Faded Hearts
34 Ataque Noturno
Após nossa conversa no auditório pessoal do Lorde Braska, caminhamos até seu escritório. O cômodo tem no centro, dois sofás de couro com 3 lugares um de frente para o outro e entre eles uma mesa de centro retangular toda feita de vidro com peças de chá de cerâmica e uma toalha de mesa bege feita de seda.
As paredes são claras com janelas grandes vindas do chão até uma altura próxima do teto, a iluminação é feita com cristais de luz branca, há quadros com paisagens lindas dos períodos medievais como casas feitas de pedras próximos a rios e vilarejos distantes, muitos desses lugares ainda mantem a mesma paisagem.
−Como nosso acordo requer muita descrição e apoio mutuo, acredito que devemos expor nossas metas atuais para sabermos como um agir com o outro.
Eu apenas aceno com a cabeça concordando com as palavras do Lorde Braska, sentado de frente para mim em outro sofá.
−Eu quero que você derrube o Fogels, tenho certeza que você já tem isso em mente.
−Mas não apenas derrubar, quero dar uma lição nele e tirar tudo dele.
−Para isso, preciso que você enfraqueça ele e confronte sempre e onde ele estiver.
−Tenho certeza, que ele vai se irritar e começar a agir sem pensar, é aí que nós teremos a chance de derrota-lo, mas não será tão fácil assim, então todo cuidado é pouco.
É um plano interessante, se Fogels tiver um temperamento mais agressivo ou que facilmente reage as mudanças, mas isso leva a eu ter informações dos locais onde ele vai se encontrar.
−Eu já pretendia fazer algo com relação a ele, desde que preciso descobrir as causas da destruição da minha terra.
−Pode contar comigo.
Não tenho muita opção, então ter ele com informações necessárias é o ponto chave para minhas ações.
−Lorde Braska, você pediu um acordo entre nós, então deve saber o que nós buscamos?
Ele me olha de forma enigmática, possivelmente pensando nas minhas palavras ditas e concluindo silenciosamente.
Isso vai além de apenas recuperar a terra natal do meu povo, tem algum segredo em torno de mim e quero saber isso também.
−Hm! Entendo agora.
−A raposa está envolvida nisso também, então não seria estranho dizer que você busca acabar com a guerra contra a Graveyard e ter uma solução para o problema das Sombras.
−Concordo com esse objetivo também, essa história já foi longe demais e é preciso uma solução definitiva para mantermos a paz.
Sentados de frente um para o outro, diante a mesa de escritório na direita da sala, ele começa a escrever em um papel com um pincel de cerdas moles e finas em tinta preta, cada assunto que colocamos na mesa.
−Fico feliz em saber de seu interesse nesses temas, isso significa muito para mim.
−Desde quando Fogels atacou Aeternam, nenhum dos outros líderes tomou alguma atitude em relação a ele e aos outros assuntos.
Enquanto escreve calmamente, ele relata a situação que ele presenciou de forma bem simplificada e objetiva
−Bom, estamos de acordo com os nossos objetivos.
−Então para começarmos, preciso que você e a Raposa destruam as barreiras que Foges vem colocando nas estradas ao sul do meu reino.
−Ele está impedindo o acesso dos comerciantes de Braska para as cidades independentes do Sul e aos portos Yaris e o Solarys, isso acaba com o comercio local e a economia do reino.
−...
−Meus soldados estão de olhos em outras grandes estradas que ligam os 5 reinos para evitar outros bloqueios, mas acredito que seja questão de tempo para ele decidir dar seu movimento.
Com os cotovelos sobre a mesa e as mãos juntas na altura da boca, ele olha atentamente enquanto nos pede apoio.
−Destruir essas barreiras é?...
−Hmm...
Imagino a quantidade de soldados que teremos de enfrentar, considerando que apenas eu e a Selene, estamos nesse acordo por inteiro.
−Pode deixar que vamos destruir tudo!!
Selene pula em direção de Braska, batendo as mãos na mesa dele e mostrando confiança em sua expressão sorridente.
−Bem, ela já respondeu por mim.
−Podemos resolver isso antes do amanhecer.
Me levanto com os punhos fechados e com um sorriso para ele.
Os outros estão sentados no sofá mais próximo a saída, apenas observando a conversa, sem opinar sobre o tema até porque qualquer envolvimento deles nesse tipo de ação significa ser preso por tempo indeterminado.
−Sim, vou lhe passar as estradas fechadas pelos soldados dele e um meio de locomoção.
Ele busca no meio dos papeis sobre uma mesa no lado direito da sala, onde ele provavelmente fica grande parte do tempo, as informações das estradas e me entrega um mapa feito a mão cheio de detalhes.
Selene e eu partimos acompanhado do Lorde Braska até a saída da mansão, onde ele comanda três soldados para nos levar nos locais marcados.
A partir de agora é conosco e não vamos voltar atrás depois de ir tão longe.
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O primeiro local é a estrada Moria-Eterkov, a mesma que pegamos para chegar na capital do reino Braska e continua ao sul da capital, faz o caminho todo para o porto Eterkov e tem ligação com uma estrada menor para o porto Yaris. Foi um bloqueio estratégico, pois impede os comerciantes de exportar produtos para as ilhas ao sul do continente e para o continente do Leste.
A carruagem que nos foi cedida para um pouco antes do bloqueio e o soldado que a conduzia, se movimenta até algumas arvores fora da estrada a esquerda para nós esconder. Descemos acompanhados de mais dois soldados que estão ali para nos dar cobertura, um de cabelos bem curtos, com um corte militar e outro com cabelos mais longos e olhos verdes.
−Lorde Sabrie, é ali que os soldados de Fogels estão.
−Eles criaram com algum metal aquela parede gigante e tem algumas dezenas deles mantendo a segurança.
O soldado que controlava a carruagem nos orienta do necessário, me entregando uma espada de tamanho médio para usar aqui.
−Hmm... vai ser mais difícil do que parece.
−Certo, vamos.
Dois soldados vestindo armadura de couro escuras para se camuflarem com a estrada a noite, nos acompanham para dar apoio. Não tem qualquer tipo de iluminação, apenas as tochas na barreira de metal e a única coisa que poderia fazer eles nos ver nesse momento seria um raio.
Nos aproximamos por entre as arvores caminhando de forma a evitar o máximo possível o som de nossos passos, respiramos devagar, olhamos para o chão para não pisarmos em raízes, folhas secas ou até mesmo galhos. Pouco a pouco chegamos ao limite da escuridão e da onde podemos nos aproximar sem ser vistos.
Procuro por todos os guardas na frente da barreira, avistando apenas 3 deles, sendo um mais à frente no meio da estrada e um para cada lado. Estão com uma pistola em mãos e uma espada na bainha, aparentemente são curtas o que facilita para eles empunha-las mais rápido.
−São apenas 3 mesmo.
−Selene derruba o mais próximo e o do meio eu atinjo jogando a espada, assim que o guarda mais distante chegar, vou precisar que distraiam ele para eu usar a Maximum em cima dele e da barreira.
−A partir daí os outros irão vir, assim vamos em duplas, uma usa as arvores a seu favor e a outra serve de distração na estrada.
Improviso um plano e cochichando, conto a todos como podemos agir, eles acenam concordando com a ideia e então os dois soldados se escondem na floresta, indo além da barreira.
Fico de pé atrás da Selene, aguardando o momento certo dela atacar o primeiro alvo, assim partir para cima do próximo e se dermos sorte o último pode não ouvir seus colegas. O que daria uma boa vantagem de fator surpresa aos outros.
Esse frio na barriga...
A muito tempo que não sinto isso, desde os campeonatos de esgrima que eu participava quando era criança.
O guarda virou de costas para as arvores, a Selene corre para a direção dele e eu acompanho ela um pouco mais atrás, enquanto ela disfere um golpe na costa dele com sua foice. O que vigiava o meio da estrada percebe a presença dela, sendo mais rápido opto por lançar a espada girando na horizontal em direção a ele, atingindo sua mão com a arma de fogo.
Hmm! Não pense que vai conseguir sacar a espada tão fácil assim.
Assim que percebo que errei ao acertar sua mão, corro e salto para cima dele com a minha mão direita envolvida pelo brilho branco da Impact Burst e ataco o chão um pouco a frente, jogando as pedras da estrada na sua direção até uma das grandes atingir sua cabeça e desmaiar. Sem muito tempo a perder, Selene lança a foice no terceiro guarda atravessando seu corpo.
Não foi como eu pensei, mas funcionou.
Pego a espada que eu lancei, energizo sua lamina com minha magia e começa a circular um forte vento junto com o leve brilho branco. Vento cortante é uma magia poderosa, foi dela que tirei a Maximum, concentrando o vento em um só ponto.
Preciso aumentar sua força para derrubar o grande muro de metal e sobrar força o suficiente para atingir o que tiver atrás também.
Em poucos segundos, a espada começa a esquentar e pode não suportar minha magia. Com os joelhos levemente dobrados, posiciono a espada na minha frente, movimento ela para cima e faço um movimento para baixo com força, liberando a magia e os ventos na direção do muro.
Fuuhm!
Boom!
Com uma grande velocidade, a magia arrebenta a parede metálica que torce com a força dos ventos e joga para bem longe junto com um pequeno grupo de soldados.
−Agora!
Assim que eles nos viram, dei um sinal aos soldados escondidos e apenas 7 soldados mais distantes do local atingido, estavam ali com armas apontadas para nós. Distraídos com a nossa presença na estrada, os outros dois soldados de Braska saem da escuridão das árvores e atacam o grupo por trás.
−Eles estão olhando para os dois.
−Vamos.
Selene e eu aproveitamos o ataque surpresa dos nossos colegas e partimos para cima também. Com movimentos rápidos com sua foice gigante, ela consegue desarmar dois que estavam mais próximos e colocando eles para dormir.
Outros dois tentaram atacar a Selene, então acertei um com o soco do Impact Burst na barriga e é jogado para longe ao longo da estrada, atingindo mais outros dois no caminho e na outra mão com a espada na horizontal, bloqueio o outro a tempo. Ela pula nos meus ombros e usando o lado contrário da foice, ela acerta a cabeça do guarda inimigo com o cabo, não dando chance alguma a ele, mesmo usando um capacete.
−Conseguimos derrotar todos.
−Agora vamos precisar de apoio para levar todos presos.
O soldado de cabelos castanhos e bem curto, propõe levar todos eles presos como inimigos de guerra para depois vermos o que fazer com eles.
−Sim, vamos prende-los em um local escondido nas arvores.
−Assim apenas a guarda real saberá onde eles estão.
Logo que propus uma ideia, os dois soldados começam a amarrar os braços e as pernas dos inimigos sobreviventes do nosso ataque. Em poucos minutos, levamos 12 sobreviventes para fora da estrada e parei por uns instantes para ver o muro de metal, que parece ser composto por algum material com grande resistência.
Não seria Bronze porque é muito pesado, eu pensaria em aço ou ferro reforçado com rochas, talvez vulcânicas, seria uma boa opção. Mas se fosse rocha vulcânica, só haveria dois locais de onde retirar, no Abismo Infernal e na 2ª área de mineração da Mina L’effer.
Em qualquer uma das opções, isso é preocupante.
...
Eles têm capacidade e equipamentos para moldar tal tipo de material, então com certeza tem armas melhores comparada as dos outros reinos.
Vamos ter de agir, mais rápido do que eu pensei.
−Lorde Sabrie, temos que ir para a outra estrada.
−Já mandei uma coruja para a capital com a mensagem para virem pegar os inimigos.
O soldado que guia a carruagem, chama a minha atenção com o veículo na estrada e todos lá dentro. Ele parece animado com a minha presença e o apoio com seu rei, sendo que na verdade eu estou recebendo mais ajuda do que ajudando.
Caminho para entrar na carruagem, então partimos rumo a oeste do reino de Braska, agora para a estrada Aster-Yaris, que vem da capital de Aeternam até o porto Yaris e entre ele também passa a estrada que liga o leste de Braska com o sudoeste de Aeternam e serve de ponto de partida para a Perpetua, hoje em ruinas.
~~~~~~~~~~~~
Observando o caminho percebi que entramos na rota que liga Braska a Aeternam, presumo que os soldados de Fogels fizeram o mesmo que na primeira estrada e fecharam o caminho que cruza duas estradas importantes para o comércio.
A vista de fora, mostra um local mais voltado a agricultura com grandiosos campos de plantação de trigo, milho e soja, beirando dezenas de quilômetros e ao longe é possível ver casas seguindo modelos antigos feitas com pedra e janelas grandes. A medida que nos aproximamos do cruzamento entre as estradas, avistamos um vasto campo aberto com alguns pinheiros e cedros, mais no fundo é possível perceber nuvens encobrindo as estrelas e se aproximando da estrada.
De repente a carruagem para bruscamente e começa a se movimentar devagar, saindo da estrada para a área de campo. Não é possível fazer uma camuflagem ou esconder por aqui, apenas facilidade de ser visto.
−Esse é local.
−Senhor Sabrie, vamos.
O soldado com os cabelos mais longos e olhos verdes olha para fora, observado se é seguro sair e o outro de cabelo mais curto acena confirmado tudo.
−Estarei de guarda por aqui, caso precisarmos de uma retirada.
Com um tom bem baixo de grave de sua voz, o líder dos soldados ficou sentado na guia da carruagem, enquanto nós saímos da mesma em silencio para não chamar atenção.
Existe a mesma parede gigante de metal no meio da estrada, porem tenho a impressão que alguém está nos vigiando. A estrada está escura, não tem o brilho da lua e som vindo dos céus indica que temos pouco tempo.
−Uh! Algo não está certo aqui.
−Há poucos guardas de vigia por esse lado.
−Pode ser que algum general esteja por aqui.
O soldado com cabelos bem curtos, observa o local de forma atenta e estranha a movimentação por ali.
Fico ao lado dele na beira da estrada, olho para os 5 soldados de vigia próximo a parede, que estão armados da mesma forma que os outros da barreira anterior. O vento soprando para o leste indica a proximidade de algo em nossa direção, nos dando pouco tempo antes de ser pegos por alguma tempestade.
Em pensar que era para estar nevando agora no fim de ano.
−Vocês têm uma grande ousadia de invadirem esse espaço.
−Soldados de Braska!
Uma voz alta e estridente, ecoa na estrada chamando nossa atenção e uma sombra com forma humanoide caminha em nossa direção.
Por essa não esperava.
Fomos descobertos tão rápido assim.
Quem é essa pessoa? E como nos encontrou?
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