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29 Capítulo 29 — Cereja do bolo.
Notas iniciais
Capítulo 29 — Cereja do bolo.
Sem ao menos esperar, Christopher foi aplaudido pela linda declaração. Theodore o puxou para outro beijo, agradecendo-o pelo lindo presente e mais do que tudo, pelas palavras.
O garoto assustou-se quando latidos tomaram conta do local, Dora, que estava no colo de Emmet, foi passada para Theo, que segurou-a desajeitado.
— Aqui está! — Emmet se empolgou. — Ela não é uma graça?
— Qual o significado do nome dela?
— Preciso mesmo falar? — Chris envergonhou-se.
Theodore soltou uma risada.
Mesmo sendo interrompido pelo amigo, o professor notou que o garoto ainda esboçava a mesma expressão de antes, seus olhos sorriam.
Poucos minutos depois, Christopher se levantou e serviu os petiscos para os amigos, enquanto Theo permanecia entretido com Dora. Quando menos se deu conta, Emmet e Michael se aproximaram do garoto, roubando-lhe a atenção.
— Então, Theo... — Emmet iniciou. — Agora que Chris não está por aqui, nós queríamos te dizer uma coisa.
— Claro, pode falar...
— Primeiramente, estamos felizes que tudo tenha dado certo. — Michael continuou. — Mas sabe, só queríamos te dar umas pequenas dicas...
— Dicas? — Indagou, confuso.
— O Chris, ele é... — Emmet pensou no que falar. — Ele é um tanto impulsivo, você já deve saber.
— Aonde queremos chegar é que, sabe, queremos que tenha paciência com ele... — Michael pediu.
— Não queremos te assustar. — Emmet brincou. — Você não faz ideia, mas ele quase destruiu o apartamento inteiro quando vocês terminaram...
— Sério? — Theodore preocupou-se. — O que ele fez?
— No dia, eu tinha ligado pra ele, mas quase não reconheci o tom de voz, então soube na hora que ele estava bêbado...
— Explique melhor, Emm. — Michael interrompeu. — Quando vocês romperam, ele bebeu descontroladamente e como o Emmet disse, nós ligamos para ele e soubemos na hora que algo estava errado, então corremos pra cá.
— Quando chegamos, vimos que ele estava caído no chão e tudo em volta estava bagunçado... — Emmet completou. — Ele tinha quebrado as garrafas, jogando-as contra a parede e estava cheio de machucados por causa dos cacos, Theo.
O garoto lembrou-se imediatamente do dia em que tinha visto o chupão no pescoço de Christopher, pois naquele dia, também havia reparado em algumas marcas de cortes — no entanto, o hematoma tinha o distraído de todo o resto.
— Eu me lembro desses machucados...
— Theo, novamente dizendo, não queremos te assustar. — Michael murmurou. — Queremos que vocês sejam felizes...
— É só isso! — Emmet beijou o aniversariante na bochecha. — Cuida bem do nosso amigo, tá? Você é um fofo!
— Com licença, senhoras. — Chris se aproximou. — Poderiam se afastar do meu homem, por gentileza?
O professor arrancou gargalhadas espalhafatosas dos amigos, fazendo Theodore embarcar nas risadas.
Do outro lado da sala, Alison apontava o celular para cima e enquadrava Michael e Emmet na fotografia. Todos sorriam, tinham adorado a garota bem humorada, Mark e Lucas eram os próximos, se juntaram ao lado de Alison e sorriram.
Os assuntos eram aleatórios quando a hora de cortar o bolo chegou, Theodore sempre achou vergonhoso o ato de cantarem parabéns para ele, mas Christopher estava ao seu lado, então quando não soube como agir, bastou olhar para ele que se acalmou.
Antes de soprar todas as velas — colocada uma para cada ano de sua vida — o garoto escolheu o seu maior desejo, assim apagando-as. O primeiro pedaço, como era de se esperar, foi para Christopher, que agradeceu com um rápido beijo.
Após todos serem servidos, sentaram-se formando uma roda de conversas paralelas, mas era notável a atenção de Alison por um casal em particular, Mark e Lucas.
— Mark... — A garota chamou. — Vocês e o Lucas são casados, né?
— Somos. — O moreno sorriu.
— É que eu vi a aliança de vocês e fiquei pensando... — Ela corou. — Como se conheceram?
— Em uma boate. — Respondeu.
— Foi amor à primeira vista?
— Com toda a certeza. — Riu, olhando para o loiro. — Quando o vi já queria tirá-lo dali imediatamente.
— Uh! — Gritou Emmet, entusiasmado. — Nunca ouvi essa história!
— Há quanto tempo estão juntos?
— Nove anos. — Lucas respondeu, enquanto limpava o chantilly do canto dos lábios do marido.
— Mas espera, quantos anos vocês têm? — Alison arregalou os olhos.
— Estou com vinte e seis. — O loiro respondeu. — Eu o conheci com dezessete.
— E você, Mark?
— Trinta e dois.
— Olha só, é a primeira vez que vejo você falar a sua idade sem franzir o rosto todo. — Lucas brincou, olhando para o marido.
— Não me sinto bem ao ver que sou o mais velho do meu círculo de amigos...
— Que bobagem! — A garota afirmou.
— Então vocês têm seis anos de diferença? — Theodore se inteirou na conversa. — Interessante.
— É bom ver que não sou o único pedófilo daqui. — Mark brincou, fazendo o professor gargalhar.
— E vocês já começaram uma família? — Alison ousou a mais uma pergunta. — Ou pretendem?
— Não. — O loiro tirou sua dúvida.
— Ainda não. — O moreno enfatizou.
— Me desculpe incomodar tanto.... — A garota agitou-se. — Mas é que vocês são tão fofos!
— Sabe o que eu acho engraçado em fujoshis? — Emmet anunciou. — Não sei se todas são assim, Alison, mas elas sempre querem saber a posição sexual que nós somos...
— Bom, acredito que todas são assim, até eu. — Riu, envergonhada.
— É sério? — Theo arregalou os olhos.
— Então imagino que esteja se segurando para nos perguntar sobre isso, certo? — Emmet não esperou que ela respondesse. — Eu sou passivo assumido, Michael é versátil, mas comigo não tem escolha. É isso, pronto. Quem é o próximo?
— Ei! — Michael reclamou, com as bochechas em chamas.
— Passivo. — Theodore aderiu à brincadeira.
— Versátil. — Christopher respondeu, em meio a risos.
— Totalmente passivo. — Lucas revelou.
— Ativo. — Mark finalizou.
Nicholas segurava Dora enquanto ouvia de longe os assuntos que não se atreveria a interromper. Sabia que a namorada dormiria bem naquela noite, estava contente por ela ter realizado seu sonho.
...♕...
— Até que enfim! — Christopher jogou-se sobre o sofá quando todos foram embora. — Eu não via a hora de ficar sozinho com você, é difícil te dividir, sabia?
— Que egoísta. — O sardento brincou, sujando a ponta do nariz de Chris com chantilly, lambendo em seguida.
— Sou mesmo. — Abriu a boca para receber mais um pedaço de bolo.
— Aqui. — Garfou uma parte e Christopher abocanhou.
— Hum, Theo. — Chamou-o. — O que você achou da festa? Muito simples?
— Que isso?! Não! Eu adorei! — Sorriu. — Nunca fizeram uma festa surpresa pra mim antes, foi incrível!
— É sério? — Christopher enrubesceu-se. — Fico feliz...
— Você envergonhado é tão fofo. — O garoto pousou a cabeça em seu ombro. — Mas falando sério, você realmente me pegou, eu nunca imaginava, foi... Uau.
— E os presentes?
— Eu adorei todos, mas assumo que tenho o meu preferido em meio a eles.
— Deixa eu adivinhar, as algemas de pelúcia?
— Não! — Riu alto. — Bobo! Estou falando do seu!
— Ah, o meu... — Chris olhou nos olhos de Theodore. — Ele é legal.
— Legal?! Tá brincando, né? — Theo retrucou. — Amor! Foi tão lindo!
— E eu não sei como não gaguejei na frente de todo mundo. — Revelou. — Só sei que quando olhei pra você, me senti como se não houvesse mais ninguém ao redor...
— Isso foi adorável! — O garoto apertou as bochechas de Christopher e o aproximou. — Me beija?
O pedido foi aceito sem delongas, os lábios se uniram e deslizaram para uma dança lenta, com o gosto tão doce quanto chantilly. Mas quando o sabor se perdeu, Chris abocanhou mais um pedaço de bolo que Theodore lhe ofereceu e roubou uma fruta do prato.
— Quer ver o que eu faço com isso aqui? — Mordeu a cereja e mostrou o talo para Theo, logo colocando-o na boca.
O garoto observou atentamente os seus lábios se movendo, ele parecia concentrado no que fazia. Se aproximou ainda mais curioso e logo o professor mostrou a língua, havia feito um nó no talo da cereja.
— Como você fez isso? — Arregalou os olhos.
— Eu sei usar bem a língua. — Deu um sorriso malicioso.
— Olha só. — Theodore ergueu uma das sobrancelhas.
— Você está com sono? — Christopher se aproximou ainda mais.
— Ainda não.
— Quer ver algum filme?
— Pode ser...
— Me ajuda a escolher?
...♕...
Os latidos de Dora acordaram o garoto na manhã seguinte, ele olhou ao redor e apalpou a cama, não se lembrando de como havia parado ali. Esfregou os olhos e sentou-se na cama, se perguntando onde Christopher estaria.
Foi ao banheiro e escovou os dentes, lavando o rosto em seguida. Escutou barulhos vindo da cozinha e caminhou até lá.
— Bom dia... — Theodore se aproximou de Chris.
— Já levantou? Eu queria levar o café da manhã na cama.
— Não se preocupe com isso. — Theo abraçou-o pelas costas. — Eu apaguei ontem, né? Não me lembro do final do filme...
— Isso tudo porque disse que não estava com sono. — O professor riu, enquanto colocava as torradas no prato.
— E eu não estava, juro. — Soltou-o, fazendo bico. — Você me colocou na cama?
— Sim. — Beijou-o na ponta do nariz. — Você é como uma pluma, mas dorme como pedra...
— Acha que sou muito magro? — Levantou a camiseta, olhando para baixo. — Devo malhar?
— Abaixa isso, pelo amor de Deus. — Implorou.
— Hã?
— Não se faça de coitado. — Caminhou até o balcão, colocando os pratos sobre ele. — Você sabe que seu corpo me enlouquece.
— Você é engraçado. — Debochou, sentando-se no banco alto. — É você que é sarado e ainda diz essas coisas para me agradar.
— Theo, já falei e repito, eu não me importo com o seu físico. — Repreendeu.
— Poxa, isso é o tipo de coisa que se diz para quem é feio de corpo. — Deu a primeira mordida na torrada.
— Dramático.
Christopher pegou dois copos das vitaminas que havia preparado e entregou um deles ao garoto.
— Agora falando sério, tem alguma parte do meu corpo que você gosta? — Theodore encarou-o.
— Tudo.
— Não é o tipo de resposta que eu quero, você sabe.
— É impróprio para esse horário do dia. — Tomou um gole da bebida.
— Desembucha.
— Tá bom, só não reclame depois... — Chris virou-se para ele. — A parte de trás do seu corpo.
— Minha bunda? — Segurou a risada.
— Também, mas sabe as covinhas que você tem na altura do cóccix? — Sorriu. — Eu adoro elas...
— Isso foi fofo, nem eu me lembrava delas.
— Sua vez, o que você gosta em mim?
— É difícil escolher uma única parte, então digo abdômen. — Revelou, sem timidez. — Quero um dia ficar como você, trincado.
— Sério?
— Sim, será bom ir numa academia, ficar forte e poder me defender também, no fim das contas.
— Gostei de ver, podemos começar na semana que vem, o que acha?
— Ir à mesma academia que você?
— Sim, aqui perto...
— Acho que será um ótimo incentivo. — Exclamou. — Ou uma tremenda distração.
— Saiba que eu vou pegar pesado com você. — Christopher mordeu o queixo do garoto.
— Seja em qual sentido disse isso, eu topo todos.
Poucos minutos depois, enquanto o professor lavava a pouca louça do café da manhã, Theodore caminhava até a sala, onde Dora brincava com os enfeites que estavam jogados ao chão.
Abaixou-se perto dela e percebeu que havia confetes e serpentinas em sua boca.
— Ei, não pode comer isso... — O garoto a segurou, tentando retirar os papeis encharcados da sua pequena boca. — Ai!
— Amor, o que foi?! — Christopher espantou-se com o grito.
— Ela me mordeu... — Theodore olhou para o local afetado. — Eu estava tentando tirar os enfeites da boca dela.
— Deixa eu ver isso. — Chris correu até lá e segurou na mão de Theo, olhando para o dedo avermelhado. — Dói?
— Um pouco.
— O bom é que não está sangrando, mas lave com água gelada para aliviar a dor.
— Ela está rosnando para mim?
— O que deu em você, Dora? — O professor olhou para a cadela. — Me desculpe, Theo, ela não costuma ser assim.
— O Emmet falou que ela parecia arredia ontem por estar presa, você passeia com ela?
— Poucas vezes...
— A gente podia passear com ela, aqui em frente tem uma praça, né?
...♕...
— Aqui é bem bonito... — Theodore dava passos lentos, olhando tudo ao redor.
— É bom para relaxar também. — Christopher guiava Dora, que cheirava todos os locais vagarosamente.
— Tá ventando bastante... — O garoto cruzou os braços, na intenção de aquecer-se. — Acha que vai chover mais tarde?
— Talvez. — Respondeu, aparentemente distraído.
— Ei, tá tudo bem? — Preocupou-se. — Você parece avoado...
— É que tem coisas que não saem da minha cabeça, Theo.
— Quais coisas?
— É que estamos tão bem agora, tenho medo desses meus pensamentos estragarem tudo novamente.
— Fale, Chris, não custa nada...
— É que já falei tanta merda pra você, eu não quero te magoar de novo. — Pausou a caminhada, enquanto a cadela brincava, curiosa com a grama.
— Sinceramente, Christopher, se você soubesse o que o Sidney fala pra mim, principalmente quando me ameaça com a arma, não estaria dizendo isso agora... — Olhou fixamente para o professor. — Nada me abala mais.
— Era sobre ele mesmo que eu ia falar. — Suspirou. — Quando você me contou o que estava passando na sua casa, você não sabe o quanto me segurei, queria no mesmo instante pegar esse cara e fazer ele se arrepender de tudo o que fez...
— Eu também quero que ele pague, mais do que tudo.
— Só não me leve a mal, Theo, mas a sua mãe está sendo incrivelmente tola.
— Acha que eu não sei? Eu tento fazer ela abrir os olhos, mas nada parece funcionar, já tentei milhares de vezes conversar com ela e ela nunca acredita em mim...
— Como isso é possível?
— Você não entende. — Pisou numa folha seca do chão. — O poder de persuasão dele é incrivelmente alto...
— Me fala um pouco mais dele, então. — Continuaram a caminhar.
— Bom, no dia que minha mãe o convidou para jantar em casa para o apresentar, eu nem imaginava que ela estava namorando, mal sabia do que estava por vir e já não gostei dele logo de cara. — Colocou as mãos no bolso da calça. — Quando conversei com a Susannah sobre isso, ela foi a primeira que disse que minha mãe merecia ser feliz e que eu não podia ser ciumento...
— Até então ele agia normalmente? — Indagou. — Quando ele começou com as ameaças?
— Eles já estavam namorando firme quando isso aconteceu, mas foi na manhã da volta às aulas que tudo aconteceu.
— O que houve exatamente?
— Se lembra que naquela manhã estávamos conversando? Eu te dei bom dia antes de ir tomar banho.
— Sim, me lembro, por quê?
— Deixei o notebook aberto em cima da cama e fui ao banheiro, mas eu não sabia que o Sidney estava em casa. — O garoto acompanhou-o até um banco próximo. — Acabou que ele entrou no meu quarto e leu todas as nossas conversas recentes, acontece que tinha coisas extremamente explícitas nelas.
— E depois disso? — Christopher se sentou.
— Ameaçou contar para minha mãe, até então tentei me manter calmo, mas ele começou a me insultar de todas as formas possíveis, colocou até meu pai no meio dessa história, que nem está aqui para se defender...
— Sua mãe nem ao menos desconfia? Ele age normalmente perto dela?
— Até hoje ele nunca contou nada para ela, mas isso é só a ponta do iceberg, Chris, você nem imagina o que está por trás desse homem.
— Então me diga, quero ouvir tudo o que tiver para falar...
— Eu acredito fortemente que ele queira tirar o emprego da minha mãe, inúmeras vezes o peguei em casa vasculhando o escritório dela, sempre procurando por algo, que nunca descobri o que era.
— Então você acha que ele está a namorando somente por interessante?
— Não acho, eu tenho certeza.
— E o pior de tudo é que estão noivos, pelo o que me disse, certo?
— Isso mesmo, sinto que enquanto não faço nada, tudo está tomando proporções que eu penso que poderia ter evitado...
— Calma, Theo, eu vou te ajudar...
— Sem querer ofender, mas como?
— Eu não sei, não faço ideia, mas você tem o meu apoio.
— Ela está cega de amor. — Theodore explicou. — Eles trabalham no mesmo fórum, então creio que isso só o torna ainda mais confiável para ela...
— Ah, isso tem sentido...
— Ele é bom de lábia, a convenceu rápido com a história do seu divórcio. — Bufou. — Eu definitivamente não aguento mais.
— Agora eu entendo os seus motivos. — Entrelaçou seus dedos com os do garoto. — Você é mais forte do que pensa, Theo.
— Se eu realmente fosse, sabe que eu não teria parado no hospital.
— Ei, não pensa nisso... — Olhou em seus olhos. — Tudo o que pode acontecer, vai acontecer, se o mundo estiver desabando, pode acreditar que sempre tem como piorar...
— Lei de Murphy. — Sorriu.
...♕...
Após o jantar, ambos estavam na sala de estar com a televisão desligada, enquanto Dora dormia em cima do tapete. Theodore estava sentado no sofá e Christopher recebia mais uma vez carícias nos cabelos, com a cabeça sobre o colo do garoto.
— Theo, estava pensando em algo...
— Sobre o quê?
— Sobre o Sidney... — Anunciou. — O que você acha de ir à delegacia comigo? Podemos denunciá-lo.
— Não, Chris, não é uma boa ideia.
— Por que não?
— Um homem como ele tem que ser pego de surpresa, se ele for notificado pela justiça sobre isso, já era, ele vai definitivamente nos matar...
— Ele não faria isso.
— Você não o conhece, definitivamente não o conhece.
— Sei disso. — Bufou. — Mas tem que ter um jeito, acha que eu não me preocupo com você ou sua mãe?
— Chris, eu não quero falar mais disso, pelo menos por enquanto...
— Desculpe, amor. — Levantou a cabeça, tocando-o no rosto. — Você está aqui comigo e é o que importa... O que quer fazer agora?
— Quero ir pra cama. — Theodore esticou o braço, puxando-o pela camiseta.
— Quer ir dormir? — Christopher respondeu, centímetros de distância dos lábios do garoto.
— Não estou com sono... — Respondeu, com um sorriso malicioso.
Foram ao quarto sem enxergarem o caminho e suas bocas não desgrudavam uma da outra. Quando chegaram, o garoto empurrou o professor contra a cama e subiu sobre seu corpo.
— Você sentiu minha falta? — Theo perguntou, sentando-se sobre o volume já rijo da calça de Christopher.
— Muita. — Apalpou as coxas do sardento.
— Sei que não devia perguntar isso, mas... — Theodore se abaixou, debruçando sobre Chris. — Você dormiu com alguém depois de mim?
— Ninguém, só me satisfiz sozinho... — Suspirou, ao sentir beijos em seu pescoço.
— E pensou em alguém em particular enquanto fazia isso? — O garoto mordeu a região sensível.
— Você sabe que sim... — Respondeu, contendo um gemido. — Pode parecer mentira, mas eu realmente pensei em você...
— Pervertido. — Brincou, parando o que fazia e lhe dando um selinho.
— E você, Theo?
— Não, não dormi com ninguém e também não “pratiquei” sozinho.
— Como não? Ficou todo esse tempo sem fazer?
— Já passei períodos mais longos sem isso.
As mãos de Christopher guiaram-se até os ombros do garoto e assim rolou com ele na cama, logo ficando por cima.
— Eu tive uma ótima ideia. — O professor anunciou. — Vamos inaugurar hoje um dos seus presentes...
— Espera aí, não é o que estou pensando, é?
Chris sorriu de um jeito levemente sádico enquanto Theodore estava deitado, se levantou e retirou de dentro de uma das sacolas que estavam no quarto, as algemas de pelúcia que Emmet havia o dado.
— Aqui estão as chaves. — Christopher colocou-as sobre a cômoda ao lado da cama.
Theo engoliu em seco quando ele se aproximou com o objeto, não imaginava o que estava se passando em sua cabeça.
— O que você vai fazer? — O garoto perguntou, aparentemente assustado.
— Eu estava pensando... — Chris subiu novamente sobre a cama. — Você deixaria eu te provocar de todas as maneiras possíveis, mas com suas mãos presas?
— Isso é, sei lá, um pouco estranho... — Gaguejou.
— Estranho de uma maneira ruim?
— N-Não, não exatamente...
— Posso? — Inquiriu, ainda segurando o objeto.
Theodore juntou os dois antebraços, como se desse a permissão.
— Espera, coloca as mãos pra cima, aqui na cabeceira. — Christopher ordenou.
Assim o sardento o obedeceu e foi algemado, que testou para ver se realmente estava preso. Com os braços atrás da cabeça, Theo estava vulnerável a qualquer tipo de investida de Chris, que aproveitou para acariciá-lo debaixo da camiseta.
O garoto encolheu o corpo ao sentir as mãos do professor o tocando, descendo vagarosamente pelo seu abdômen. A delicada pele branca foi dominada por vermelhidões, causadas pelos lábios de Christopher, que mordia e sugava a cútis.
— Está doendo? — Perguntou, ouvindo os suspiros do seu prisioneiro.
— Não... — Theodore olhou-o com os olhos semicerrados.
Continuou provocando Theo com suas artimanhas, deslizando a língua por sua pele até o cós da calça que o garoto usava, rodeou a região com beijos enquanto abria o zíper. Não precisou de nenhuma confirmação para o que estava prestes a fazer, retirou a peça com pressa, tocando em seguida o volume chamativo da roupa íntima do sardento.
Um gemido tímido escapou da boca de Theodore, que forçou os braços, mas as algemas o impediram mais uma vez. Chris puxou o elástico da cueca, na intenção de retirá-la o mais rápido possível, estava ansioso para ouvir o garoto implorando.
O corpo de Theo sobressaltou quando sentiu seu membro ser afundado na garganta de Christopher, que tragou-o com apetite, empenhado em ouvir seus gemidos aumentarem cada vez mais o volume.
— C-Chris... — Tentou dizer, com a voz entrecortada.
— Diga. — Parou o que fazia, olhando para cima.
Notou o peito de Theodore subindo e descendo com rapidez, tentando controlar a respiração.
— Vai com calma... — Disse, entre suspiros.
Respeitando a ordem, Christopher tomou-o novamente em seus lábios, agora lentamente, deixando sua língua acariciá-lo enquanto estimulava-o. O garoto fechava os punhos, tentando libertar-se.
Movia seu corpo, sem conseguir controlar os sons que saíam de seus lábios, fechava os olhos com força, enquanto era dominado por Chris.
— Você gosta? — Indagou, quando retirou-o de sua boca.
Assim como ele pensou, Theo não respondeu.
Lambeu-o enquanto o olhava nos olhos, percorrendo toda a extensão de seu pênis com a língua, não recuou quando atingiu as partes mais baixas. Sugou delicadamente os testículos, que estavam quase sem pelos; essa era uma das coisas que mais gostava no garoto, boa parte de seu corpo ser desprovida de pelos.
Sentiu o corpo abaixo do seu estremecer, mais uma vez arrepiou-se com os gemidos de Theodore, que mordeu o lábio com força, tentando impedir que sua voz saísse, no entanto, sons abafados escaparam por entre seus dentes.
O professor aumentou o ritmo, ávido por mais reações indesejadas de Theo, atacou-o com ansiedade, quase o devorando. O quadril do garoto moveu-se para trás como se tentasse escapar, mas Christopher agarrou suas coxas, segurando-as firmemente.
— Chris, para... — Implorou. — Por favor, para.
— Por quê? — Interrompeu o ato e perguntou, preocupado. — Estou te machucando?
— Não é isso. — Respirava ofegante. — É que, ah.
Subiu sobre o corpo dele e o beijou, enquanto continuava o estimulando com uma das mãos. Theodore gemia em meio ao beijo, seu corpo respondia inquietamente aos toques, era difícil segurar a sensação que inflamava em seu peito.
— Para... — Pediu, mais uma vez, com voz manhosa. — Eu não vou aguentar...
— Você tá quase? — Perguntou, recebendo uma resposta afirmativa em seguida. — Tão rápido assim?
Não interrompeu os movimentos, pressionou o membro do garoto com seus dedos e não cessou as investidas. Ouviu um grito rouco vindo de Theo e prosseguiu por poucos segundos, até admirar a expressão erótica que se formava em seu rosto.
Ele se contorcia e forçava seus braços, lutando ao máximo contra as algemas. Os gemidos soavam de um jeito familiar, mas ainda de uma maneira que enlouquecia Christopher.
Quando finalmente seu prisioneiro se desmanchou em sua mão, apreciou mais um grito escapando de sua boca, enquanto respirava pesadamente, se recuperando, após vários jatos de prazer.
— Você realmente estava todo esse tempo sem fazer... — Chris admirou o líquido denso.
Theodore sentiu a língua quente do professor tocando seu abdômen, o limpando e o arrepiando por completo. Mordeu o lábio com força, segurando um palavrão obsceno, enquanto fechava os olhos.
Quando o garoto foi finalmente liberto, pode retirar a única peça que restava em seu corpo, a camiseta que tanto o atrapalhava.
Se abraçaram em seguida e se beijaram pela enésima vez.
Theo o acariciou por cima do volume da calça de Christopher, abrindo-a rapidamente, deixando clara a sua intenção, estava louco para colocá-lo todo em sua boca. Os músculos do corpo de Chris retesaram ao sentir o interior macio da boca de Theodore, que escorregava por toda a extensão de seu membro, sorvendo-o com delicadeza.
Não conseguiu conter um gemido, ele continuava com os movimentos hipnóticos, que fazia o professor se sentir num oásis ou indo ao paraíso na Terra. Ele fechou os olhos para apreciar o momento, apertando levemente o travesseiro, involuntariamente.
Gemeu quando sentiu a garganta do garoto pressionando-o, logo sendo empurrado para dentro dela. Notou um desconforto da parte de Theodore, que pareceu não se incomodar por aquilo e continuou a chupá-lo.
— Amor... — Christopher sussurrou, fazendo os pelos de Theo se ouriçarem. — Eu não vou aguentar muito...
Parou tudo o que fazia e deu um sorriso pervertido. As roupas de Chris foram ao chão pouco a pouco, até estar completamente nu e assim Theodore sentou-se sobre o colo do professor.
— Como você quer? — Christopher apalpou a região traseira do garoto.
— Que tal assim como estamos? — Perguntou.
— Como quiser. — Respondeu, logo apontando a gaveta ao lado da cama. — Já sabe o que fazer.
Erguendo-se rapidamente, abriu uma das gavetas da cômoda e pegou o lubrificante, notando que nela também havia preservativos.
— Você vai querer usar? — Theo mostrou a embalagem.
— Você decide.
— Se você disse que não dormiu com mais ninguém, então não vejo necessidade... — Colocou-a de lado. — E também, você sabe que foi o único com quem fiz.
— Amor, deixa eu te perguntar, você já se preparou?
— Já, antes do banho.
Engatinhou sobre a cama novamente, com o tubo em mãos, logo entregando a Chris.
— Vem... — Puxou a cintura de Theodore, dando-lhe um rápido beijo antes de abrir suas pernas. — Se eu não fizer isso, vai doer.
Tocou-o delicadamente entre as coxas, com o gel lubrificante na ponta dos dedos, logo introduziu lentamente, somente um, no apertado canal. O corpo do garoto respondeu ao toque, contorcendo-se de leve.
Colocou o segundo dedo, assim encharcando-o por dentro e movimentando-o com cuidado. Quando Theo pareceu mais confortável com os movimentos, decidiu que já era o suficiente.
Theodore estava com os joelhos apoiados na cama, um de cada lado do corpo de Christopher, que terminava de espalhar o lubrificante em seu membro. Sentiu a glande de Chris roçando em sua entrada e assim sentou-se, lhe dando a primeira passagem.
Deixou um longo gemido escapar de seus lábios, enquanto se movia para baixo, fazendo com que o pênis o adentrasse totalmente. O professor jogou a cabeça para trás, era inevitável, estava totalmente rendido.
Deixou com que o garoto fizesse os primeiros movimentos, abaixando e levantando o seu corpo, cavalgando em seu colo, num ritmo gostoso e lento.
— Isso é bom? — Theo perguntou, mesmo sabendo a resposta.
Christopher grunhiu, enquanto suas mãos se guiavam até as coxas de Theodore, agarrando-as.
Remexendo o quadril e rebolando devagar, Theodore mordia o lábio inferior, consumido pelo desejo que crescia cada vez mais dentro de si. Uma vontade insana o provocava, fazendo com que ele delirasse de excitação.
Gemeu baixinho, chamando por Chris, com impaciência para acelerar o baque dos corpos. Deitou-se sobre o professor, apoiando as mãos em seu peito e movimentando o quadril, sedento por ele.
— Porra, você não faz ideia de como senti sua falta... — Christopher revelou, mordendo a orelha de Theo em seguida.
— De qual parte do sexo sentiu saudade?
— Você ser apertado assim... — Respondeu, em meio a gemidos.
— Gosta disso? — O garoto sorriu de lado, enquanto movia os quadris.
— Adoro. — Chris levou suas mãos ao corpo de Theo e o empurrou contra seu membro, para ajudá-lo nos movimentos.
Um grito diferente escapou da boca de Theodore, dessa vez um pouco mais agudo que o comum. Ele tremia de desejo, logo acelerando o ritmo que seu corpo se chocava com o do professor.
O barulho da aceleração já era notável, Theo entrelaçou seus dedos nos cabelos de Christopher e se sentou com força, gemendo mais alto. Conforme se deitava ainda mais sobre Chris, ouviu uma frase obscena sussurrada em seu ouvido, que o arrepiou mais uma vez.
Excitado, tornou a rebolar, enquanto mordia o pescoço do professor, lhe arrancando gemidos tímidos.
— Espera... — O garoto se levantou.
Christopher observou o que ele ia fazer, então o menino debruçou na cama, agarrando um travesseiro perto da cabeça.
— O que foi? — Chris indagou, confuso.
— Me fode. — Exigiu, empinando a bunda. — Eu quero assim...
Sem mais delongas, o professor se retirou do lado dele e se ajeitou por cima de seu corpo empinado. Puxou-lhe os quadris e abriu suas coxas, achando a pequena entrada avermelhada.
Sentindo o membro o invadir no mesmo momento, Theodore cerrou os olhos, gemendo com a voz abafada pelo tecido. Arqueando as costas, tentou conter os espasmos que surgiam toda vez que sentia a fricção aumentando.
Implorando por mais, Theo sentiu a extensão do membro de Christopher esfregar por fora de seu corpo, entre as duas bandas traseiras. Após o provocar, encaixou-o novamente e o penetrou vagarosamente, sentindo cada centímetro mergulhar dentro dele.
Os gemidos se misturavam enquanto Chris se movimentava, agora indo para frente, notando o corpo trêmulo do garoto.
Uma corrente elétrica percorreu Theodore quando o professor levou uma de suas mãos até seus cabelos e ali firmou-as, puxando-os com força para trás, fazendo com que Theo apoiasse suas mãos na cama e empinasse ainda mais o corpo.
Ficou totalmente vulnerável, deliciando-se dos movimentos lentos de Christopher. Assim que ele abandonou seus cabelos, seu quadril foi tomado por suas mãos, que puxavam o garoto, em um vai e vem frenético.
Com a respiração ofegante do garoto e os gemidos falhos, Chris acelerou o ritmo, sendo notável o barulho dos corpos se chocando.
— Mais rápido... — Theodore ordenou.
Christopher obedeceu, apertando suas coxas e tornando a puxar seu corpo contra o dele, afundando-se completamente dentro de Theo.
Conforme o calor aumentava, o suor estava presente em suas peles, numa fina camada que os cobria. Não foram necessárias mais palavras para que entendessem que ambos estavam delirando.
— Ah, T-Theo, eu vou... — Mordeu o lábio, segurando um gemido mais alto.
Chris intensificou os movimentos, enquanto Theodore agarrava o tecido do travesseiro. Admirou as costas do garoto naquela posição, gostava de vê-lo por trás, mesmo que se sentisse tentado em ver qual expressão estaria em seu rosto nesse momento.
Notou que o canal estava mais estreito, não soube dizer se Theo contraía os músculos involuntariamente ou de modo proposital, somente pensava que o sardento sabia exatamente como o enlouquecer.
Não demorou muito para Christopher sentir uma onda de prazer o invadir, suas pernas ficaram fracas, no mesmo instante que Theodore gemeu contra o travesseiro, sentindo seu corpo ser preenchido.
Chris mergulhou seu membro no corpo de Theo uma última vez, observando como escorria quando o retirava.
Saiu detrás do garoto e deitou ao seu lado, respirando cansado como nunca.
— Theo... — Falou, em meio a suspiros. — Eu te amo...
— Eu também amo você. — Fechou os olhos quando sentiu os lábios do professor pressionando os seus. — Muito.
— Amor, o que você desejou de aniversário?
— Antes de soprar as velas?
— É.
— Não posso contar, assim não vai se realizar.
— Theodore! — Repreendeu, logo rindo em seguida.
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