Notas iniciais
Olá, pessoal. Devem saber que estou super feliz, né? Sabem, sabem? Vocês sabem? *----* Well, eu recebi DUAS RECOMENDAÇÕES SEGUIDAS! E ESTAMOS NO QUARTO CAPÍTULO - agora quinto - !!! Vocês não têm noção do quanto isso me deixou feliz, sério. Mesmo tendo recebido bem menos comentários no capítulo passado, isso compensou totalmente meu desânimo inicial! Muito obrigada, Isa Chan, e muito obrigada, Yukari chan! Vocês me deixaram imensamente feliz! Quanto ao capítulo de hoje... o final os aguarda uma das primeiras revelações da trama, meus amores.

Os dois dias seguintes se arrastaram para ambos os viajantes. Principalmente porque as paisagens já não eram tão interessantes, considerando que só se viam árvores e mais árvores.

Lucy estava farta das brigas frequentes com seu sequestrador, e das tentativas falhas de fazê-lo detestá-la um pouco menos. Toda vez que se disponibilizava a ser simpática — coisa que exigia muito do seu auto controle — o rosado fazia questão de cortá-la na mesma hora.

Com Natsu as insatisfações não eram muito diferentes. Ele estava cada vez mais irritado com aquela maldita elfa, que o impedia de transformar-se num dragão novamente, e terminar aquela viagem em questão de minutos com suas asas poderosas.

Dessa forma, os espíritos ancestrais mais uma vez decidiram se intrometer na história, para adiantar as coisas um pouco mais.

Naquela manhã, Lucy acordou com os tornozelos doloridos devido ao uso da corrente. Fez o possível para esticar-se na direção da bolsa de Natsu, mas acabou por desistir. Sua intenção era apenas pegar um pouco mais da erva do outro dia, que fizera seus machucados sararem em cerca de duas horas, no máximo.

Infelizmente, ela não podia nem ao menos pedir ajuda ao rosado, que estava inerte no sétimo sono, recostado num tronco velho a alguns metros da loira. Entretanto, a irritação da pele parecia piorar, e ela optou por atrapalhá-lo de toda forma.

–Natsu! — a primeira tentativa fora ineficaz, assim como as outras cinco seguidas. Seu sequestrador parecia um pedaço de pedra completamente inanimado. Roncava feito um porco, e de sua boca um filete de baba escorria permanentemente.

–Natsu! — tentou mais uma vez, bufando derrotada. Já odiava pronunciar o nome daquela criatura naturalmente, quanto mais várias vezes.

Foi quando o gato azul se moveu, dando o primeiro sinal de vida e saindo da cabeça de seu dono, já abrindo as asas para se espreguiçar. Happy olhou na direção de Lucy, com a careta de prontidão.

–Por que me acordou?

–Eu quero que ele acorde — ela corrigiu, erguendo o queixo na direção do rapaz. -Não você, gato.

–Pra quê?

–Quero mais daquela erva. Meus tornozelos estão doendo.

Ela fez um bico contrariado. Achava-se patética por ter de dar explicações a um gato membro da liga. Era o contrário que deveria acontecer!

–Vai ter que esperar. — o exceed ralhou, dando as costas à Lucy, que já ia abrir a boca para rebater, quando ele retornou a falar: -Natsu não acorda até que faça isso por vontade própria. Acredite, é impossível acordá-lo. Vai só gastar a voz se tentar.

A princesa ponderou. Happy não parecia estar mentindo, de toda forma. Mesmo que não tivesse um pingo de confiança no bichano, já havia observado que o sono do kaniano era bem mais pesado do que o considerado normal.

Suspirando cansada, ela recostou-se no tronco, sem mais opções.

Foi quando um som novo invadiu suas orelhas pontudas, que logo puseram-se ainda mais eretas, em alerta. Era um som familiar.

O som de asas.

–Happy! — Lucy chamou o bicho, levantando-se. Seus tornozelos acorrentados impediam-na de subir na árvore para ter uma melhor visão do entorno, então decidiu pedir ajuda ao gato.

Happy olhou para ela irritado.

–Agora não é mais gato?

–Não é hora para isso! — ela disse nervosa, apontando com o indicador em direção à copa da árvore. -Vá ver lá de cima a floresta! Estou ouvindo um som estranho! Algum animal está se aproximando.

Mesmo desconfiado o gato a obedeceu, e tratou de voar logo e bem alto, ao ponto de sumir da vista da elfa atenta à tudo. Lucy pensou em chamar Natsu mais algumas vezes, mas, talvez, ficar em silêncio fosse a melhor opção.

Quanto à isso, ela estava certa.

Preocupada — não com o gato -, a elfa focalizou a visão na bolsa de couro de Natsu, jogada de lado próxima à fogueira recém apagada, montada a pouco menos de dois metros de si. Ali estava a chave para soltá-la, e, ao lado de Natsu, seu arco e flecha, que o rosado vinha carregando consigo desde a captura de Lucy.

Distraída com as possibilidades de planos para resgatar sua arma, ela saltou de susto ao ver o exceed voar desesperado em sua direção.

–Há um incêndio aqui perto! Está vindo rápido!

–Incêndio?! — Lucy aspirou o ar com força, sem acreditar. Não sentia cheiro de fumaça. -Eu não senti —

–Porque chamas de dragões não têm cheiro de queimado, como as normais têm! — ele explicou, voando até seu dono e sacudindo-o. -Natsu, acorda! Natsu!

A Heartfilia absorveu a informação. Então, certo, dragões estavam ali perto. E para que o gato houvesse reagido tão mal, só podiam ser os seus dragões. Dragões Imperiais.

Sting e Rogue.

Isso a preocupou verdadeiramente. Afinal, os únicos capazes de mandar na dupla de mercenários eram os membros da realeza. Ou membros muito próximos da mesma.

A Bruxa do Mar.

E se aquela bruxa havia se dado ao trabalho de acionar os Dragões Gêmeos, não havia dúvidas quanto ao seu objetivo.

Matar a princesa dos elfos.

–Happy! — Lucy chamou o exceed num tom de comando, novo aos ouvidos do gato. Fora um tom tão ativo, mais tão ativo, que ele não deteve-se em parar o que estava fazendo para mirá-la. -São os Dragões Gêmeos, não são?

–Gajeel não queima, o Chefe tem chamas vermelhas, — e esse Chefe ai merece "c" maiúsculo, se me permitem interromper a narrativa para enfatizar. — e Wendy não sai de seu isolamento já faz uns meses.

–Okay — a loira franziu o cenho, tentando traduzir a informação. "Gajeel", "Chefe" e "Wendy" provavelmente eram dragões. Dessa forma, o gato deveria estar deduzindo que os restantes fossem inimigos. -Qual a cor das chamas, Happy?!

Aumentou o tom de voz devido ao desespero do gato, que sacudia o rosado freneticamente. O medo era evidente nele, e Lucy sentiu-se na obrigação de ajudá-lo da forma que pudesse.

E fez o que toda princesa sempre nasce para fazer.

Comandou.

–Ele não vai acordar, você mesmo disse! Traga-me meu arco agora mesmo, e os defenderei! — ela ditou firme. O exceed olhou-a com as orbes já cheias d'água. Olhando-o agora, Lucy achou-o muito parecido com uma criança indefesa. E, como toda criança, o medo era sempre um obstáculo à razão.

–Traga meu arco, Happy. Eu posso ajudar vocês. Mas não o traga, e morreremos os três bem aqui, onde os corpos levarão meses até serem descobertos.

A ameaça teve seu efeito imediatamente. O gato, sem opções, voou até o arco de Lucy, puxando-o junto à aljava de flechas para o alcance da loira.

Assim que os dedos de Lucy tocaram a madeira, sua desaparecida auto confiança retornou, forte como nunca. Estava longe de seus problemas — mesmo estando prestes a ser queimada por dragões -, próxima da natureza, e usando o arco de sua mãe.

Nada poderia detê-la nessas circunstâncias.

De repente, o som de passos altos se fez presente. Passos estridentes que ecoaram pela Floresta Negra. Acompanhados de grunhidos animais, Lucy e Happy reconheceram-nos no mesmo instante. Se entreolharam com uma cumplicidade nova, e o gato novamente não tardou a entrar em desespero. Jogou-se em cima de Natsu, balançando-o como se fosse um boneco de palha.

–Happy, preste atenção! Não podemos entrar em desespero agora!

–Não podemos??!! — as lágrimas escorriam intensas pelos olhinhos infantis do bichano. -Natsu está dormindo, e Orcs estão vindo em nossa direção!

–Eu posso dar conta de alguns deles. -Lucy afirmou, tentando acalmá-lo. Não que estivesse contando alguma mentira, de qualquer maneira. -Pelos passos, deduzo que são apenas dez.

–Apenas?! — o gato teria rido seco, se tivesse humor naquele momento. A informação apenas deixou-o ainda mais abalado, e a princesa rosnou furiosa com a reação. Daquela forma, não conseguiriam derrotar nem um guaxinim.

–Seu gato idiota, cale a boca e pare de chorar! Eu tenho um plano, mas vai ter que parar de agir feito uma criança e me ouvir! Ou então vamos morrer nas mãos daqueles monstros do Império!

Talvez fosse a convicção de Lucy ao falar, ou apenas juntar na mesma frase as palavras "Império" e "morrer", mas, independentemente do que fosse, acabou fazendo com que o exceed retomasse a sanidade e finalmente a ouvisse naquele dia.

Afinal, a elfa tinha um plano.

[...]

Que tal usarmos um pouco a criatividade de vocês? Se me permitirem, prometo esclarecer a questão em poucos segundos.

Comecemos assim: Imagine que está recostado numa das árvores próximas à fogueira recém apagada, observando um grupo de Orcs — criaturas semelhantes à um porco negro, deformado e bípede — se aproximar em alta velocidade. Eles carregam machados e lanças curtas, e rugem feito animais enjaulados.

Uma elfa loira prepara suas flechas e as atira numa velocidade que seus olhos têm de se esforçar ao máximo para acompanhar. Ela mantém uma postura perfeitamente ereta, e os olhos frios.

No alto das árvores, mais especificamente nos galhos, um gato arremessa uma espécie de bomba improvisada que lança fumaça no meio do grupo inimigo.

Resumindo: Flechas voam, fumaça sobe, Orcs rugem e um gato urra um grito de guerra irreconhecível, próximo de "Morram linguiças podres".

Agora imagine um garoto ao seu lado, escorado de mal jeito nas raízes da árvore em que você está — que são bem extensas -, coçando a cabeça e os olhos. Ele acaba de acordar, e olha para a luta como se fosse parte do sonho que estava tendo antes de ser arrastado até onde está agora.

O garoto parece meio letárgico, você repara, e em seguida ele arregala os olhos negros, finalmente compreendendo o que se passa à sua frente naquela clareira pequena.

Agora, retornemos ao decorrer habitual.

–Happy! — Natsu pôs-se de pé cambaleante, completamente afoito. Olhou na direção de seu gato, que parecia muito animado para alguém que estava bem no meio de uma batalha.

O exceed atirava bombas feito um pirata divertindo-se ao lutar contra à marinha.

E, ao lado dele, Natsu observou, a elfa não parecia menos animada. Atirava suas flechas num ritmo frenético e impassível. Quase como se soubesse que não erraria jamais.

Os dois quase pareciam uma dupla perfeita, se não fosse pelo fato de serem inimigos naturais.

Vê-los tão próximos enciumou um pouco o rosado, se querem saber. Mas era mais uma das coisas que entrariam para a lista de coisas que ele jamais admitiria em voz alta.

Sentindo-se um pouco deslocado na situação, Natsu não conteve-se nem um pouco em transformar-se. Ligou o botão de "dane-se" para a elfa, e simplesmente deixou que de suas costas asas saíssem, e seu corpo fosse tomado por escamas. Seu tamanho aumentou cerca de cem vezes, e os chifres alongaram-se.

Ao ver seu sequestrador assumir aquela forma, Lucy simplesmente caiu de bunda na grama, incrédula. Abriu a boca algumas vezes, mas som algum deixou-a, para terem uma noção de seu espanto.

Happy não estava menos surpreso, mas por um motivo diferente. Não compreendeu as intenções de seu dono naquele momento, que antes enfatizara tanto a questão de manter-se discreto perante à loira.

Um rugido deixou a boca do dragão, que não tardou a atear fogo nos inimigos, queimando-os vivos ali mesmo. Arrancou a cabeça de um ou outro sobrevivente com os próprios dentes, para em seguida atirá-las o mais longe que o arremesso alcançasse.

O dragão aproveitou o embalo para cuspir uma rajada de fogo na direção do céu, sinalizando sua vitória para quem quer que estivesse próximo e quisesse enfrentá-lo. Em seguida, simplesmente abandonou o chão, furando as nuvens com suas asas poderosas.

Ele estava de volta.

Lucy, ainda estupefata, olhou na direção do exceed, que já havia retornado ao chão. Ele riu sozinho, limpando o suor da testa peluda.

–Você não achou mesmo que ele era um kaniano, né?

A loira fez que sim com a cabeça, ingenuamente.

–Ele já estava cansado de ficar no chão. Agora vamos ter que esperar algumas horas até ele voltar. Mas, pelo menos vai trazer carne decente.

E aquele tipo de comentário fora o único capaz de alegrar a Heartfilia naquele momento.

[...]

Ao anoitecer, Natsu desceu dos céus com uma naturalidade incrível. Seu corpo escamoso deu lugar à pele branca novamente, e os chifres escuros sumiram, conforme ele caminhava na direção da fogueira — esta agora acesa — carregando uma espécie de antílope nas costas. Era o tipo de criatura rara que só aquela floresta abrigava, e poucos haviam tido o privilégio de comer.

Os olhos de Happy brilharam quando Natsu enfiou o bicho no espeto e o pôs no fogo.

Entretanto, apenas ele estava tão entusiasmado com a refeição. Presa na mesma árvore durante horas, Lucy Heartfilia sentia-se agoniada. Os tornozelos doíam, as costas doíam, a bunda doía. Tudo parecia estar contra ela. E agora, ciente de que seu sequestrador não mais era um kaniano insignificante, tudo piorou de uma forma catastrófica.

Natsu girou o espeto algumas vezes, mas não parecia muito interessado na tarefa. Ele passou o posto de churrasqueiro para Happy, e olhou na direção da loira de forma sombria.

A reação fora automática. Quanto mais passos o dragão dava na direção da elfa, mais ela se espremia no tronco, orando à Deusa para que sugasse-a para dentro daquela árvore.

Os passos aumentaram, encurtando a distância, até que Natsu estava tão, mais tão próximo, que sua respiração batia contra o rosto pálido da princesa.

Lucy não olhou nos olhos dele, não porque não quisesse, apenas por não ter coragem para tal. Nunca estivera com tanto medo em sua vida. Mesmo aquele sendo o mesmo Natsu de horas antes, seu temor por ele havia subido cerca de trinta degraus na escala de ameaça.

–Olhe para mim.

A voz havia saído mais firme do que Natsu pretendia, ele sabia disso. Tanto que observou perfeitamente quando o corpo dela tremeu por completo da mais pura fobia.

Já impaciente, ele simplesmente puxou o rosto dela na altura do queixo com uma violência desnecessária, obrigando-a a olhá-lo nos olhos pela primeira vez.

A primeira vista, Natsu se sentiu grandioso diante daquele olhar de receio. Ele era maior do que ela, havia pensado naquele momento. Mas, em seguida, algo dentro de si amoleceu. Aquela elfa havia salvado seu exceed, além de salvá-lo — mesmo que indiretamente -, e isso era uma divida que ele teria de pagar.

O dragão levou a mão até a corrente, que com seu simples toque, abriu-se, libertando os tornozelos feridos da elfa, que suspirou de alívio.

–Obrigado. — ele cuspiu a palavra com uma repulsa evidente.

Inesperadamente, Lucy deu-se ao luxo de ficar irritada com o agradecimento. Afinal, ela não havia feito pouco por ele. Um "Obrigado" xoxo era o que merecia?

–Obrigado?! É só isso que tem a dizer? — ela questionou, erguendo o queixo na direção dele. Natsu recuou um pouco, e antes que ela voltasse a falar, cortou-a.

–Se me conhecesse, saberia o quão raro é, para mim, dizer essa bendita palavra. Então, dê-se por satisfeita, elfa. Nem mesmo meu pai a ouviu de forma tão espontânea.

A confissão atingiu o peito de Lucy feito uma flecha. Ela não disse nada, e muito menos ele. Olharam-se pelo que pareceu uma eternidade antes de ele levantar-se, endireitando a postura.

–A partir de agora você pode ficar sem correntes quando eu estiver dormindo. — ditou firme, dando as costas a ela. Sentou-se próximo do exceed, e Lucy não tardou a pôr-se um pouco mais próxima deles e do fogo.

–Só quando estiver dormindo? — a princesa perguntou, tentando soar desinteressada. O que não deu nem um pouco certo.

–Natsu, ela está querendo ficar sem corrente! — Happy afirmou, fazendo a Heartfilia bufar. Contudo, para a surpresa de seu dono e da elfa, logo em seguida ele acrescentou: -Não que eu ache uma ideia ruim. Lucy foi muito legal hoje.

A loira corou com o elogio, porque era a típica mulher romântica incorrigível. Derretia-se com elogios francos, principalmente quando sabia ser merecedora dos mesmos.

Natsu franziu o cenho, retirando o animal do fogo, para em seguida fatiá-lo com um facão. Dessa vez, fez algo que surpreendeu até mesmo seu mascote.

Havia dividido o antílope em três pedaços.

E, naquele momento, Lucy percebeu a importância de seu ato. Compreendeu que, para Natsu, as ações valiam mais que tudo, e que, quando ele confiava, confiava de coração.

Achou-o digno naquele momento.

[...]

Os dias se passaram numa velocidade incrível.

Certo, haviam sido apenas dois, mas fora o suficiente para deixar Natsu e Lucy bem mais próximos. Sem falar em Happy, que já chamava Lucy de "estranha" num tom menos depreciativo.

Agora, de "loira", ela havia passado para um "elfa" menos debochado, o que já era um grande passo.

Natsu já dividia as refeições com ela igualmente, e até mesmo deixava-a caçar peixes com seu arco, que não errava um alvo se quer. Happy era quem saia mais beneficiado nesse ponto, já que ganhava o direito de escolher seus peixes favoritos.

As ervas haviam curado as feridas da princesa, que, por um tempo, esqueceu-se totalmente de que estava sendo perseguida, e, acima disso, de que estava ali em busca de vingança.

Com o dragão a coisa era semelhante. Seus problemas, e até mesmo — me atrevo a dizer — a ferida da morte de Lisanna haviam sido deixados de lado por um tempo. Pela primeira vez desde o enterro de sua ex-noiva, ele estava realmente em paz.

Era quase como se aqueles três fossem um time antes mesmo de se conhecerem. Haviam nascido para permanecerem juntos, mesmo que não soubessem disso.

No entanto, a paz não durou muito tempo.

Ela não permitiria que durasse.

[...]

Muito longe dali, o som de um vidro sendo estilhaçado fora ouvido mesmo à distância. Uma mulher de longos cabelos emaranhados e azuis lançava cristais pelo salão.

A ação não deixava-a menos irritada, se é que o estão pensando. Muito pelo contrário. Toda vez que o som dos objetos contra o chão tornava-se audível, a fúria só aumentava.

Pela enorme porta rústica passaram dois homens muito bem vestidos, e quem olhasse de longe, juraria por suas divindades que não havia um pingo de medo estampado em suas faces. Entretanto, mais de perto, a coisa tornava-se diferente. Rogue tremia a perna direita incontrolavelmente, e Sting piscava os olhos mais vezes do que deveria.

–Eu creio que tenha sido pouco clara na explicação, quem sabe. Porque não é possível que dois imbecis feito vocês não possam ao menos ter causado danos naquela maldita garota!

–Você não entende. Ela não está mais sozinha.

–Eu sou uma bruxa, seu loiro burro infernal! Eu vejo coisas que mesmo os céus não são capazes de ver! — outro cristal voou na direção das paredes, estilhaçando-se na direção de Sting e Rogue, que protegeram os rostos.

–Mas não é um qualquer, senhora! — Sting insistiu em defender-se. -É Natsu Dragneel!

O vaso de porcelana parou no ar. Aquarius estava muito próxima de quebrá-lo junto aos outros quando a informação chegou aos seus ouvidos atentos.

Há dias tentava ver o paradeiro de Lucy Heartfilia. Seu espelho revelava a posição dela, revelava com quantos ela andava, mas nunca com quem. Nunca.

–Essa maldita Deusa! — Aquarius terminou com o vaso em seguida, muito mais turbulenta do que antes. -Acha que vai me passar a perna?! Pois está muito enganada! O que fizeram com meu veneno, imundos?

Rogue ergueu uma sobrancelha.

–Veneno é arma de mulher.

Aquarius fez o mesmo.

–Não é seguro o bastante de sua masculinidade, dragão negro?

–Não me entenda mal, senhora. Mas, cá entre nós, só existem rios naquela floresta. É quase impossível contaminar a água sem que, minutos depois, ela já tenha fluído saudável de novo. — ele explicou calmamente, quase como se falasse com uma criança. No fundo, Rogue queria apenas ressaltar o quão idiota a bruxa havia sido ao pedir que eles envenenassem a água tão simploriamente, sem nem ao menos ter estudado os rios com relação à posição da princesa.

Perceber que a intenção do outro era menosprezá-la tornou tudo ainda pior para a bruxa. Agora, afirmo, ela estava danada da vida. Seus olhos cerraram-se, assim como os punhos.

–Pois bem! — ela virou o corpo na direção da mesa enorme de madeira, posta no meio do salão. -Se não há meios de usar meu veneno, faremos isso agora. Que tal um lago artificial bem próximo deles?

Rogue riu. Sim, ele riu, caros amigos, e, sim, foi um ato de loucura completa, que fizera a bruxa olhá-lo estupefata.

–É esse o seu plano, mesmo?

Sting arregalou os olhos azuis. Aquele idiota estava tentando matá-lo de brinde?

–Qual o problema com ele? — Aquarius questionou. Sentia-se insegura naquele momento, e isso a deixava sem muitos argumentos. O que divertiu o dragão das sombras dos pés a cabeça.

–Não conhecemos nada daquela floresta, porque o rei assim sentenciou. Entretanto, a Liga sempre se sai melhor nos combates feitos ali, não acha? Isso tem uma explicação. Eles conhecem o território com a palma das mãos.

–Então, o Dragneel já conhece os tipos de relevo dali. — Sting completou, compreendendo junto à bruxa. O loiro engoliu em seco, curioso com a inteligência do parceiro.

–O que sugere, dragão? — a Bruxa do Mar teve de dobrar a língua para falar. Sentia-se miúda feito uma formiga.

–Pegue o pedaço de rio mais próximo deles, e transforme-o numa nascente, seja lá como faz isso. Forme uma espécie de lago pequeno. Na saída para o rio, colocamos uma barragem semelhante à de castores. Vai parecer algo natural.

–Dai é só envenenar a água — Aquarius suspirou cansada, massageando as próprias têmporas. Ela recostou o traseiro na quina da mesa de madeira, fechando os olhos durante alguns instantes. -Devo admitir que é muito inteligente, Rogue Cheney.

O homem deu de ombros, fingindo falsa modéstia.

–É o que dizem.

–Não terminei. É muito inteligente, mas há algo que o falta, não é verdade? O que o impediria de estar por cima de todos nós atualmente, se não sua falta de poder físico? As sombras não são os mais flexíveis dos elementos, não concorda? É por isso que precisa da luz que seu parceiro oferece. Seria quase uma história meiga, se não fossem os vilões.

Os dois dragões se entreolharam, no mesmo instante em que as portas se fecharam sozinhas num baque alto.

A mulher abriu os olhos de novo, focalizando-os no indivíduo de cabelos negros e compridos.

–Eu detesto homens que se acham melhores que as mulheres. E detesto mais ainda os que debocham dos outros. Você fez as duas coisas, dessa forma, não poderia deixá-lo sair daqui impune.

As velas se apagaram, e, no momento seguinte, Sting ouviu o grunhido esganado vindo de Rogue ao seu lado direito.

[...]

Natsu terminava com o cantil de água, forçando para que a última gota pingasse do mesmo em sua boca, quando um som novo invadiu seus ouvidos, agora renovados.

Olhou na direção da qual vinha o som, captando algo interessante.

–Happy! — ele chamou o exceed, que havia pousado na cabeça de Lucy. -Venha aqui.

O gato o obedeceu curioso, parando próximo do rosto de seu dono.

–Está ouvindo isso? É o som de água.

Os olhos do exceed brilharam.

–Também escutei. — Lucy afirmou, olhando para os lados como se procurasse de onde vinha. -Não está longe.

–Vamos!

A loira já ia pedir calma, quando o rosado simplesmente passou a correr com o gato azul em suas costas, ambos desesperados para achar a fonte de suas expectativas.

Lucy não estava menos animada, se querem saber, mas tinha ciência de que tinham de ser mais racionais. Algo na facilidade com a qual acharam a água a deixava intrigada.

Porém, não tinha tempo para pensar nisso naquele momento. Tinha de correr atrás do dragão, antes que o mesmo desaparecesse de vez de sua vista.

Pôs-se a correr atrás dos "companheiros", ajeitando o arco em suas costas.

–Natsu! — chamou-o algumas vezes, desviando das árvores e saltando os arbustos. Seu ritmo acelerou consideravelmente durante a perseguição.

Metros depois, ela finalmente parou. Seu sequestrador estava enchendo o cantil com a água cristalina da nascente à sua frente com um entusiasmo incrível.

O gato não parecia se divertir menos. Enfiava a pontinha do rabo na água, para ter certeza da temperatura.

Entretanto, Lucy não conseguia sentir-se bem com a situação. Seus olhos vagaram pela paisagem, encontrando a barragem feita naturalmente por algum animal, que separava a nascente do rio, formando uma espécie de lagoa pequena.

Foi quando uma desconfiança ainda mais forte a abateu. E, dessa vez, não havia sido apenas desconfiança. Era também compreensão.

Desesperada, a princesa lançou-se contra o corpo do dragão que estava muito próximo de beber um gole da água de seu cantil. Ela gritou para ambos que parassem o que estavam fazendo, num tom tão, mais tão ativo, que fizera com que Natsu cuspisse longe o conteúdo que já havia depositado na boca.

–Enlouqueceu, elfa?! — ele estava vermelho de raiva. Lucy lançou o cantil longe.

–É veneno! — afirmou, com uma convicção que não deveria ser contestada.

Natsu franziu o cenho, observando a elfa que prensava-o contra o chão com força. Não compreendia o motivo do desespero, e muito menos o porque vê-la assim tão próxima causava sensações tão esquisitas.

–Como pode saber disso, elfa? — perguntou, tentando soar racional.

–O rio tem uma coloração bem mais escura que essa, não percebe?! Há líquen no fundo de um rio normal, que torna-o mais escuro. As pedras ao fundo... essa nascente não tem nada disso! É artificial!

–Magia negra — Natsu deduziu, jogando a loira para o lado e levantando-se num salto. Ele estava furioso, ela observou. Suas narinas dilataram-se e soltaram o que parecia uma fumaça mais dissipada. Os olhos assumiram uma coloração avermelhada, e os chifres cresceram em sua cabeça.

Era meio monstro, meio humano, e Lucy sentiu-se com medo dele novamente.

Natsu olhou na direção dela de forma ameaçadora, e a loira teve de se controlar muito para não chorar ou correr. E muito menos fechar os olhos.

–Não acha mesmo que fui eu, não é? — ela perguntou, com a voz fraca.

Natsu sacudiu a cabeça, olhando-a nos olhos. Em questão de segundos, assumiu novamente a forma humana, e Happy suspirou aliviado, ao mesmo tempo em que engoliu em seco.

Era raro como ver um cometa assistir Natsu voltar à forma humana sem ter de se transformar em um dragão primeiro.

–Não.

Ela quase sorriu. Mas não o fez, pois o choque da frase que se seguiu impediu-a de fazer qualquer coisa.

–Obrigado, Lucy. É a segunda vez que salva minha vida. — ele riu sozinho, coçando a cabeça um tanto sem jeito. Certo, muito sem jeito. -Acho que... devíamos começar de novo. Eu sou Natsu Dragneel, um dragão.

–Um dragão qualquer, Natsu? — pela primeira vez desde a descoberta, Lucy havia feito a pergunta certa, que a corroía todas as noites, quando tinha tempo para pensar. E se ... o destino estivesse ao seu lado desde o inicio daquela captura?

–Não. Eu sou o herdeiro da Liga.

Notas finais
E então... ? P.S: Foi mal mesmo com relação à organização dos capítulos, okay? É que estou tendo problemas ao formatar.