Faded Hearts
35 O Inimigo de Fogels
Como pode essa pessoa ter descoberto nossa presença dessa forma e tão rápido assim?
A figura de um homem alto com cabelo raspado, castanho e olhos pretos como um raro diamante negro, vestindo um uniforme militar verde com o brasão do reino de Fogels e no ombro 3 faixas brancas, o que significa que ele é um sargento do exército, botas coturno e um bainha portando um sabre.
−O que vocês pretendem se aproximando da barreira do nosso reino?
−Respondam!
Chegando mais perto, sua testa franzi demonstrando um olhar ameaçador diante de nós e mantendo uma postura defensiva.
Já que chegamos nessa situação, é melhor agir logo.
−Sargento de Fogels, viemos aqui derrubar essa parede de metal vulcânico.
−Seja por bem ou por mal.
Me levanto, caminhando na direção dele para o meio da estrada com a palma da minha mão direita coçando para não sacar a espada, mas não sei o que pode nos esperar se eu fazer algo sem pensar. Enquanto caminho, percebo o outros se levantarem e irem mais distantes da estrada para o local onde deixamos a carruagem.
−Huh?! Veja só o herdeiro de Aeternam.
−Venho finalmente se vingar do que nosso rei fez?
−Porque se for isso, esse será seu local de morte.
Que rude.
Chego a uma distância segura, olhando diretamente para seus olhos negros, mantenho uma postura firme e a calma em frente a essa pessoa.
Ele tem alguém ou alguma habilidade de rastreamento, ou apenas foi avisado de nossas ações na região.
−Vingança?
−Não será isso, que vai me levar a destruir seu rei.
−Vim começar o que Arcadia nunca fez, recuperar Aeternam e pôr o reino de Fogels no seu lugar.
Esse homem, não aparenta ser tão perigoso quanto Marian, mas como os livros antigos dos Noxia dizia, “nunca duvide de um humano”. Devo estar alerta e pronto para qualquer coisa agora que estou de frente para um inimigo.
O vento na estrada começa a ficar mais forte com a aproximação das nuvens, que apagam as estrelas no céu e se por acaso elas cobrirem a lua, vamos ficar às cegas.
−Humpf! Muita ousadia da sua parte garoto.
−Essa barreira vai ficar onde nós a deixamos.
−Saia daqui criança.
Ele aproxima seu corpo de mim ao terminar de falar com suas sobrancelhas inclinadas e olhar direto para os meus olhos.
Zimn!
−Tsk!
Assim que que ele chega mais perto, retiro a espada da bainha e movimento ela na horizontal, vindo na altura do seu pescoço, cortando a gola de seu casaco e atingindo de raspão seu pescoço.
−Mais um passo e vou cortar a sua cabeça.
−Essa barreira vai cair nessa noite, querendo ou não.
−Prepare-se sargento.
Percebo pelo corte na gola, o sangue escorrendo sobre seu pescoço e as pupilas dele dilatar. Com a espada empunhada na mão direita, desafio ele e me preparo mantendo minha perna esquerda mais a frente para começar o confronto.
−Vocêee!...
−Amaldiçoe o dia que me conheceu.
Ele parece fora de si com meu golpe rápido por alguns instantes, mas segundos depois sua testa franzi novamente junto com suas sobrancelhas inclinada para o nariz e pega o sabre na bainha a esquerda da sua cintura.
Começamos a trocar golpes de espada em várias direções, desde direita e esquerda, diagonal e na vertical. Nossos passos pareciam uma dança entre dois espadachins experientes durante um duelo, por um instante me abaixo para não ser atingido por um golpe na altura do meu pescoço. Assim como ele teve muita agilidade para desviar de meus golpes para as coxas e nas mãos, tentei também impedir seus movimentos com golpes de movimento de ida e volta.
A poeira da estrada sobe com os passos rápidos, ao decorrer da luta temos dificuldade de nos vermos, até tomarmos um pouco de distância e as espadas começam a se tocar novamente, mas agora mais nas pontas e permitindo uma facilidade de se movimentar na estrada.
−Você é bem habilidoso para a sua idade, mas...
−Não o suficiente.
Ele tenta fazer um golpe na direção dos meus ombros para me assustar e por fim um último vindo até meu rosto, no qual tentei me distanciar ao ponto da lamina ficar a poucos milímetros do meu olho esquerdo.
−Hmm!
Aproveito que ele demora mais para voltar a espada, me agacho e faço um corte na barriga, assim que consigo atingi-lo vou para o seu lado e tento mais um ataque agora no pescoço.
−Tsk!
−Criança maldita.
O sargento está visivelmente irritado, parece ficar atormentado por não saber lidar com a minha esgrima e coloca a mão esquerda sobre a barriga atingida com a ponta da minha espada. Não falo uma palavra se quer, não expresso nada para evitar que ele tente me ler naquele momento, só olho fixamente para seu rosto, enquanto carrego minha magia em minha mão esquerda.
A energia presente começa a fazer barulho agudo e baixo, é um som irritante para os ouvidos e também ameaçador. O mesmo brilho azul aparece, então o som se intensifica e acelera.
−Encerramos por aqui, sargento.
Kri-Kringggg!
Acerto o homem ferido na barriga com uma magia elemental bem no peito, que não teve como evitar ou desviar sem sentir a forte dor do corte que recebeu. Então ele cai de joelhos e depois de lado com as roupas queimadas pela magia, o corpo não aparenta estar respirando e isso prova que acertei seu coração.
−Ele morreu com a Lança de Raio.
−A corrente elétrica deve ter sido forte o suficiente.
Tento ler o nome em sua farda, que estava escrito nome Horda.
É o sobrenome dele, uma família tradicional da capital Fayel e também militar, são habilidosos com uma infinidade de armas, desde espadas e lanças até arma de grande porte como machados longos e marretas de ferro.
−Sargento Horda, que o Chaos tenha piedade de sua alma.
Chego perto do seu corpo sem vida, apenas para fechar seus olhos e faço o gesto que liberta alma do mundo dos vivos para enfrentar seu rumo, seja ele o Chaos para ser punido ou para Alma Lux, o mundo das almas.
−Certo, agora só me resta a barreira e os outros guardas.
Olho para aquela grande parede de metal vulcânico, imaginando quantos deles ainda estão de pé à minha espera. Levanto novamente, indo até o centro da estrada e mais próximo do meu alvo.
Com isso vou começar uma guerra, sem data para começar ou para terminar. Vai depender de mim, cada ação e cada possível reação deles a mim.
Acredito que estou pronto para aceitar tal responsabilidade.
Mantendo meu pensamento no resultado da minha atual ação, guardo a espada na bainha e energizo minha mão direita com o máximo possível da minha magia. Caminho até a distância de duas carruagens da barreira e paro, analisando cada detalhe do metal que foi usado na criação desse artefato.
−Rocha vulcânica é?...
−Bem criativo e ao mesmo tempo uma loucura, apenas tocar nessas rochas poderia causar muitos danos a uma pessoa.
−Yawn! Vamos terminar o que começamos e depois disso, vou precisar de um bom tempo de sono.
Deixando apenas o dedo indicador e o do meio retos na minha mão, movo o braço para a esquerda do meu corpo, fazendo o vento circular sobre a minha magia e no momento que sinto que estou no limite de perder o controle dessa energia, movo meu braço apontando meus dedos para o meu alvo e liberando a fortíssima magia com velocidade.
Zz-Zoom!
Boom!
−Guah!
−O que é isso?
O objeto se arrebenta com o impacto e voa para longe com um grande buraco no centro. Ouço vozes assustadas dos outros guardas e parece que alguém foi atingido por vestígios da barreira, alguns percebem a minha presença e ficam em posição diante de mim.
−Venham.
Puxo a espada para começar a derrotar um a um, começando a correr para cima dos 3 mais próximos.
−Não tão fácil assim!!!
No meio dos 3, me distraio com os mais distantes apontando a arma de fogo para mim, até a voz de uma menina junto com uma sombra pequena e uma foice gigante aparece atingindo os guardas.
Derrubo os que estavam me enfrentando e vejo os soldados de Braska vindo logo atrás da Selene, correndo até os grupos maiores de guardas. Aproveito que eles apareceram e me junto para sermos rápidos, pois qualquer um que escape vai avisar o reino todo do meu ataque e até mesmo pode sobrar para o Lorde Braska.
5 minutos depois, derrotamos todos os guardas que o reino de Fogels mandou para proteger essa área.
−Lorde Sabrie, bom trabalho.
O soldado de cabelos curtos bate em meu ombro com um sorriso e a sensação de dever cumprido.
−Não, não, foi um bom trabalho de todos nós.
−Sigh! Prender todos esses inimigos, vai ser mais trabalhoso do que derrotar um a um.
Guardo a espada na bainha da minha cintura, caminhando até a carruagem para pegar as cordas e aviso o guia, que aguarda junto a uma coruja com a mensagem para a guarda real.
−Ei Hector!
−Ugh! Estou com fome.
A Selene vem até mim e puxa a manga da minha camisa, no início pensei que ela estava ferida ou algo do gênero, mas é o estomago dela pedindo por mais comida.
−Haha! Sim, só podia ser isso né.
−Vamos ter que esperar um pouquinho, mas sim, eu também estou com fome.
Só essa menina para me fazer rir depois de tudo o que aconteceu.
Aguardamos por algumas horas até a chegada da guarda real, então partimos junto com eles para Yaska. O sol está prestes a surgir no horizonte, dentro da carruagem observo ele aparecer e dar o início de um novo dia, quem sabe isso pode indicar o início de um novo período para todos nós.
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