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25 Capítulo 25 — O último e-mail.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 25 — O último e-mail.

Theodore ouviu a rolha do champanhe estourar, oficializando o noivado.

Enquanto todos gritavam ao seu redor, comemorando aquele momento, os flashes das câmeras cegavam os olhos do garoto, que se retirou do local por poucos minutos. Ele estava cansado de fugir, não queria mais ser o covarde que dava as costas para tudo que o incomodava, mesmo assim, não via outra alternativa naquele momento.

Olhou para o reflexo da lua na piscina e deitou-se na grama para relaxar, enquanto tentava esvaziar sua mente dos pensamentos inoportunos. Lembrou-se de Christopher e imaginou o quanto gostaria de tê-lo ali no momento; pensou que talvez estivesse louco quando sentiu uma leve pressão sobre seus lábios.

Não era loucura, lábios macios pressionavam os seus, Theodore abriu os olhos, indo um pouco para trás com o susto, no entanto, não tinha como fugir por estar deitado. Elizabeth segurou com força em sua nuca, trazendo sua boca até a do garoto.

Ainda em choque, a prima sentou-se sobre o corpo de Theo, beijando-o contra sua vontade, ele tentava mexer o rosto para os lados, mas a garota era mais persistente. Foi quando parou de lutar contra ela, que sentiu os lábios de Elizabeth abrindo-os contra os seus, prestes a forçar a entrada com sua língua.

Ela ajeitou-se em seu colo, prestes a deitar sobre o primo.

— Opa! Desculpa atrapalhar! — Susannah pegou-os de surpresa, ficando assustada pela imagem a sua frente. — O que estão aprontando aí, hein?

— Não é óbvio? — Elizabeth se levantou, ajeitando a roupa.

— De qualquer maneira, sua mãe tá te procurando, Theo!

— O que ela quer? — O garoto perguntou, como se nada tivesse acontecido.

— Hora das fotos...

— Não tô afim de tirar foto, sério... — Reclamou.

— Acho que não é uma questão de escolha... — A amiga acrescentou. — Sua mãe contratou um fotógrafo profissional para isso, acho melhor ir agora, antes que ela venha te puxar pela orelha...

— Tá certo. — Bufou, enquanto se levantava.

Susannah tentou tirar a imagem de minutos atrás de sua mente, ainda não acreditando no que tinha visto, caminhou com o amigo até a sala de visitas, onde todos se encontravam reunidos; o lugar era espaçoso, com vários sofás e poltronas espalhados, ninguém ficava sem assento.

Na primeira vez que visitou a atual casa de Theodore, a amiga reparou que a residência deles de Roseville era maior, mas com a morte de William, soube que Alba decidiu procurar um imóvel térreo. A casa de São Francisco tinha tudo o que ela procurava, o filho logo consentiu quando notou o quintal espaçoso e a larga área de lazer.

Após a rápida sessão de fotos com os poucos parentes, Theodore teve um descanso, Susannah e Tyler o acompanharam até o quarto do garoto. Theo sentou-se na cama, enquanto Susannah e o namorado sentaram no pequeno sofá azul marinho que havia no local.

— Su, por que não passa a noite aqui? — Theo inquiriu. — Você sabe que há espaço o suficiente para todo mundo...

— Mas não dá, Theo, já estamos hospedados num hotel, não muito longe daqui...

— Ah, é mesmo, acabei me esquecendo...

O namorado da garota lançou um olhar desafiador em direção do sardento, não gostando daquela intimidade que era tão comum entre os dois.

— Princesa, eu vou buscar uma bebida, você quer? — Tyler indagou, enquanto se levantava.

— Ainda não tomei champanhe, você pode pegar para mim? — Susannah pediu.

— Claro, trago sim... — Respondeu, logo se retirando.

Theodore olhou aquela cena, ainda estranhando o namoro recente da amiga, no entanto, ela estava reluzente, sempre sorrindo.

— Theo, eu não queria falar isso na frente do Tyler, mas o que é que foi aquilo com a Elizabeth?!

— Eu também não sei...

— Como não sabe?! Vocês estavam no maior amasso lá fora!

— Ela me forçou no começo, então acabei me deixando levar e sei lá, foi tudo tão rápido, logo você chegou e pronto!

— Isso é muito estranho! — Riu.

— Foi só isso mesmo... — O garoto concluiu. — Mas sabe o que é estranho para mim? Eu acho, na verdade tenho quase certeza, de que o Tyler não vai com a minha cara.

— Que bobagem!

— Ele fica me encarando de um jeito estranho, parece ter ciúme, sei lá...

— É impressão sua, ele só deve estar um pouco deslocado, porque é a primeira viagem que ele faz comigo... — Deduziu.

A garota levantou de onde estava e caminhou até o amigo, sentando-se ao lado dele na cama.

— Sabe Su, eu estou preocupado com o Sidney, principalmente em como as coisas serão daqui em diante, ele já estava praticamente morando conosco, agora tenho certeza que suas coisas virão definitivamente para cá...

— Ei, não se preocupa, eu vou te ajudar nessa, já falei... — Cochichou. — E saiba que já tenho um plano em mente...

— É sério?

— Sim... — Alegrou-se. — E tenho a certeza de que é infalível...

...♕...

Alguns dias se passaram, era quinta-feira.

— E aí, Mello?! — Christopher assustou o amigo, que estava na mesa da sala dos professores.

— Que susto! — Miguel começou a rir em seguida. — Você é pior que os meus alunos!

— Isso foi um elogio? Obrigado. — Brincou. —Está planejando as aulas de hoje?

— Tô corrigindo uns trabalhos. — Respondeu. — Quer me dar uma força?

— Vamos ver... — Sentou ao lado do colega, pegando um dos papeis e lendo a primeira questão em voz alta. — Cite o principal elemento que compõe uma estrela do tipo “G”.

— Sabe essa? — Mello questiona.

— Então, estou ocupado no momento, indo comprar um café, questão de vida ou morte. — Soltou um riso. — Boa sorte aí com os trabalhos, até mais tarde!

Christopher se retirou da sala dos professores, caminhando até o exterior da escola, em direção do pátio aberto, enquanto olhava os vários estudantes espalhados pelos bancos e mesas, notou ao longe, algo que tomou sua curiosidade.

Dois colegas compartilhavam um lanche, aquilo não o abalaria se fosse um simples rapaz, mas se tratava de Theodore, com seu amigo Nicholas. O professor se perguntava se a relação deles seria de amizade colorida, pois não podia negar que se sentia um pouco enciumado em sempre vê-los juntos.

...♕...

Theodore conversava com o amigo, rindo e sorrindo, quando olhou para frente e sua expressão mudou drasticamente. Nicholas reparou que o amigo fechou a cara de repente, olhando para o horizonte.

Tentou olhar para onde o sardento direcionava o seu olhar, procurando o que o entristeceu subitamente. Christopher, assim que notou os olhares em sua direção, saiu aos poucos do local.

Theodore se perguntava o que o professor de matemática fazia ali, dando um sorriso singelo ao pensar na probabilidade de ele estar interessado em saber no que andava fazendo pela escola.

O sinal que alertava o fim do almoço, os tirou dali, caminharam novamente pelos corredores, conversando sobre a próxima aula que teriam. Durante o trajeto até os armários, Nicholas parecia retraído, sendo notado pelo amigo, que questionou:

— Nick, o que foi? Que cara é essa? — Perguntou, abrindo o armário, logo pegando os livros.

— Eu queria te perguntar uma coisa, Theo... Na verdade, queria te perguntar isso tem muito tempo...

— Desembucha.

— Então, eu fico muito curioso em saber, os seus pais já sabem sobre você?

— Sobre eu ser gay, é isso? — Theodore indagou, vendo que o amigo gesticulou afirmativamente com a cabeça. — Bom, minha mãe não sabe...

— E seu pai?

— Ele faleceu, tem quatro anos já... — Respondeu, vendo uma expressão tristonha se formar no rosto de Nicholas. — Mas infelizmente, o meu “futuro” padrasto acabou descobrindo.

— E como o seu padrasto sabe e sua mãe não?

— É complicado. — Bufou, fechando a porta do armário com força. — Ele diz que não contará para minha mãe, mas você nem imagina as intimidações que tenho que aguentar por isso...

— Não acha melhor contar para sua mãe e se livrar dos problemas? — Sugeriu Nick, enquanto caminhavam.

— A vida com ele já é um inferno, tenho medo do que pode acontecer.

— Bom, você sabe que se precisar, estarei aqui. — Deu um sorriso. — Te vejo na última aula?

— Bem que eu queria pular essas duas aulas de agora e ir direto para a aula de matemática! Mas a gente se vê lá...

— Então até mais!

Se separaram, indo cada um para suas respectivas aulas.

...♕...

O sinal para a última aula tocou.

Nicholas avistou o amigo ao longe, andou com passos largos e logo o alcançou, acompanhando-o pelo corredor.

Chegaram na sala de aula. Theodore cruzou seu olhar com o de Christopher, seu coração acelerava a cada passo que dava em sua direção. Sentou-se no lugar de sempre, de frente à mesa do professor, com Nicholas ao seu lado.

— Boa tarde, turma. — Soou a voz que fez o coração do sardento pulsar ainda mais.

Os alunos responderam, com exceção de um.

O professor foi interrompido por duas garotas, que levavam seus cadernos para serem corrigidos. Tratou de pegar e colocar seus óculos de leitura, cuja a armação estava pendurada na gola da camisa.

Theodore olhou para frente com atenção, observava aquele homem com tanta admiração, que estava desacreditando a cada dia que passava, de tudo o que já tinha vivido ao lado dele. Parecia cada vez mais distante, mesmo estando tão perto.

Deu um sorriso sutil antes de levar seus olhos aos próprios exercícios, pegou um lápis dentro do estojo e iniciou as equações. Passados alguns minutos, Nicholas olhou no relógio de pulso, avisando o amigo que faltavam somente vinte minutos para o fim da aula.

Mesmo disfarçando, Theo não conseguia fingir que não ficava contente em ir embora, no entanto, antes que continuassem a conversa, notaram Christopher se levantando, chamando a atenção da classe.

— Antes que a aula de hoje acabe, queria propor um desafio a vocês. — O professor anunciou.

— Vai valer nota?! — Gritaram, do fundo da sala.

— Sim, vai. — Christopher riu, em deboche. — O que proponho é: se conseguirem terminar o exercício a seguir até o fim da aula, estarão livres de deveres de casa até o fim do semestre.

Um alvoroço se iniciou, o professor deu as costas para os alunos, espalhando números e letras da equação pela lousa.

— O desafio está lançado, válido a partir de agora, boa sorte!

Se retirou de frente do quadro e caminhou até sua mesa novamente, Chris retomou a leitura de um artigo enquanto todos estavam em um pleno silêncio.

Theodore não estava totalmente interessado em se livrar das tarefas, o que mais queria naquele momento, era impressionar aquele homem a sua frente.

Usava todas as suas forças para se concentrar, mas percebia que suas mãos tremiam, sua mente borbulhava, percebia que talvez teria alguma coisa de errado com aquela questão, algo oculto, por isso então chamado de “desafio” por ele, mas não se importava, pois o que mais queria naquele momento, era resolver aquele cálculo.

A folha já estava ficando sem espaço, a conta parecia não acabar nunca, olhando rapidamente para o amigo ao lado, Theo notava que Nicholas coçava a nuca, parecendo um pouco frustrado com o exercício.

Deu um sorriso quando notou que estava quase acabando, mal conseguia se conter de felicidade, podia ouvir o som do lápis riscando o papel enquanto seu coração continuava a bater com força em seu peito, ansioso para mostrar o resultado para o professor.

Sublinhou o resultado em seu caderno, logo olhando no relógio, percebendo que faltava poucos minutos para o sinal bater.

— Acabou? — Nick olhou para o garoto.

— Acho que sim. — Ele sorriu, um pouco ofegante pela adrenalina. — Devo mostrar?

O amigo retirou o caderno da mão de Theodore, esticando o braço e colocando-o com pressa na mesa de Christopher.

— Professor, ele acabou! — Nicholas falou em alto tom. Todos do local pararam o que faziam para observar.

Chris segurou o caderno, olhando atentamente para a folha, conferindo a resolução. O garoto, naquele ponto, mal sentia seu coração, sua mão estava gelada, ele estava torcendo para não haver nenhuma falha.

Quando terminou de avaliar o que Theodore tinha feito, levantou-se.

— Podem ver isso aqui?! — O professor levantou o caderno no alto. — Isso é o desespero de alguém que faz as coisas sem perceber, que leva tudo de qualquer jeito. Não sei se ouviram bem, mas eram para acertar o desafio e não me entregarem um monte de merda qualquer achando que eu não iria conferir...

Theo sentiu uma dor profunda no peito, como se algo realmente pontudo tivesse o atingido. As palavras de Christopher o feriram de tal maneira que ele abaixou a cabeça, pela primeira vez, se negando a olhar para aquele que tanto amava.

Os alunos estremeceram ao ver o professor rasgando a folha do caderno que segurava, outra agulhada atingiu o coração de Theodore, o silêncio predominava. Nicholas observou incrédulo a raiva de Chris, não imaginava que o amigo entregaria algo tão absurdo para o professor, então ainda não entendia bem o que se passava ali.

Theo percebia todos os olhares sobre si, ele não conseguia levantar a cabeça, se sentia constrangido ao extremo. O caderno foi jogado sobre sua carteira, onde os olhos dele pousaram em seguida.

Christopher amassou a folha, fazendo uma pequena bola, jogando-a no lixo.

Theodore notou sua visão ficando levemente turva, mas não deixaria nenhuma lágrima cair, chegou à conclusão de que aquele homem a sua frente não era o mesmo, Chris não merecia ver como tinha o afetado, não queria demonstrar sua fraqueza.

O sinal tocou, o garoto pegou rapidamente tudo de sua mesa e correu para fora do local antes mesmo que os outros alunos se levantassem. Nicholas não pensou duas vezes, terminou de pegar seu caderno e dirigiu-se imediatamente atrás do amigo.

— Ei, Theo! Espera! — Gritou, ficando para trás conforme os alunos saíam das salas e o impediam de se aproximar.

Faziam o caminho contrário, enquanto todos os outros caminhavam para a saída, eles corriam em direção ao pátio externo.

Um pouco cansado, Nick alcançou Theodore, que logo se apoiou em uma parede e deslizou até o chão. Enquanto cobria os olhos, ouvia-se suas lamúrias indescritíveis, Nicholas se abaixou perto do amigo.

— Ei, não precisa ficar assim. — Confortou-o. — Sei que aquilo não foi nada legal, mas...

— Ele não precisava ter feito aquilo! — O garoto gritou, levantando a cabeça e enxugando as lágrimas.

— Não mesmo, nem se você tivesse escrito o maior absurdo lá, não achei certo ele rasgar uma folha do seu caderno...

— Eu me esforcei, Nick, me esforcei muito... — Fungou. — Se aquela não era a resposta certa, por que diabos ele não passou logo a resposta correta na lousa?!

— Sim, é verdade, mas não precisa chorar por isso, Theo.

— Não é por isso, Nicholas, você não faz ideia! — Os lábios de Theodore tremeram. — Eu me sinto humilhado como nunca e o pior de tudo é que...

— É que? — Perguntou, curioso. — Continue...

— Nada, esquece.

— Vamos, fale...

— Deixa, você não vai entender... — Theo recolheu os livros do chão e se levantou. — Vamos embora daqui.

— Bom, agora eu acho que entendo, Theo. — Pousou uma mão no ombro do amigo.

...♕...

Naquela tarde, Theodore chegou com o sangue fervendo em sua casa, martelando a cena da última aula em sua cabeça durante todo o trajeto. Jogou seus pertences no chão assim que adentrou a sala de estar, mas em seguida, percebeu que não estava sozinho ali.

Caminhou até a cozinha, onde viu Sidney sentado em um dos bancos altos, com os cotovelos apoiados no balcão de granito escuro. Agora o sangue do garoto estava frio, como gelo, olhar para aquele homem era sempre assim, um calafrio após o outro.

No entanto, pensava que ao menos uma coisa na sua vida ainda podia recuperar, sua dignidade.

— Olha só quem chegou. — Virou-se para Theodore.

— Cadê minha mãe?

— Trabalhando, oras...

— E você? — O garoto rumou ao armário, pegando um pacote de biscoitos.

— Eu o quê, moleque?

— Não devia estar trabalhando também?

— A curiosidade matou o gato, sabia?

— Você fala demais. — Theo olhou para o homem, enquanto abria a embalagem. — Já te disse que não tenho nada a temer.

Naquele momento, quando Theodore não sabia de onde retirar forças, lembrou-se de Susannah, aquela que tornou real a possibilidade de desmascarar o ordinário estava mentindo para todos ao seu redor. Bastava ser sigiloso, tudo daria certo.

— Não sei como tua mãe te aguentou por todos esses anos, enfezado.

— E eu não sei como aguento aquela velha. — O garoto, que agora estava de costas para Sidney, retirou o celular do bolso com cautela.

Colocou o pacote de cookies sobre o balcão e ligou a câmera do aparelho, acionando a opção de filmagem.

— Olha só, ao menos em um ponto nós concordamos. — Debochou.

— Não vê vantagens nisso? — Theo deu mais alguns passos, colocando disfarçadamente o celular em um canto onde o homem não pudesse ver.

— Do que está falando? — Ergueu uma das sobrancelhas.

— Eu sei que você procura alguma coisa, está sempre revirando o escritório da minha mãe, o que você tanto procura, afinal? — Theodore rodou o calcanhar, para encará-lo.

— Isso não é da sua laia.

— Você vive dizendo isso, mas não parou para pensar que eu posso ser prestativo para algo, no fim das contas? — Abocanhou mais um biscoito. — Eu posso te ajudar.

— E o que você ganharia com isso?

— Você pega o que quer, mantém o meu segredo, depois eu consolo a velha quando você der um pé na bunda dela...

— Olha só! — Soltou uma gargalhada estrondosa. — Quem diria, garoto! Mas acho melhor ficar na sua, sua mãe tá metida numa grande encrenca.

— Eu não sou uma criança, não me trate como uma.

— E ao que se deve essa generosidade espontânea?

— Não tenho nada a perder. — Rolou os olhos. — E o que seria essa “grande encrenca”?

— Você vai saber quando ela, no mínimo, for afastada, talvez até perca o emprego... — Provocou. — Quem sabe presa? Isso seria bem interessante, não?

— Ela tá fazendo algo de errado? — Não conseguiu evitar a preocupação.

— Fica na tua. — Levantou-se. — E durma de olhos abertos...

Sidney o olhava desconfiado, deu poucos passos em sua direção, o coração do garoto acelerou mais uma vez.

— O que é isso aqui? — A voz daquele homem soou fúnebre para Theodore.

Ele tentou alcançar o celular antes de Sidney, mas foi impedido, logo o aparelho foi tomado pelas mãos erradas.

— Ah! Então é por isso que você tá todo estranho! Estava filmando, né?!— O homem apagou a gravação e lançou o objeto longe. — Seu filho da puta, miserável!

A risada de Sidney ecoou juntamente com o estilhaço do smartphone. O garoto correu, como se tentasse socorrer o celular, mas o aparelho já estava destruído.

Theodore sentiu a gola da camiseta ser puxada por trás, virou-se, encarou a homem face a face e sem pensar, cuspiu-lhe no rosto. Sidney fechou o punho e em reflexo do movimento, o garoto fechou os olhos; logo depois indo para trás, cobrindo o lado esquerdo do rosto que latejava.

Deu um grito de dor quando outra pancada foi desferida sem seu abdômen, abraçou o corpo, numa tentativa falha de se proteger. O homem franziu o cenho, soltando um ou dois palavrões antes de continuar.

Segurou nas laterais do ombro de Theo, erguendo seu joelho para empurrá-lo contra a barriga do menor. O garoto contorceu mais uma vez de dor, tentando se afastar, deu dois passos para o lado, mas estava sem saída detrás dos balcões, a única passagem era pela frente, onde Sidney se encontrava.

— Do que está tentando fugir, hein, bichinha? — Limpou a saliva que escorria do canto dos lábios. — Não era você que estava até agora se gabando por não ter medo de nada?! Então vamos! Me enfrente!

Theodore nada respondeu contra a ameaça, tentou se livrar por cima dos balcões, mas o homem foi mais rápido, pegando-lhe pelo pescoço e o fazendo descer.

— Covarde! — Puxou os cabelos do garoto, forçando-o a olhar em seus olhos. — Vou te ensinar uma lição! Tá querendo enganar quem?! Pensa que eu nasci ontem, viado?!

Ainda sem nada dizer, o homem conseguiu com que Theodore se ajoelhasse diante dele, debochando de como parecia inofensivo naquela posição.

— Você não passa de um inseto miserável. — Abaixou-se até o garoto, colocando ambas as mãos em torno de seu pescoço.

O corpo do menor tremeu ao ficar sem oxigênio, ele lutava com todas as suas forças para afastar os braços de Sidney, sua pele antes alva, agora enrubescia cada vez mais. Theodore abria os lábios, na busca por um mísero sopro de ar, suas narinas expandiam-se, mesmo assim, não conseguia respirar.

Suas unhas fincaram-se ainda mais na pele daquele homem, tentava se livrar do estrangulamento, empurrava-o e tentava mexer o corpo, mas a força de Sidney era incomparável.

O sufoco do garoto acabou quando as mãos afrouxaram e conseguiu a primeira arfada, ainda com dificuldade. Ergueu o primeiro joelho, para tentar se levantar, quando se deparou com algo que o fez desistir. Sidney apontava a pistola em sua direção, fazendo um arrepio desconfortável lhe percorrer toda a espinha.

— Sua mãe me contou, sabia? — O homem estampou um sorriso sombrio. — Me disse que você teve uma conversa especial com ela, algo como eu ser perigoso, não é?

Olhou para baixo, sem obter respostas e segurou no cano da arma, lançando a parte mais pesada do objeto no rosto de Theodore. Riu fraco, tirando sarro do grito de dor com o qual foi presenteado.

Um filete de sangue escorria dos lábios do garoto, que não sentiu no momento, ele levou as mãos trêmulas até onde pulsava, sentindo um líquido quente sair de seu nariz. Limpando o local, notou os dedos sujos de sangue.

— Infeliz.... — Balbuciou, sentindo o gosto forte de sangue, tentando se levantar.

— O que disse?! — Interrompeu o movimento de Theo, abaixando-o novamente.

— Lazarento! — Ralhou, respirando pela boca, incomodado pelo sangue que escorria sem cessar.

Sentiu outra coronhada, abaixou a cabeça no momento do golpe, notando a pele queimar na região da testa. Tocou levemente a sobrancelha do lado direito, xingando quando percebeu que formou-se um corte.

Uma força dominou o corpo do garoto, que empurrou o homem que estava a sua frente, levantando-se rapidamente.

— O que você acha que minha mãe vai falar ao me ver assim?! — Limpou mais uma vez o nariz.

— Foda-se, você sabe que estou pouco me lixando para você e aquela vagabunda da sua mãe!

Theodore sentiu as pernas fracas, seu peito inflamava enquanto tentava respirar, ouviu um toque estridente vindo de Sidney. Ele retirou o celular do bolso, olhando no visor enquanto ainda apontava a arma para o garoto.

— Vaza daqui, some. — Ordenou.

Theo não soube dizer se o que sentia era alívio, mas tratou-se de se retirar imediatamente da armadilha que aquele balcão em “L” poderia ser.

Quando não pode mais avistar o garoto, atendeu:

— Alô?! Querida! — Ouviu a voz de Alba do outro lado da linha. — Eu ia ligar para você agora mesmo, como adivinhou?!

...♕...

— Filho, abre a porta! — Alba batia na porta do quarto do garoto apressadamente. — Filho!

Theodore acordou assustado com a voz da mãe, esfregou os olhos, logo desistindo da ideia, lembrando-se o quanto o rosto estava dolorido. Levantou-se, ainda cambaleando e destrancou a porta.

— Theo! Meu amor! O que fizeram com você! — A expressão de sua mãe o corroeu por dentro. — Filho... Sidney me contou tudo, que judiação...

— Contou?

— Ele disse sobre a gangue de motoqueiros, ah, se ele não estivesse armado, não sei o que seria de você agora... — Consolou o garoto. — O Sid é um homem maravilhoso, viu? Ele te protegeu, não era nada do que você pensava...

— Mas mãe...

— Não precisa dizer nada, eu sei o que você vai pedir... — Alba tocou-lhe delicadamente o rosto. — Que tal faltar amanhã na escola e ir comprar um celular novo comigo?

— Tá, pode ser.

— Olha isso, meu Deus! — Desceu as mãos para o pescoço do filho, olhando as vermelhidões. — Como alguém teve coragem de fazer isso com meu bebê?!

— Tô legal, mãe. — Tentou se afastar do abraço.

— O que você quer para o jantar? Qualquer coisa, é só falar que eu faço...

— Sinceramente? Não quero nada, mãe.

— Certeza?

— Sim. — Forçou um sorriso.

— Mas você comeu o quê?

— Comi biscoito de tarde.

— Mas já está de noite, você tem que comer alguma coisa, um pouco pelo menos... — Alisou as bochechas do garoto. — Vai tomar um banho que eu te chamo daqui uns quinze minutos, tá? Eu te ajudo com os curativos...

Pouco tempo depois, ainda com os cabelos molhados, o garoto terminava de se trocar, tomando cuidado em passar a cabeça pela gola da camiseta, com receio dos ferimentos rasparem no tecido da roupa.

Escutou toques em sua porta e a abriu, sua mãe adentrou o local com uma pequena caixa de primeiros socorros em mãos. Pediu para que Theodore se sentasse na cama, para que assim cuidasse dele; passou pomada e colocou um curativo perto de sua sobrancelha.

— Sua bochecha tá roxa... — Deslizou com cuidado o gel calmante em sua pele. — O que foi isso?

— Um soco. — Respondeu, fechando os olhos para não encará-la. — Meu nariz também sangrou, mas consegui estancar o sangue.

— Você tem que tomar mais cuidado, filho...

— Cuidado? — Falou em tom de deboche, abrindo os olhos.

— As ruas estão perigosas, você sabe, andar sozinho não é uma boa ideia, aqui não é pequeno como Roseville...

— Já sei, já sei... — Franziu o cenho pela dor. — Ai!

— Desculpe, já acabei. — Guardou tudo dentro da caixa novamente. — Tá melhor?

— Tô sim.

— Vou deixar isso aqui pra quando você precisar. — Colocou a caixa de cuidados sobre a escrivaninha do garoto. — Já vou servir o jantar, você vem?

Gesticulou afirmativamente com a cabeça e calçou as pantufas, assim que chegou na sala de jantar, ajudou Alba a ajeitar a mesa; mesmo com a presença de Sidney ali, tentou ignorá-lo ao máximo, pensaria em outra maneira de fazer sua mãe saber a verdade sobre aquele homem.

Serviram-se todos do jantar de legumes e frutos do mar, Theodore manteve-se em silêncio enquanto comia, se esforçando para não perder o apetite. Sua mãe era a única da mesa que mantinha o local longe do silêncio, conversando sobre trabalho e os problemas corriqueiros.

— Então querida, vai precisar de ajuda com as malas? — Sidney perguntou.

— Malas? — O garoto assustou-se.

— Sim, para a viagem, filho... — Alba o respondeu.

— Que viagem? — Theodore franziu o cenho, engolindo em seco a última garfada.

— Eu não te contei?

— Não.

— Tem certeza? Jurava que tinha avisado... — Alba tomou mais um gole de vinho. — Pois bem, é nesse fim de semana, é ida e volta, então não demoro a retornar...

— Enquanto isso, vou te fazer companhia. — Sidney lançou um olhar malicioso em direção de Theo.

— Que história é essa?!

— O Sid se responsabilizou para ficar aqui com você, sei que você vai se sentir sozinho nesses três dias.

— Espera aí! Três dias?

— Sim, eu vou amanhã depois do almoço.

Theodore olhou para o prato quase vazio, sentindo uma imensa vontade de colocar tudo o que tinha ingerido para fora, no entanto, respirou fundo.

— Estou satisfeito. — Levantou-se, se retirando.

...♕...

Sexta-feira.

Quando o garoto abriu os olhos, olhou para o teto e o dia anterior passou-se como em um reflexo diante de seus olhos. Sentou-se na cama com dificuldade, o corpo doía, em seu abdômen ainda tinha marcas da agressão.

Levantou-se e calçou as pantufas. Saiu de seu quarto e deu poucos passos até o banheiro. Olhou-se no espelho e repulsou a imagem que viu, as marcas estavam ainda mais roxas, o curativo estava saindo, retirou-o com cuidado, com medo da cola do adesivo puxar os pelos de sua sobrancelha.

O machucado havia criado uma leve casca, não necessitando de refazer o curativo, assim lavou o rosto com cuidado, sentindo ao mesmo tempo, desconforto e alívio pela água gelada.

Abriu a gaveta e pegou a pasta, logo escovando os dentes.

Rumou-se para a cozinha, onde sua mãe se encontrava.

— Boa tarde, dorminhoco.

— Que horas são?

— Já é quase meio dia, fiquei com dó de te acordar.

— Que milagre, você sempre me acorda aos berros. — Riu. — E nunca me deixou faltar na escola assim...

— Eu sei que é um pouco desconfortável pra você, espero que nesse fim de semana você já melhore bastante, pra segunda-feira eu não ouvir desculpas, entendido?

— Tá bom. — Sorriu.

— E me desculpe novamente, a gente tinha combinado de ir hoje cedo comprar um celular novo pra você...

— Não tem importância. — Olhou ao redor. — Cadê o Sidney?

— Ele foi ao mercado, pedi pra ele abastecer os armários daqui, não me esqueci de falar para ele trazer seus mimos...

— Provavelmente vai trazer veneno de rato pra mim. — Debochou, em voz alta.

— O que disse?

— Nada, nada não.

— Não diga essas coisas perto dele, ele gosta tanto de você... — Alba se levantou, pegando a bolsa de cima do balcão. — Bom querido, agora eu tenho que ir...

— Já?

— Agora vou para o escritório, mas depois sim vou para o aeroporto.

— Tá bom... — Olhou para o chão, tentando esconder o desapontamento.

— Vem cá! Meu bebê! — Ela o trouxe para um abraço apertado, esquecendo-se que o garoto estava dolorido, mas não tinha problema algum, já que Theodore também relevou suas dores.

Quando o filho a seguiu até a porta de entrada e a viu partir, não demorou muito para uma profunda dor o invadir. O garoto queria gritar para que ela voltasse, não queria ficar sozinho com Sidney por tudo que era de mais sagrado.

Procurou uma maneira de passar seu tempo, o primeiro passo foi fazer um lanche, mas guardou-o na geladeira após a primeira mordida, não tinha apetite. Caminhou até seu quarto, se deparou com o espelho na segunda vez naquele dia, riu de como se sentia ridículo com tantos machucados.

Ergueu a camiseta para observar o abdômen, duas marcas roxas profundas dominavam a região, então abaixou o tecido novamente. Não queria encarar os hematomas, mas também ficou incomodado ao perceber que estava abaixo do peso.

Ouviu algumas músicas em seu notebook, mas nada aliviava o enorme incômodo que dominava o seu peito cada vez mais. Uma sensação ruim crescia dentro dele, Theodore estava assustado, não sabia dizer o que era.

Apoiou-se na escrivaninha, tamborilando os dedos sobre ela, logo deparou-se com a caixa de primeiros socorros que sua mãe havia usado na noite anterior. Abriu-a, fuçou nos medicamentos e logo notou um frasco de tom escuro. Pegou-o e percebeu que era o antidepressivo de sua mãe, um calmante forte, que poucas gotas derrubariam o maior dos homens.

Sabia que o que surgiu em sua cabeça era imprudente, mas não podia deixar de pensar que tudo ao seu redor tinha perdido a cor. Tinha perdido a mãe, a melhor amiga e a única pessoa que realmente amou na vida.

Por mais que em todas às vezes que pensava naquilo, acabava desistindo no meio do caminho, Theodore já não tinha mais desculpas para fugir, não precisava sofrer e sabia disso.

A humilhação que havia sofrido de Christopher, a dor que inflamava em seu peito. E se lembrar que nem em sua casa tinha refúgio mais, era tudo agonizante.

As ameaças, todas as palavras que ouviu. Tudo isso o afundavam em uma angústia sem fim. Sentia-se enjoado, pronto para livrar-se de todas aquelas aflições.

Queria gritar, mas nada saía de sua garganta, bagunçou os cabelos e encarou mais uma vez o remédio.

Imediatamente abriu o navegador em seu notebook, entrou em seu e-mail, sentia uma grande necessidade de fazer aquilo ali e agora. Seria um alívio acabar com tudo o que o perturbava.

Selecionou o contato e clicou em enviar uma mensagem.

“Para: Susannah

Assunto: O último e-mail.

Oi Su, sei que deve estar se perguntando o porquê de eu ter vindo aqui e não simplesmente mandado um sms ou te ligado. Mas o assunto que queria tratar é sério demais para uma mensagem no celular e difícil demais para poder ser falado da boca para fora.

Primeiramente, como é a nossa última “conversa” preciso te atualizar de umas coisas... Olha, sabe o nosso plano contra o Sidney? Foi por água abaixo, pois é, ele pegou meu celular filmando e me deu uma bela surra, só não te mando uma foto porque meu rosto não está dos melhores. Mas eu realmente queria que desse tudo certo, como naqueles filmes de ação que imaginávamos.

Agora queria te falar de algo que me deixou chateado, não pouco, mas muito chateado. Susannah, eu não vou deixar de te amar por isso, mas quando você esteve aqui para o noivado e fiquei conversando a sós com o Tyler, ele acabou me contando que você jogou no lixo o nosso colar da amizade, se ele soubesse que fosse eu que te dei, será que ainda o chamaria de tralha?

E por último, finalmente o assunto principal...

É com lágrimas nos olhos que eu te digo, que você é a única pessoa que nunca me rejeitou, Su, minha única amiga no mundo e sinto que não posso ir sem me despedir formalmente de você, Susannah.

Quando digo “ir” não quero dizer ir embora, não vou fugir de casa nem nada disso, mas serei um pouco mais covarde, vou desistir do que minha mãe me deu, estou desistindo da minha vida, Su.

Saiba que você é muito importante para mim, a única pessoa para quem escrevo antes de partir. Se alguém por acaso perguntar quais foram minhas últimas palavras, diga:

Esse era o único jeito de ele ter paz, ser feliz e talvez reencontrar seu pai.”

Theodore já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha enxugado seus olhos, lágrimas escorriam sem parar, suas mãos tremiam enquanto digitava, era difícil dizer tudo aquilo para sua melhor amiga.

Se sentia a pessoa mais covarde do mundo, mas já tinha se cansado de tudo o que o rodeava, não sabia decifrar o que tinha feito tomar aquela decisão, talvez todos os acontecimentos juntos.

Era difícil de suportar, difícil de respirar, mas sabia que não necessitava de mais nenhuma palavra formal de despedida.

Respirou fundo, tinha medo de apertar para enviar e não ter coragem de seguir em frente. Tomou o frasco do antidepressivo em mãos, olhou para a tela do notebook mais uma vez e por fim enviou a mensagem.

Desligou o computador e abriu a tampa do medicamento, puxou a parte de plástico de conta-gotas com os dentes, tirando-a com força. Deu um último suspiro e entornou goela abaixo todo o líquido.

Quando se sentiu sonolento, se levantou da cadeira, caminhando para a cama, mas não conseguiu completar o curto percurso.

...♕...

Naquela mesma tarde, Alba retornava para casa, buscaria suas malas para as levar ao aeroporto. Assim que passou pela porta de entrada, seu celular começou a tocar, retirou-o do bolso e não reconheceu o número no visor.

— Alô? — Atendeu.

— Tia Alba!

— Quem tá falando? — Estranhou.

— É a Susannah!

— Ah, oi Su, como vai?

— Pelo amor de Deus, me fala que você está com o Theodore! Cadê ele?! Preciso falar com ele agora mesmo! Liguei um milhão de vezes para o celular dele, mas ele não atende!

— Calma, respira! Acabei de chegar em casa, vou passar o telefone para o Theo... — A mulher caminhou pelo corredor até se deparar com a porta semiaberta do quarto do garoto. — Filho... Filho?

Susannah estremeceu. Todos os pelos do corpo da garota se arrepiaram quando ouviu um grito rasgar a garganta de Alba do outro lado da linha.

Notas finais
♕ Hoje eu quero ver todo mundo comentando! ♕ Gente, esse capítulo foi super trabalhoso! Espero que tenham gostado, então por favor, me digam o que acharam! Outra coisa que eu queria comentar, é que quando o Sidney chama o Theodore de "viado" sei que o animal é "veado" sim, mas antes que me perguntem, aqui vai a explicação de eu usar esse termo com "i" Um dia em uma aula de sociologia, um professor explicou para a classe da onde surgiu o termo "viado". Ele foi retirado da palavra "extraviado", que significa alguém que mudou de rumo, saiu dos eixos, quebrou os padrões, digamos assim. Esse termo surgiu nos anos 50/60 junto as suas bandas famosas da época, como The Beatles ou Ramones que surgiu alguns anos depois (70's), chamavam assim os garotos que se vestiam como os integrantes da banda, saindo completamente da vestimenta atual da época. Um bom tempo depois, o termo "extraviado" foi reduzido para somente "viado". Espero que tenham ficado tão fascinados por isso quanto eu fiquei quando descobri a verdadeira origem. c: Também espero que tenham gostado desse capítulo mega longo que eu fiz especialmente para vocês! ♥