Fairy Tail! Aratana Densetsu!
78 Ah, era você.
O céu cinzento e a neve preta e branca tornavam o ambiente tão obscuro que era impossível manter uma noção de tempo. Será que já havia amanhecido? Sarah achava que podia estar sentada ali por dias, observando a cidade à sua frente. Em seu coração, ouvia os gritos, percebia as dores. Magnolia inteira chorava.
Colocar membros das guildas de hoje em batalha contra membros antigos — muitos ídolos, pessoas queridas, e até familiares — era um plano cruel. Sarah não tinha certeza de qual o propósito; só estava ali para seguir ordens, era só um peão. Não era como o demônio Angus, que ria com deleite a cada movimento que as almas que ressucitara faziam.
Mas com certeza ele não era o mais medonho dali. Esse papel ficava com o homem do outro lado de Sarah. Aquele que parecia cochilar recostado em uma árvore, em uma serenidade de dar calafrios. Não sabia bem de onde viera, só sabia o mais importante… O plano era dele.
Edmond, o seu nome, certo? Foi só isso o que disse a ela antes de fechar os olhos ali. Ela o observava: às vezes, como agora, o via passar a língua demoradamente pelos lábios. Parecia se excitar com a dor.
Porém, qualquer demonstração de incômodo com ele seria uma afronta à Zeref, àquele a quem jurou seu fiel. Era ele o governante maior de todas as ações ali. Era por ele que devia permanecer firme.
Então Sarah só continuava olhando para frente.
E não percebeu quando outras pessoas chegaram, até ouvir a voz:
— O que vocês estão fazendo?
Eram um rapaz com máscara cobrindo a boca e o nariz, deixando o olhar violento à mostra, e uma garota cuja aparência pacífica contrastava completamente com o parceiro. Ambos vestiam capas grossas, apesar de não estar realmente fazendo frio.
Com uma tranquilidade tremenda, Edmond abriu os olhos e se virou para fitá-los.
— Quem são vocês? – Foi a garota que perguntou dessa vez.
— Por que seria da sua conta? — Edmond respondeu. Sua voz era grave, autoritária, assustadora. Sarah queria correr só de ouvi-lo.
— Sabemos que essa neve estranha vem de vocês — disse o mascarado. — Apenas respondam às nossas perguntas e os deixaremos em paz.
Ficou um silêncio enquanto Edmond olhava de um para o outro. Então, um sorriso de escárnio brotou no seu rosto, seguido por uma gargalhada; soava como se tivesse ouvido uma grande piada. Bateu uma palma.
— Vocês vão nos deixar em paz? Que adorável. Do meu ponto de vista, acho que me mandaria daqui imediatamente se fosse vocês.
A garota deu um passo para trás, mas o rapaz só pareceu ficar irritado.
— Você não sabe com quem está falando.
— Issei, acho que deveríamos ir…
O tal Issei não ouviu a companheira, e só deu um passo para frente. Estava disposto a ter essa luta por orgulho? Que burro, Sarah pensou.
— É bom você me responder logo.
Edmond continuou a encará-lo, o sorriso já desaparecido. Ele se levantou sem pressa nenhuma, para dar alguns passos na direção dos visitantes.
— A noite está magnífica demais para ter que suportar a pirraça de um trombadinha. Se acha que é tão ameaçador assim, venha.
Apesar de a garota ter tentado impedir, o tolo desse tal Issei avançou para cima de Edmond, estendendo sua mão na direção da testa dele. O homem nem se mexeu. Quando a mão do mascarado o tocou, Sarah ouviu um estalo, viu os olhos do menino se arregalarem, e ele foi disparado para o chão.
— ISSEI! — A garota correu desesperada até ele. — Merda, o que aconteceu?!
Issei não parava de tremer no chão. Sarah acha que viu uma mancha de sangue se formando na máscara dele.
Sua companheira o ergueu com uma força impressionante e, sem tirar os olhos de Edmond, o arrastou para longe dali o mais rápido que pôde. Contudo, o homem assustador não fez nada para impedi-la. Para dizer a verdade, ele parecia entediado.
— Uma juventude perdida pela arrogância não merecia seu futuro.
Então ele se virou e andou de volta para seu lugar sob a árvore, só que parou ao olhar para a Sarah. Será que só agora tinha percebido a presença dela ali? Olhava para ela como se sua existência fosse um insulto pessoal.
— Você é seguidora de Zeref, não é?
Só agora tinha percebido que Angus não ria mais.
— Si… Sim, senhor.
Balançou a cabeça levemente, de novo aquela paciência assombrosa. Uma paciência de quem sabia que não precisava de muito esforço para destroçar o mundo.
Ah. Sarah tinha finalmente percebido.
Mas antes que pudesse se mexer, ele já estava com os dedos em volta de seu pescoço.
— Sinto muito que mentiram para você, criança. O único governante aqui sou eu.
Depois que Sarah já tinha apagado e seu corpo ser reduzido a um mero obstáculo no caminho da neve, Edmond já estava de volta ao seu cochilo. Minutos depois, Angus soltou uma risada.
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