Fade Out Lines
33 Capítulo 33 — Avulsa.
Notas iniciais
Capítulo 33 — Avulsa.
— Quer tomar um banho? — Christopher perguntou ao garoto, quando suas respirações se normalizaram.
— Espera um pouco. — Theodore pediu, cobrindo-os com o lençol. — Tô cansado...
— Tá bom, vem cá. — Agarrou-o e o aproximou ainda mais, na cama. — Bem que você poderia dormir aqui, não acha?
— Você sabe que não posso... — Respondeu, suspirando ao sentir beijos em seu pescoço. — E ainda é quarta-feira, bem no meio da semana, não acha que é de se desconfiar?
— Não é, não. — Lotou sua pele de beijos, indo em direção aos lábios. — Eu te amo, Theo, esse foi o melhor aniversário que eu já tive...
— E qual foi a melhor parte dele? — O garoto indagou, sorrindo maliciosamente.
— Estamos nus agora, preciso mesmo responder? — Riu fraco.
...♕...
Naquela mesma noite, Theodore chegou um pouco além do horário estipulado pela mãe, já passava da meia noite quando adentrou a casa e fechou a porta de entrada silenciosamente.
— Onde você ficou até tão tarde? — Alba perguntou, pegando-o de surpresa.
Ela estava de pijama e com os braços cruzados, o olhando fixamente.
— Na casa dos meus amigos. — Deu alguns passos, saindo de sua frente. — Eu te falei que não chegaria cedo...
— Theodore Richard Brandford. — O chamou, seriamente.
O garoto sentiu seu corpo gelar, sabia que quando sua mãe o chamava pelo nome completo, era porque ela estava realmente furiosa.
— O que foi? — Virou-se e a encarou.
— Nada, nada não. — Bufou. — Amanhã a gente conversa, vai dormir.
Alba tinha milhares de coisas entaladas em sua garganta, mas o desespero ao se lembrar das cenas que tinha visto a tarde era maior do que tirar as devidas satisfações com o filho.
Encaminhou-se até o seu quarto, mas ela sabia que seria difícil pegar no sono.
Sidney estava deitado, dormindo há algumas horas, a mulher decidiu não revelar ao seu noivo o que tinha descoberto, manteria em segredo até saber como conversar com Theodore.
Enquanto isso, o garoto deitou-se na cama e sorriu ao lembrar-se de Christopher.
Na manhã seguinte, levantando para o café da manhã, Theo rumou até a cozinha, onde escutou o barulho da torneira aberta. Alba olhava fixamente para o horizonte, enquanto a água escorria sem parar.
— Mãe? — Chamou a primeira vez. — Mãe? Tá escutando?
— Ah, oi? — Alba arregalou os olhos, parecendo assustada.
— O que foi? Porque essa cara de paisagem?
— Nada, filho, não é nada. — Respirou fundo. — É só sono.
— Sei. — Levantou uma das sobrancelhas. — Eu hein.
A mulher observou a maneira como Theodore se portava, se culpava de não ter prestado mais atenção no filho antes, se sentia cega por não perceber a verdadeira sexualidade do garoto enquanto pode.
Juntou-se à mesa, sentando-se de frente ao filho.
Ela continuou o olhando, atentando-se a cada gesto que ele fazia, lembrou-se de Susannah, a garota sempre foi presente na vida de Theo e sempre aparentou ser uma futura nora, mas nada do que tinha imaginado se tornou realidade.
Achava impossível uma amizade tão duradoura não se tornar amor, principalmente que quando crianças, eram inseparáveis, até nas mesmas camas dormiam quando faziam festa do pijama.
Um milhão de perguntas se passavam em sua cabeça, queria ter as respostas imediatamente, mas tinha medo de estragar tudo, queria criar seu vínculo com ele aos poucos, para que conseguisse abordar esse tema com o cuidado necessário.
Continuou o observando até que se deparou com uma marca peculiar no pescoço de Theodore, duas manchas avermelhadas, quase roxas. Se deu conta do que era no mesmo instante, um calafrio lhe percorreu ao imaginar que tinham sido feitas por um homem.
— Por que você tá me olhando assim, mãe?
— Hã?
— Você tá com aquela cara de paisagem de novo.
— Eu já te falei, só estou cansada. — Tomou um gole do café, com um gosto mais amargo do que nunca.
— E eu já acabei, vou tomar um banho.
— Vai querer que eu te leve hoje?
— Eu tenho um carro agora, mãe, já se esqueceu?
— Sim, às vezes eu me esqueço. — Respondeu, ainda olhando fixamente para o filho.
Ficou sozinha na mesa e ali permaneceu, não teria a companhia de Sidney naquela manhã por ele ter saído mais cedo de casa.
Alba andou até seu quarto, mas parou na metade do caminho, no meio do corredor, de frente a porta do quarto do garoto.
Já se podia ouvir o chuveiro ligado, Theo estava no banho.
Ela adentrou o local, procurando pelo celular de Theodore e assim andou até a escrivaninha, nada encontrando. Depois foi até a cama, onde encontrou o aparelho debaixo de alguns lençóis.
Desbloqueou facilmente a tela, com sorte o garoto ainda não tinha colocado uma senha. Procurou nas mensagens algo que poderia revelar um pouco mais de sua vida pessoal.
Encontrou um nome familiar, citado várias vezes antes por ele: “Chris”.
Ele havia salvo o contato com um símbolo de coração na frente e ela já sabia o que isso podia significar. Vasculhou as mensagens mais recentes e ficou impactada, queria poder voltar no tempo para se auto impedir de lê-las.
“O que achou de hoje? Foi bom para você?” Enviada por: Chris.
Seu coração pulsou fortemente, novamente o nervosismo a dominou, respirou fundo e retomou fôlego para ler a resposta de Theo:
“Claro que sim, como sempre. Só estou um pouco dolorido ainda.”
Com as pernas bambas, abandonou o celular sobre a cama, onde se sentou por uns minutos, colocando a mão sobre o peito. Inspirava fortemente, em uma busca constante por oxigênio.
Assimilava aquelas palavras, com um forte teor sexual, não queria acreditar que aquilo estava acontecendo com seu filho, o achava novo demais para decidir experimentar coisas “novas”. Pensou que, talvez, poderia não ser o que estava pensando, mesmo sendo praticamente inegável do que se tratava.
Ouviu a porta do banheiro se abrindo, levantou-se rapidamente da cama do garoto, escondendo novamente o aparelho debaixo das cobertas. Quando ela passou pela porta, Theodore caminhava pelo corredor, somente de toalha, que estranhou vê-la saindo de seu quarto.
— O que tá fazendo aí?
— Você tem roupas para lavar? — Alba disfarçou.
— Poucas, mas já coloquei no cesto.
— Tá certo. — Olhou para o abdômen do filho. — E o que são essas manchas em você?
— É do banho, você sabe que a água quente faz isso com a minha pele.
— Já disse para não tomar banhos quentes demais...
— Já sei, já sei. — Deu-lhe as costas, entrando no quarto e trancando a porta.
Alba permaneceu parada, do lado de fora do corredor, pensando nas marcas, que não sairiam tão facilmente de sua cabeça.
...♕...
Na tarde de quinta-feira, logo após as aulas daquele dia, Christopher chegou em casa e comeu algo leve, para encontrar os meninos na academia mais tarde. Mas para a sua surpresa, eles apareceram em sua porta, com os seus toques inconfundíveis.
Assim que passaram pela porta, Chris recebeu abraços apertados, quase sufocantes, de ambos, que o desejaram feliz aniversário atrasado.
— Aqui o seu presente, um dia depois, mas tá valendo. — Emmet lhe entregou duas embalagens coloridas.
— E nem venha com esse papinho furado de que não precisava. — Michael acrescentou.
O amigo abriu um dos embrulhos e logo pode ver um jogo de xadrez novo. Já na outra embalagem, não conseguiu distinguir de início o que era.
— O que é isso?
— O Michael não queria que eu passasse no sex shop de novo, mas eu não pude evitar... — Explicou. — Esse é um kit para “apimentar” as coisas entre você e o Theo, mesmo eu achando que não precise...
— Emmet... — Riu.
— Me deixa perguntar, vovô, como é aguentar um pique de um garoto de dezessete anos?
— Engraçadinho.
— É sério, quantas vezes por semana vocês fazem?
— Depende de quantas vezes ele vem aqui. — Brincou, logo retornando sua atenção ao jogo de xadrez. — Mas como vocês sabiam que eu queria um jogo novo?
— Você reclamou há uns tempos que estava faltando algumas peças do seu xadrez e quando vi isso na loja, pensei na hora em levar. — Michael sorriu.
— Eu adorei, sério.
— E quanto ao meu presente? — Emmet fez bico.
— Pode ter certeza que eu e o Theo usaremos bastante, assim como já usamos as algemas...
— O quê?! — O amigo escandalizou. — Eu não acredito! Me conta de todos os detalhes, agora!
...♕...
Naquela mesma noite eles se reencontraram na academia, Theodore foi o último a chegar, cumprimentando os amigos de Christopher e Victor, com um sorriso falso no rosto.
Olhou torto para o veterinário, ainda não ficava à vontade em sua presença, se sentia deslocado, todos ao seu redor eram maiores e mais musculosos, então se olhava no espelho e se sentia reprimido.
Chris se guiou até perto dos amigos, com halteres pequenos nas mãos, com pesos de cinco quilos em cada. Entregou-os a Theo e falou a sequência que devia começar.
Com o passar do tempo, Emmet fez um intervalo no exercício que fazia, logo dizendo:
— Então Vic, quando conheceremos o tão famoso David?
— David? — Christopher perguntou.
— O novo namorado gostosão dele.
— Não sabia que estava namorando...
— Ele me contou ontem. — Emmet explicou.
— Então, é só vocês combinarem um lugar, que eu chamo o Davie.
— Como vocês se conheceram?
— David é fotógrafo, ele estava trabalhando no aniversário de um amigo meu, até me apresentarem a ele.
— E foi amor à primeira vista?
— Ah, mais ou menos. — Riu, envergonhado. — Saímos algumas vezes antes de finalmente pensarmos em namorar...
— Que bonitinhos! — Emmet escandalizou.
— Então pergunta quando ele estará livre, que a gente marca de sair. — Michael incentivou.
Theodore, antes desconfiado de Victor, achando que ele estaria de olho em Christopher, deixou isso de lado ao ouvir que ele estava compromissado. Escutava a conversa e um alívio preenchia seu peito aos poucos.
Trocou de exercício, um pouco fatigado e respirou fundo. Percebeu então que Chris o olhava, sorrindo, perguntou o que ele estava pensando, mas o namorado nada respondeu.
O que o garoto não sabia, era que o professor adorava tê-lo ali, ao seu lado, participando de um pouco de sua rotina, mas também não deixava de admitir que se pegava muitas vezes admirando o corpo de Theodore, suado pelo treino e com os cabelos grudados na testa.
...♕...
Assim que Theo chegou em casa naquela noite, foi surpreendido pela presença de Sidney, que estava a poucos metros de distância da porta de entrada.
— Já chegou, boiola?
Deu poucos passos, fingindo que nada tinha ouvido.
— Ei, moleque. — O homem segurou em seu braço. — Tô sabendo que você começou a fazer academia, mas malhar não vai adiantar, você sempre vai continuar um frango, uma bichinha passiva...
— Cala a boca! — Livrou seu braço e lhe empurrou. — Vê se te enxerga, seu saco de merda!
— Só não dou uma bifa na tua cara, porque tenho que buscar sua mãe na aula de pilates.
— Você fala demais...
— Tá querendo levar uma surra daquelas pela segunda vez? A primeira não foi o suficiente?
Theodore olhou-o com desprezo, antes de sair de sua frente.
Entrou em seu quarto e respirou fundo, para retomar ao seu estado normal.
Poucos minutos depois, tomou um rápido banho e se trocou, colocando um pijama. Deitou em sua cama e colocou as pernas para cima, apoiadas na cabeceira.
Relaxando, pensou em Christopher e a academia, a cada dia que passava, treinava intercalando uma parte do corpo, para não sobrecarregar seus músculos, que ainda não estavam acostumados com tanto esforço; ainda assim, seu corpo todo doía muito.
Nunca tinha imaginado antes que conseguiria ver Chris todos os dias, não somente nas últimas aulas, como também na parte da noite. Era uma sensação totalmente incrível e como se já não fosse bom o bastante, ainda passavam o fim de semana inteiro juntos.
Agora isso era o que motivava o garoto a sorrir.
Fechou os olhos, aliviando todo o estresse que sentiu poucos minutos atrás, mas algo quebrou o silêncio, ouviu seu celular começar a tocar. Pegou-o e olhou na tela a foto da amiga.
— Oi, Su.
— E aí, Theo, o que tá fazendo? Tá ocupado?
— Não, tô de boa, estou só deitado agora.
— Foi na academia hoje?
— Sim, cheguei em casa tem pouco tempo.
— E como foi?
— Como sempre, bem cansativo, tô dolorido como nunca. — Se queixou. — Como se um trator tivesse passado por cima de mim.
— Exagerado! — Riu.
— Ah, Su, tenho uma novidade...
— Diga!
— Você nem imagina, eu estou feliz! Descobri que aquele ex do Christopher tá namorando!
— Sério? Isso é ótimo!
— Fico um pouco mais aliviado agora, antes eu não sabia quais eram as intenções dele. — Confessou. — Sei que talvez ele não estava mal intencionado, mas já fico satisfeito...
— Mesmo que isso seja bom, o Chris não te trocaria por nada desse mundo, seu ciumento.
— Eu sei disso, mas ainda assim, é bom saber que ele está compromissado.
— Sim, eu concordo.
— Mas fale, Su, alguma novidade?
— Eu estava pensando em começar a malhar um pouquinho também.
— Precisa mesmo, tá muito magrela. — Brincou. — Tem que ganhar um pouco de músculo nessas pernas de palito...
— Ei! — Gargalhou.
— É brincadeira!
— Eu sei, eu sei. — A garota afirmou. — Mas eu queria ter tempo para academia, atualmente não estou conseguindo nem respirar.
— Seus pais são uns loucos, você sabe.
— Eu quero mais do que tudo que o terceiro ano acabe logo. — Reclamou. — Por que junho ainda está tão longe?
— Olha pelo lado bom, estamos perto do fim do ano, ao menos terá uma folga.
— Verdade! Estou louca para que o natal chegue logo!
— Seus pais já montaram a árvore?
— Não, montam somente em dezembro, cada dia colocando uma coisa, conforme a contagem regressiva.
— Seus pais sempre foram bem tradicionais, enquanto por aqui, eu acho que nem enfeitaremos a casa. — Deduziu. — Desde o ano passado, que nos mudamos, minha mãe não se preocupou em comprar a árvore e nem decorações.
— Mas será que esse ano não vai ser diferente? Por causa do Sidney?
— Sei lá, viu.
— Ah, Theo, eu não quero estragar a sua noite, mas eu posso te perguntar uma coisa?
— Com você falando assim, dá até medo, mas vamos, desembucha.
— Quando sua mãe se casar, vocês continuarão morando aí ou irão para a casa do Sidney?
— Ela não vai se casar com esse cara, eu não vou deixar...
— Desculpa, Theo, eu só queria saber.
— Se bem que...
— Que?
— Ela estava um pouco estranha hoje, um pouco avulsa, sabe? Nunca vi minha mãe dessa maneira, parecia que ela não conseguia tirar alguma coisa da cabeça, como se estivesse preocupada com algo importante...
— E ela não te disse o que era?
— Nada, nem deu pistas.
— Então, eu espero que não seja nada relacionado a isso.
— Agora que você mencionou, Su, eu também espero que não...
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