Notas iniciais
Ola caros leitores! Trazendo para vocês mais um capitulo. Tratei de fazer capítulos menores, acredito que o primeiro tenha sido cansativo para ler.

O silêncio toma conta do salão da igreja.

Blom! Blom!

−Mas isso é impossível.

−Como isso pode acontecer?

As pessoas na primeira fileira comentavam.

Meu coração está acelerado, mais do que já estava, sinto um arrepio subindo pelas minhas costas e minhas mãos estão inquietas.

Dou alguns passos para trás e mesmo de costas para o salão.

Batam!

Um forte vento empurra a porta.

Olhando fixamente para o relógio da igreja, não consigo me virar. Parece que estou com meus braços e pernas congelados.

Crick! Crick!

Ouço um som estranho de algo está rachando bem devagar.

−Não me diga que são os...

Faço um grande esforço e quando me viro as luzes se apagam devido ao forte vento.

−Acalmem-se todos.

Beth tenta acalmar todos ali presentas, mas não vejo nada somente ao fundo a cidade e a chuva.

Kinn! Kinn!

Os vidros em mosaico da igreja quebram todos de uma vez.

Boom! Boom!

Vários estrondos vêm do lado de fora, logo após acabar as badaladas do sino.

−Ah! Mas o que?

Em um piscar de olhos cinco figuras encapuzadas aparecem na minha frente.

Pá!

−Ai! Ai!

Acabo caindo no chão sentado, surpreendido com a presença dessas pessoas.

Um deles se aproxima.

−Hector Sabrie.

−Você é um criminoso.

Com uma voz bem grave e assustadora, ele aponta para mim com a mão esquerda.

Eles são... os Graveyard.

Aqueles que dizem vir atrás dos piores criminosos e os mandarem para o Chaos.

Não... isso não.

Tudo menos isso.

Tremendo diante a situação, não consigo falar nada, é como se a minha voz estivesse sumida.

−Seu crime é...

−A sua existência!

Ele esconde a mão em sua capa cinza.

Hiss!

Uma sombra se movimenta por trás deles.

É uma coisa como um vulto no salão escuro e iluminado apenas pela luz da lua crescente.

Espera!

O salão está subindo? Sinto que o chão onde minhas mãos tocavam está amolecendo.

Estou caindo?

−Espera. O que é isso?

−Socorro!!

Tento ficar de pé em um chão mole que aos poucos desaparece.

Estou caindo em um buraco quase como um poço.

Minha visão fica embaçada, não consigo movimentar meus braços ou as minhas pernas.

Brram! Brram!

Brram!

Escuto vários estrondos vindos de fora.

Mas o que podem ser?

Não faço ideia.

A única coisa que sei é que estou caindo devagar.

Sinto frio... um frio insuportável.

Minha consciência parece se apagar e não consigo pensar em mais nada.

Fecho meus olhos lentamente.

Meu pensamento me leva a algumas perguntas.

Estou caindo? Acredito que sim.

Talvez sonhando? Não sei explicar.

Ou morto?

...

~~~~~~~~~~~~

Plic!

Plic! Plic!

Está frio.

Abro meus olhos.

Splat!

−Água?

Me levanto de joelhos e tento ver onde estou.

−Então... aquilo não era um sonho?

−Aqui deve ser o que chamam de Chaos.

Com a mão esquerda sobre minha testa.

−Está escuro.

Splat! Splat!

Ando um pouco para minha frente.

−Uh! Isto parece... um pedaço de uma casa.

−Este lugar parece um cemitério de ruínas.

A cada passo que dou, meus olhos parecem me enganar. É um lugar escuro com pouca luz e cheio de pedaços de casas e outras construções

Subo em uma das ruínas.

Isso parece ser parte de um quarto, pela forma do piso e a cadeira de sobre o chão desse lugar.

−O que vou fazer aqui?

−Tenho que achar uma forma de sair.

−Pode ser que ali eu consiga ver as coisas melhor.

Avistando o topo de uma torre praticamente intacto.

Plic! Plic!

−Ha! Ha! Ha!

−Você ficará aqui para sempre, garoto.

Uma voz sombria e roca ecoa nas proximidades.

−Ha! Ha! Ha!

Tem algo ou alguém aqui.

Quando olho para baixo próximo aos meus pés, percebo uma boneca boiando.

−O que você está fazendo aqui?

−Não deviam ter jogando um brinquedo neste lugar.

Pego a boneca em minhas mãos.

Um brinquedo neste local que parece uma caverna submersa com ruínas de casas.

Isto é realmente o Chaos?

−Ha! Ha! Ha!

−Você ficará aqui para sempre.

A boneca mexe os olhos e fala comigo.

−Ah!

Split!

Solto o brinquedo que cai sobre a agua.

−Está assustado garoto?

−Não importa o que faça, você vai morrer aqui.

Coloco meu pé esquerdo para trás em posição para combate.

−Este será seu novo lar... isto é se sobreviver a ele.

−Ha! Ha! Ha!

Com um tom mais grave e macabro, o brinquedo aos poucos some da minha vista.

−Que boneca doida e muito assustadora também.

Splat! Splat!

Continuo a caminhar sobre a água rasa nessa escuridão.

Me lembra um pouco aquele sonho que tive, só que consigo ver algumas coisas aqui.

−Alguém!

−Alguém consegue me escutar!

−Oi!!!!

Tento chamar a atenção de alguma pessoa que talvez esteja viva aqui.

Growl!

Não gostei desse som.

Com certeza não é meu estomago.

Splat! Splat! Splat! Splat!

Ouço sons de passos rápidos na agua.

Algo está vindo.

Avisto um local para me esconder e não penso duas vezes.

Encostado na parede do que parecia ser um quarto de menina, cheio de prateleiras e bonecas.

−Uff!

Minha curiosidade de saber quem estava vindo está me deixando louco.

Talvez uma espiada não faça mal.

Próximo da borda da parede, me agacho e lentamente tento ver quem está parado no local onde eu estava. Minha boca está seca e minhas mãos soam.

Não consigo ver direito, mas pelo som parece ter mais do que duas pernas.

Com o pouco que vejo, percebo uma perna grande de inseto, grande e fina, as pontas parecem ser bem afiadas.

Não é um humano, é um monstro e se eu não fosse rápido, eu estaria morto agora.

Observo atentamente em silencio as ações da criatura.

Mesmo estando muito escuro, ela está olhando para todos os lados.

Parece estar à procura de algo, ou seja, eu.

Rawww!

Splat! Splat! Splat! Splat!

A criatura corre para longe.

−Será que desistiu?

Splat!

Um som vem pelas minhas costas me causando um forte arrepio.

−Eh?

Se eu me virar posso me arrepender, mas não tenho opção aqui.

Me viro para a parte de trás do quarto.

−Ha! Ha! Ha!

−Você ficará aqui para sempre.

É novamente aquela boneca de pano com cabeça de madeira.

−Ora, sua boneca maldita.

Pow!

Chuto o brinquedo para longe com toda minha força.

−Humpf! Está de brincadeira comigo.

Ziiiiip!

Thund!

−Ai!

−Quem foi o engraçadinho que jogou isso em mim?

Ouço a voz de uma garota bem irritada.

Ela está na direção que joguei aquele brinquedo engraçadinho.

Splat! Splat!

Quando me aproximo.

−Quem te jogou aqui?

−Responda sua boneca maluca.

Segurando a boneca e com um tom de voz bem grosseiro.

Ela parece ser mais nova que eu, tem cabelos pretos bem longos com uma traça no lado esquerdo que parece ter o mesmo tamanho do cabelo solto.

−Não me faça perder a paciência, seu brinquedo maluco.

Ziiiiip!

Ela joga a boneca para longe.

−Não precisa se esconder.

−Eu vi você chegar.

Ela percebeu a minha presença.

Chego mais perto dela aos poucos.

−Um humano jogado no Chaos.

−Qual é seu nome garoto?

Seus olhos vermelhos estão fixos em mim.

−Hector Sabrie.

Fico de frente para ela.

−Hmm! Meu nome é Selene.

−Eu sou uma Sombra do Chaos

Sentada sobre a uma parede quebrada.

−Uma sombra é.

−Mas sombras não deviam ser apenas lendas.

Coloco minha mão direita sobre o queixo.

−Se realmente fosse uma lenda, você não estaria aqui.

−Como você foi parar neste lugar?

−Não entendo isso.

Ela cruza os braços sobre seu casaco vermelho carmesim com um grande laço.

−Fui atacado por 5 encapuzados, que me jogaram aqui com alguma magia ou algo do tipo.

Não sei se é certo contar sobre isso.

Descendo da parede e aproximando-se de mim, ela me observa com um olhar curioso. Ela é bem menor em relação mim, com certeza não tem mais do que 14 anos e seus cabelos tem a cor castanho escuro.

−Hmm... isto é estranho.

−Quem teria poder para fazer isso?

−Não é algo que qualquer um consiga fazer.

Ela parece estar pensando muito nisto e não tira seus olhos de mim.

−Essas roupas são de nobres, não?

−De onde você é?

Reparando na roupa que estou usando desde a cerimonia.

−Eu sou o filho mais velho da família Sabrie e herdeiro do trono de Aeternam.

−Por isso, eu tenho que sair daqui.

−Tenho certeza que algo aconteceu em minha cidade, escutei vários estrondos e gritos das pessoas.

Fecho minha mão e levanto minha voz sem perceber.

Presumo que aquelas explosões possam ser um ataque a Aeternam, mas é só uma hipótese que pode estar errada.

−Então você quer sair do Chaos?

−Eu também quero sair daqui, mas não tenho alguém para fazer um contrato comigo.

Olhando para as paredes ao lado.

−Porque você sair daqui?

Curioso diante do que ela me falou, meu olhar fica centrado nela e tento ficar em alerta quanto a outros sons.

−Preciso recuperar as minhas memorias.

−Quero saber quem eu sou.

−Então decidi que você vai fazer um contrato comigo e ser meu servo.

Ela aponta para mim com sua mão esquerda coberta por uma luva branca e um olhar confiante.

−Eh? Espere! Espere!

−Como assim fazer um contrato?

Acabo dando um passo para trás de surpresa.

−É simples, se você fizer um contrato comigo podemos sair do Chaos.

−Você me ajuda a recuperar as minhas memorias e eu te ajudo com o que você quiser.

−Então?

Ela sobe novamente sobre uma ruina que seria uma parede e se vira em minha direção.

−Vamos fazer o contrato?

Ela estende sua mão direta para mim.

Não sei o que uma sombra seria capaz de fazer no mundo real e se ela vai mesmo cumprir o acordo. Acredito que deveria aceitar a sua proposta, mas ainda assim tenho minhas dúvidas.

Estendo minha mão lentamente até a sua.

−Não posso.

−Me perdoe, mas isso eu não posso fazer.

Volto minha mão rapidamente.

Não considero isso certo, Sombras são criaturas perigosas onde eu vivo e não são muito confiáveis.

−Agradeço a proposta, mas vou encontrar outra forma de sair daqui.

Prefiro não arriscar agora sem saber o que posso fazer.

Ela parece estar bem decepcionada.

−Ahn! Serio?

−Está certo.

Seu tom de voz ficou mais calmo e ela então volta para a parede onde a encontrei.

~~~~~~~~~~~~

Caminhei por um bom tempo, no sentido contrário de onde encontrei aquela garota.

−Sigh! Tudo o que vejo são ruinas e mais ruinas.

−Este lugar parece um cemitério de cidades.

Está muito complicado encontrar uma forma de sair.

−Senhor Hector.

−Senhor Hector.

Uma voz muito conhecida me chama ao longe.

Alguém toca meu ombro esquerdo por trás.

−Senhor Hector, era aqui que você estava?

Quando olho para trás me deparo com uma das candidatas a minha noiva com um olhar preocupada.

−Luna? Como você chegou aqui?

Minha cabeça está completamente confusa, imagino como deve estar a minha cara de surpresa.

É possível para ela entrar aqui? Talvez sim, ela é filha da sacerdotisa de Fogels.

−Venha, vamos sair do Chaos.

−A Selene é muito perigosa, ela matou todos aqueles com quem teve um contrato.

−Você não deveria ficar perto dela.

Segurando minha mão e me levando para longe de onde encontrei a Selene.

Hmm... isto soou bem estranho.

−Espera. Como você conhece a Selene?

−Ela mencionou que nunca saiu do Chaos porque não encontrava alguém para fazer contrato.

Ela para de me puxar e o clima parece estar bem estranho, sinto uma vontade assassina vindo dela.

Tento soltar sua mão e bato para evitar que chegue perto.

−Pensei que você cairia nessa, mas já chegamos até aqui.

Ela começa a se transformar.

−Não me diga que você é...

Rawww!

Um grito com som misturado de rugido de alguns animais ecoa nas proximidades.

Chega a ser ensurdecedor.

Ela é na verdade uma Sombra igual àquela que venho correndo quando eu gritei por alguém, gigantesca e assustadora.

Rawww!

−Só pode está de brincadeira comigo?

Notas finais
Chegamos ao fim de mais um capitulo. Espero que o arco introdutório não fique tão grande como está no meu cronograma. Pessoal não esqueçam de mandar um comentário ou uma critica sobre a historia, ficarei feliz em saber o que vocês acham de Faded Hearts. Até o próximo capitulo o/