Faded Hearts
4 Fragmento de Memoria
Notas iniciais
Não espero que as coisas sejam fáceis daqui para frente e sim ao contrário, tenho que encontrar respostas para este ataque e porque fui jogado no Chaos.
Fiore parece ter algo em mente como uma pista ou ideia do que aconteceu.
Cling!
−Hmm... desde que nos mudamos para Ebrima, nós todas entramos para a Arcádia com a intenção de encontrar uma forma de resgata-lo do Chaos.
−Tendo isso em mente procuramos várias formas de conseguir entrar e sair daquela dimensão, mas um problema maior apareceu e atrapalhou muito nossos planos.
Ela pega um pedaço de bolo.
−Um problema maior?
−Tipo o que? Um monstro ou algo do gênero?
Ouço atentamente o que ela me diz e não deixo escapar nenhum detalhe.
Também quero um pedaço de bolo. Hehe.
Cling!
−U-fu fu! Mais ou menos isso.
−São as Sombras do Chaos, que vem trazendo problemas nos últimos anos.
−Não sabemos como elas saem de sua dimensão, mas enquanto não dermos conta delas é possível que Arcádia não nos dê descanso para fazer algo em relação a Aeternam.
Ela movimenta o garfo enquanto explica.
−Nhum!
−Sombras é... Elas não são fáceis de se derrotar, mas o que é a Arcádia? Meu pai falava muito deles, porém nunca perguntei o que era.
Este bolo está muito bom, seu recheio é doce com um pouco do ácido do morango.
−Arcádia é uma organização que protege o Chaos com 5 cristais que chamamos de cristais do equilíbrio, impedindo que alguém tente fazer algo naquela dimensão ou encontrar alguma forma de usar seu poder.
−A princípio Fogels era um dos membros, mas muitos meses depois ele parou de comparecer às reuniões e atacou Aeternam, roubando o cristal de seu pai.
−Nhum! Embora não se sabe exatamente o que ele quer com os cristais.
Ela louca por bolo de morango assim como a Fior.
−Então você quer que eu ajude a lidar com as Sombras, certo?
−Assim podemos encontrar tempo para agir em Aeternam.
Acredito que seja isso, que ela quis me dizer com minha vida vai mudar completamente.
−Isso mesmo, você não me decepciona um momento se quer.
−Por hora temos que lidar com as Sombras e assim que conseguirmos uma brecha de tempo, partimos investigar a situação de Aeternam e traçarmos um plano.
Ela aponta para mim com o garfo em mãos.
−Entendo, mas dar conta de uma Sombra não é tão fácil assim.
−Enfrentei uma delas no Chaos e mesmo com uma magia forte, ela resistiu com facilidade e sem falar que sua pele é dura demais para uma espada.
Minha mão direita ainda está um pouco dolorida após o Impact Burst.
Se bem que eu tive a ajuda da Selene.
Espera! Por falar nela, onde ela foi parar?
−Fiore! Tinha mais alguém comigo, quando vocês me encontrar?
As 3 olham para mim como se isso fosse algo inesperado.
−Infelizmente só encontramos você na escadaria da igreja dessa cidade.
−Porque essa pergunta?
May me responde com um olhar penetrante.
Fiore parece estar preocupada com a minha pergunta.
−Isso é entranho, tive a impressão de ter mais alguém comigo dentro do Chaos.
Tento disfarçar sobre a Selene.
Por hora é melhor evitar o assunto e encontrar ela o mais rápido possível.
−A propósito, vocês teriam alguma roupa para que eu possa tirar esse terno e a roupa social?
Usar essas roupas já estão me dando nos nervos. Não consegui usar uma magia direito, graças a não poder me movimentar direito.
−Ah! Verdade.
−Vou buscar alguma roupa com a Cyan, espere um pouco por favor.
Fior se levanta da mesa rapidamente e ela segue para o corredor em busca da pessoa chamada de Cyan.
Pensando agora, quando fui visitar o tumulo da minha mãe tinha um mais distante dos outros e pelo o que me disseram, aquele era o tumulo de uma mulher que vivia na antiga cidade de Perpetua mais a oeste.
Devo ir até lá buscar algumas respostas, mas depois de me trocar vou a procura da Selene.
~~~~~~~~~~~~
Descendo as escadas da mansão da May e suas irmãs.
Pode ser que eu encontre ela nas proximidades.
−Hector, onde você vai?
Fior está muito curiosa sobre minha atitude repentina de sair de casa.
Paro sobre o último degrau e olho para cima, onde vejo as 3 irmãs uma ao lado da outra.
−Tem algo me incomodando sobre o que vocês me falaram.
−Quero checar o local que vocês me encontraram.
É melhor começar de onde me encontram para ter pistas sobre ela.
Quando me aproximo da entrada.
−Hector, venha aqui um segundo.
Fiore me mostra em um relógio de bolso com um desenho de uma lua minguante em prata que pertencia a minha mãe.
−Ah! Você encontrou ele, eu estava a procura desde o dia da cerimônia.
−Obrigado Fiore.
Ela entrega o relógio em minhas mãos e então guardo no bolso direito da minha calça.
Dontt!
Hunh?
−Ah... Ahhhh!
Ploft!
... Ploft!
−Ai ai... você está querendo me matar é?
Sentado no chão após ser empurrado e cair das escadas, tento dar uma bronca na Fiore.
−Mas o que está acontecendo aqui?
−Ei, Hector me ajude aqui.
Essa voz é dela.
Viro meu olhar para minhas costas.
−Selene?
−Ehhhh... Espere um segundo, estou indo te ajudar.
Me levanto rapidamente para ajudar ela caída de rosto no chão.
Pow!
−Ai!
Quando me aproximo dela, sou recebido com um chute sobre meu rosto.
−Você é muito devagar.
−Como pode meu servo ser incapaz de fazer as coisas direito.
−Humpf!
Ela aponta o dedo para mim com um olhar mal-humorada.
Era certeza que de alguma forma ela iria descontar em mim, o que a Sombra fez com ela lá no Chaos e eu aqui todo preocupado para saber onde ela estava.
−Não precisava me acertar desse jeito, mas fico feliz em encontrá-la.
Ah! Droga.
Plin... Plin.. Plinnnnn!
O relógio cai de meu bolso e escorrega em direção a porta da mansão.
Voom!
−Ah não.
Um forte vento circula entorno do relógio da minha mãe.
−Eu sinto um cheio do Chaos.
−Hector é uma Sombra.
Ela fica pronta para o combate, mas algo parece estranho e não consigo explicar.
A Sombra abre um portal em cima do relógio como se rasgasse o ar ou a realidade.
Rawww!
−Sinta minha ira, sua Sombra maldita.
−Eh! Cadê a minha foice?
−Hector o que está acontecendo?
Mesmo ela posicionando sua mão para a frente, não vejo aquela foice gigante que ela carregava junto.
−Não sei.
Vuum!
Meu corpo reage e sem perceber me jogo na direção da Selene, empurrando ela antes que fosse atingida.
Vuum!
Pow!
Grrrauurrr!
Fiore se aproxima rápido e atinge as garras da Sombra.
−Deixe-me dar uma ajudinha.
Ela se agacha me segurando pelas costas e coloca sua mão direita sobre minha testa.
Estou um pouco atrás da Selene e a Sombra quer pega-la, pelo o que vejo.
−Não se preocupe deixe tudo comigo.
Ela sussurra para mim.
Uma estranha luz ilumina meus olhos, sinto uma forte energia emergir do meu corpo e ele parece estar mais pesado.
−Vai ficar tudo bem.
Fiore retira as mãos dos meus olhos.
Meu olhar é desviado para a Selene, que tenta usar seus poderes de novo.
−Ahhhh!
Ela começa a mudar de aparência, assim como aquela Sombra que enfrentamos.
Está ficando gigante e com a aparência de...
−Isto é uma raposa gigante.
Minha voz está fraca, meu corpo está dormente e pesado.
Não consegui dizer tudo, mas a criatura que via em minha frente é uma raposa gigante com pelos na cor de sangue, sobre duas patas com o casaco da Selene, porém ao invés da saia preta que ela usava, está com uma calça preta e um sapato social masculino branco como suas botas de cano longo e salto alto. Seus olhos estão completamente vermelhos e a foice faz jus ao seu tamanho.
−Você ousa me atacar, criatura desprezível.
−Vou mandar você de volta para onde venho.
Sua voz é um pouco diferente, soa mais roca e distorcida, mas ainda consigo dizer que é a voz da Selene.
Va-voom!
Ela tenta acertar a Sombra, mas a criatura parece ser bem rápida.
Va-voom!
Va-voom!
Va-voom!
Ela está errando tudo.
Quando você vai perceber que isto não vai funcionar nele.
−Er…! Fique parado para eu te matar coisa.
Ela se irrita com a Sombra.
Climn!
Hiss!
Duas correntes saem de seu casaco em direção a Sombra.
Tchun!
Grrrauurrr!
−Agora você está morto.
−Ahhhh!
Ela movimenta a foice com o mesmo brilho azul de antes.
Va-voom!
Pow-boom!
Com um corte diagonal na Sombra com uma aparência indefinida, a criatura desaparece em forma de cinzas. Aparentemente está tudo bem e o portal sobre o relógio fechou, até que uma forte luz ilumina a sala cegando todos nós.
~~~~~~~~~~~~
Minha visão retorna e vejo o jardim de uma mansão...
Vejo uma garota igual a Selene com um vestido rosa e detalhes florais em um jardim com um bicho de pelúcia e sorridente.
−Haha!
−Ei, vamos brincar mais pouco.
Ela está falando comigo? Será?
...
Minha voz não sai quando tento falar.
O que está acontecendo?
−Hector, vamos brincar mais pouco, sim?
Parece estar conversando com alguém.
−Yay...
Ela está sorridente e abraça o bicho de pelúcia, que parece uma raposa usando o casaco com forma de diamante da Selene.
−Uh! Essa flor é uma orquídea roxa.
−Ela é muito rara e difícil de cultivar em jardins como este.
Pat! Pat!
−Hehe!
Alguém está acariciando sua cabeça.
O que realmente é isto? Uma outra dimensão?
Aos poucos a imagem desaparece.
Hmm...
Tento forçar minha visão, mas isto é em vão.
Ah! Meus olhos.
O forte clarão aparece novamente, isto acaba com os olhos de qualquer um.
~~~~~~~~~~~~
Aos poucos o clarão vai desaparecendo e retorno para a sala na entrada da mansão das meninas.
−O que foi aquilo?
Continuo olhando para o relógio de bolso na espera de mais uma surpresa.
−Aquela... aquela era eu.
−Essa é uma das minhas memorias.
Ao virar para a Selene, percebo seus olhos estarem arregalados e congelada com o que viu.
−Ei Selene. Você está bem?
−Vamos acalme-se, por favor.
Vou até ela mesmo com meu corpo pesado e tento traze-la de volta para a realidade.
−Minhas memorias.
−Isso!
−Hector você viu? Aquela era eu, tenho certeza disso.
Confesso que não era a reação que eu esperava dela, por um momento ela se empolgou ao descobrir suas memorias.
−Sim, eu vi.
Embora tem algo de estranho nessa lembrança.
−Mas ainda não é o suficiente.
−Aquilo era só um fragmento das minhas memorias.
−Temos muito a fazer e você vai me ajudar, Hector.
Ela olha para o relógio e vai até ele.
Click!
Tlum! Tlon! Tlum! Tlam!... Tlum! Tlon!... Tlum! Tlam!...
Ela aperta o botão que abre o relógio e uma melodia triste começa a tocar.
Click!
Eu conheço essa melodia, embora não lembre seu nome e o que ela significa.
−Ele não tem mais memorias ou alguma Sombra.
−Aqui, isto é, seu.
−É uma música estranha essa.
Me aproximo dela e ela me devolve o relógio em mãos.
−Uhum! É a melodia que minha mãe tocava no piano, essa é a única lembrança que guardo dela.
Guardo o relógio no bolso da minha blusa.
Você vai ficar mais seguro aqui.
−O que vocês viram é uma ilusão.
−A ilusão feita com as memorias de alguém.
Fiore se aproxima de mim e de Selene.
−Presumo que sejam suas memorias né?
−Raposa Caótica.
Ela chama Selene por um nome que só ouvi em lendas antigas.
A Raposa Caótica é conhecida por aparecer após a morte do Rei Cinza e causar destruição em vários reinos, principalmente mais a oeste do continente que está em ruínas a séculos.
−Quem é você sua mulher esquisita?
−Não gosto de você e não vou deixar o Hector aqui.
Era de se esperar isso vindo da Selene.
Fiore é uma mulher misteriosa e imprevisível, muitos não confiam nela pelos mesmos motivos.
−Espera, Selene.
−Ela é uma amiga e pode nos ajudar a recuperar as suas memorias.
Preciso convencer essa criatura teimosa que encontrei no Chaos.
−Mas ela quase te mata, liberando meus poderes que estão em você.
−Porque eu deveria confiar nela?
Ela aponta o dedo para a Fiore como se ela fosse uma criminosa.
Me pergunto de onde ela tem este péssimo habito.
−Porque ela sabe o suficiente sobre as Sombras e pode nos dizer como e onde encontrar as suas memorias.
−Presumindo que uma delas foi encontrada no relógio de minha mãe e tinha uma Sombra junto dela com a ajuda de Fiore podemos identificar quem ou o que está com as memorias.
Espero que esse discurso convença ela a não fazer alguma besteira.
−Entendi, vou aceitar o que você me disse.
−Isto é só porque nós temos um acordo um com o outro.
Ela faz a foice desaparecer de suas mãos e fica ao meu lado apesar de sua presença emitir uma energia maligna.
−Bem... er... Selene essas são Fiore e suas irmãs, May e Fior Alma.
−Elas são muito próximas da minha família e de mim também.
Direciono minha mão direita a cada uma delas, que estão uma ao lado da outra desde o fim da ilusão.
−Hmm... sim, muito prazer.
Ela tentar ser educada, mas não demonstra um pingo de vontade de conhecer alguém e nem para se apresentar foi capaz.
Ficou simplesmente olhando para elas.
−Hmm... prazer em conhece-la, jovem Selene.
May se aproxima dela e aperta as bochechas da Selene sem medo.
−O she voshe esta fazshendo?
−Deixe mininhash bocheshashu em pash.
Selene tenta tirar as mãos da May de seu rosto, mas parece não ter forças para isso.
Qualquer um ficaria incomodado em ter suas bochechas apertadas assim.
−Fufu... Parece que a May realmente gostou de você.
−Fico feliz em te conhecer, raposa.
Fiore parece estar se divertindo com a situação.
−Humpf! Prazer em conhece-la.
−Raposa tola.
Fior não está muito contente com a presença dela.
−Do que você me chamou?
−Sua cabeça de água-viva.
Vou ter que aguentar a Fior e a Selene discutindo agora.
Sigh! Eu aqui pensando que uma era o suficiente para a minha paciência.
−A propósito, Hector. Não esperava você fazer um contrato com uma Sombra.
−Ainda por cima com uma tão fofa assim, que dá vontade de apertar como um bicho de pelúcia. Fufu...
May dá um abraço forte na Selene enquanto conversa comigo.
−Ahh! Hector socorro.
É uma cena engraçada de se ver.
Hehe... assim a Selene fica ocupada, tentando fugir da May e eu consigo pensar melhor nas coisas ou não né. Vou acabar me divertindo vendo essa cena se repetir várias vezes.
−Pois bem, parece que teremos uma longa tarde de conversa né?
Fiore chama a atenção de todos ao aumentar seu tom de voz.
Dessa vez não vou precisar me preocupar com a Selene, tudo está andando para uma direção inesperada, mas eu não vou me importar.
Pelo menos, dessa vez.
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