Notas iniciais
Olá, caros leitores! Trago hoje um capitulo mais leve dessa vez, um pouco longe de toda a confusão e tensão da historia. Aproveitem esse momento descontraído enquanto durar xD

De manhã cedo, todos foram levados para a casa e um tanto silenciosos, nós caminhamos até a sala, onde Cyan estava a nossa espera. A sala que costumamos nos encontrar estava com a mesa cheia de guloseimas, pães, chás e café.

−Senhora May, meninos, vocês estão bem?

Cyan chega perto da May ao vê-la e abraça ela com força, como não encontramos ela, acreditamos que tinha se escondido.

−Ainda bem, que você está a salvo.

−Soube pelo Jean, que te encontraram na saída de Moria assustada e pedindo ajuda.

May reage ao abraço da Cyan, abraçando ela também com um sorriso de alivio.

É uma cena rara de se ver, a May dificilmente mostra se importar com alguém na frente dos outros. Por ser um pouco mais discreta, ela evita fazer isso direto, mas sei que gosta muito da Cyan como uma amiga.

−Senhora, fiquei tão preocupada com vocês todas.

−Quando me chegou a notícia que o Leon e os outros espantaram aquele homem, senti um grande alívio no meu coração.

Com as mãos sobre os ombros dela, Cyan olha diretamente para seus olhos enquanto ouve suas palavras.

−Também estou aliviada, mas vamos deixar isso para trás agora e descansar.

−Venha, vamos comer todos juntos.

−Vocês também, vamos, vamos.

Indo até a mesa da sala com a Cyan, ela chama todos nós para acompanha-las. Ela quer ver todos juntos para uma refeição em família, como costumava ser na casa dos seus pais.

É algo que eu sentia falta, a presença e o calor das pessoas em casa, além da conversa sobre nosso dia ou qualquer outro assunto. Os sorrisos e as trocas de olhares reagindo a cada palavra que falamos ou escutamos.

Como é bom estar de voltar seguro para o lugar que eu chamo de lar

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Ao cair da tarde, estou lendo até o fim a carta da minha mãe na sala de estar, onde cada um está passando o tempo do seu jeito. Esperamos alguma resposta sobre a reunião de ontem, mas já está anoitecendo e nada de notícias.

−Senhora May, senhor Hector, tem uma visita para vocês.

−Por favor, venha por aqui.

Nossa atenção fica na Cyan e na pessoa que vai entrar na sala, que pode ter a resposta da Arcadia para nós.

−Obrigado, Cyan.

−Ho!!! Hector, meu sobrinho querido.

−Não acredito que você realmente está de volta.

A pessoa que aparece é nada mais nada menos que meu tio Jack, a voz levemente grave e roca, aqueles óculos e aquela barba é irreconhecível, qualquer um sabe dizer quem é.

−Tio? Eh- O que você fazendo aqui?

−Não esperava vê-lo agora.

Ele chega perto e me abraça, apertando meus braços com força. Tem um cheiro estranho nas roupas dele, acredito que é cheio de cigarro misturado com perfume talvez.

−Vim ver meu querido sobrinho, a única lembrança da imagem da minha irmã.

−Mesmo que você negue isso, você tem a aparência igual a dela.

−É só deixar seu cabelo crescer um pouco e ficará igual a ela. Haha!

Particularmente detesto essa comparação, que vai além da minha aparência como também sempre me chamavam de clone da Lucina por causa das minhas habilidades magicas.

−Falando em motivos de vir para cá, onde estão a Sofia e o Augusto?

−Pensei que eles já estavam presentes desde que convocaram eles para cuidar do Hector e da Raposa.

Após me abraçar, ele chega até o meio da sala procurando por dois membros da Arcadia que possivelmente deveriam estar junto com nós.

−Então, o conselho escolheu os dois membros mais fortes para cuidar da Selene e do Hector?

May se levanta do sofá, onde estava escrevendo algo em um caderno de notas.

−Sim, mas duvido que eles deem conta dele e dessa menina.

−Essa menina é a Raposa Caótica?

Quando ele olha para a Selene de relance, parece que percebe quem realmente é a Raposa. Acredito que ele pensava em uma Raposa gigante sobre duas patas com uma arma gigante de quase 3 metros, para ele estaria escondida na minha própria sombra.

−Sim, é ela.

−Seu nome é Selene.

Jack olha surpreso para ela, sem acreditar que a Sombra mais poderosa conhecida é na verdade uma menina de 14 anos que gosta de se vestir de forma parecida como um menino e com uma péssima educação.

−Ela é tão bonitinha.

−Ver ela, lembra a pequena Ada quando tinha 14 anos.

−Bem-vinda a família, Selene.

Ele chega perto da Selene e se agacha dando sua mão para ela cumprimentar, mantendo seu sorriso de sempre.

−Huh? Hmm... Hm!

Ela não parece reagir de forma normal, ficando sem palavras para a pessoa na sua frente e cumprimenta ele com sua mão direita. Quando Jack fica um pouco distante, ela vem para meu lado.

−Agora que lembrei, a Ada e a Celia já estão cientes de que você voltou do Chaos.

−Hoje cedo, quando fui visitar a Ada no internato, ela me pediu que levasse você para vê-la.

Não esperava que a notícia do meu retorno chegasse tão rápido até as minhas irmãs, obvio que não duvido que isso seja obra do meu tio, ele está mais alegre do que o normal dele.

−Oh! E como a Ada está com os estudos?

−Faz alguns meses que não a vejo.

Fiore aparenta curiosidade sobre a minha irmã mais nova, ela com certeza lembra quando nós três saiamos juntos para brincar e o quanto a Ada era grudada em mim.

−Ela está bem, apenas ansiosa demais para ver o Hector a ponto de ficar impaciente.

−Então eu estava pensando em irmos para o internato visita-la, o que você pensa disso Hector?

Jack olha para mim com um sorriso de alguém que pretende tramar algo, mas não consigo decifrar o que ele quer fazer.

Por outro lado, poder rever minha irmãzinha é algo que quero muito desde quando retornei do Chaos e agora com o problema de me manter escondido resolvido, posso andar livremente pelas ruas da cidade, sem me preocupar em ser descoberto.

−Hmm... Sim, gostaria muito de ir.

−Vai ser estranho reencontra-la após todos esses anos, imagino que esteja mais alta que eu.

As meninas olham para mim com aparente alivio de alguma preocupação e risos diante ao meu comentário.

−Isso mesmo, você deveria ir.

−A pequena Ada vai explodir de alegria e ir correndo abraçar seu amado irmãozão.

Fiore cruza os braços enquanto fala calorosamente sobre a minha irmã e como ela reagiria ao me ver. Desde que elas ficaram mais próximas com o meu desaparecimento, a amizade delas se mostrou melhor do que eu pensava.

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Com algumas horas de carruagem, descemos na frente da academia de Ebrima e vestidos com o uniforme de estudantes.

Não é muito diferente do uniforme que vi a Fiore usar, a única diferença são as cores. A camisa é branca com um laço branco e botões marrom, um colete preto, luvas brancas, calça branca e um casaco longo também branco.

−Porque temos que vestir essas roupas todas brancas?

−Até os sapatos?

Como esperado a Selene venho junto e reclama das roupas que meu tio fez a gente vestir, agora me pergunto o porquê disso.

−Está tudo bem, estamos vestidos assim, porque vamos entrar escondidos na academia.

−He! He! He!

Sinceramente tenho medo dessa risada brincalhona e desse olhar de criança bagunceira. As vezes penso que ele não é tio, parece mais aqueles meninos que só te levam a se meter confusões, sempre sobra para você e ele sai ileso.

−É.... tenho certeza que isso vai sobrar para gente.

Sussurro para a Selene que está ao meu lado, incomodada com a roupa e a bota de cano alto.

−Como assim escondidos?

−Não seria mais fácil vir na hora da visita?

Questiono a ideia do Jack, mas aparentemente ele vai insistir e tal ideia, fazendo todos nós seguirmos ele.

−Bem, eu já visitei a Ada hoje, então não posso entrar mais uma vez.

−Em todos os casos, existe a entrada dos Sabrie escondida nos muros da academia, bem... aqui!

Explicando para nós o motivo da ideia, ele passa as mãos nos muros da academia até encontrar um tijolo falso que abre uma pequena passagem para entrarmos agachados e então ele entra acenando com a mão para irmos rápido.

Quando adentramos no corredor escuro e estreito, a passagem se fecha logo após a Selene entrar.

−Essa é a entrada dos Sabrie?

−Huh!... Selene você está bem?

−Entendi! Pode usar meu casaco de guia.

Ela tropeça ao se levantar para o corredor escuro e se segura em mim, sem reclamar de nada, ela pega no meu casaco com uma das mãos.

−Certo, vamos em frente meninos.

−Esse caminho vai nos levar para o jardim da frente.

Jack começa a andar pelo corredor se apoiando na parede para se guiar e sou capaz de ouvir nossos passos ecoar no escuro.

−Tio, desde quando existe esse corredor?

−Parece um caminho bem antigo pela forma que foi feito.

Os tijolos da parede são menores dos que conheço, a forma que eles são colados entre si e o entrelaçado indica pelo menos uns 300 anos, bem é o que acredito já que não consigo ver nada.

−Estimo que tenha mais de 350 anos, eles eram tuneis secretos que cortavam a cidade.

−Foram muito usados nos tempos de guerra e quando foi feito o tratado de paz, o lorde Ebrima daquele tempo se encarregou de fechar a maioria dos tuneis.

−Por coincidência, a sua mãe encontrou esses tuneis que passam por baixo da academia quando ainda era aluna e usávamos para poder sair da academia e irmos para a cidade escondidos.

Por essa não esperava, minha mãe costumava aprontar bastante também quando era mais nova. Mesmo assim, toda a admiração e o respeito que ela conquistou dos outros com seu esforço, levaram ela a sofrer tanto.

−Hmm... isso pode ser bem útil até, mas... mais alguém sabe desse lugar?

−Se tratando de tuneis subterrâneos, não duvido de algo assim.

Aos saímos do corredor, entramos em um salão subterrâneo com um pouco de luz vindo de fora acima de nós.

−Não sei! Pode ser que alguém conheça, mas com certeza não é alguém que trabalha na academia.

−Logo ali na frente tem o túnel que nos leva para dentro em uma sala abandonada, assim chegamos perto da sala onde a Ada está esperando.

Ele responde enquanto tenta lembrar do caminho certo para prosseguirmos. O espaço que entramos tem mais 3 tuneis, que possivelmente leva para pontos específicos da academia.

O local não tem umidade, mas é quente o suficiente para fazer uma pessoa suar se ficar muito tempo aqui e o ar daqui é seco.

−Certo, pegamos o túnel da direita.

−Outros levam para o outro lado da construção e um deles está fechado.

Jack caminha para dentro do túnel e acena para nós seguirmos ele. Por sorte esses tuneis eram de aquedutos dos tempos da antiguidade, abandonados e não tem algum odor ruim. Há teia de aranha para todo lado, até eu perceber alguns pontos de luz que procurei olhar através deles para saber onde estamos.

−Hmm... tio, estamos passando entre as paredes da construção né.

O caminho que tomamos, nos levou a passagens dentro das paredes, mas não estamos dentro ainda.

−Sim, tem um pouco mais de uma dezena deles e salas subterrâneas também.

−Todos passam pelas paredes da academia, o único problema é.

−Ergh! Que eles começam a ficar bem apertados.

Chegamos a uma parte bem estreita e começamos a andar de lado. Por hora estamos todos bem, mas tenho medo que o Jack venha a ficar entalado a qualquer momento.

−Ugh! Hector, Hector.

−Estou com fome.

A Selene dá uma puxada na minha manga chamando a minha atenção com um olhar de cãozinho abandonado e por incrível que pareça consigo ver no meio do escuro.

−Desculpe, mas você vai ter que esperar um pouco.

−Quando sairmos dos tuneis, vamos procura algo para comer.

Obvio que ela não vai ficar contente com isso, normalmente ela come bastante e sempre carrega algo consigo.

−Eh... meninos temos um problema.

Jack um pouco mais a frente nos chama por alguma razão e estica o braço para nós.

−Fiquei preso entre as paredes.

−Preciso de ajuda para sair.

Não acredito que ele ficou preso entre as paredes.

−Hector! Vamos ajudar ele.

A Selene vai até ele e tenta puxar ele pelo braço para a nossa direção.

−Vamos lá.

−Forr...ça! Forr...ça!

−Tio encolhe a barriga um pouco.

A Selene e eu estamos com dificuldades de puxar ele de volta, a forma que ele ficou preso só vai deixar empurra-lo.

−Por acaso, você está dizendo que estou gordo demais para passar por aqui?

−Não tentem puxar, me empurrem para frente, assim podemos continuar sem se preocupar em como vamos continuar o caminho.

Jack tenta jogar o corpo para cima de nós, mas não conseguimos mover um centímetro se quer.

−Certo.

−Empurra...!

Fazemos o que ele disse, pressionando sobre seu ombro e quadril, até conseguirmos tirar ele da parte mais estreita.

−Uff! Ainda bem que vocês conseguiram.

−Vamos continuar, a Ada deve estar esperando há um bom tempo.

Novamente prontos para prosseguir pelos tuneis abaixo da academia de Ebrima, ajudo o Jack a se levantar e partimos até encontrarmos a saída.

Notas finais
Depois de todas aquelas descobertas, quais serão os passos seguintes que nossos herois tomarão? Vamos descobrir juntos nos proximos capitulos.