Fade Out Lines
31 Capítulo 31 — Avalon.
Notas iniciais
Capítulo 31 — Avalon.
Na noite de domingo, Theodore dobrava as poucas peças de roupa que estavam espalhadas e colocava-as dentro da mochila.
— Eu não quero que você vá... — Christopher se queixou, abraçado ao corpo do garoto.
— Minha mãe volta amanhã...
— Que horas?
— Provavelmente perto do horário de saída da escola.
— Então você ainda pode passar a noite aqui, certo?
— Acho melhor voltar hoje, fico pensando se o Sidney já não viu que não estou em casa...
— E você quer que eu fique mais tranquilo deixando você ir pra casa? Para ficar sozinho com ele lá?
— Não é certeza que ele estará lá com a minha mãe fora.
— Ah, Theo, por favor. — Sentou-se na cama. — Fica até amanhã...
— Mas e os meus livros?
— Não tem nenhum no seu armário da escola?
— Alguns, não todos.
— Mesmo assim, fica... — Fez bico.
— Não me olha com essa cara. — Cruzou os braços fingindo estar irritado, rindo em seguida. — Tá bom, eu fico.
Chris o agarrou e o trouxe para deitar, o atacando com cócegas. Apreciou as gargalhadas, enquanto escorregava suas mãos para debaixo do tecido da camiseta do garoto.
Quando parou a brincadeira, olhou-o no fundo de seus olhos, com um sorriso sincero nos lábios. Beijaram-se e se deitaram lado a lado, não demorando para adormecerem.
Pela manhã, o professor resmungou internamente ao ouvir o despertador tocar.
Esticou o braço, logo desligando-o e assim voltou sua atenção para Theodore, que se movia, acordando.
— Bom dia... — Theo murmurou, com voz manhosa, ainda agarrado ao cobertor.
— Bom dia. — Beijou a testa do garoto. — Juro que se eu não tivesse que trabalhar, faria você faltar na escola hoje e ficaríamos o dia todo deitados...
— Bem que eu queria também... — Espreguiçou-se.
— Sei que sempre pergunto isso, mas o que quer para o café?
Naquela manhã, se arrumaram e prepararam o café da manhã juntos.
Aproveitaram o pouco tempo que tinham para conversar, pois logo saíram seguindo o mesmo caminho, mas em carros diferentes.
...♕...
Terça-feira
Michael saía da entrevista com as mãos úmidas.
Emmet estava o esperando no cômodo ao lado e ao vê-lo passar pela porta, perguntou como tinha se saído.
— Bem, na medida do possível. — Afirmou, inquieto. — Estou nervoso.
— Quer que eu dirija? — Emmet perguntou, vendo que o namorado estava trêmulo.
— É melhor. — Entregou a chave.
Caminharam até o estacionamento ao lado e foram para casa.
Assim que abriram o portão, fizeram o máximo de esforço para entrar e não deixar que nenhum dos dois cachorros fugissem. Passaram pela porta de entrada e a trancaram.
— Vou te fazer um chá. — Emmet caminhou até a cozinha. — Jasmim ou funcho?
— O de funcho não acabou? — Seguiu o namorado.
— Então vai o de Jasmim, mesmo. — Encheu o bule com água, logo colocando-o sobre o fogão.
— Emm, você tinha que ver o tipo de pergunta que eles me faziam... — Sentou-se.
— Tipo?
— Ah, de tudo! Mas eu travei quando eles me perguntaram o porquê que eu devia trabalhar com eles, é tipo, nossa! Muita informação para se pensar em um só minuto!
— Você gaguejou?
— Acredito que não, ainda me lembrava da minha última entrevista, isso ajudou um pouco.
— Então relaxa, vai dar tudo certo. — Emmet caminhou ao armário e retirou duas canecas de dentro. — Eles te disseram quando dariam uma resposta?
— Dentro de vinte e quatro horas.
— Isso é bom, vão te ligar ou mandar e-mail?
— Ligar.
— Deixa a bateria do seu celular recarregada, então.
Michael observou o namorado terminar de preparar o chá e assim o trazer, colocando as duas canecas sobre a mesa.
— Coloquei cinco gotas de adoçante, do jeito que você gosta. — Emmet sorriu.
Michael agradeceu e soprou o líquido da caneca, esperando esfriar.
Mais tarde, naquela mesma noite, inquieto sobre a cama, Mikey revirava enquanto procurava posições confortáveis para dormir, quando na verdade, seu problema era ansiedade e não o colchão.
— Ei! — Emmet resmungou. — Dá pra parar de me chutar? Já estou encolhido nesse lado da cama!
— Desculpa, amor. — Agarrou o namorado pela cintura e o aproximou. — Eu estou sem sono.
— Percebi. — Levou um dos braços até a nuca de Michael.
— Te machuquei?
— Seus coices não foram tão fortes. — Riu, esfregando suas pernas no corpo do baixinho. — Então, eu conheço uma técnica bem eficaz para relaxar, o que acha?
— Desculpa, Emm, não tô afim. — Suspirou. — Eu não consigo pensar em mais nada além da entrevista.
— Eu sei, eu sei. — Acariciou o rosto do namorado. — Você é sempre assim quando está ansioso.
— Mas dessa vez é diferente. — Rebateu. — Temos contas para pagar...
— Só fecha os olhos e respira fundo, tenta dormir. — Beijou-o. — Não passe a noite em claro, vai ser pior se você não estiver acordado quando eles te ligarem amanhã.
— Tem razão. — Sorriu, observando a silhueta do amado com a pouca luz que vinha do corredor.
— Agora durma bem. — Emmet aproximou-se ainda mais, dando-lhe outro beijo.
O sono chegou rapidamente para Emmet, no entanto, Michael não teve a mesma sorte, ele ficou admirando a respiração pesada do namorado por um bom tempo antes de finalmente dormir.
Era quarta-feira de manhã e Emmet levantava, mesmo não sendo de seu costume, pois sempre acordava tarde. Entretanto, naquele dia em particular, tinha um motivo especial — surpreender Michael com um belo café da manhã na cama.
Após uma luta constante na cozinha, caminhou até o quarto com a bandeja em mãos, um tanto desajeitado, equilibrando os copos e lanchinhos que estavam sobre ela; ao chegar, colocou-a de lado por um instante, para acordá-lo.
— Bom dia, princesa. — Chamou-o, lhe dando beijos no rosto.
— Princesa é o seu... — Interrompeu o comentário, impedindo um xingamento. — O que é isso?
— Seu café da manhã. — Respondeu, colocando a bandeja sobre a cama.
— Você que fez tudo isso? — Sorriu, abobalhado.
— Sim, tentei não queimar ou estragar tudo, espero que esteja bom...
Michael não conseguia parar de sorrir.
Ao perguntar do motivo do tão repentino gesto de caridade, ficou incrivelmente feliz ao descobrir que era somente para relaxá-lo, pelo desgaste da entrevista. Se culpou internamente por pensar que ele estava se redimindo por alguma besteira que ele ainda não havia descoberto.
Mesmo Emmet se negando no início, se juntou ao café, dividindo alguns doces em meio aos gracejos e agradecimentos do namorado.
Passaram um bom tempo na cama depois disso, ambos olhando para o teto branco, admirando-o como uma obra de arte. Não era tédio, somente apreciavam o silêncio naquele momento tenso, não deixando de ter um ao outro.
Na tarde do mesmo dia, enquanto limpavam a casa para se distraírem, Michael parou o que fazia, se aproximando de Emmet.
— Estou começando a pensar que eles não ligarão.
— Calma, amor, ainda não completou vinte e quatro horas.
— Mas está quase, tenho certeza que eles falaram isso para... — O toque do seu celular interrompeu a frase. — Será que são eles?
— Atende logo!
Observou o namorado correr até a mesa de centro da sala e pegar o aparelho, atendendo a ligação rapidamente.
Continuou olhando para Michael, enquanto ele andava em círculos, sem responder muita coisa.
— Entendi, certo. — Falou, ainda ao telefone. — Tudo bem, farei isso, obrigado.
Não tinha uma cara boa quando desligou, então Emmet se aproximou, pensando em palavras para o consolar, enquanto Michael caminhava vagarosamente até ele.
O mais baixo ergueu a cabeça para olhar em seus olhos.
— Amor eu não... — Falou, com a voz mansa. — Não vou poder mais assistir séries a tarde com você, porque eles me aceitaram!
— Seu idiota! Por que fez essa cara?! — Agarrou-o, num abraço apertado.
— Só queria ver a sua reação! — Riu, eufórico, ainda dentro do abraço.
— Eu não acredito! — Ergueu-o do chão.
Michael cravou as pernas atrás das costas de Emmet, encaixando-se nele enquanto ria, feliz como nunca.
— Parabéns! — Berrou, enquanto o girava pela sala.
...♕...
Naquela noite, Christopher chegou na academia e se encontrou com os amigos na entrada, que não tardaram para lhe contar da grande novidade, ele animou-se ao saber da notícia, parabenizando o amigo pelo novo emprego.
— Eu não disse que daria tudo certo?
— Sim, você disse. — Michael sorriu.
— Você também nos disse que tinha uma novidade! — Emmet começou.
— Ah, verdade! Eu conversei com o Theo e agora ele é definitivamente um membro daqui, fizemos a matrícula dele ontem e ele começa hoje.
— E cadê ele? Não veio com você?
— Não, mas logo ele chega.
— Falando de mim? — Victor se pronunciou.
— Não, estamos falando do queridinho do professor. — Emmet brincou.
— Ah, o Theodore? — O veterinário indagou.
— Sim, ele começa hoje.
— Ah, me lembrei de uma coisa. — Victor continuou. — Quando fui ao seu apartamento, na segunda-feira, para ver o que se passava com a Dora, ele não estava lá, certo?
— Não, não estava. E me lembrei agora, eu me esqueci de me desculpar antes, não sei porquê, mas a Dora agiu normalmente enquanto você estava lá, acabei desperdiçando o seu tempo.
— Mas é exatamente isso que eu estou dizendo, eu já sei o que se passa com ela.
— Sabe?
— No momento, eu fiquei confuso, porque ela estava se alimentando bem e não tinha sinais de nenhuma virose nem nada do tipo. — O veterinário apresentou. — Mas depois eu pesquisei um pouco sobre e acabei me dando conta do que era tão óbvio.
— E então, o que é?
— Ciúme. — Victor riu. — Ela está com ciúme do dono, pode reparar que ela somente age estranho quando o Theo está por perto, não é?
— Bom, todas as vezes que reparei isso, ele estava por perto sim, mas ciúme? — Ergueu uma das sobrancelhas. — Isso é bobagem.
— Pode acreditar, isso existe.
Os amigos riram e brincaram com Christopher, nem se dando conta que o garoto se aproximava, vendo-os na entrada do local.
Ao longe, Theodore podia notar as risadas, levando sua especial atenção ao veterinário, reconhecendo-o. Sentiu uma pontada em seu peito, mas não queria se deixar levar pela emoção, mesmo não gostando da proximidade que ele estava de Chris.
Assim que chegou, Theo não perdeu tempo, os amigos tentaram continuar o assunto, disfarçando enquanto olhavam para o demorado beijo que o garoto dava em Christopher, colando seus corpos indiscretamente.
O professor não reclamou, somente tinha sido pego de surpresa, por nunca imaginar que Theodore faria algo do tipo. Ao se separar dos lábios de Theo, sorriu desajeitado e o apresentou para o único ali que o namorado ainda não conhecia.
— Prazer, Theodore. — Victor cumprimentou-o formalmente. — Se me permite dizer, você é bem mais bonito pessoalmente do que nas fotos.
— Obrigado. — Lançou um sorriso cínico, espremendo os olhos.
— Então, vamos entrar ou ficar conversando aqui fora? — Emmet perguntou. — Vamos, mariquinhas!
Assim entraram e enquanto todos se guiavam aos seus respectivos planos de treino, Christopher se encarregaria de supervisionar o garoto. Theodore seguiu-o, pronto para começar o aquecimento e partir para as atividades pesadas.
...♕...
Era um pouco mais de nove horas da noite quando Chris chegou em seu apartamento naquela noite, pensando no quanto queria que Theo viesse com ele para passar a noite, mas sabia que tinham que saber balancear o relacionamento se quisessem que desse certo, priorizando as necessidades de ambos antes de qualquer coisa.
Assim que tomou do banho e se arrumou, rumou à sala de estar e ligou a televisão, jogando-se de qualquer maneira sobre o sofá.
Precisava relaxar, sua cabeça estava cheia, estava preocupado com Theodore, sabia que o namorado não tinha agido normalmente e se esforçava ao máximo para entender o que se passava com ele.
Durante todos os treinos, o garoto teimou para aumentar pesos além do recomendado, alegando estarem leves demais. Lembrava-se de quando tinha a idade dele, fazia as mesmas coisas, porém não sabia como explicar de uma maneira que ele compreendesse que não era daquela forma que teria resultados rápidos.
Pensou até mesmo na possibilidade de arranjar um treinador pessoal para Theo, no entanto, queria ficar ao lado dele, mesmo tendo que ser paciente, não imaginou antes que seria tão difícil treiná-lo.
Esperaria até o dia seguinte, talvez a melhor maneira de Theodore aprender, era sentir na pele as dores que a musculação causava e quem sabe assim, seguir corretamente os planos de treino.
Seus pensamentos se cessaram quando ouviu a campainha tocar, levantou-se rapidamente, curioso para ver quem seria. Olhou pelo olho mágico da porta de entrada e assim a abriu.
— Oi irmãozinho! — A mulher lhe deu um abraço apertado.
— O que te traz aqui, Avalon? — Perguntou, ainda surpreso.
— Estou feliz em te ver também! — Brincou.
— Boba... — Deu-lhe espaço. — Vamos, entre.
— Eu estava por perto e decidi vir te visitar. — Falou, ao passar pela porta. — Mas eu realmente deveria ter avisado antes, me desculpa...
— Relaxa. — Sorriu. — E cadê o Greg?
— Como vim comprar umas roupas novas no centro, ele não quis sair comigo, o Greg não tem paciência.
Caminharam até a sala e sentaram-se lado a lado.
— E como você está, Chris? A última vez que te vi foi no dia de ação de graças do ano passado...
— Estou bem. E como anda o trabalho?
— Como sempre. — Ela arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — E aí, já está namorando ou continua encalhado?
— É, finalmente encontrei alguém que me aguenta. — Riu.
— Nossa, que milagre! Ele deve ser super paciente! — Provocou.
Antes que continuassem o assunto, Dora apareceu, logo latindo para se apresentar à nova visitante.
— Eita! — Avalon se assustou.
— Essa é a Dora. — Christopher levantou-se e retirou a pequena cadela do chão.
— Eu não sabia que você tinha uma cachorrinha, nem mesmo imaginava que aqui no prédio eles permitissem isso! Mas ela é uma fofa!
— Animais pequenos são permitidos. — Afirmou. — E não tem muito tempo que estou com ela, a ganhei de presente dos meninos, se lembra deles?
— Ah! Aqueles seus amigos engraçados?! Como eram os nomes mesmo?
— Emmet e Michael.
— Isso! Eles são hilários!
— Mas então, quer comer alguma coisa?
— Depende, comida normal ou daquelas de viado?
— Só comida de viado. — Riu alto. — Não quer nem uma cerveja?
— Eu não estou bebendo, pelo menos, não por um bom tempo...
— Sério? Por quê?
— Então, é por isso que eu vim te ver. — Ela abriu um grande sorriso. — Você vai ser titio!
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