Faded Hearts
5 Sombras do Chaos
Notas iniciais
Voltamos a sala de visitas em que estávamos conversando antes, sobre o que vamos fazer diante da situação de crise com as Sombras.
−Cyan!
May chama novamente a empregada da família para trazer o chá.
−Sim, senhora May.
Uma mulher de cabelos curtos na cor azul claro aparece na entrada da sala.
Ela deve ser a Cyan.
Seus olhos são da mesma cor do cabelo e seu vestido de empregada é azul marinho com um pequeno avental na cintura, detalhes com um babado franzido branco no decote, vindo de trás do pescoço até abaixo dos seios dela. É curto demais para o meu gosto e ela usa uma camisa branca por baixo porque esse decote não esconderia seus seios.
−Esqueci de apresenta-la.
−Hector, esta é a Cyan Karma.
May não perde a oportunidade de me apresentar.
−Prazer em conhece-lo, Lorde Hector.
Ela junta suas mãos sobre o avental de seu vestido.
Seu olhar é calmo e sincero, o som de sua voz é doce e baixo. Lembra o comportamento das princesas.
−Muito prazer, Cyan.
−Não precisa me chamar assim, somente Hector está bom.
Sua altura chega a ser bem próxima a da Fior e ela é bem encorpada, embora o uniforme dela esconda bastante os detalhes dela.
−Cyan, nos traga um pouco de chá por favor e uma xicara a mais para a senhora Selene.
Elas parecem serem bem amigas, não só pelo modo de falar uma com a outra, é mais pela forma que elas se expressam com os gestos.
−Pois bem, vamos sentar no sofá.
−Assim ficamos confortáveis enquanto conversamos. Ufufu!
Eu e Selene sentamos no sofá de frente para janela da sala.
Com essa garota encrenqueira ao meu lado, será mais fácil lidar com as Sombras e seguir o plano.
−Hmm... Sabemos como temos que agir, mas a aparição da Raposa Caótica pode ser favorável para todos.
Nem mesmo a Fiore esperava a presença de uma Sombra comigo.
−Sim, com certeza.
−Selene pode ajudar com as Sombras, principalmente por que ela quer recuperar as memorias perdidas.
De braços cruzados Fiore me ouve atentamente.
−Recuperar memorias perdidas, é?
−Uma Sombra ter aparência humana já é algo bem incomum, eu devo dizer.
Fiore se aproxima da Selene e põe sua mão direita sobre o queixo dela, observando sua aparência.
−Existem vários tipos de Sombras pelo mundo e a maior quantidade se concentra entre o reino de Ebrima e a cidade de Moria.
−Como você disse, derrotar uma Sombra não é fácil, mas com uma Sombra ao nosso lado facilita muito, pois o caminho mais curto para matar uma Sombra é usar outra contra ela.
−Evitamos também riscos desnecessários.
A explicação de Fiore me traz segurança, pois ela pensa muito antes de tomar uma atitude e assim ela sempre acerta ao fazer algo.
−O problema é se a Selene está disposta a nos ajudar.
−Dessa forma só depende dela a escolha de dar apoio as nossas ações.
Ela cruza os braços novamente e olha fixamente para a Selene.
−E-Eu não vou ajudar vocês a matar essas Sombras chatas.
−Isso é problema de vocês.
−Só quero procurar as minhas memorias para saber quem realmente eu sou e o porquê de eu ser uma Sombra.
Selene usa um tom mais agressivo de voz, ela tem um temperamento muito explosivo.
−Então porque não me ajuda, matando essas Sombras?
−Existe uma grande chance de suas memorias estar com alguma delas.
−O que você pensou que iria fazer?
−Ficar andando por aí sem saber como ou o que está com essas memorias.
Foi um belo Xeque-Mate em cima da Selene.
Sinceramente, eu não saberia como ajuda-la com suas memorias.
−Ergggg... eu vou ajudar, está bom!
−Só não quero que vocês coloquem o Hector em perigo como o que aconteceu com a Sombra que saiu do relógio dele.
O olhar contente da Fiore é visível junto a um sorriso bem discreto.
−Ufufu! Parece que chegamos a um acordo.
−Pois bem, vamos ao problema que devemos resolver.
Fiore volta para o sofá e senta-se ao lado da May.
−Senhora May, eu trouxe um chá de camomila para vocês e um bolo de morango.
Cyan aparece repentinamente na sala como um fantasma silencioso.
−Obrigada.
−Tenho certeza que a jovem Selene, vai gostar do bolo.
May trata a Cyan com muita atenção, comparado a minha família com seus empregados. Lembra um pouco o carinho que minha mãe tinha pela Beth.
−Senhor Hector, aqui.
Cyan me entrega uma xicara com um cheiro agradável e doce vindo do chá.
−Ah! Obrigado.
Aos poucos um a um somos servidos.
−Por onde começamos a investigar essas Sombras?
−E como vamos encontra-las?
Com a xicara de chá sobre meu colo.
−Boa pergunta.
−Venho seguindo o rastro de algumas possíveis Sombras na fronteira com Moria e Braska.
−É por aquela região que vamos começar.
Fiore toma a frente da conversa, embora as três serem responsáveis por isso, preferem que ela explique as coisas porque consegue dialogar melhor.
−Entendo.
−Quem mais iria comigo e a Selene?
Se vamos mexer com as Sombras é bom irmos bem preparados, é isso o que eu acredito.
−Vejamos... Selene pode rastrear as Sombras quando elas estão por perto porque ela é uma delas.
−Você tem o conhecimento sobre as magias mais comuns, principalmente de barreiras e escudos. Isso é fundamental, pois identificamos a presença de magias junto as Sombras.
−E por fim... er... Fior pode ir com vocês, ela é boa em perseguição e combate corpo a corpo, ela também ficará com as informações necessárias para agir.
Mexendo a colher com açúcar no chá.
Cling!
−Hector, não sabia que você era usuário de magias.
−Ah! Então aquele soco que você usou no Chaos...
Selene não esconde a surpresa em saber de minhas habilidades.
−Acertou. Aprendi magias quando era criança, a maioria são focadas em escudo, selamento, identificar e desfazer barreiras.
−Então se tiver uso de magia em algum lugar vou conseguir saber.
Ela está me ouvindo atentamente? Nem se quer tomou um pouco de chá.
Cling!
−Bem agora que o grupo está resolvido, vamos mudar de assunto e conversar sobre outra coisa.
−Fufu! Vou me divertir bastante.
Tomando o chá, ela continua com a conversa. Tenho a sensação que esta conversa vai longe e provavelmente a tarde toda.
~~~~~~~~~~~~
Ao anoitecer, estou no meu quarto sentado de frente para a lareira.
Está difícil de conseguir dormir, sinto que tem algo faltando.
Algo simples
...
Não sei explicar essa sensação, é como uma intuição de que vai acontecer uma tragédia e em breve.
Pon! Pon!
Quem será essa hora?
−Hector. Você está acordado?
Uma voz grave e com tom sensual vem do lado de fora.
−Espere um pouco.
O que ela quer comigo tão tarde assim.
... Cleck
−Desculpe, vir assim a essa hora.
−Tenho algo a dizer a sós.
A expressão da Fiore era diferente da que eu via normalmente.
−Entre por favor.
−Não consegui dormir e duvido que consiga agora que passei da hora de dormir.
Ela entra e nos dirigimos ao único sofá do quarto.
−Entendo!
−Sei que para você ter de aceitar as coisas como estão é bem mais complicado do que parece.
−Ver o quanto você fez falta para a Ada e a Celia, principalmente nos momentos que elas precisavam de apoio, me deixava muito triste.
Ouço ela atentamente, mas vê-la com um pijama rosa e com desenho de coelho, desfaz aquela imagem seria e misteriosa dela.
−Você se preocupa muito com suas irmãs e por isso sempre busquei fazer parte da rotina delas, mas você sempre esqueceu de si mesmo.
−Então uma das coisas que lhe peço é que tenha cuidado e não deixe as Sombras te enganar.
Sua preocupação é visível em seu rosto. A luz da lareira ilumina uma imagem de preocupação que até agora nunca vi, principalmente vindo da Fiore.
−Sim, terei cuidado com tudo.
−Não vou deixar que façam mal a mim e aos outros, até que eu complete a recuperação da minha casa.
É aconchegante a preocupação dela, faz anos que alguém não se preocupa comigo dessa forma e então tratei de ser mais confiante diante ao que ela me disse.
−Bem, ao amanhecer vou mandar uma carruagem levar vocês até a cidade que faz fronteira com Moria e Braska.
−Sei que tem uma Sombra naquela cidade, mas encontrar seu rastro é muito difícil e a Arcádia não nos permitiu investigar o caso.
−Se vocês conseguirem confirmar a presença dela, vai provar uma teoria que eu tenho e teremos que tomar medidas drásticas com relação as essas Sombras, isso é o que eu acredito.
Ela fica olhando para a lareira enquanto me diz uma das causas de sua preocupação.
−Com base nisso, fica difícil dizer se é bom confirmar a presença dessa Sombra ou se pode ser algo muito problemático.
Minha dedução em cima disso mostra que a situação é algo preocupante.
Tomar uma atitude drástica pode significar ter de agir em Aeternam, antes do previsto ou até começar uma temporada de caça as Sombras.
O ar da noite começa a esfriar o quarto aos poucos como uma noite de inverno.
−Uhum! Não sei para qual resultado torcer.
−A busca por uma forma de te salvar, custou muito tempo e noites sem dormir.
−Tanto que passar algumas noites sem dormir virou um habito para mim, mas isso me passou a sensação de que nem eu e as minhas irmãs nos dedicamos o suficiente.
−Dessa vez vou garantir que tudo ocorra como planejado, sem falhas e intromissões.
Ela aperta a mão sobre o braço do sofá.
5 anos fazem muita diferença mesmo. Fiore chamou toda a responsabilidade para si, algo que normalmente ela deixaria nas mãos da May.
Odeio dizer isso, mas me parece que tem algo por trás disso tudo.
−Pois bem, vou voltar para meu quarto e tentar descansar um pouco.
Ela anda em direção a porta aparentando mais calma.
−Espere, Fiore.
−Sobre o que você iria falar a sós comigo não era só isso né.
Chamo a atenção dela que segura a maçaneta da porta com sua mão direita.
−Na verdade, eu esqueci o que ia lhe contar além do que já conversamos.
−Vou deixar esse assunto para uma outra ocasião, agora não é o momento certo.
−Boa noite, Hector.
... Cleck
Ela sai para o corredor, mas seu tom de voz parecia estar de volta ao normal é como se aquela Fiore que venho até mim não fosse ela mesma. Nunca vi ela desse jeito, apesar que não a vejo desde 12 anos quando fui obrigado a ficar preso naquela mansão. Faz 8 anos que não tenho uma conversa com ela e não jogamos xadrez juntos também.
Pego o lençol dobrado sobre minha cama e me cubro no sofá com ele.
O ar levemente frio nesse quarto torna a noite aconchegante.
Deitado continuo a olhar para a lareira.
Nunca senti tanta vontade de voltar a ter a minha vida de volta, mas tenho que ser responsável e pensar bem antes de tomar uma atitude que venha nos trazer mais problemas do que já temos.
Tento esquecer um pouco minha preocupação, mas minha mente está trabalhando como soubesse de algo.
Hmm...
Um pequeno descanso seria muito bom agora.
Aos poucos, meu olhar começa a enfraquecer e meus olhos estão pesados.
Fale com o autor