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9 Capítulo 9 — Susannah.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 9 — Susannah.

Theodore ainda estava um pouco preocupado, sua mãe havia pego seu notebook e as chaves de casa, mas ao menos ainda tinha seu celular, então podia se comunicar com Christopher e Susannah.

Mas o que o garoto temia, havia acontecido, ele tentava ao máximo dar motivos para evitar conversar com Chris, e nos três primeiros dias, conseguiu; apesar disso, Christopher não se deixou levar pelas outras desculpas, e não demorou muito para convidá-lo para sair novamente.

Theodore pensou em não respondê-lo mais, deixou seu celular de lado por um instante, estava um pouco triste por ter que mentir; foi então que como num estalo, algo iluminou sua mente, ele não precisava mentir...

O celular tornou a vibrar, e o garoto atendeu a ligação.

—Oi Chris.

—Theo, está tudo bem?

—Tá sim, por quê?

—Estamos nos falando tão pouco ultimamente, estou preocupado, tá acontecendo alguma coisa?

—Não é isso, é que aqui em casa tá uma correria...

—Correria? Por quê?

—Vamos receber visitas, então temos que organizar tudo, limpar...

—Ah, me desculpe, eu não sabia.

—Tudo bem...

—Quando eles chegam, Theo?

—Daqui uns dois dias, eu acho.

—Não podemos nos ver nesse meio tempo?

—Não vai dar, minha mãe não quer que eu a deixe na mão com a faxina.

—Entendi.

—Não fique triste, Chris, logo nos veremos de novo.

—Sei disso, só estava com saudades e decidi ligar.

—Fez bem, estou feliz por ouvir sua voz...

—Bom, eu tenho que ir agora, eu estava me arrumando para ir à academia. Nos falamos mais tarde?

—Claro! Pode me ligar quando chegar...

Theodore estava com o batimento acelerado, toda vez que ouvia a voz daquele homem, seu coração não se continha, sempre se revirava dentro do peito; no entanto, pensou por um momento que o fato de Chris parecer chateado com ele, pudesse fazê-lo olhar para outros homens, principalmente na academia, que era um local propenso para atrações.

O garoto caminhou até a cozinha, e logo viu chocolates sobre o balcão, passou pela sua cabeça de sua mãe ter comprado mais chocolates, mesmo com ele ainda de castigo, significando que ela não estava brava com aquilo tudo.

No fim do corredor, ao lado da sala de estar, estava o escritório de Alba. Theodore deu alguns toques na porta, que estava semiaberta.

—Está ocupada? —Ele perguntou.

—Não muito, pode entrar. —Ela retirou seus óculos de leitura. —O que foi?

—Ah, sobre domingo... —Theo sentou-se em uma das poltronas. —Me desculpa por aquilo? Eu devia ter te ligado...

—Eu te perdoo sim, mas você sabe que ainda está de castigo, não sabe? —Ela olhou o garoto, erguendo uma das sobrancelhas.

—Eu sei! —Theodore sorriu, e foi abraçá-la. —E eu também sei que te deixei preocupada...

—Ah, meu querido... —Ela riu, arrumando seus cabelos. —Nunca mais faça isso, ou arranco suas orelhas fora...

—Pode deixar. —O garoto sorriu, parando seus olhos sobre o monte de papéis na escrivaninha. —O que está fazendo agora?

—Preparando um caso, quer ler comigo?

—Não, valeu, não curto essas coisas... A propósito, posso comer um chocolate, não posso?

—Eu sei que você já pegou, vá em frente.

—Você me conhece... —Ele tirou duas barrinhas do bolso. —Trouxe uma para você também.

Theodore sentou-se novamente ao lado da mãe, que abriu a embalagem e deu a primeira bocada.

—Mãe, andei falando com a Susannah, ela está achando que os pais dela não poderão vir...

—Sério? Que pena...

—Sim, mas ela acha que virá de ônibus, são apenas algumas horas extras, mas ela não liga...

—Isso que é amor, hein. —Alba riu. —Vocês são colados mesmo, desde pequenos.

—Eu também não queria que ela deixasse de vir somente porque os pais dela não virão mais...

—Deve ser difícil para você ficar longe dos seus colegas... É por isso que está tentando se enturmar com esse seu novo amigo, não é? Passando a noite na casa dele e tudo mais?

—Um pouco por isso também...

—O chame para vir em casa qualquer dia desses. —Alba afirmou. —Só não fique dormindo na casa de estranhos...

—Chamar quem para vir aqui?

—Esse garoto, Chris...

—Ah sim, claro... —Theo sentiu um nó se formar em sua garganta.

—Já arrumou o quarto de hóspedes para a Susannah?

—Ainda não...

—Então se apresse, é a única coisa que falta, retire as coisas do armário para ela poder ficar à vontade, e tire o pó...

—Tô indo... —O garoto se levantou, deu um beijo na testa de sua mãe e se retirou.

Narrado por Christopher

Cheguei na academia e encontrei Emmet e Michael me esperando, ambos de braços cruzados.

—Desculpe pela demora...

—O que aconteceu?! —Michael retruca.

—Tive que falar com uma pessoa... —Respondi.

—Eu entendi direito? Falar com “alguém”? —Emmet ironizou. —Você anda nos evitando faz semanas!

—Evitando? Fala sério! —Soltei um muxoxo. —Vocês são dramáticos...

—Está saindo com alguém, não está? —Michael indaga. —Você anda disperso ultimamente...

—Mikey... —Suspirei. —Não enche.

Entramos e guardamos nossas mochilas nos armários, peguei minha squeeze e minha ficha, nela marcava exercícios dos membros superiores, então rumei às estações de treino, e eles me seguiram.

—Não vamos sair da sua cola até você nos dizer o que está acontecendo... —Emmet disparou.

—Estão curiosos mesmo... —Ri, debochado.

—É claro que estamos, você faltou na academia duas semanas inteiras, e mal responde nossas mensagens!

—Se querem tanto saber... —Sentei-me no aparelho. —Eu estou saindo com alguém sim, e eu acho que dessa vez é coisa séria... É só isso, estão felizes?

—Como assim “só isso”? Você está namorando e não fala pra gente?! —Emmet se queixou.

—Não sei se é bem um namoro, mas de qualquer maneira, é um pouco mais sério do que eu imaginava que seria... —Puxei o cabo de ferro atrás de minha nuca, com o peso certo já ajustado.

Eles ficaram eufóricos com a notícia, ao menos era bom tê-los ali para contar um pouco da minha vida pessoal, já que eu não podia simplesmente ligar para a minha família para avisar de que eu estava namorando.

O apoio de Emmet e Michael era essencial, embora no começo eu estivesse um pouco receoso em contar de Theodore para eles, no final não tive como esconder, porque eles haviam estranhado o meu sumiço e ficaram questionando até que eu finalmente dissesse o que estava acontecendo.

Eu havia conhecido eles no bar, quando minha turma da faculdade decidiu fazer uma confraternização. No dia, eu estava sentado longe de todos, somente observando as conversas e bebendo um pouco.

Eu os avistei ao longe, levemente bêbados e dançando juntos. Logo após isso, se beijaram, e isso rendeu vaias de todos, mas pouco se importaram com a multidão, então isso mereceu meu respeito.

Em pouco tempo, eu já estava fazendo amizade com aqueles dois babacas, e desde que terminamos o curso, eles continuaram ao meu lado.

Enquanto fazíamos os nossos exercícios, eles não paravam de me encher de perguntas; sobre como era o meu namorado, como ele se chamava, se já havíamos transado...

—Eu não vou falar nada ainda, não aqui. —Afirmei.

—Isso não é justo. —Disseram em uníssono.

—Eu prometo que vocês o conhecerão, mas em um lugar apropriado, talvez num restaurante...

—Restaurante? Prefiro bar. —Rebateu Michael.

—Ou uma boate. —Completou Emmet.

—Não queiram depravar meu querido Theodore com suas impurezas, ele não é o tipo de cara que vá nesses lugares...

—Hum, Theodore? —Emmet sorriu. —Esse é o nome dele? Parece ser um filhinho da mamãe, não sabia que esse era o seu tipo, Chris.

—Vai se danar. —Tomei um gole d’água.

—É brincadeira, calma... —Emmet riu.

—Se ele está tão na defensiva assim, acho que você acertou. —Michael brincou.

Aquelas conversas estavam me estressando, decidi terminar meu treino mais cedo, saí do aparelho, e eles questionaram o porquê de eu estar indo embora, mas não respondi.

Peguei minha mochila no armário e fui para o estacionamento.

Fui de volta ao apartamento, mandei algumas mensagens para Theodore, mas ele não me respondia, decidi deixá-lo descansar, pois voltaria a falar com ele no dia seguinte.

POV’s Christopher OFF

Theodore acordou sexta-feira de manhã, com várias notificações em seu celular, haviam mensagens de Christopher e de Susannah acumuladas.

Esfregou os olhos com força, ainda com preguiça, e sentou-se na cama para ler os recados. O garoto sorriu ao ler as mensagens carinhosas de Chris, e respondeu-o, dizendo que havia pego no sono muito cedo, e por isso não o respondeu de noite.

Já as mensagens da amiga eram enigmáticas, ela dizia que estava animada, e pediu para que Theodore descobrisse onde ela se encontrava nesse presente momento.

—Alô? —Susannah atendeu a ligação do garoto.

—Su, eu acabei de acordar e vi suas mensagens só agora!

—Tudo bem, mas você não vai acreditar...

—No quê? Me conte logo!

—Peguei o ônibus faz algumas horas, estou quase chegando!

—Sério?! —Theo se animou, praticamente pulando da cama.

—Sim! —A garota gritou de felicidade. —Se arrume que mais ou menos em meia hora eu chego!

Theodore estava com o coração aos pulos, e assim que desligou a ligação, correu para tomar um banho rápido, se arrumou imediatamente e terminou de arrumar as coisas espalhadas pela casa que faltavam.

—O que está acontecendo?! —Alba caminhou em direção ao garoto, que andava de um lado para o outro, inquieto.

—Susannah está chegando! Ela pegou um ônibus de madrugada!

—Sério? Então vou trocar de roupa, não quero que ela me veja de robe.

—É melhor mesmo, velha. —Theo respondeu, rindo.

Assim que Theodore ajeitou as últimas coisas, olhou no relógio, ainda tinha alguns minutos, e decidiu ligar para Christopher.

Caminhou até seu quarto novamente, e pegou seu celular, não tardando muito para ouvir a voz de seu amado do outro lado da linha.

—Oi amor. —Chris atendeu, com bom humor.

—Oi! Bom dia!

—Você parece feliz... —Christopher indagou, com um tom de voz ciumento.

—E estou! Estava agora mesmo me arrumando... —Theo sentou na cama.

—Ah, está esperando alguém?

—Estou, não se lembra?

—Ah sim, é mesmo.

—Chris... Minha mãe está me chamando, ela vai trabalhar daqui a pouco, então tenho ir ver o que ela quer...

—Conversamos daqui a pouco?

—Eu não sei, talvez só amanhã. —Theodore afirmou.

—Tudo isso? —Murmurou Christopher.

—Não fique chateado, é que daqui a pouco talvez ela chegue... —Theodore suspirou, ouvindo sua mãe bater em sua porta novamente. —Já vou, mãe!

—Vai logo, Theo, antes que ela arrombe a porta.

—Está ouvindo-a? —O garoto envergonhou-se.

—Infelizmente, minha sogra não é muito silenciosa. —Chris soltou uma leve risada. —Até depois, querido, se cuide.

—Até.

Christopher reparou que o garoto mal se despediu e desligou a chamada, Chris estava estranhando o comportamento de Theodore havia alguns dias, mas no momento a desconfiança era ainda maior, Theo disse que estava esperando visitas, mas pouco tempo atrás citou “ela”, no singular, e isso o intrigou seriamente.

Christopher precisava ver o garoto imediatamente, custasse o que fosse, e mesmo com chances altas da mãe dele o encontrar, queria correr esse risco, e descobrir o que estava acontecendo, no fim das contas.

O garoto abriu a porta do quarto, e Alba reclamou da demora, logo após dizendo que já havia se trocado para o trabalho, e que se Susannah não chegasse antes de seu expediente começar, as chaves da casa estariam sobre o balcão da cozinha.

—Vai confiar as chaves à mim agora? —Ironizou Theodore.

—Você não vai sair dessa casa, ainda está de castigo...

—E como terá a certeza de que eu ficarei aqui? —O garoto provocou.

—Ligarei em casa, se você não atender o telefone fixo, já saberei que está aprontando... —Ela riu. —Acha que não tenho meus planos?

—Tá... Você ganhou, velha. —Ele sorriu.

Theo caminhou até a cozinha, e Alba lhe mostrou que havia deixado alguns lanches na geladeira; bolos, tortas, sucos e refrigerantes.

—Você só compra essas coisas quando tem gente vindo pra cá. —Theodore soltou um muxoxo. —Que bela puxa saco você é.

—Isso se chama ser hospitaleira, e não coma tudo!

Conversaram enquanto Theo beliscava um pedaço de bolo, e enquanto o garoto lambia os dedos, ambos ouviram o interfone tocar.

Theodore quase caiu da cadeira, pegou as chaves sobre o balcão e correu até a porta da frente, quase tropeçando em seus próprios pés.

—Su! —Ele gritou, ao abrir a porta.

—Theo! —Ela o abraçou, tão apertado, a ponto de deixar sua bolsa cair.

Ao se afastar do abraço, o garoto recolheu sua bolsa do chão e a entregou.

—Susannah! —Alba chegou, a abraçando.

—Tia Alba! —A garota dos cabelos cacheados sorriu. —Você está linda! Adorei seus cabelos assim!

—Ah, o corte chanel? Cortei assim que cheguei aqui, e também tingi novamente de preto, estavam alguns fios brancos aparecendo, sabe? —A mulher riu.

—Ei, posso roubar minha melhor amiga de volta? —Theo interrompeu.

—Tudo bem, estressadinho... —Alba alfinetou, logo pegando as bagagens da garota. —Levarei suas malas pra dentro, tá bom?

Theodore, ao ver sua mãe se retirando, deu outro abraço apertado em sua amiga, levantou-a do chão, e Susannah não conteve a risada.

O garoto encarou os olhos verdes de sua amiga, cheios de nostalgia, segurou nas laterais de seu rosto e lhe deu um selinho, como nos velhos tempos, e sem que Theodore percebesse, Chris dirigiu-se à ele:

—Theo, por que está beijando ela?!

Notas finais