Faded Hearts

38 A Joia do Oceano


Notas iniciais
Ola, meu leitores! Demorei um pouco com os capítulos porque precisei refazer a descrição de algumas coisas e adaptar outras para termos um capitulo que inicie essa etapa como deve ser. xD

O som das ondas batendo no cais, nos lembra da tempestade que pegamos a 2 dias atrás durante todos esses 5 dias de viagem e deixa mar agitado ao chegarmos em Lumina, uma cidade em meio as aguas do oceano com várias ilhas interligadas por pontes e o único meio de locomoção por dentro da cidade é por barcos em meio a inúmeros canais.

−Hector, veja aquilo.

−Não é uma bela cidade em meio a todo esse azul do mar?

Descendo do navio a vela ao lado do Braska, ele mostra uma grande admiração pela beleza da única cidade conhecida que flutua no meio do mar, as construções que vi de longe são de mármore com pilares de cerâmica colados com algum material que serve como cimento, as paredes são de pedras com tamanho próximos a de tijolos, o chão das calçadas é de paralelepípedos e no lado vários vasos retangulares grandes com flores de todo canto de Eternia.

−Sim, muito bonita.

−Bem florida também, tem orquídeas, calêndulas, narciso, rosas e o lírio de Eternia.

−Nunca vi algo assim em qualquer cidade.

Lumina é a única forma de entrar na ilha onde se encontra Aquedus, também é o porto onde gira todo o comercio do reino com o continente e com Yakob. É bem possível que Fogels esteja hospedado em alguma pensão da cidade, escondido da visão da população local para evitar que qualquer tipo de notícia se espalhe.

−Vamos até o centro da cidade para nos hospedarmos por lá.

−Depois, temos tempo livre para visitar a cidade.

Ele fala como se realmente estivéssemos aqui para uma viagem de férias.

Caminhamos pelas ruas largas de paralelepípedo do porto, atravessamos a primeira ponte de pedras que permite a passagem de carruagens e de qualquer veículo pesado com carga, há algumas casas nessa parte com duas pequenas ilhas de menos de 1 quilometro, alguma delas são de controle de comercio local e de importação.

−Aquela tempestade atrasou todos nós em 2 dias, é possível que Fogels que tenha pego ela no caminho também.

−Era uma formação de nuvens bem grande.

Braska comenta sobre o mal tempo que enfrentamos no meio do mar, foram dias bem complicados de lidar, o mar fazia ondas altíssimas e tivemos que ajudar, desde a retirar o excesso de agua do navio a fechar as velas com cuidado para que não rasguem com os fortes ventos. Nessas horas desejei que minha magia fosse de agua e não anti magia.

−Hm! Era uma chuva bem forte.

−Por falar nisso, os ventos estão soprando para nossa direção, então quer dizer que logo ela vai chegar em Lumina.

Quando chegamos, um vento leve começou a soprar em direção a ilha, então é bem certo que logo comece a chover por aqui e chuva com clima frio do inverno é de acabar com a saúde de qualquer um.

−Sim, isso acaba com meu nariz.

−Ah! Veja, este é canal que vamos percorrer para ir comer e logo um pouco mais distante tem um ótimo restaurante.

Alcançando a segunda ponte para entrarmos na cidade, Braska me mostra os comércios flutuantes que ficam construídos abaixo das calçadas suspensas e bem juntos as rochas parecendo que eles pertencem as construções acima no nível da terra. São comércios bem movimentados ao meu ver, por isso há grande quantidade de barcos e barcaças nos canais aparentemente de aguas calmas.

−É curioso a forma que são construídos.

−Mesmo sabendo das construções, ainda me pergunto como foi feita toda a fundação dessas construções...

−Imagino o trabalho de encontrar alguma forma de fixar as bases no fundo do mar.

Até pareço o filho do Braska, tenho bastante curiosidade em construções principalmente, por isso sei bastante desses minérios e materiais de construção.

−Perguntei isso uma vez ao rei de Aquedus e ele disse que isso era um segredo do reino.

−Haha! Aquele velho não tem jeito.

Seguimos até uma região mais movimentada de pessoas, chegando em uma grande praça que liga a cidade através de vários corredores suspensos e canais. O chão dessa parte é de grandes blocos de pedras colocados bem juntos um do outro e batido com algo para ficar firme, tem uma gigantesca estatua de uma serpente marinha no centro dele, cheia de detalhes para fazer as escamas, guelras, nadadeiras, assas e cabeça com formato da ponta de uma flecha iguais a de dragões, toda branca com detalhes nas nadadeiras em azul e uma espécie de proteção metálica sobre a barriga e o peito dele todo dourado.

−Essa estatua, é o Leviathan?

−O guardião dos oceanos e uma das grandes bestas sagradas do mundo.

Reconheci ele pela parte em dourado, parece uma armadura, mas são escamas lisas e mais grossas tão fortes que é mais resistente que as escamas de dragões.

−É ele mesmo, o senhor dos mares e protetor dos pescadores.

−Algumas histórias afirmam que seu local de descanso é abaixo de Lumina e que se acaso ele for acordado, pode ficar enfurecido e destruir toda Aquedus.

−Típica história de pescador.

Braska faz piada apesar de explicar algo bem relevante e ao mesmo tempo interessante, é uma cultura bem diferente da forma que deu origem as lendas das bestas sagradas que protegem o mundo.

−Vamos pelo 7º corredor oeste.

−É um pouco longe, mas é o local mais seguro para nós.

Seguimos pelo corredor central, passando pela estatua e encontrando a placa escrita “Corredor 7 – Oeste”, na entrada dele e de vários outros tem guardas do exército de Aquedus, portanto uma lança Alabarda com entorno de 2 metros de comprimento e uma armadura mista de couro e metais leves. Passamos pelos guardas da entrada, que nos cumprimentam e seguimos até a última residência do corredor, onde vimos uma placa de madeira toda trabalhada a mão com nome “Kahill” e a imagem de uma montanha.

−É aqui mesmo, vamos descansar um pouco e depois saímos para visitar algumas praças.

−Fogels deve demorar um pouco para chegar, se ele vem do porto La Ciel é algumas horas de diferença.

Concordei com ele acenando com a cabeça e ao entrarmos apenas observei as coisas, enquanto Braska fez todo o processo de hospedagem com o dono do estabelecimento e nos guiou até o nosso quarto. Arrumei minha mala próxima da minha cama, que estava limpa e com lençóis e cobertores todos dobrados no colchão, optei por dormir assim como o Braska para poder estar em melhores condições durante o resto do dia.

O colchão era macio e aconchegante, até parecia que estava em casa sobre aqueles inúmeros cobertores de pele de carneiro e com o som leve de agua corrente como de uma nascente de rio, aos poucos meus olhos se fecharam me levando a cair em um leve sono.

...

Não tive noção de quantas horas dormi, apenas acordei olhando para o lado direito do quarto e percebo que a cama do Braska está desarrumada. Me levantei, ficando sentado no lado do colchão, peguei o relógio que deixei no criado mudo ao lado da cama. Nele marcava 16 horas, eu tinha dormido mais do que imaginava.

−Dormi muito.

−Será que ele foi a procura do Fogels?

Vestindo meus calçados, saí do quarto a procura dele, mas assim que fecho a porta vejo ele no corredor de frente para uma janela, olhando para alguma coisa lá fora. Seus olhos estão focados no que lhe está se propondo a ver.

−Hector!...

−Vamos comer algo?

−Em breve a chuva vai chegar e não vamos poder aproveitar um pouco da cidade.

Parece que você está de férias a convite do rei de Aquedus, mas se está calmo e esperando um pouco para agir, significa que ainda não é momento certo.

−Sim!

−Vamos naquele restaurante que vimos ao atravessar a segunda ponte?

Não estou com muita fome, acostumei com os chás da Cyan à tarde e normalmente faço algo apenas no jantar. Braska tem o costume de consumir algo a tarde, como um café da tarde, algo comum em Ebrima e o no reino dele. Então devo fazer companhia a ele, mais do que comer algo mesmo.

−É uma boa opção. Não passei por lá ainda, apenas conheço de vista.

−Vamos?

Ele se vira indo para a saída da pensão, me convidando para ir. Logo atrás sigo ele até a porta e percorrendo todo o caminho que fizemos horas atrás, passando pela praça com a estátua do Leviathan e se misturando a grande multidão que por ali passava. Chegando na segunda ponte, entramos no pequeno corredor, descendo as escadas para um pequeno espaço como um cais para os barcos pararem, dali tomamos o caminho pelo primeiro canal que você vê quando chega a cidade por mar.

O som do remo batendo nas aguas calmas dessa estreita estrada de agua e o som do movimento das ondas ao longe, lembra uma cidade completamente praieira sem portos ou comercio em grande escala de produtos. Passamos por alguns comércios bem enfeitados, a maioria deles são pequenos restaurantes ou tavernas bem organizadas, tapeçarias com belos tecidos e algumas sapatarias de calçados para marinheiros.

Aos poucos nos aproximamos do restaurante visto da ponte, os pisos são de madeira e como os navios, foram feitos espaços com ar para poderem flutuar no mar. É uma ideia criativa de lidar com o pouco espaço que a ilha tem.

−Obrigado, senhor.

Braska agradece o barqueiro lhe pagando pela viagem, quando pisamos no piso do restaurante. O velho homem que conduzia o barco sorriu e acenou com a mão quando voltava o caminho pelas aguas calmas.

−Tenho de admitir é um belo comercio.

De frente para o letreiro feito a mão por um marceneiro e pendurado por correntes na rocha acima. O piso é coberto por algum óleo que protege do contato constante com a agua, não parece ser verniz e o mesmo aparenta nas mesas e as cadeiras.

Atravessamos as mesas, indo até o balcão com baquetas altas com assento almofadado, por dentro dele tem um balcão e um grandioso armário com bebidas de todos os tipos, mais aos fundos deve ficar a cozinha que espalha um cheio bom de macarrão ao molho vermelho com carne moída e também o cheio de peixe empanado feito na chapa.

−Olá senhores!

−O que desejam?

Uma mulher de longos cabelos pretos e olhos verdes, vem até nós por trás do balcão com um sorriso amigável e uma postura recatada, com uma voz aguda e baixa.

−Hmm... gostaria desse cheiroso macarrão com molho vermelho e um vinho para acompanhar.

Sentando em uma das banquetas, Braska faz seu pedido com vinho e a mulher ao terminar de anotar olha para mim.

−Bem... vou querer apenas um pedaço de torta.

Velhos hábitos não mudam, estou ficando igual as meninas, comendo bolo e torta direto.

−Fizemos torta de abacaxi hoje.

−Pode ser essa?

−E o senhor gostaria de uma xicara de café ou chá?

Ela recomenda o que eles têm no dia e me oferece alguma opção de bebida. Como passou do horário do almoço a muito tempo, nem se quer estou com fome para comer alguma massa.

−Aceito a torta e uma xicara de café, por favor.

Preferi um pouco de café para tirar a sonolência do cochilo, quero ver se vou conseguir dormir à noite depois disso.

−Pensei que você iria comer mais.

−Dá para ver de quem a Celia tem esse habito de comer tortas.

Braska parece não estar acostumado com pessoas que comem pouco ou apenas o necessário, minha irmã também faz isso, mas temos os nossos motivos.

−É um costume familiar, nossa mãe sempre fez todos nós seguirmos à risca, uma alimentação correta e saudável.

−A tarde normalmente comemos alguma fruta, torta ou apenas bebemos um pouco de chá.

−Ela dizia que não havia necessidade de exagerar na alimentação.

Enquanto conversamos, a mulher vem da cozinha com os dois pratos em mãos, chegando perto e posicionando cada um próximo de nós no balcão.

−Bom, ela tem razão nisso, cuidar dos filhos e da saúde é muito importante.

−Isso explica porque minha esposa e sua madrinha tinham inveja da aparência de Lucina.

−São coisas de mulher mesmo, ficarem se comparando.

−Realmente não entendo.

Ele começa a comer o macarrão espaguete com um molho vermelho cheio de pedaços pequenos de tomate e uma carne bem moída e delicada, em um prato de cerâmica branca com alguns desenhos retangulares pretos e um garfo de aço polido como a lamina de uma espada.

A minha torta feita de massa podre com um recheio de creme aromatizado com pedaços de abacaxi e por cima rodelas de abacaxi assadas ficando bem dourada. Meus talheres são iguais ao do Braska e apenas são menores.

−Lhes trouxe as bebidas, senhores.

Ela então nos traz uma taça de cristal e uma xicara juntos com uma leiteira e uma garrafa de vinho tinto. Serviu o vinho na taça para o Braska até a metade, para mim ela colocou o café com um pouco de açúcar em pó e uma pequena colher.

−Obrigado.

Agradeci por costume e a mulher sorri discretamente, antes de voltar a cozinha. Ela perecia um pouco surpresa com minha resposta.

−Realmente é um ótimo restaurante, a massa é perfeita.

Sorri acenando com a cabeça ao ouvir o comentário Braska. Concordo claramente com ele, a comida é ótima e faz jus ao bom cheiro que sai da cozinha. Gosto da forma que o local é organizado, as mesas quadradas de carvalho são bem posicionadas para ter espaço, tem a aparência natural da madeira e o piso não se movimenta tanto com o movimento das aguas. A torta também é boa, é doce no começo e no final você sente um leve gosto ácido do abacaxi, o aroma do café é do grão bem torrado e pelo gosto forte é possível sentir que ele foi bem moído para intensificar o sabor.

−Só faltou uma música calma para essa tarde né.

Braska acena com a cabeça concordando enquanto degusta com alegria o sabor do vinho, olhando para os barcos a remo que passam pelo canal.

−Essa provavelmente vai ser a única tarde calma que vamos ter.

−Daqui para frente vai ser dias de muito trabalho e paciência para nós.

Ele fala do nosso trabalho de articulação para convencer Fogels a tomar uma posição em relação a nossa proposta, temos também o fim do noivado feito entre ele e meu pai.

−Vamos voltar para pensão?

−Quero lhe dar uma coisa.

Braska paga a mulher do restaurante e nos despedimos, chegando até a ponta do piso, esperando o barco vir para voltarmos o caminho. Quem sabe podermos aproveitar um pouco mais dessa tarde antes de resolvermos nossos problemas.

Notas finais
Começamos com um pouco sobre Aquedus, o reino desse novo arco.