Faded Hearts
6 Contratantes Ilegais
Notas iniciais
Logo de manhã cedo estávamos na frente da mansão à espera da carruagem. Devemos chegar a cidade onde viram uma Sombra, logo ao cair da noite, algo que segundo a Selene é uma hora perfeita para eles atacarem.
Todos nós estamos quietos e nenhuma palavra é escutada no momento.
−Ei, Hector.
−Você parece estar cansado, não conseguiu dormir?
Uma voz de menina quebra o silencio em que todos estavam.
−Uh! Mais ou menos, demorei para conseguir dormir e quando eu me dei conta já era de manhã.
Na verdade, mal consegui pregar os olhos a noite, devo estar parecendo um zumbi e cheio de olheiras.
Hoje começa minha caminhada para encontrar as respostas para as minhas perguntas. Encontrei alguns livros que estavam na biblioteca da mansão que eu morava e consegui lembrar de algumas magias. Espero que elas sejam uteis contra as Sombras.
~~~~~~~~~~~~
Chegamos a pequena cidade ao sol mostrar seu vermelho no céu.
O ar dessa cidade é estranho, parece pesado e carregado com uma energia ruim.
−Bom, vamos primeiro até o nosso quarto que reservei na pensão no final da avenida central.
−A partir dali, vamos começar a investigar os locais que foram encontrados os mortos.
Andando pela rua mais espaçosa, Fior dá o primeiro passo de nossas ações.
As pessoas da cidade parecem tristes, como se a cidade não tivesse vida. Todos estão encapuzados e escondendo os rostos, aos poucos percebo que a cidade não é tão prospera o quanto diziam.
As crianças estão pedindo coisas para os comerciantes, como repolhos ou algumas frutas. Elas estão bem magras, prova que não comem algo por um bom tempo e duvido que sempre tenham alimento para si.
Realmente esse ar na cidade é fora do normal.
Avisto a praça central da cidade com um chafariz.
Paro de caminhar junto a Fior e Selene.
Hmm...
Olho para todos os lados e tenho o mesmo pressentimento que tive antes da cerimônia a 5 anos atrás.
Particularmente não gosto muito disso.
−Hector, aconteceu algo?
Selene percebe que eu fiquei distante dela e da Fior.
−Uh! O que é isso?
Ao chegar perto de mim, parece que ela percebeu algo.
Ter duas pessoas sensitivas ao seu ambiente, pode ser algo um pouco complicado de se lidar.
−Esse cheiro...
−Sniff! É estranho e doce, mas não é de uma Sombra.
Ela percebeu a mesma coisa que eu.
−Sim, é como um perfume bem forte que se espalha no ar e por toda a rua.
É um odor muito forte que chega a fazer mal para quem respira e não parece ser de alguma flor. O ar traz cheiros e na direção contraria dele tem a origem desse odor.
−Ei vocês dois, o que estão fazendo aí parados?
−Temos que ser mais rápidos.
Fior um pouco a frente acena para nós.
Não acredito que ela não consiga sentir esse perfume.
O odor adocicado está vindo ao leste em relação a praça, vou checar isso depois de irmos para o nosso quarto.
−Sim, sim.
−Vamos então.
Dei uma resposta rápida sem pensar, foi bem no momento.
Embora esse odor me incomode, vou seguir o plano por enquanto.
...
Alguns metros à frente, consigo ver o local onde ficaremos hospedados.
As ruas estão muito calmas para mim, mesmo que esteja ficando tarde ainda deveria estar com bastante pessoas circulando.
Chegamos na pensão que ao meu ver parece bem cuidada pelo dono.
Fior abre a porta e um som alerta a nossa entrada.
Tingeling!
Tratava-se de um pequeno sino dourado na porta.
−Senhora! Chegamos.
Fior chama a dona do local.
−Oh... Jovem Fior.
−Você demorou minha filha, fiquei preocupada.
Uma mulher de cabelos castanhos com um vestido marrom e idade aparente de 40 anos se aproxima de nós.
−Desculpa, meus amigos pararam para ver algumas barracas dos vendedores.
−Hehe...
−Ah! Esqueci de apresenta-los.
−Esses são Hector e a Selene.
Com a mão direita na nossa direção, Fior faz as apresentações.
−Prazer em conhece-los, meninos.
−Esse é realmente o herdeiro da casa dos Sabrie?
Ela sorri e olha atentamente para mim.
Seus olhos pretos refletem uma grande simpatia e gentileza diante de nós. A presença dela é confortável, comparada a de muitas pessoas que conheço.
−Vou leva-los aos seus aposentos.
Com um sorriso discreto ela nos leva até ao nosso quarto.
~~~~~~~~~~~~
Dentro do quarto guardamos as nossas bolsas.
Sentado sobre a poltrona, tento entender sobre o que estaria acontecendo na cidade. Esta sensação de tristeza que a cidade transmite para mim é algo indescritível.
Não sei como explicar isso para mim mesmo.
−Ei, Hector.
−O que era aquele perfume?
Selene relembra da situação na praça da rua principal da cidade.
−Não faço ideia, mas tem algo mais estranho do que aquele perfume adocicado.
−Pode ser uma Sombra talvez?
Olho para o céu estrelado através da janela do nosso quarto.
−Que perfume vocês estão falando?
−Não senti perfume algum, quando estávamos andando.
Fior tenta entender a conversa sobre o perfume na praça da cidade.
Realmente, como pode uma garota que consegue sentir cheios melhor que eu, não conseguiu sentir a presença daquele perfume.
Ela muitas vezes consegue ser completamente distraída.
−Fior, quando fiquei para trás perto do chafariz da praça.
−Senti um cheio adocicado e enjoativo, como um perfume de Ellora.
−Era bem forte e estava seguindo o caminho do vento, provavelmente estava vindo a leste da praça.
Tento explicar o que ocorreu para ela.
Essa acaba sendo nossa primeira dica, para encontrar o rastro da primeira Sombra que estava na cidade. Pelo o que entendi há diferença entre as vítimas de assassinato e o que possibilita a chance de na verdade termos duas Sombras ao invés de uma.
−Isso é algo estranho, normalmente consigo sentir muitos odores com facilidade.
−Como também sou capaz de reconhecer vocês pelo cheiro, sou quase como um cachorro nesse sentido. Hehe...
−Vamos para a direção de origem desse perfume, pode ser a magia de alguém que fez um pacto com uma Sombra.
Movimentando o dedo indicador para o mapa da cidade na parede, ela mostra a possível região de onde o odor venho.
−Então vamos para essas ruas e cuidado vocês dois.
Fior nos dá uma direção e a alternativa para investigar.
Ambos temos algo em mente, então decidimos montar um plano para uma possível ameaça de vida e conseguir cercar caso a Sombra tente fugir.
Selene escuta atentamente as instruções e Fior orienta os melhores locais para cada um se posicionar e o ponto de encontro.
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Selene decide me acompanhar até a região mais pobre da cidade.
Ela não aparenta preocupação em caminhar a noite na cidade escura quase sem alguma luz para iluminar as ruas.
−Ei, Hector.
−Você acredita que minhas memorias estão com as Sombras.
Calmamente sua voz ecoa na rua.
−Para falar a verdade, sim.
−Com base no que aconteceu com o meu relógio de bolso.
−Se eu estiver certo, vamos conseguir saber se a Sombra tem umas das suas memórias quando você tiver algum flash ao se aproximar dela.
É apenas uma dedução com base no que ocorreu ontem.
O ar está começando a ficar gelado e não consigo ver as estrelas no céu.
Parece que vai chover em breve.
−Entendi, isso vai facilitar para mim.
−Só falta encontrar e matar a Sombra.
−Yosh! Vamos caçar esses monstros.
Seus olhos refletem um certo animo por lidar com essas criaturas.
Engraçado ela chamar eles de monstros, se ela é como eles.
Click!
Pego meu relógio de bolso.
−Hmm...
Não esperava ser tão tarde assim.
Estamos a horas vagando por toda a cidade, sem nenhum sinal de vida ou de alguém acordado.
Entramos no bairro rico da cidade e aquele perfume começa a se espalhar pela rua em que eu e Selene estamos.
−Hector, é aquilo de novo.
−Dessa vez parece estar mais perto.
Selene cobre o nariz e a boca com a manga de seu casaco.
Não tem vento para o perfume se espalhar facilmente.
−Não tenho opção, vou tentar rastrear a origem.
Existe uma forma bem simples de encontrar algo que se espalha pelo ar sem vento, a intensidade do odor pode nos levar ao local.
−Selene, vamos silenciosamente até onde o cheio estiver forte.
Sussurro para ela a minha ideia.
Não parece ser magia, mas sim um perfume usado recentemente e por esse motivo se espalhou na direção contraria do borrifador do frasco.
Passamos as quadras até um beco a nossa direita.
−Como pensei... alguém usou esse frasco de perfume, para atrair outra pessoa.
−Deve pertencer a uma mulher.
Quando chegamos ao final do beco, só estava um frasco de perfume que vem de Ellora para a nossa região e completamente vazio.
−Quem é o engraçadinho que está brincando com a gente?
Nada contente após ter suas chances de pegar o culpado zeradas, Selene começa a perder a paciência.
−Acalme-se, isso prova que a pessoa que estamos procurando é uma mulher.
−Julgando por esse frasco é algum nobre da cidade.
Segurando o frasco de perfume em minhas mãos faço uma breve dedução.
−Então é uma mulher que está matando as pessoas a noite.
Selene entendeu rápido.
Um outro odor aos poucos chega em nossa direção.
−Isso é cheiro de...
−Não pode ser... é cheiro de sangue.
Não sei onde vem, mas está bem perto.
Ao perceber o que falei, Selene corre para a direção contraria do beco.
Sigo ela logo atrás.
−Espera, Selene.
−Ah... isso não está legal.
Alguém foi assassinado, mas dessa vez foi mais rápido do que pensei.
Alcanço a Selene e quando nos aproximamos da vítima, encontramos uma garota chorando ao seu lado.
−Me ajude.
−Ele está morto, u-uma coisa escura e com facas...
Completamente assustada, ela fica agachada com as mãos na cabeça.
A cena é horrível, o corpo está completamente desfigurado e tem sangue pelas paredes.
Olho para Selene ao meu lado e aparentemente algo a incomoda.
−Hector, fique longe dela.
−Esse cheiro é de uma Sombra.
Com a sobrancelhas inclinadas ela me alerta.
Reagi logo ao escuta-la e mantive uma distância segura.
A menina então para de chorar e começa a rir.
−Haha! Haha!!!
−Aha! Haha!!
Uma risada assustadora...
Essa criança matou aquele homem, mas como isso é possível?
Ela devia estar com manchas de sangue em sua roupa e não vejo isso nela.
Hiss!
A menina emite uma estranha energia envolta dela.
Eu me posiciono para o combate.
A criatura que vejo surgir de sua sombra é...
Um fantasma como quando usamos lençóis para brincar, mãos gigantes com garras nada pequenas e assim como a Sombra do meu relógio, ele é todo preto e seus olhos emitem uma luz vermelha.
Parece que o primeiro inimigo simplesmente nos trouxe até ele.
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