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8 Capítulo 8 — Ordens.
Notas iniciais
Capítulo 8 — Ordens.
Theodore acordou de manhã com beijos em seu pescoço, e grunhiu, ainda com preguiça.
—Bom dia... —O garoto sussurrou, olhando para Christopher.
—Bom dia. —Chris bocejou. —Dormiu bem?
—Sim... E você?
—Muito bem! —Christopher abriu um largo sorriso, acariciando o rosto do garoto. —Estou feliz que você está aqui comigo, sabe?
—Eu também... —As bochechas de Theo coraram, mas ao olhar para o despertador em cima do criado-mudo, lembrou-se. —Espera, que horas são?
—Quase onze horas, por quê?
—Meu Deus, minha mãe vai me matar! —Theodore assustou-se, sentando na cama.
—Ei, Theo... —Chris o olhou, apreensivo. —Eu não entendo... Quero dizer, sei que sua mãe é controladora e rígida com suas regras, mas você já é maior de idade, não acha que já é hora de ter um pouco mais de controle da sua própria vida?
—Tem razão... —Theodore sentiu um nó se formar em sua garganta.
—Vem cá, você ainda nem me beijou... —Christopher puxou seu antebraço, para aproximá-lo.
O garoto deitou-se novamente, entrelaçando seus dedos nos cabelos de Chris, o beijando, e atacando seus lábios com pressa, logo debruçando sobre seu peito.
—Você ainda está um pouco vermelho aqui... —Christopher afagou a pele do pescoço de Theo.
—Sério?
—Desculpe por isso, é que eu não consigo me segurar quando se trata de você... —Chris sorriu. —Você sabe que quero te beijar o tempo todo, te tocar...
As bochechas de Theo, já rubras, avermelharam-se ainda mais.
—Ei, Theo, eu sei que é um pouco constrangedor te perguntar isso, mas eu quero tanto saber... —Chris olhou o garoto nos olhos. —Eu sei que foi doloroso, mas você sentiu prazer?
Theo hesitou um pouco para responder, mas logo disse:
—Doeu muito, mas não foi tão ruim quanto pensei que seria...
—É porque no final você gemia como um louco, então achei que estivesse muito bom... —Chris soltou uma gargalhada estrepitosa, e o garoto corou ainda mais. —Desculpe pela brincadeira...
—Tudo bem, foi engraçado. —Theo sorriu. —E você não mentiu.
—Eu sei como se sente, a primeira vez nunca é a mais agradável, mas acredite, quando seu corpo acostumar será maravilhoso. —Christopher acariciou os cabelos do garoto. —E eu quero estar aqui quando esse dia chegar para você...
O corpo de Theo estremeceu.
—Você já passou por isso?
—Já. —Chris respondeu. —E quer saber? Foi horrível, o cara não tomou cuidado nenhum, foi extremamente doloroso.
—Sinto muito. —O garoto tocou o rosto de Chris com a ponta dos dedos, afagando sua pele macia. —Eu tive muita sorte, você foi muito carinhoso comigo, e cuidadoso...
—Cuidadoso, nem tanto, não é? —Christopher riu.
—Não me preocupo por não termos usado preservativo...
—Eu só queria ter me lembrado de comprar... —Suspirou Chris.
—Não se preocupe tanto.
—Theo...
—Huh?
—Você gostou da nossa noite?
—É claro que sim! Mas que pergunta é essa?
—Eu fiquei preocupado, não queria que sua primeira experiência fosse como a minha foi, eu estava tomando tanto cuidado, que fiquei receoso quando você me pediu para ir mais rápido...
—Eu pedi aquilo porque eu sabia que estava sendo delicioso para você. —Theo sorriu, libertando-se da vergonha. —Você mesmo me disse, lembra?
—Sim, me lembro, mas não precisava ter feito isso, não me senti bem com você se permitindo a dor para que eu sentisse prazer...
—Eu não penso assim, você estava me dando tanto amor, e eu queria retribuir todo o seu carinho de alguma forma.
—Sabe? Você é um fofo! —Christopher sorriu, deslizando sua mão pelas costas desnudas do garoto. —Eu ainda não acredito que você está aqui...
Theo sentiu beijos no topo de sua cabeça, estava sendo tratado como um príncipe, Chris era realmente um romântico nato.
—Acha bobagem essa história de relacionamento sério? —Christopher indaga.
—Não, não acho, na verdade eu gosto... —O garoto ajeitou-se na cama, saindo de cima do peito de Chris e deitando-se ao lado. —Por quê?
—Alguns amigos meus me acham antiquado.
—Você só é romântico à moda antiga, Chris, eu gosto disso.
—Gosta, é?
—Sim... —Theodore jogou uma de suas pernas por cima do corpo de Christopher.
—Bom saber. —Chris apalpou a coxa do garoto, subindo seus dedos vagarosamente. —Ei, acho melhor não me provocar mais...
—Por quê? —Theo continuou esfregando sua perna nele.
—Pelo simples fato de estarmos nus por baixo da coberta. —Christopher soltou uma leve risada.
—Se eu estivesse sem dores já estaríamos fazendo novamente... —O garoto acariciou o abdômen de Chris.
—Não pense nisso ainda. —Christopher beijou a testa de Theo.
Theodore se aconchegou nos braços de Chris, que afagou seus cabelos negros, enquanto o garoto o olhava, com um belo sorriso no rosto.
—Ei, posso te perguntar algo? —Christopher indaga.
—Pode sim...
—Você esperou por alguém especial para ter sua primeira vez, ou simplesmente tinha medo?
—Medo, principalmente por não saber se você sumiria no outro dia.
—Agora você sabe que isso não vai acontecer...
—Sim, agora eu sei, mas não posso negar que fiquei apavorado na semana passada quando vim aqui e tudo aquilo aconteceu, acabei me descontrolando. —Theo engoliu seco, estava nervoso por dizer tudo aquilo. —Me desculpe...
Chris abriu um sorriso.
—Não tem com o que se desculpar, você sabe, já conversamos sobre isso.
—Mesmo assim, eu estou feliz por você me entender...
O garoto entrelaçou seus dedos com os de Christopher, e beijou a costa da mão dele.
—Quer levantar? —Christopher pergunta. —Está com fome?
—Quero ficar deitado aqui, para sempre... —Theo falou, um pouco dengoso, esfregando seu rosto contra a pele quente de Chris.
Narrado por Theodore
Depois de enrolarmos muito, nos levantamos da cama, e Christopher preparou para nós um café da manhã atrasado, já que era quase a hora do almoço. E ficamos conversando por mais um tempo no sofá da sala, largados um nos braços do outro, como um verdadeiro casal passando seu tempo livre.
Eu estava feliz por finalmente ter alguém para compartilhar momentos assim, mas já estava decidido que queria falar toda a verdade para Chris antes que fosse tarde demais.
Enquanto ele me levava para a casa, fiquei juntando as palavras em minha mente, formulando milhares de frases, e como sempre, não conseguia encontrar palavras boas o bastante. Nenhuma que pudesse amenizar tudo aquilo, ou que fizesse a situação não parecer tão grave.
Ele parou o carro em frente à minha casa, olhou para mim e me beijou, sem que eu dissesse nada.
—Ei, não faz essa carinha... —Christopher murmurou, assim que se afastou do beijo. —Logo nos veremos de novo, mas agora é melhor você ir, sua mãe deve estar para chegar.
—Tá bom. —Respirei fundo, dando-lhe outro beijo. —Sentirei sua falta.
—Eu também, meu amor.
Chris revelou um sorriso lindo para mim, tão doce que eu queria fotografá-lo.
—Ah, eu posso te pedir só mais uma coisa?
—Diga.
—Vamos tirar uma foto juntos?
Ele aceitou, pegamos nossos celulares e tiramos algumas fotos em ambos os aparelhos, para que nós dois tivéssemos lembranças desse dia.
—Agora você tem que ir, Theo, está ficando tarde. —Christopher acariciou meu rosto.
Trocamos mais algumas palavras, nos beijamos por alguns minutos seguidos sem nos desgrudarmos, e findamos o beijo com mordiscadas.
Rimos e nos beijamos uma última vez.
Assim que saí do carro, acenei até vê-lo desaparecendo na esquina.
Caminhei até a entrada de casa, peguei a chave na mochila, e entrei. Minha mãe chegaria do trabalho em pouco tempo, e enquanto isso teria que inventar uma desculpa para caso ela perguntasse do porquê de eu ter dormido fora.
Eu estava simplesmente ferrado.
Fui até meu quarto e me joguei sobre minha cama, ocasionalmente me lembrando do pouco tempo que passei com Chris ali.
Peguei meu celular para olhar nossas fotos, mas o que chamou minha atenção, foi uma notificação, e quando desbloqueei a tela, percebi que era uma mensagem de Susannah.
Ela havia deixado uma mensagem, dizendo que era para ligar para ela assim que visse o seu recado, será que algo grave havia acontecido?
Liguei para ela no mesmo momento, que sem demorar muito, atendeu:
—Theo, que bom que ligou!
—Fiquei preocupado, aconteceu alguma coisa?!
—Tenho uma novidade! —Ela exaltou a voz, parecia animada.
—Conte logo... —Falei, rindo.
—Estou indo te visitar!
—Sério?! Quando?!
—Semana que vem! Meus pais irão aproveitar o feriado!
—Isso é demais, você vai dormir aqui, né?
—Vou sim! Ah, eu tenho tantas coisas para te contar, Theo!
—E eu também, você nem imagina...
—Jura? —Susannah se exaltou, gritando histericamente. —Eu conheci um menino que é tão fofo! Ele se mudou para o bairro tem pouco tempo, e fica passando sempre na frente daqui de casa com os amigos!
—Eu também conheci alguém. —A interrompi.
—Tá brincando?! É sério?!
—Ele é demais Su, eu ainda não acredito que ele também se interessou por mim...
—Eu quero conhecê-lo! Como ele se chama?
—Christopher...
—Ele é bonito?
—Muito, você nem imagina, e ele malha!
—Com quem ele se parece?
—Acredita que eu estava conversando com ele sobre isso esses dias? E até brinquei, dizendo que ele se parecia muito com Jamie Dornan.
—O cara do filme cinquenta tons de cinza?
—Ele mesmo.
—Amigo, por que eu não arranjo caras assim? Eu quero conhecê-lo!
—Eu tenho certeza que ele também gostaria de te conhecer, já conversamos sobre você.
—Sério? Sobre o quê?
—Largue de ser curiosa. —Provoquei.
—Não é justo! Eu te conto tudo!
—E quem disse que eu quero ouvir? —Soltei uma gargalhada. —É brincadeira! Eu só não quero contar tudo por telefone, sabe? Se não ficaremos sem assunto para a semana que vem...
—Eu estou morrendo de curiosidade, mas tudo bem, eu aguento...
—Ah, Su... —A chamei, assim que ouvi o carro de minha mãe entrando na garagem. —Eu preciso desligar agora, depois nos falamos mais, tá bom?
—Tá, eu também tenho que ir, depois te mando mensagem.
Desligamos a chamada e coloquei o celular de lado, eu sabia que algo terrível estava por vir, e já me preparava mentalmente para os sermões de minha mãe.
Caminhei até a sala, e logo a vejo entrando e fechando a porta de entrada.
—Onde você esteve? —Ela colocou a bolsa sobre o sofá.
—Na casa de um amigo...
—E por que não me ligou?
—Eu esqueci.
—O que ficou fazendo?
Não consegui dizer nada, ela caminhou em minha direção, com os braços cruzados. Sua expressão estava completamente irreconhecível.
—Eu vou repetir, e dessa vez quero que você me responda, Theodore! —Ralhou. —O que você ficou fazendo?!
—Fiquei jogando videogame, e depois acabei pegando no sono, já disse que não era nada demais!
—Nada demais? Você quase me mata de preocupação e não é nada demais?
—Você podia ter me ligado! —Rebati.
—Eu liguei quarenta e sete vezes, Theodore Brandford!
—Eu não escutei... —Engoli seco.
Eu morreria, aquele com certeza era o meu fim.
—Pensei que haviam te sequestrado, ou te matado! Você nem ao menos me contou que sairia hoje!
—Eu contei!
—Contou como? Vindo falar comigo enquanto eu estava no escritório?
—E como mais seria?! Você sempre está ocupada!
—Agora vai jogar a culpa em mim? Você não tem juízo, não?!
—Eu já cheguei, e estou bem, não exagere!
—Você não era assim, Theodore.
—E desde quando você me conhece?! —Gritei, estava ficando irritado com tudo aquilo.
—Desde quando você nasceu!
—Por que você me trata como um bebê?!
—Porque você age como um!
Bufei, eu não estava aguentando mais.
—Me entregue seu notebook e seu celular, agora. —Ela ordenou.
—O quê?! Não é justo!
—Agora!
—Não!
—Tudo bem, eu mesma pego... —Ela colocou-se a caminhar, e tentei impedi-la, a empurrando.
Meu corpo gelou com o olhar que ela lançou em minha direção, depois de alguns segundos retomei minha consciência, eu havia mesmo feito aquilo?
Paralisei.
Por incrível que pareça, ela não verbalizou nada com a agressão, no entanto, continuou indo até meu quarto. A segui, ainda com um pouco de medo, ela tomou meu notebook em mãos.
—Me passe seu celular.
—Não posso, tenho que conversar com a Susannah.
—A Susannah pode esperar.
—Ela está vindo para cá semana que vem, não posso ficar sem falar com ela.
—Então me entregue a sua chave de casa.
—Hã, por quê?
—Me dê logo.
Coloquei a mão dentro do bolso da calça, pegando o molho de chaves e o entregando em sua mão.
—Você não sai dessa casa sem que eu saiba, até o final das suas férias.
—O quê?! Que absurdo!
—Você está de castigo para que saiba que enquanto estiver dentro dessa casa, terá de seguir minhas ordens...
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