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30 Capítulo 30 — Arrependimento.
Notas iniciais
Capítulo 30 — Arrependimento.
— Bom dia... — Christopher acariciava os cabelos de Theo, acordando-o.
— Bom dia. — O garoto se mexeu, esfregando os olhos.
— Dormiu bem?
Theodore balançou a cabeça afirmativamente, logo sentando-se.
— O que você quer para o café?
— Levantar já seria bom... — Riu, colocando os pés no chão.
— Verdade? — Soltou uma risada. — Se quiser, te carrego no colo.
— Não é para tanto. — Theo levantou-se, andando com passos lentos.
Chris o acompanhou até o banheiro, ambos lavaram o rosto e escovaram os dentes.
— Já falei que amo quando seu cabelo fica molhado, grudado no rosto? — Christopher confessou.
— Sério? — O garoto deixou a toalha de lado.
— É sim. — Sorriu, beijando-o.
— E eu amo quando você diz essas coisas tão naturalmente... — Enlaçou o professor com os braços.
Theodore ajudou Chris naquela manhã, juntos prepararam waffles e vitamina de frutas; arrumaram tudo sobre o balcão da cozinha e sentaram-se lado a lado.
Dora apareceu, saindo do meio da bagunça da sala, latindo para o visitante.
— Ela ainda está estranha. — Christopher observou. — Será que está com fome?
— Quando passamos pelo quarto de hóspedes, vi que a tigela dela ainda estava cheia. — Theo afirmou.
— Ainda quero descobrir o que ela tem, falarei com o Victor depois...
— Victor?
— Ah, você não o conhece, é um amigo meu, veterinário.
— Sei. — O garoto deu uma mordida no waffle, lembrando-se da foto que tiraram juntos.
— Emmet e Michael virão daqui a pouco, vou aproveitar para fazer esses dois me ajudarem a arrumar essa bagunça.
— Não quer que eu te ajude?
— Você é convidado aqui. — Beijou-o na testa. — E outra, você mal se aguenta em pé...
— Babaca. — Riu fraco. — Deixa ao menos a louça comigo...
Theodore organizava a cozinha e Chris varria o chão da sala de estar, quando ouviram a campainha tocar. Assim que a porta de entrada foi aberta, Theo já podia reconhecer as vozes familiares.
— Olha só quem está aqui! — Emmet escandalizou, avistando o garoto.
Theodore encaminhou-se até lá para os cumprimentar, mas acabou recebendo um abraço apertado e beijos no rosto. Estranhou a aproximação repentina do amigo, mas só conseguiu rir, envergonhado.
— Vocês estão com uma carinha... — Emmet analisou. — Nem precisam me dizer que se acabaram na noite passada!
— Emmet! — Michael repreendeu.
— Tudo bem, Mikey, acho que o Theo já está habituado. — Christopher deduziu.
— Pensando bem, Emmet é a versão masculina da Susannah. — Theo entrou na brincadeira.
— Tá vendo? — O professor apontou.
— E o que vocês planejam para a hoje? Vão sair mais tarde?
— Se o Theo quiser, nós vamos. — Chris afirmou. — Mas por enquanto vamos ficar em casa e falando nisso...
— O quê?
— Aqui, toma. — Entregou a vassoura para o amigo. — Continue a varrer a sala, eu vou dar um banho na Dora e depois lavar o banheiro.
— Ei! — Emmet reclamou. — Não viemos aqui pra isso!
— O que tem demais em me ajudar de vez em quando? Vocês praticamente moram aqui.
— Não se preocupa, Chris, eu te ajudo. — Michael tomou a vassoura em mãos.
— Não é isso! — Emmet contornou. — É que hoje é domingo, dia de botar as pernas pra cima!
— Você faz isso todos os dias em casa, Emm. — Michael rebateu.
— Tá, vocês ganharam. — O mais alto revirou os olhos. — Mas assim que a gente acabar, quero três garrafas de cerveja, no mínimo.
— Duas. — Christopher concluiu.
— Aceito.
— Se precisarem de alguma coisa, é só chamar. — O professor segurou no antebraço do garoto, para o guiar até o quarto. — Vem, Theo...
Assim que chegaram, Theodore foi encostado contra a parede e seus lábios foram cobertos pelos de Chris. Seus corpos se aproximaram e Christopher abriu as coxas do sardento com seu joelho.
— Quando falei em dar banho na Dora, quis dizer Dore, sabia? — Deu um sorriso malicioso.
...♕...
— Seu mentiroso. — Emmet se queixou. — Deixou a gente com a limpeza pesada e foi brincar de pique esconde com o garotão aí.
— Idiota. — Chris gargalhou. — Largue de ser dramático, você só varreu a sala...
— Como você é cruel... — Emmet caminhou até a geladeira do amigo, abrindo-a e pegando uma garrafa. — Como pode se aproveitar dos seus amigos dessa maneira?
— Isso é sério? — Levantou as sobrancelhas. — Para você ter uma noção, nem o Theodore abre a minha geladeira sem pedir licença, como quer que eu seja bonzinho com você?
— Desculpa aí se não sou o queridinho do professor. — Satirizou, sentando ao lado deles no sofá. — O que está passando na TV?
— Nada que agrade ela, pelo jeito. — Michael respondeu, olhando para a cadela irritadiça, que latia sem parar.
— Por que cachorros pequenos são tão barulhentos? — Emmet protestou. — Eles compensam latindo o que não têm em tamanho?
— Olha só, Emmet, igual a você! — Michael brincou.
Christopher não conseguiu segurar a risada, quase engasgando com a cerveja.
— Olha quem fala, seu baixinho. — Emmet mostrou a língua, fingindo estar magoado.
— Você sabe que não é desse tamanho que estou me referindo...
— Eita! Melhor pararmos por aqui!
Theodore se divertia em silêncio, evitando rir dos atritos amigáveis entre os amigos, mesmo sendo difícil segurar a risada.
— Sou só eu que estou morrendo de fome? — Michael iniciou, alguns minutos depois.
— Não, também estou. — Emmet respondeu. — Vamos pedir pizza?
— Pizza não... — Chris negou.
— Podemos sair para comer, então.
— É verdade, faz tempo que a gente não sai junto, acho que alguém tem vergonha de nós. — Emmet pigarreou, olhando para Christopher.
— Com o nosso assunto anterior, fica meio impossível não ter, não acha?
— Então, vamos sair para comer? — Michael reforçou a ideia.
— E aí, Theo, o que você acha? — O professor questionou.
— Por mim tudo bem.
— Então está certo, vamos sair!
— Eu preciso desse dom. — Emmet admirou-se, olhando para o garoto. — Qual é o seu segredo de persuasão, Theo?
— Hã?
— É só o Chris olhar para você que ele se convence facilmente, eu preciso tirar vantagem disso... — Brincou. — Será que são as sardas?
— Não sei, não, Emm... — Michael acrescentou. — Acho que são os cílios dele, são longos e isso o deixa com um aspecto adorável.
— Vamos parar com os elogios ao meu namorado, pode ser? — Christopher pediu, num tom brincalhão. — Obrigado.
— Ciumento. — Emmet cutucou.
Decidiram ir à uma lanchonete famosa do centro para almoçar, se arrumaram para sair e foram todos no carro de Michael. Conversaram durante o caminho, enquanto intercalavam com os momentos que se empolgavam e cantavam as músicas do rádio.
Assim que chegaram, notaram que o lugar estava mais movimentado que o normal, especialmente por ser domingo, sendo uma das poucas lanchonetes que abriam no fim de semana.
Adentraram o local e ao fundo conseguiram uma mesa para se acomodarem.
— Espero que não demore para alguém vir nos atender... — Michael observou.
— Eu também, estou morrendo de fome! — Emmet concordou.
Não demorou mais do que cinco minutos para um garçom entregar os cardápios, afirmando que voltaria em breve para recolher o pedido.
— O que você vai escolher, Theo? — Chris indagou, olhando para o garoto, que estava sentado ao seu lado.
— Aqui tem sanduíche de queijo grelhado?
— Provavelmente... — Procurou no cardápio. — Achei!
— Então é isso.
— Vou querer o mesmo. — Christopher fechou o cardápio. — E vocês?
— Não sei, acho que vou escolher um lanche também... — Michael afirmou. — E você, Emm?
— O de sempre.
Quando o garçom retornou, anotou todos os pedidos e se encaminhou à cozinha.
— Ah, vocês não estão sabendo ainda, né?! — Emmet entusiasmou-se. — Sobre futuro emprego do Mikey!
— Emmet, não era para falar agora... — O namorado protestou.
— Você vai começar a trabalhar? — Christopher se surpreendeu.
— É só uma entrevista na semana que vem, nem sei se vai dar certo ainda, não queria que o Emm saísse contando por aí.
— Vai dar tudo certo, você vai ver. — O professor encorajou.
— Pelo o que bem sei, eles procuram saber das suas experiências profissionais passadas, então estou com medo de eles telefonarem para o meu antigo emprego.
— Então Emmet está ferrado, nunca mais conseguirá trabalho em lugar algum. — O amigo brincou. — Fica tranquilo, Mikey.
O assunto foi pausado quando os refrigerantes chegaram, não tardando muito para os pratos se juntarem à mesa.
— Isso aqui tá uma delícia! — Emmet foi o primeiro a comentar, com a boca cheia.
— E esse tal emprego é perto da casa de vocês? Onde fica?
— Ah! Sabe aquele bar que nós íamos depois da faculdade?! — Emmet tentou explicar.
— Qual?
— Eu não consigo me recordar do nome, mas não se lembra mesmo?! Foi na época que você e o Victor estavam namorando ainda... — Cortou a fala imediatamente, olhando para Theodore.
O garoto disfarçou, fingindo que não tinha ouvido nenhuma novidade, no entanto, todos repararam que sua expressão mudou no mesmo instante.
— E-Então... — Emmet tentou continuar. — Fica no andar treze daquele prédio lá do lado.
Um silêncio se iniciou, Theo olhou para baixo para disfarçar o constrangimento e tentou ignorar os batimentos acelerados. Os amigos ficaram envergonhados, enquanto o garoto retirava o celular do bolso, fingindo estar desinteressado do assunto que tinha se dissipado.
Michael continuou falando sobre a futura entrevista, para quebrar o gelo, contudo Christopher não parava de pensar sobre o que estaria se passando na cabeça do garoto nesse momento.
Continuaram comendo e conversando, com exceção de Theo, que continuava a olhar para o celular.
— O que está fazendo? — Chris indagou, olhando para ele.
— Lendo umas mensagens. — Ele respondeu, sem tirar os olhos da tela.
— Sua mãe?
— Não, Susannah.
— O que ela está falando?
— Perguntando porque eu sumi. — Finalmente guardou o celular.
— Falou que estava comigo?
— Sim. — Deu um sorriso fraco.
Ao ver que todos estavam quase finalizando seus pratos, Theodore deu algumas mordidas em seu lanche e logo o deixou de lado, sem apetite.
Christopher pensava no que dizer ao garoto, mas esperaria um pouco mais, ainda não sabia bem o que falar.
— E então, vamos pedir sobremesa? — Emmet anunciou.
— E a academia amanhã, como fica? — Chris brincou.
— É para isso que ela serve.
— Deixa o seu personal saber disso...
— Nem diga isso, ele vai me degolar.
— Eu também não estou a fim, já abusei hoje. — Michael afirmou.
— Amor, você vai querer? — O professor despertou Theo dos devaneios.
— Hã?
— Quer escolher alguma sobremesa?
— Não, estou satisfeito.
Não era do feitio de Theodore recusar doces, pensou que, talvez, a situação era mais séria do que tinha imaginado.
...♕...
Ao tardar, já no apartamento de Christopher, os amigos tinham os deixado a sós, Chris adentrou o local, seguido pelo garoto.
O mais velho estava inquieto, pois Theo não havia falado nada durante o caminho todo, nem feito perguntas sobre o que poderia estar o afligindo. Deixou de lado o sentimento que o corroía e iniciou:
— Theo, está tudo bem?
— Tá sim, por quê?
— Eu sei que tem alguma coisa errada. — Afirmou. — Me fala, é por causa daquele assunto do Victor?
— De verdade, quer saber mesmo?
— É claro que sim...
— Eu fiquei um pouco constrangido com aquilo sim, mas não estou chateado com isso, nem nada do tipo. — Revelou. — Faz tempo que vocês namoraram, não vejo problema algum em você ter um passado.
— Então por que você está tão calado?
— Eu só fiquei pensativo, só isso.
— Ei... — Se aproximou, tocando o rosto de Theodore. — Tem certeza? Não reprima nada, pode falar.
— Bom, eu só tenho uma pergunta...
— Então faça.
— Sabe, quando a gente tinha se separado, você ficou uns dias sem dar aula, se lembra? Mas quando voltou, eu percebi que tinha um chupão no seu pescoço. — Murmurou. — Que obviamente não era meu...
— Ah, sobre isso... — Coçou a nuca. — Emmet e Michael, numa tentativa frustrada de animar, me levaram à balada. Lá tinha um babaca que ficou o tempo todo em cima de mim, então os meninos insistiram para que eu fosse dançar com ele e acabei indo. Aconteceu que ele se aproximou demais e acabou me deixando essa marca, sem a minha permissão, inclusive. Acredite ou não, mas eu me senti incrivelmente mal depois disso.
— Então não foi o Victor?
— Hã?
— Achei que tinha sido ele...
— Como assim? Por quê?
— No mesmo dia que vi essa marca em você, vi uma foto de vocês dois juntos num bar, então achei que, sei lá.
— Não, Theo, eu e o Victor não temos mais nada, somos só bons amigos agora.
O garoto sorriu, pulando de alegria internamente, satisfeito como nunca, por saber que não tinha sido o único que não tinha conseguido seguir em frente.
— Já que estamos falando de assuntos inacabados. — Christopher suspirou. — Eu me sinto no dever de te pedir desculpas novamente...
— Hã? Pelo o quê?
— Tanta coisa, Theo, você sabe muito bem... — Ressaltou. — Principalmente por ter feito aquilo na classe, na frente de todos, eu estava fora de mim.
— Mas eu te disse que já passou.
— Eu não consigo esquecer, principalmente porque eu falei com o Nicholas...
— Falou?
— No dia que entrei em contato com ele, para convidá-lo para a sua festa, ele perguntou se existia algo entre nós, então eu afirmei, o que não pareceu ser uma surpresa para ele. — Explicou. — Mas aí ele me disse que descobriu isso no dia do desafio, também me contou como você ficou depois que saiu às pressas da sala...
— Esquece isso.
— Não, Theo! — Franziu o cenho. — Eu estou me sentindo um lixo! Eu fui extremamente egoísta!
— Chris, é sério...
— Como se já não bastasse o que você estava sofrendo em casa, eu fiz você chorar! — Interrompeu-o. — Como você consegue? Se eu fosse você, eu não conseguiria mais olhar para a minha cara!
— Não fala isso, você sabe que eu te amo e que eu perdoei, já foi, já aconteceu!
— Você pode me dizer que perdoou, mas eu sei que o seu coração ainda está machucado. — Colocou uma das mãos no peito do garoto. — Eu não reparei o que eu estava fazendo, Theo, eu não reparei o quão rancoroso e imbecil eu estava sendo...
— Amor, para. — Theodore pediu.
— Me escuta... — Se aproximou. — Eu quero fazer por merecer, quero ser um bom namorado, quero te proteger e te ajudar em tudo o que você estiver passando...
— Mas você é ótimo. — Tentou ao máximo sorrir, mas percebeu que os olhos do professor estavam ficando marejados. — Por favor, não... Não chora.
— Eu te amo... — Enxugou a primeira lágrima, que escorreu para o queixo. — Do fundo do meu coração, me perdoa, Theo, por favor, me perdoa...
— Eu já disse, tá tudo bem. — Puxou-o para um abraço.
— Não foi minha intenção te magoar, jamais... — Falou com a voz abafada, com a cabeça enterrada no ombro do garoto.
— Eu sei, eu acredito em você. — Afagou os cabelos de Christopher.
— Eu estou arrependido... — Fungou, escondendo ainda mais o rosto. — Eu só estava pensando em mim...
— Vamos esquecer isso. — Theodore sussurrou.
— Eu amo tanto você. — Chris enlaçou-o com os braços. — Posso estar fazendo papel de trouxa, mas não importa, porque eu nunca me deixei levar, nunca deixei que ninguém me visse chorar...
Theo sensibilizou-se ao ver Christopher tão vulnerável, chegando à conclusão do que tanto se passava em sua mente, ele era realmente importante na vida de Chris.
— Mas é tudo diferente com você, Theo. — Apertou-o ainda mais em seus braços. — Você é diferente de todos os outros, eu devia ter reparado isso antes, devia ter dado mais valor a você...
— Tá tudo bem, nada do que aconteceu importa agora. — O garoto deslizou as mãos pelas costas de Christopher. — E eu não quero olhar para o passado...
— Você está certo. — Levantou a cabeça, olhando Theodore nos olhos.
— Temos um futuro inteiro pela frente. — Theo passou o polegar pela bochecha de Chris, enxugando uma lágrima. — Juntos...
Não importava o quanto Christopher errou com Theodore ou até mesmo o contrário, o que realmente se passava na cabeça de Chris, era que iria recompensar o pesadelo que Theo estava vivendo.
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