Notas iniciais
Olá novamente caros leitores o/

Uma Sombra que tem a aparência de uma cabeça de boneca com pernas de aranha vermelhas e bem afiadas.

Rawww!

−Isso não pode estar acontecendo?

Uma gota de suor escorre sobre meu rosto.

Realmente acreditei que era a Luna vindo me resgatar após aquele ataque na cerimônia de maioridade, mas eu acabei em uma armadilha feita por uma Sombra gigantesca.

−Ha! Ha! Ha!

−Morra garoto!!

A criatura movimenta as patas em minha direção.

Não sei se consigo, mas...

Vuum!

Splat! Splat!

Consegui desviar, porém enfrentar essa coisa não é uma opção. Então tenho correr como se houvesse amanhã.

−Ungh! Isto não vai ser fácil.

Lá vem ele de novo, dessa vez não vou consegui desviar facilmente.

Fecho meus olhos e tento fugir pulando para trás.

−Saia de perto dele agora mesmo!!

Zoom!

Pow!

Grrrauurrr!

Escutei a voz da Selene e momentos após um som de uma pancada forte.

Tento recuperar meu equilíbrio.

−Opa! Ah eh.

Quando olho para trás, percebo a Selene de frente para aquela Sombra, portando uma foice preta maior que ela e prestes a enfrenta-la.

−Você não vai machucar este garoto, ele é minha propriedade.

−Suma da minha frente agora.

Ela aponta o dedo para a criatura com um tom de voz mandão, mas duvido que aquela coisa vá recuar agora.

Rawww!

Ah que legal, ele está mais irritado.

−Selene, o que posso fazer para ajudar?

Meu olhar está concentrado nos movimentos da Sombra.

−Faça o contrato comigo, agora!!

−Se quiser sair vivo daqui.

Ela se vira para mim e põe suas mãos sobre a cintura com um olhar nada agradável.

Splat! Splat! Splat! Splat!

Ele está vindo bem rápido.

−Selene, cuida...

Tento avisar ela antes que ele chegue perto.

Bashn!

−Me largue, seu monstro nojento.

−Eu vou acabar com você.

−Hector rápido faça alguma coisa.

Tento encontrar algo para me ajudar, um objeto que lembre uma espada qualquer coisa, preciso de algo rápido.

Hmm...

A Sombra coloca ela em sua boca com dentes bem afiados e ela está tentando impedir que ele coma ela, segurando o céu de sua boca com toda a sua força.

−Eeergh! Hector, faça o contrato.

−Na minha forma atual não tenho força para lidar com ele.

Mesmo nessa situação você consegue ser mandona.

Não tenho escolha, ela apareceu para me socorrer e então vou ajudar.

Será que consigo usar aquela magia aqui?

Não sei, mas é hora de tentar.

Concentro minha magia para tentar algo.

...

Sinto a energia correr em meu braço direito.

Direciono minha mão fechada para seu queixo.

Impact Burst!

−Segura essa!!

Vapow!

Rawww!

Consigo libertar ela, após o forte impacto causado pela magia.

−Ai! Ai!

−Ele tem uma pele bem dura.

A Sombra é persistente e se levanta novamente.

Bashn!

−Mas que droga, Hector não perca tempo com isso.

−Faça algo direito.

Completamente irritada comigo porque a Sombra pegou ela de novo.

Dessa vez ele quer cortar ela, prendendo-a com suas pernas e usando duas delas para ataca-la. Ele está deitado segurando ela com as patas.

Tenho que encontrar uma brecha para chegar até ela.

Hmm...

Estou prestes a fazer a coisa mais tola da minha vida e não acredito que este improviso vai dar certo.

Bem... pelo menos não completamente.

E lá vou eu.

Splat! Splat!

Correndo com toda a minha força que me resta.

Plom!

Pulo em cima dela.

−Ah! Isto definitivamente passou dos limites.

−Vamos fazer esse contrato logo.

Completamente irritada e pisando com muita raiva sobre os olhos da Sombra.

−Certo, como fazemos isso?

A Sombra está muito inquieta.

−Rápido, me beije.

Preocupada que a Sombra se vire e derrube todos.

−Ok.

Coloquei minhas mãos sobre seu ombro.

−Mmm!

Ela me puxou próximo dela muito rápido.

Sinto uma energia emergir em meu corpo com tamanha força que parece que não vou suportar e quando abro meus olhos novamente, não vejo ela.

A Selene sumiu!

−Estou aqui, dentro de seu corpo.

−Fique calmo.

Escuto sua voz em minha mente.

−Me escute.

−Deixe as coisas comigo.

Ela possuiu meu corpo e pulou para longe da Sombra.

Na verdade, só estou vendo o que está acontecendo agora.

−Morra, seu monstro grotesco.

A foice dela que está em minha mão direita é lançada em direção a criatura com um brilho azul na lamina.

Va-voom!

Pow-boom!

Rawww!

Atingindo ele na testa com uma força incrível.

A Sombra desaparece em forma de cinzas voando no ar.

−É isso que acontece com quem mexe comigo.

Tenho a sensação que isto vai sobrar para mim depois.

Certeza que ela está brava comigo.

Splat! Splat!

−Ei, Hector.

Caminhando em direção a foice caída com a lamina cravada no chão.

−Sim, o que houve?

Pegando sua arma com ambas das minhas mãos.

Zim!

−Vamos sair daqui.

−Vou usar seu corpo mais uma vez.

−Quando chegarmos lá, vamos conversar.

Sua voz ficou mais séria e calma.

Sinceramente aquele medo que eu sentia ao me aproximar dela, simplesmente desapareceu. Ela é como eu e qualquer humano, não devia ter sido rude com ela.

−Está certo.

−Vamos para o mundo real.

Estou pronto mentalmente para voltar.

Ela movimenta a foice para a frente de meu rosto e fecha meus olhos.

É um tanto estranho ser possuído por uma Sombra.

Dá muito calafrios.

Uma forte energia se concentra em meu peito e ...

Zz... z... zoom!

~~~~~~~~~~~~

−Ele ainda está desacordado?

Escuto a voz de uma mulher perguntando de alguém.

−Bem... ele vai acordar em breve.

−Tenha paciência.

A outra voz também é de uma mulher e parece muito a voz da May.

Hmm...

Aos poucos me recupero de um sono, aparentemente profundo e escuto som de passos no piso de madeira.

Com a presença de sons constantes, meus olhos se abrem.

Olhando para um teto que não reconheço.

Onde eu estou? Estou na minha casa?

Querendo saber onde estou, me levanto do local macio e aconchegante em que eu estava deitado.

Limpo meus olhos para conseguir ver melhor.

−Ah! Você finalmente acordou.

Uma mulher alta usando um vestido de festa branco vem em minha direção.

−Yawn! Onde eu estou?

A primeira coisa que consegui falar estando com tanto sono.

O que eu gostaria de saber neste momento é se consegui voltar.

Meus olhos estão ardendo.

−Você está na casa dos Alma.

Ela senta-se ao meu lado, mas não consigo vê-la direito por causa dos meus olhos estarem irritados com algo.

−Casa dos Alma?

−A família de duquesas Alma, né?

Meus olhos estão lacrimejando e não param de arder.

Não posso ter certeza, que estou na casa da Fior e de suas irmãs.

−Uh-huh!

−Uhn... Seus olhos estão ardendo?

−Um segundo, deixe-me te ajudar.

Ela pega um lenço próximo dela e passa sobre meu rosto. Suas mãos são grandes e seu toque é delicado sobre meu rosto.

−Fufu... eu amaria fazer isso todo dia.

−Você não envelheceu um dia se quer, como isso pode acontecer?

−Eu aqui esperando você ter idade para poder se casar.

−Isso é injusto. Fufu...

Enquanto passa o lenço sobre meu rosto, ela repara em meu atual estado.

−Não envelheci?

−Espere, espere. Como assim?

Ela termina de limpar meu rosto.

Quando consigo olhar para ela, vejo uma mulher com cabelos longos aparentemente até o quadril, com um pouco de volume e prateados com uma franja caída sobre seus olhos, seus olhos são azuis como os da Fiore e uma pinta próximo aos lábios.

Ela está mais bonita do que antes.

−May Alma.

−Ah! É você mesmo.

Não consigo conter minha alegria de vê-la novamente.

−Uh-huh!

−Sou eu mesma.

Com um sorriso discreto ela posiciona suas mãos sobre seu colo.

−Vendo você agora mais de perto, nem parece que passaram 5 anos desde a sua cerimônia.

Ela põe suas mãos abertas sobre minhas bochechas.

−Como ashin?

−Sha pasharam shinco anos?

−May voshê está apertando minhashh bochechas demais.

May não tem controle de sua força e não consegue perceber se está machucando alguém ou não.

−Ah! Me perdoe.

−Força do habito. Fufu...

Ela retira suas mãos sobre minhas bochechas.

Força do habito é, um habito de maltratar minhas bochechas toda vez que nos encontramos.

−A propósito, May. Você disse que faz 5 anos desde daquele dia certo?

Passo minhas mãos sobre minhas bochechas vendo ela olhar fixamente para mim.

−Sim, fazem 5 anos desde do dia da cerimônia.

−Porque você me pergunta isso?

Com suas mãos juntas sobre seu colo, ela confirma minha dúvida.

−Sério?

−Não pode ser...

−Tenho certeza que passei apenas umas horas dentro do Chaos.

Fico de pé e ando um pouco para o centro da sala.

−A não ser que...

É possível que o tempo lá, passe mais devagar do que no mundo real.

Hmm...

−Hector. Você gostaria de um pouco de chá?

Ela vai até uma mesa com toalha de seda branca e um jogo de chá de porcelana com uma pintura de um jardim azul em cada peça. As cadeiras são de aço com encosto de fibra amarrada e o assento almofadado.

−Uh! Sim, seria muito bom agora.

Eu sento de frente para a janela da sala.

Uma sala de visitas que lembra muito a de casa, com paredes claras, moveis em mogno e a janelas são bem grandes com cortinas brancas.

−Acredito que você tenha um monte de perguntas para me fazer.

−Então vou poupar um pouco de tempo e explicar o que aconteceu.

−Tudo bem se eu fizer assim?

Ela põe o chá na xicara.

−Tudo bem.

−Ah! Obrigado.

Pego o açucareiro enquanto aguardo a explicação da May.

Cling!

Por pouco não derrubo a xicara na mesa.

−Bom, na cerimônia quando ocorreu tudo aquilo daqueles 5 entrarem do nada.

−Nem eu e nem mesmo Fior ou a Fiore, conseguimos se aproximar das escadas.

−Eles usaram alguma barreira para impedir que alguém se aproxime. Algo que você entende bem do se trata, já que a senhora Lucina te ensinou sobre essas magias.

Ela termina de adoçar seu chá.

Cling!

−Então, escutei um som de explosões vindas de fora.

−Naquele momento, eu fui para fora ver o que era e vi um outro grupo igual aos que invadiram a igreja, mas quando voltei para informar os outros, você tinha sumido e cidade estava um caos.

−As pessoas dentro da igreja estavam todas congeladas de medo, então tivemos que encontrar uma forma de sair, porque lá fora as pessoas estavam sendo mortas uma atrás da outra.

−Não conseguia saber o que estava acontecendo, simplesmente pensei em manter as pessoas a salvo.

−Fiore e Fior, partiram para ajudar mais pessoas.

Com as duas mãos sobre a xicara e apertando a alça dela.

−Então a cidade realmente foi atacada.

−Eu sabia! Mas e depois?

Estou muito curioso diante disso.

−Nos encontramos atrás do palácio Aeternam, porém tínhamos um grupo muito grande de pessoas e optamos em fugir pela região montanhosa ao norte.

−Encontramos o exército de Fogels nas ruas, matando várias pessoas e invadindo os comércios. Apesar de eu e minhas irmãs enfrentarmos eles, não precisamos usar nossas verdadeiras formas para lidar com o grupo de inimigos.

Seu olhar está muito sério e não parece ser fácil para ela me contar isso.

−Encontramos um local seguro em Moria, mas a Elizabeth conseguiu entrar em contato com o lorde de Ebrima que nos ajudou a construir uma vila para as pessoas em seu território, próximo à fronteira com Aeternam e Baljthet.

−A senhora Erica nos deu duas mansões, uma para suas irmãs com a Beth na capital e essa mansão ficou para mim e minhas irmãs, próximo a vila dos refugiados.

−Desde então estamos morando dentro do reino Ebrima e em troca da ajuda que recebemos, nos foi pedido para eliminar uma ameaça que está dentro do reino a décadas.

−Foi isso que aconteceu.

Ela tenta disfarçar a tristeza de relembrar do ataque a Aeternam com um sorriso.

−Entendo

−Foi assim que aconteceu.

Olho para meu reflexo sobre o chá.

−E quanto as minhas ir...

Uh!

−Ah!

Sou interrompido por uma voz energética vinda das minhas costas.

−May, porque não me avisou que ele está acordado?

−Eu estava o dia todo ao lado dele, esperando ele acordar.

Sei exatamente quem é.

Me viro para trás e avisto a Fior, porém mais alta do que a última vez que a vi. Seus cabelos continuam azuis e vão até a cintura, olhos verde mar e aquela pinta abaixo do olho esquerdo é irreconhecível. Ela está com uma camisa social branca com babados na frente, uma saia justa preta e botas pretas.

Como ela cresceu... deve ter comido fermento, só pode.

Fior aproxima-se da mesa onde eu e May estamos sentados.

−Irmã isso é injusto.

−Eu queria conversar com ele, antes de todos.

Ela continua com esse comportamento de menina.

−Menos Fior, assim não podemos explicar nada.

Uma voz sedutora vem da entrada da sala.

Esta voz é da Fiore, é parecida com a da May, porém levemente mais grave.

−Olá Hector! Fico muito feliz em vê-lo de volta.

Ela aproxima-se de nós.

Fiore está com um vestido de festa preto de tecido leve com um colar prata em forma de coração, um casaco claro e sapatos pretos. Ela e Fior são bem parecidas, porém a Fiore tem cabelos pretos e sua franja é penteada para a direita e ao contrário da Fior, tem olhos azuis que parecem te hipnotizar como os da May e tem quase a altura dela também.

O que elas comem para ficarem tão altas assim? Não consigo entender.

−Olá Fiore! Também estou feliz em vê-la.

−Isso prova que consegui voltar para o mundo real.

Embora eu tenha uma sensação de que as coisas mudaram demais.

−Uma pena que tenha passado 5 anos desde então, mas parece que vamos poder fazer as coisas andar agora que você voltou.

Ela senta-se na cadeira a minha direta.

Cling!

−Bem, vamos aproveitar este momento para termos uma conversa sobre o que iremos fazer e o que você pode fazer para recuperar Aeternam.

−Fufu... Espero que esteja pronto para o que vem agora, porque sua vida vai mudar completamente daqui para a frente.

Com uma xícara em suas mãos, Fiore sorri como se tivesse algo em mente para mim.

Algo que ela tem certeza que eu vou cumprir.

Notas finais
Demorou mas ele esta mais polido que os anteriores, tomei mais cuidado com os diálogos para vocês não se perderem entre os personagens das conversas. Até o próchimo capithulho e um abracho no corashão! Alguém me salva da May, por favor ç.ç