Faded Hearts
12 Armadura Louca III
Dentro do castelo, nos encontramos sobre um grande corredor fechado por uma parede. Ensopados pela chuva não sei se ficávamos surpresos ou dávamos atenção ao frio que sentíamos.
−Porque tem uma parede aqui? O corredor não levava até o salão onde ficava o rei?
−Atchin!
A surpresa da Fior é maior do que eu esperava.
Até porque ela tem razão, as construções antigas dos 5 reinos sempre seguiam padrões parecidos e uma delas é o corredor de entrada.
−Não temos muita opção né.
−Vamos encontrar uma forma de abrir um caminho.
Vou até a parede e tento encontrar uma pedra solta ou algo parecido.
−Hmm... como pensei.
−Isso foi fechado a pouco tempo, uns 2 anos talvez.
Toco e empurro pedra por pedra, mas todas elas estão bem presas.
A forma que a parede foi erguida é a mesma de uma construção próxima a mansão onde moramos. As rochas são lascadas até ficarem na forma retangular com um tamanho fácil de carregar e a forma que elas estão postas trançadas entorno de uma viga próximo as paredes do corredor.
−Então alguém fechou o corredor alguns anos atrás? Mas quem?
−Hector, tem alguma forma de abrir ou passar por isso.
Fior toca nas paredes do lado para encontrar algo que abra caminho.
Só vejo uma forma de sair daqui, fica procurando por alguma alavanca ou pedra que vá abrir caminho pelo corredor vai demorar muito.
Fecho meu punho direito e concentro magia no meu braço.
−Hora de abrir um caminho.
Movimento meu braço e soco a parede com bastante força.
Boom!
Bru-rum!
−Kyah!
Fior grita com o barulho do impacto da minha magia e repentina poeira que se ergueu no corredor.
−Hector! Que susto!
−Podia ter me avisado que ia derrubar a parede.
Com as mãos na cintura e suas sobrancelhas inclinadas, ela me dá uma bronca.
Fiquei concentrado em encontrar uma entrada para o interior do castelo, que esqueci de avisa-la e aposto que ela deve estar furiosa comigo, só não quer demonstrar isso.
Olho para trás e a Selene usa as mangas do seu casaco para cobrir e proteger o rosto por causa da poeira que se ergueu no momento do impacto.
Ela não aparenta estar surpresa ou algo do tipo.
Fior some da minha visão por uns instantes.
−Parece que o corredor leva até o salão do rei como antigamente.
Pling!
Um som de goteira atiça a Fior, que entra no seu modo curiosa olhando através da parede destruída.
Ela parece ter esquecido completamente de estar brava comigo ou não quer pensar nisso agora. Não parece que ela tem 19 anos de idade, para mim ainda parece aquela menina de 14 anos curiosa e barulhenta.
−Ei Hector.
Selene puxa minha blusa.
−Uh! O que foi?
Me viro de frente para ela.
−Eu consigo sentir o cheiro de uma Sombra.
−A armadura está no ponto mais alto do castelo, sua energia parece estar fraca e sua presença também.
Mesmo descontente de ter que encontrar esse cara, ela pegou o rastro dele mais rápido do que pensei.
Não sei se é o mal humor dela ou vontade de se livrar da armadura que a move para resolvermos isso rápido.
−No andar mais alto é...
−Um mapa do castelo seria muito bom essa hora, talvez no salão do rei tenha algo.
Com minha mão sobre o queixo, tento imaginar uma forma de chega até lá sem ter de enfrentar as armadilhas da construção.
As sobrancelhas da Selene sobem, isso quer dizer que ela tem alguma ideia.
−Ei Cabeça de água-viva!
−Pare de ficar perdendo tempo aí, precisamos de um mapa do castelo.
Selene e seu habito de querer ser mandona.
Em segundos, Fior muda da agua para o vinho e olha para ela como um lobo selvagem prestes a atacar sua presa.
−Do que você me chamou sua Raposa Burra?
Fior chega perto da Selene muito brava ao meu ver.
As duas se encaram com olhares ameaçadores.
Estava demorando para essas duas começarem a brigar, a primeira impressão que uma teve da outra não foram das melhores.
−Ern... vocês duas acalmem-se por favor.
−Vamos manter o foco em encontrar o mapa da construção.
Tento acalmar os nervos dessas duas.
−Não se intrometa!!
As duas me interrompem com aqueles olhares assustadores.
−Grrr....
Elas parecem dois animais selvagens brigando um com outro, além desses resmungos estranhos.
−O que faço com vocês duas?
−Sigh! Vou procurar pelo mapa no salão central, vocês que fiquem aí brigando.
Caminho até o corredor próximo ao salão.
Se eu esperar essas duas, vamos ficar aqui por um bom tempo e tentar acalmar essas duas vai levar muito tempo, mais do que você pode imaginar.
Chego até a porta com a maçaneta completamente destruída pela ferrugem, a porta de quase 3 metros feita de madeira bruta e deve ser bem pesada de puxar normalmente.
Imagino como está com as peças dela enferrujadas.
−Hu-Hmm!
Faço força para empurrar a porta para dentro do salão.
Clee!
É mais pesada do que pensei.
−Uff! Vamos ver o que tem lá dentro.
−Bastante poeira isso é certeza.
Entro no salão escuro com apenas a luz do corredor vinda da porta iluminando o local.
Caminhando rumo ao fundo da sala, observo onde o rei fica sentado com tons azuis e detalhes em dourado. O tapete vermelho não tem mais sua cor, está completamente empoeirado e com várias lascas de pedras.
−Parece ter algo no acento da cadeira do rei.
−Hmm...
Quando chego no local onde o rei e a rainha sentam, vejo um papel com uma chave dourada.
Pego os objetos sobre o assento da cadeira do rei e sento no chão, abrindo a folha grossa feita de um papel diferente e completamente empoeirado.
−Fuuu
−Coff! Coff!
−Coff! Não devia ter assoprado isso.
−Hmm... parece um mapa, mas está escuro demais para eu conseguir ver se é mesmo um mapa.
Com minha mão esquerda cobrindo a boca e o nariz, observo a folha com muita atenção.
A pouca luz do ambiente dificulta minha visão e a umidade que esfria o ar causa arrepios no meu braço, é como se tivesse uma pessoa me observando por trás.
Devia ter janelas nessa área ou pelo menos velas para acender, até onde eu sei castelos antigos tinha janelas grandes em mosaico e algumas com desenhos que contavam a história da família que lá morava.
Me levanto e procuro pelas paredes algum sinal de luz que indique uma janela, mas não encontro nada.
Se tive algo desse tipo por aqui, seria de grande ajuda.
−Sigh! Se aquelas duas não estivessem brigando, isso seria mais rápido.
Reclamo comigo mesmo da situação que encontro.
−Hmm... um sinal de luz. Um sinal de luz.
−Murnnn!
A cada barulho que faço, penso em uma solução para chegar no andar mais alto da construção.
Não é tão simples assim ter o mapa daqui, mas sim em conhecer os detalhes da forma que foi construído como passagens secretas e escadarias ocultas.
Claro! Se esse papel realmente for um mapa e desse castelo.
Caminho lentamente até a saída do salão e abro folha à medida que fica claro para mim.
−Huh! Esse mapa... é um mapa magico, ele muda de acordo com o movimento de quem o possui ou algo do tipo, como mudanças no castelo talvez.
−É Como se o castelo movesse as paredes e criasse outros caminhos em determinadas horas ou intervalos de tempo.
Sento no chão logo ao chegar na porta e coloco a folha na minha frente segurando a parte de cima e prendendo a parte de baixo com os pés.
−F5 é a torre Baljthet, pode ser um ponto de entrada para as montanhas pelo o que consigo ver, mas por onde posso chegar até você?
−Hmm! A direita da entrada tem um caminho que leva a uma sala com uma escada. Ela parece ser para baixo, está escrito aqui “Salas Subterrâneas”.
−Então os F são os andares, chega até o quinto... e o andar subterrâneo tem alguma saída?
Entretido com o mapa que muda de acordo com os movimentos das paredes, esqueço das duas briguentas logo no corredor de entrada.
É melhor avisa-las do mapa para chegarmos até armadura o mais rápido possível, foi muita sorte encontrar isso no salão do rei e com uma chave de ouro, que serve para abrir uma porta.
Volto até o corredor de entrada.
−Ei Selene, Fior, encontrei o ma... pa.
Quando chego próximo a elas, vejo as duas com os rostos arranhados e com olhares emburrados.
−Eh? O que vocês estavam fazendo?
−Fior tem uma grande marca sua bochecha.
Não pude deixar de reparar nisso, mas me pergunto o que essas duas fizeram.
−Humpf!!
−Humpf!
Uma olha para outra com seus olhares emburrados e resmungam algo, que não consigo entender direito.
Elas estão impacientes, posso dizer que a paciência dessas duas hoje é praticamente zero. Nessas horas eu gostaria de ser uma pessoa meio brava para pôr essas duas no lugar.
Hehe! Mas isso é algo que eu não consigo ser.
−Fior, Selene, vejam eu encontrei um mapa magico do castelo e uma chave que talvez sirva para abrir a torre do andar mais alto.
Chego perto delas no meio do corredor para elas virem perto de mim.
−Um mapa magico? Sério? Deixa eu ver.
Fior não consegue conter sua curiosidade e vem ver o mapa o mais rápido que pode.
−Oh! Isso é... isso é, muito legal.
−As parede se movem com o tempo e algumas parecem ter caminhos secretos como atalhos para lugares importantes do castelo.
Ela fica ombro a ombro comigo para ver o mapa claramente.
Como essa mulher pode ser tão fofa quando esta curiosa, parece que ela esquece de quem ela realmente é e volta a ser a criança que brincava de caça ao tesouro.
A Selene chega mais perto em silencio.
−Agora a direita do corredor vai nos levar a uma porta secreta até o segundo andar e... no salão que sai pelo lado de fora vai até uma sala no final dela.
−Então, antes de chegar na porta, na parede a esquerda dela vai abrir uma passagem para interior do castelo daqui uns 25 minutos, dando na escadaria que leva para o andar acima e a partir do quarto andar não sei qual caminho tomar.
A Fior está animada com o mapa na sua frente e consegue identificar um caminho para nós.
Quem é você e o que você fez com a Fior?
Nunca vi ela tão alegre com alguma coisa desse jeito.
~~~~~~~~~~~~
Caminhamos sobre todos os caminhos secretos mostrados no mapa e aos poucos chegamos na ponte da torre.
Bruum!
−Por quanto tempo ainda temos que andar por todo o castelo?
−Minhas pernas estão doendo.
Selene reclama com ombros baixos.
Não posso falar nada sobre isso, na verdade foi um longo caminho por todo o castelo mesmo indo pelos caminhos secretos.
No terceiro andar as salas eram como labirintos haviam 3 portas cada uma e levava para lugares aleatórios do castelo. Algumas salas tinham armaduras amaldiçoadas que nos atacaram, não sei se estavam possuídas por almas ou por outras criaturas malignas, mas por sermos atacados por elas significa que estão protegendo algo.
−Selene aguente mais um pouco, ainda temos que derrotar a Sombra Armadura.
−A torre só tem duas salas porque andamos em praticamente todas dos andares anteriores.
A respiração da Fior está pesada até mesmo para falar.
Me pergunto se vamos conseguir lutar contra ele nesse estado.
Bruum!
Não esperava a chuva forte ainda cair nessa noite, ainda mais porque passamos horas caminhando pelo interior dessa construção abandonada. O clima ao redor do castelo é realmente estranho, essa chuva está mais forte do que eu pensei e não demoramos muito dentro daquela caverna.
−Vamos entrar, a chave de ouro deve abrir a porta.
Estou congelando aqui fora nessa ponte entre o castelo e a torre.
Coloco a chave na fechadura.
Click!
Parece que deu certo, a fechadura dessa porta está impecável como nova.
Cleeeck!
No interior da torre avistamos duas portas com pequenas velas envolta e algumas velas ao redor do corredor, caminhamos ao longo da torre com um tapete vermelho manchado com cores escuras.
−Selene em qual sala ele está?
Fior pede apoio para sabermos onde ir.
−Na porta logo à frente no fundo do salão.
A capacidade de sentir o cheio das outras Sombras da Selene é algo bem interessante. Em uma conversa com ela, soube que poucas Sombras sentem a presença de outros iguais.
−Pois bem, está na hora de acabarmos com isso logo e voltarmos para casa.
Com certeza a Fior está uma fera principalmente com o dia que foi hoje.
Cleck!
Cuidadosamente pus minhas mãos sobre a maçaneta da porta e empurrei os dois lados da porta. Entramos no salão iluminado por duas grandes janelas uma em cada lado e o fundo completamente escuro.
Cleeeeeck!
Plam!
−Huh! A porta fechou.
Odeio quando minha intuição diz que vai acontecer coisas ruins.
Estava fácil demais encontrar aquele mapa com a chave para a entrada a torre.
Um feixe de luz vermelho brilha no fundo da sala.
Ziiink!
Um som de uma arma como um machado sendo arrastado domina o ar.
Plum! Plum!
Plum!
−Cra-ha! Ha! Ha!
−Vejam só a Raposa Caótica.
−Cra-ha! Ha! Ha!
Uma armadura enorme oito vezes maior que um homem vem em nossa direção portando dois machados de cabo curto em suas mãos.
−Está de brincadeira, olha o tamanho dessas armas.
Não vai dar para lidar isso, no estado em que estamos.
−Morra sua traidora.
−Cra-ha! Ha! Ha!
Voom!
−Se protejam.
Com o aviso da Fior, nos jogamos para os lados da sala.
Isso não é bom, fiquei longe da Fior para conseguir liberar os poderes da Selene.
Os três estão longe um do outro, precisamos de um plano rápido ou viraremos picadinho nas mãos desse cara gigante.
Este lugar é espaçoso e escuro, o que posso fazer aqui?
Vamos Hector pense em algo.
Observo a armadura ir atrás da Selene.
−Nada disso.
Bang!
Psin!
O projetil da arma da Fior ricocheteia na lamina do machado vindo em minha direção
−Fior!
−Você está querendo me matar?
Se eu não desse um passo para trás agora poderia ter levado um tiro.
Parece que hoje é o dia de não termos muitas opções e dessa vez não vai dá para depender da Selene.
Vou tentar usar a magia que eu estava praticando, mas preciso de tempo para carregar a ela.
−Err...
−Você é muito chato, sabia.
−Nunca vi uma Sombra tão chata e irritante.
−Como consegue viver consigo mesmo?
Essa menina com raiva é um pesadelo.
Bang!
Ele está com a atenção nas duas, talvez eu possa conseguir correr para a parte sem luz da sala para me esconder.
Observando os passos da pesada e gigantesca armadura enferrujada, me escondo rapidamente nos fundos da sala.
Vamos se concentre Hector.
Feche os olhos e escute o ambiente, apenas o som da sua respiração e de seus amigos. Imagine uma explosão, uma explosão causada por impactos.
...
Os sons dos tiros e os gritos da Selene enfurecida, atrapalham um pouco no processo.
Agora molde a imagem da magia.
Sinto a magia emergir em meu braço esquerdo.
...
Abro meus olhos e percebo meu braço com um brilho azul como a magia da foice da Raposa Caótica.
−Isso! Agora sim.
Vamos ver se dessa vez consigo executar tudo certo.
Caminho até sair das sombras da sala, meus braços estão quentes e pesados.
Posiciono minhas pernas um pouco abertas uma ao lado da outra, segurando meu braço direito com a mãos esquerda para cima.
Essa magia é diferente, dessa vez é para conseguir ferir uma Sombra.
Uoa!
Hehe!
A armadura está em cima das duas, preciso esperar elas saírem do raio do meu ataque, mas não vou conseguir manter a energia no meu braço por muito tempo.
Fior olha para mim e se joga em cima da Selene empurrando ela longe.
Agora!
−Sinta a fúria dos ventos do Sul, com o Maximum Impact.
Movimento meu braço para a frente na direção das costas da armadura.
Zzz-Voom!
Um forte vento sai junto com a energia azul do meu braço.
Craaaaaw!
Boom!
A armadura se desmonta com o impacto da minha nova magia.
Coff! Coff!
−Hector.
−O que foi isso?
Vejo a silhueta da Selene de pé em meio a poeira.
Ela e Fior vem até mim em meio àquela cortina que parece uma nevoa forte da madrugada.
−Que magia foi essa?
−Nunca vi algo tão forte assim.
As sobrancelhas da Fior estão levantadas.
Não sei o que é mais assustador, os ventos fortes ou som do impacto.
−Na verdade não sabia se isso realmente ia funcionar, mas parece que é mais forte do que pensei.
Olho para a armadura em pedaços com todos os membros separados e o tronco se dividiu em duas partes.
−Cra-ha! Ha! Ha!
−Interessante, isso foi inesperado garoto.
A cabeça da armadura começa a mexer a boca, se é que posso chamar disso a parte do capacete que protege a boca e o queixo.
Essa coisa ainda está viva depois daquilo.
−Vamos resolver esse problema de uma vez.
−Selene o resto é com você.
Fior chega por trás e cobre meus olhos.
Sinto a energia emergir do meu corpo para a Selene.
A pequena menina toma forma de uma raposa gigante com pelos avermelhados.
−Pode deixar comigo.
−Você está morto sua Armadura Louca.
Selene se prepara para lançar a foice na direção da armadura.
A cabeça se levanta e as outras partes da armadura se movem para se juntarem.
−Não vou deixar isso acontecer
Va-voom!
Pow-boom!
Craaaaaw!
Sem esperar muito tempo, Selene joga a foice direto na cabeça com uma grande raiva, que posso sentir de longe uma vontade assassina vinda dela.
Então ela volta a forma normal, caindo sentada no chão.
Antes de desaparecer uma forte luz emerge da armadura.
Será que isso é... uma memória perdida?
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