já disse isso.

–Porque é a verdade, Lucy.

–Quer que eu acabe contigo de novo, dragão?

Os dois riram, e, no caso, Natsu gargalhou. Achou-a atrevida, mas não necessariamente de uma forma ruim. Apenas seus dois melhores amigos falavam com ele daquela forma, e, vê-la fazendo o mesmo, era extremamente confortante.

–E quando foi que isso aconteceu, elfa?! Qual é, você só conseguiu aquilo porque eu deixei.

–Ah, claro! Eu finjo que acredito! Você estava morrendo de medo, Natsu. Admita.

Os dois riam, e até iam continuar a discussão, se não fosse por um exceed enciumado, que simplesmente voara no meio da cara de seu dono, choramingando por comida.

–É, tá na hora de comermos alguma coisa.

Ele sorriu para Lucy, e, por ter virado o corpo muito rápido na outra direção, acabou por perder as bochechas dela se encherem de um tom cor de rosa.

[...]

Enquanto os dois "homens" haviam ido caçar alguma coisa para comerem, Lucy contentou-se em sentar no chão, apoiada nas raízes de uma árvore grossa.

Estava pensativa, mas não mais com relação ao seu companheiro de viagem, ex sequestrador.

Agora acariciava a própria barriga, cujo tamanho parecia o mesmo. Sabia que era cedo para que crescesse, mas não conseguia não pensar em como pareceria quando acontecesse.

Como seria seu filho, era o que ela se perguntava. Loiro, sem sombra de duvidas. Uma questão trivial, mas não menos importante para si.

Pensou em que tipo de alimentos deveria comer, e se estava bebendo pouca água. Bem, eram coisas importantes para o bebê, certo?

E ele era apenas mais um dos motivos pelos quais deveria continuar com seu plano.

Ela gostava de Natsu, verdadeiramente. Mas não mais do que amava — ou amaria — seu filho e seu povo.

Por isso, ali, debaixo daquele carvalho, Lucy Heartfilia tomou sua decisão. Continuaria com sua vingança, mesmo que isso fosse contra todos os seus valores.

[...]

Naquela tarde, não eram mais os cristais que voavam. Por mais macabro que isso pudesse parecer, dessa vez, quem ameaçava voar, era na verdade a tão estimada criada de Lucy Heartfilia, de quem, eu espero, vocês ainda não se esqueceram.

–Você sabe de algo que eu não sei, não é?! O que o Rei Jude estava te dizendo naquele maldito escritório, sua vadia?!

Aquarius apenas movia as mãos, e a empregada era erguida feito um saco de batatas em pleno ar, envolvida por uma luz púrpura. Há poucos centímetros de uma queda de sabe-se lá quantos metros, Virgo era ameaçada de ser lançada para bem longe daquela sacada assustadora e alta.

–Vadia é a -

–Ora, ora, ora. O que temos aqui?

A voz debochada fez-se presente. Da porta escura de madeira, passaram dois homens, um o extremo oposto do outro. Diferentes em tudo, se complementavam perfeitamente na hora de agir, e, por isso, e apenas isso, haviam se tornado o que eram hoje.

Os Dragões Gêmeos.

Mercenários do Rei dos Elfos desde os dezesseis anos, quando começaram a se especializar em assassinatos discretos e em série. O que, se parar para pensar, é algo bem paradoxal.

Enfim, isso não importa agora. Só o que importa, é que um deles em especial, mais uma vez, sentia-se ousado naquele dia. O bastante para dizer para a Bruxa do Mar, em seu melhor tom debochado:

–É a segunda vez que a vemos perdendo totalmente a sanidade. Não acha isso um tanto preocupante, Sting?

O loiro mais uma vez estava em choque. Normalmente, ele era o ousado piadista, mas, ultimamente, Rogue vinha tentando tomar o seu lugar de imprudente.

Em parte, ele compreendia os motivos. Rogue detestava magia negra com sua alma, pois, graças à ela, sua amava dormia um longo sono perpétuo num caixão de vidro, morta por uma maçã cujo suco fora envenenado por uma bruxa.

Uma bruxa como aquela.

E nem mesmo um beijo seu fora capaz de acordá-la, pois ele não era o príncipe certo.

Infelizmente, ou não, Sting Eucliffe não nutria da mesma opinião. Porque, se querem saber, ele era apaixonado pela Rainha que envenenara tal maçã. Uma bruxa que, pela primeira vez em sua vida, havia feito seus instintos cederem. Minerva Orland.

Ele era o Caçador dela.

Mas isso é uma outra história, que não perderei tempo em contar agora.

–Eu creio tê-los chamado meia hora atrás! — a Bruxa do Mar devolveu, furiosa. Rogue e Sting se entreolharam, erguendo as sobrancelhas.

–Você colocou certo. — Sting comentou, coçando a nuca. -Chamou-nos. Não ordenou que viéssemos naquele momento, certo?

–Eu não me importo com suas interpretações do que digo, dragões! Eu os paguei, e paguei bem, com meu silêncio, senhor Eucliffe — ela olhou-o em ameaçada — E não recebi o que queria. Agora as ordens são outras. Já que nem ao menos conseguem matá-los com veneno, então que usem suas armas de homens, Cheney! — ela ralhou, borbulhando de ódio. — Quero os corpos daquela maldita ralé aqui, bem no meu tapete, pra que eu possa cuspir em cima deles. Ou vou contar à minha querida amiga de longa data o que anda fazendo, Sting Eucliffe. Vocês têm até o amanhecer de depois de amanhã, ou eu mesma irei fazer isso, e ai teremos quatro corpos aqui! Vão, e não me enfureçam ainda mais! E levem essa vadia de refém. Vai ser útil contra a princesa mimada.

[...]

Era quase meio dia quando Lucy pegou-se mirando num cervo à distância. Havia escutado-o correndo, e perseguira-o até aqui, em meio as árvores, onde o bicho alimentava-se da grama com uma felicidade aparente.

A elfa ocultou-se nos troncos, e agora estava concentrada no alvo, ignorando os sons ao redor.

Respirou fundo algumas vezes, e avaliou bem o animal. Era grande o bastante para alimentar os três, e a pele poderia ser usada caso estivesse muito frio.

Estava prestes a atirar quando algo a interrompeu. Não algo substancial, mas sim lembranças. Intensas e fortes, que fizeram-na engolir em cerco, abaixando a arma.

Olhando para aquela cervo, Lucy Heartfilia lembrou-se de seu ritual, fazendo com que um calor intenso percorresse seu corpo. Corou até a raiz dos cabelos, sentindo-se incrivelmente envergonhada.

Distraída, não notou quando Natsu se aproximou dela, surgindo em meio à Floresta Negra.

O dragão se posicionou ao seu lado, seguindo o olhar da loira com curiosidade, e focalizando-o no animal, que deu à ele a mesma sensação de nostalgia.

Ambos permaneceram assim algum tempo. Apenas observando o cervo, até que o mesmo ergueu a cabeça, olhando na direção dos dois, para em seguida correr para longe dali, e próximo da manada, provavelmente.

Lucy sentiu um calafrio.

–Eu ia abatê-lo. — comentou, num tom alterado. Natsu não o percebeu, pois estava se sentindo da mesma maneira. -Mas...

E as palavras nunca foram pronunciadas. Natsu olhou na direção dela, e, naquele momento, ele quase descobriu tudo. Seu olhos baixaram para o corpo da elfa, que antes não havia reparado ser tão atraente.

Mas, acima disso, era familiar. Como se já conhecesse aquelas curvas. Principalmente aquela curva, do busto, na qual seus olhos se demoraram mais tempo.

–Lucy, — chamou-a, num tom meio melodramático. Ela olhou-o com curiosidade, piscando os olhos algumas vezes, e o rosado engoliu em seco. Onde estava com a cabeça? -Deixa pra lá. Estava te procurando. Conseguimos três galinhas azuis.

Ela sorriu mais animada.

–Melhor irmos logo, né?

–É.

[...]

Devem estar pensando: Como essa porcaria de história vai evoluir, se os dias passam, e a relação dos dois continua na mesma?

Bem, digamos que é a partir desse momento que as coisas evoluem, mas não de forma discreta. Se haviam antes vinte degraus para o topo da escada, agora eles passariam do três para o treze.

O sol estava baixando. Depois de andarem mais algumas horas, finalmente os três companheiros de viagem haviam encontrado o tão esperado rio, que Lucy logo descobriu chamar-se Ignis, em homenagem ao pai de Natsu.

Era o rio mais próximo da Liga, que marcava o começo do final da Floresta Negra.

E obter essa informação assustou um pouco a Heartfilia. Quanto mais próxima de seus objetivos, mais ansiosa e temerosa ela ficava. Sabia que, em breve, decisões precisariam ser tomadas.

–Nós bebemos água ainda agora, e não está muito gelada — Natsu afirmou, retornando com o cantil cheio e o gato molhado debaixo do braço esquerdo. — Happy quis pegar um peixe, e acabou caindo de cabeça!

–Você chutou meu bumbum, Natsu! — o gato choramingou irritado. Os dois riram, e Lucy sorriu para eles, simpaticamente.

–Cara, tô morto! — o rosado jogou-se na grama, usando a bolsa de travesseiro. -Lucy, fica de vigia. Vou puxar um ronco.

–Puxar... um ronco? — a loira piscou os olhos confusa.

Natsu e Happy se entreolharam de forma sacana.

–É, deixa pra lá. É muito inteligente para você.

Ela suspirou cansada, levantando-se aos poucos, conforme os dois se distraiam com o cochilo. Cerca de três segundos depois, Natsu já roncava, assim como o gato azul.

Lucy olhou-os, e, quando finalmente deu-se por satisfeita, caminhou na direção do rio, do qual eles haviam acabado de voltar. As águas eram cristalinas e corriam devagar, o que era uma boa notícia. Se tudo corresse como o planejado, ela teria tempo de sobra para tomar um banho naquelas águas sem que fosse interrompida.

Afastou-se um pouco do local onde dragão e exceed estavam, e levou as mãos até o fecho do vestido, abrindo-o rapidamente, e sentindo o alívio ao ter o tecido fora de sua pele, pela primeira vez em muito tempo. Os seios foram logo cobertos pelos braços cruzados, devido ao frio, mas não se sentiram menos livres por isso.

A elfa respirou fundo o ar livre, e colocou os pés na água, deixando que o corpo se acostumasse à temperatura. Ia entrando lentamente, deixando que o corpo se molhasse, até que estava fundo o bastante para que pudesse molhar os cabelos e rosto.

Sentia-se renovada, de certa forma, e finalmente em paz. Sem os gritos dos membros da Liga em seus ouvidos sensíveis.

Cantarolou uma música em seu idioma natal, e desfez a trança de seu cabelo, deixando-o cair por cima dos ombros até a metade dos seios. Como previu, havia crescido bastante desde a morte de sua mãe.

Normalmente, a matriarca sempre ficava encarregada de apará-los com a navalha, num dos vários momentos de mãe e filha que, se Lucy pudesse, trocaria por qualquer coisa.

[...]

Não muito longe dali, um certo dragão acordou. Não porque houvesse perdido o sono, ou qualquer coisa do tipo. O destino o havia acordado, com a força de uma rajada de vento.

Rajada essa que trouxe mais que um recado dos espíritos. Com ela, um som novo chegara aos ouvidos de Natsu. Um som que significava perigo.

Ele pôs-se de pé num salto, e quando o fez, outra coisa chamou a atenção de seus sentidos auditivos.

Um grito de horror.

[...]

Peço, mais uma vez, que contribuam para a compreensão da história.

Voltemos no tempo um pouco, apenas alguns minutos, e viajemos pelas terras da Floresta Negra numa velocidade que olhos humanos não poderiam captar, mas os seus, sim. Porque, nesse momento, nós estamos sobrevoando as árvores sombrias e densas. Estamos entrando no território do Império, e invadindo aquele enorme palácio de cristal, cercado por muros tão altos quanto o céu, protegidos por guardas que cintilavam de tão belos.

Porque tudo era belo, por fora, no lar dos elfos.

Num dos quartos, numa torre qualquer, uma Bruxa em especial mexia em seus tubos de ensaio e funis de vidro, acrescentando elementos e ingredientes que mesmo os magos mais sábios não saberiam identificar.

Ela tinha um plano. Porque, mesmo que ainda tivesse esperanças, sabia que seus objetivos não seriam alcançados com aquela simples dupla de incompetentes.

Aquarius tinha experiência suficiente nas artes das trevas para saber que, se queria algo bem feito, teria de fazer ela mesma.

No canto do laboratório, uma bola de cristal brilhava, reluzindo a imagem de uma elfa a quilômetros de distância.

Uma elfa que, em breve, tomaria um grande susto.

[...]

Já têm permissão para destravar o tempo, e agora façam o caminho de volta para o Rio Ignis, onde Lucy Heartfilia se banha completamente nua nesse momento.

Ela passa os dedos por entre seus fios, e, distraída em desembaraçar o cabelo, não nota quanto uma ave em especial mergulha não muito longe de si naquelas águas. Um corvo, mais especificamente, carregando um vidro consigo, afunda nas águas, e retorna delas sem a bagagem inicial.

Lucy estava distraída demais com seu cabelo para notar, mas, quando o fez, seus olhos se arregalaram teatralmente.

Em volta dela, na água, a cor vermelho sangue se espalhava pouco a pouco.

A Heartfilia deu um berro de puro terror, não porque houvesse se machucado ou algo do gênero. Mas sim porque, quando uma mulher grávida sangra, é um péssimo sinal.

Normalmente, é um sinal tão ruim, que só pode significar que o bebê está morto.

Não demorou muito para Natsu aparecer ali, correndo feito um maluco, e se desesperar ao ver a cena de perto. Ele voou na direção dela e pegou-a no colo, ignorando totalmente o detalhe importante de que ela ainda estava nua.

Carregou-a até a beirada, analisando o corpo da mulher atentamente, procurando algo que significasse que ela estava ferida. E, sem encontrar nada, apenas colocou-a no chão.

Não fazia ideia do que estava acontecendo.

A elfa, chorando um choro desesperado, deixou-se tombar de joelhos na margem, tendo suas costas cobertas pelo colete largo de Natsu.

–Lucy, me diz o que está acontecendo! — ele implorou, mesmo sabendo que ela talvez não fosse capaz de vocalizar coisa alguma.

Um conjunto de coisas assombravam Lucy naquele momento, para ser sincero. Iam desde a possível morte de seu bebê, até o fato de estar nua e indefesa na frente de Natsu. A última pessoa que ela queria que a visse dessa forma tão vulnerável.

–Você se machucou? — o dragão voltou a questionar, impaciente.

–Lucy negou com a cabeça, abraçando o próprio ventre, e abaixando o rosto. As lágrimas descendo sem controle algum.

Natsu avaliou a situação. Se aquele sangue não era de um machucado, então só podia ser...

–Ei, espera ai. Achei que isso fosse... normal para as mulheres. Pelo menos foi o que Lisanna me explicou. — ele murmurou a última frase mais baixo, para si mesmo.

Era a primeira vez que vocalizava o nome de Lisanna na frente de Lucy. Mas, naquele momento em especial, não teve valor algum. Fora mais um dos nomes perdidos ao vento do oeste.

A loira soluçou alto, esforçando-se para respondê-lo.

–Não, isso não devia acontecer, Natsu! — ela gritou com ele, apenas porque queria gritar, e, como ele era o único ali, então seria com ele. -Será que você não entende?! Eu não posso sangrar!

Ele não entendia.

Piscou os olhos confuso, tentando raciocinar melhor, mas a situação insana o impedia.

–O que isso quer dizer, Lucy?

–Que eu estou grávida, Natsu. E mulheres grávidas não sangram!

Notas finais
Altas revelações, eu sei. E podem me jogar pedras, realmente não ligo. Bem, eu ligo sim, mas, enfim, não nesse momento. Sério, não estou reclamando de receber comentários curtos... mas já reclamando: Eu só queria algo um pouquinho mais específico, pessoal. Algo como os pontos altos e baixos do capítulo, sabe. Algo menos generalizado, para eu ter uma noção de onde estou pisando. Bem, vejo vocês em breve, certo?