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21 Capítulo 21 — Nicholas.
Notas iniciais
Capítulo 21 — Nicholas.
— Pronto, já postei e te marquei na foto. — Christopher guardou o celular no bolso.
— Acredita que isso ainda é muito surreal pra mim? — O veterinário riu.
— Sério? Porque pra mim tá na cara que foi o Emmet e o Michael que armaram tudo.
— Bom, de certo modo foi, eles sabiam que eu trabalhava lá onde foram adotar a Dora.
— Só ainda não sei bem o que eles planejavam... — Chris encarou Victor. — Você nunca gostou de cerveja, por que aceitou vir aqui comigo?
— Acredito que precisávamos colocar a conversa em dia, não acha?
— É mesmo.
— Eu posso estar sendo um pouco intrometido, mas Emmet me falou que você havia acabado de sair de um relacionamento, é verdade?
— É sim... — Christopher abaixou a cabeça, suspirando.
Passaram-se vários minutos, conversavam de poucas coisas, mas o assunto estava se esgotando, deixando os dois em um silêncio breve.
— Ahn... — Victor pensou no que dizer. — Quer ir embora daqui?
— Seria uma boa, quer ir pra minha casa?
— Tá bom, lá poderemos conversar a sós.
...♕...
— Fica à vontade. — Chris trancou a porta, assim que entraram.
Victor recebeu a pequena cachorra nos braços, ao vê-la se aproximar latindo.
— Ela está feliz em me ver. — O veterinário brincou. — Que bom que não guardou remorso pela agulha da injeção.
— Não é só ela que está contente. — Christopher sorriu, com as bochechas coradas.
Caminharam até o sofá e Victor colocou Dora sobre o tapete macio.
— Então, do que quer conversar? — Christopher perguntou.
— Não sei bem o que falar... — O médico se sentou ao lado de Chris.
Christopher se aproximou dele no sofá e perguntou:
— Está namorando agora?
— Não, faz um bom tempo que não fico com ninguém, pensando bem, meu último relacionamento sério foi com você e isso faz o quê? Uns dois anos?
— Como um cara como você está solteiro por tanto tempo?
— Não é por opção minha, ou seja, não sou tudo isso, Chris.
— Bobagem...
— Mas me fala, o que andou fazendo durante esse tempo? Você tinha acabado de se formar quando nós rompemos...
— Nada demais, estou somente trabalhando, atualmente como professor...
— Que bacana!
— Ah, é um pouco complicado às vezes, os alunos me deixam louco... — Suspirou, lembrando-se somente de um garoto.
— Para qual turma leciona?
— Para o ensino médio, a época mais difícil... — Fez uma pausa. — Eles estão preocupados com as seletivas e toda a pressão das provas.
— Imagino, mas você sempre foi bem paciente, sei que consegue lidar com isso...
— Tenho que ser mesmo, apesar de tudo.
Victor deu um sorriso meigo, acariciando o rosto de Christopher, que se aproximou, mas o médico o interrompeu, o afastando.
— Desculpe. — Chris envergonhou-se ainda mais ao ver que ele tinha negado seu beijo.
— Olha, não me leve a mal, mas eu já te dei uma chance e você terminou comigo sem um motivo aparente. — Victor murmurou. — Você disse que nós não daríamos certo e eu não mudei Christopher, se não deu certo no passado, não vai dar agora...
— Eu sei, não foi você quem mudou, fui eu... — Suspirou. — Mas eu te entendo, é melhor continuarmos como estamos.
— Só amigos, foi o que você me disse na época, mas passamos um bom tempo sem olhar um na cara do outro.
— É complicado, você sabe que quando as pessoas terminam, querem fazer isso amigavelmente e eu sempre adorei você como pessoa, Victor, não queria que você realmente se afastasse...
— Sei disso Chris, eu também adoro você, mas imagino que não quer realmente me beijar, pensa bem... — O médico afagou os cabelos de Christopher. —Não está querendo recuperar um relacionamento antigo, achando que assim vai esquecer do outro recente?
— Me sinto horrível agora... — Chris tombou a cabeça no ombro de Victor.
— Qualquer um com um coração partido, faria isso Chris, não se preocupa... — Continuou com o cafuné. — Acredito que você realmente mudou... Mas quando isso passar, caso queira tentar de novo estarei aqui, só que tudo tem o seu tempo, quero que tenha primeiramente a certeza do que quer.
— Valeu mesmo, você sabe como me animar. — Christopher sorriu. — Quer beber alguma coisa? Tenho vinho...
— Chega de beber. — Abraçou Chris. — Você precisa ir dormir, quer que eu cante uma música?
— Eu me lembro, adorava quando você cantava para mim quando eu não conseguia dormir...
— Se lembra quando eu te chamava daquele apelido fofinho?
— Tophie?
— É!
— Não me esqueço também. — Sorriu, deitando a cabeça no colo de Victor. —Espera...
— O que foi? — Perguntou, vendo Christopher colocar a mão no bolso da calça.
— Meu celular vibrou, é uma notificação...
— O que é?
— Adivinha? Emmet acabou de curtir a nossa foto. — Lhe entregou o celular, ainda repousado em seu colo.
O médico segurou o smartphone, observando novamente a foto e seus comentários. Assim continuou acariciando o rosto de Chris, no entanto, quando olhou para baixo, viu que ele fechava os olhos vagarosamente, sendo dominado pelo sono.
Deixou o celular de lado por um minuto, Victor olhou a expressão dele se acalmando e aos poucos, sua respiração ficando pesada. Parou os olhos sobre o aparelho com a tela ligada, a curiosidade falou mais alto e novamente segurou-o.
Pensou que seria errado olhar suas mensagens, então vasculhou o menu, vendo os aplicativos e logo indo à galeria. Percebeu que haviam muitas fotos de alguns dias atrás, quando se deu conta, eram todas de Christopher com um único rapaz.
Tinha várias fotografias seguidas de atividades que faziam juntos, mas das imagens, as que mais chamaram sua atenção, foram das que estavam na cachoeira da cidade vizinha. Conhecia o local, embora Chris nunca havia o levado lá, ainda assim deu um sorriso, imaginava que ainda amava muito aquele rapaz, pois caso contrário já teria apagado todas as fotos.
Como pensava que mexer em suas mensagens era íntimo demais, foi até aos contatos do celular, procurando algum que tinha foto para tentar descobrir o nome do ex-namorado de Christopher.
Parou então na letra T, viu que o único contato ali com foto era Theodore e era o mesmo rapaz que estava com Chris nas fotos.
...♕...
Christopher acordou na manhã de terça-feira em sua cama, estranhando por não se lembrar de ter ido até seu quarto na noite anterior.
Então se lembrou imediatamente de Victor, se levantou e andou pela casa. Viu-o deitado sobre o sofá, encolhido de um jeito aparentemente desconfortável. Sentiu um pouco de pena, caminhou até ele e o chamou.
— Ei Vic...
— Tophie... — Murmurou.
— Não precisava ter dormido aqui, tenho um quarto de hóspedes...
— Eu desmaiei. — Se espreguiçou.
— Você ainda gosta de waffles? — Chris se sentou na beirada do sofá. — Eu sei fazer, não tão bons quanto os da sua mãe, mas posso tentar se quiser.
— Não se preocupa comigo, eu já vou indo...
— Não, nada disso. — Christopher se levantou. — Você me levou para a cama ontem, não foi?
— Deus! Como soa estranho com você falando em voz alta! — Riu. — Mas sim, te carreguei no colo, você dormia como um bebê...
— Desculpe por isso, sei que não sou nada leve. — Gargalhou. — Vem, levanta.
Estendeu a mão e Victor a agarrou, num impulso para levantar.
Foram para a cozinha e assim fizeram um lanche, Christopher trabalharia dali uma hora e Victor tinha que ir a clínica em breve. Conversaram poucas coisas naquela manhã, ainda estavam um pouco constrangidos com o dia anterior.
Depois do café da manhã improvisado, o médico se despediu com um beijo na bochecha de Chris e assim foi embora, deixando Christopher pensativo
...♕...
A manhã de terça-feira foi melhor para Theodore do que o dia anterior. Embora ainda estivesse um pouco chateado por ter visto a foto de Christopher com um homem desconhecido, aquilo só tinha o deixado ainda mais determinado.
Ao tomar um banho e voltar para o seu quarto, se arrumou ainda melhor do que os outros dias. Vestiu roupas de marcas caras, que sua mãe havia comprado somente para situações especiais.
Colocou sua jaqueta de couro Hugo Boss, com um suéter azul escuro por baixo, que combinava com suas calças, calçou um par de coturnos marrons e finalizou passando seu perfume francês de Christian Dior.
Olhou no espelho confiante, viu que seu penteado estava do jeito que gostava: arrepiado e desalinhado. Deu um sorriso, não podia negar que pararia o trânsito daquela maneira.
Depois tomou o café da manhã tranquilo, principalmente por não ter a presença incômoda de Sidney.
Sua mãe o ofereceu uma carona para a escola e não demoraram muito para irem ao carro.
Durante o trajeto, ela lhe chamou:
— Theo, você anda muito fechado ultimamente, não fala mais comigo...
— Impressão sua.
— Não é Theodore, eu sei o que está acontecendo. — Fez uma pausa breve, mas tempo suficiente para fazer o coração do garoto disparar. — Você está com ciúmes do Sid, não é?
— Ciúmes? — Riu, um tanto aliviado. — Não, de onde tirou isso?
— Sei que você não gosta dele.
— Não mesmo.
— Por que, filho?
— Porque ele é um babaca...
— Não fale isso.
— Tanto faz. — Bufou.
— Ele é um homem educado e também muito romântico...
— Você quer que eu vomite logo pela manhã?
— Bobinho. — Alba riu. — Você está bonito, tá paquerando alguma menina?
— Não exatamente. — Theodore sorriu.
— Depois quero saber mais sobre isso, viu? — Ela estacionou, vendo o filho descer. — Juízo!
— Até! — O garoto bateu a porta.
Assim Theodore continuou caminhando, entrando na escola e logo iniciando suas aulas.
...♕...
No intervalo do almoço, Nicholas avistou o garoto sardento de longe, correu até ele e o cumprimentou. Eles caminharam até o exterior da escola, onde costumavam passar todos os intervalos juntos. Sentaram-se na grama e retiraram seus lanches da embalagem.
— Tenho uma novidade, Theo... — Nick iniciou o assunto.
— Sério? Conta aí!
— Bom, você se lembra de quando estávamos falando da sua aula de matemática avançada?
— Lembro sim, por quê?
— Eu fiz a prova e me aceitaram! Vou entrar para a sua turma!
— Jura? Isso é demais! Mesmo!
— Eu nunca imaginei que conseguiria, mesmo sendo apaixonado por cálculos, meu lance mesmo era desenhar... — Sorriu. — Mas quando vi que passei, fiquei animado de novo...
— Eu estou feliz por você também, mas principalmente porque vou ter alguém para conversar! Na minha sala ninguém senta comigo! — Riu.
— Eu te faço companhia, sei que você é estranho, mas eu faço esse esforço.
— Ei! — Deu um tapa fraco no ombro de Nicholas.
— É brincadeira. — Gargalhou.
— Eu sei, idiota! — Brincou. — Mas quando você começa?
— Hoje mesmo, o resultado saiu ontem...
— Sério? Achei que essas coisas demoravam...
— Eu também! Mas você terá que me falar onde fica a classe...
— Eu ia falar isso agora, mas não se preocupa, é só na última aula.
Ouviram o sinal despertando-os para o fim do almoço. Levantaram-se, teriam mais duas aulas até se encontrarem novamente, mas o tempo não demorou a passar.
Quando a última aula finalmente chegou, Theodore se encontrou com o amigo que o esperava no corredor, assim guiaram-se até a sala de matemática. Quando entraram, Theo se sentou na primeira fileira e como era uma carteira dupla, Nicholas se ajeitou ao seu lado.
Christopher observou os dois garotos que se sentavam em sua frente, um deles era desconhecido, tinha os cabelos castanhos, escorridos para o lado, com um piercing nos lábios e trajava-se inteiramente de preto. Tipicamente emo. Já o outro conhecia tão bem que lhe dava calafrios quando o via.
O coração do garoto sardento acelerou quando o professor olhou em sua direção.
“Será que era por interesse ou um olhar comum? Sua boca esboçava um sorriso, mesmo que mínimo? Ou era somente sua imaginação?” Não conseguia parar de pensar em todas as probabilidades possíveis, Theodore queria mais do que tudo a atenção daquele homem novamente sobre si.
Nick se aproximou para lhe dizer algo, lhe mostrando o caderno de desenhos e Theo pode novamente notar os olhos de Christopher sobre si. Deu um sorriso com aquilo, mesmo que mal prestasse atenção no que Nicholas falava, sabia uma maneira de não passar despercebido ao professor.
Continuou próximo do amigo, Theodore mordeu o lábio inferior enquanto Nick sussurrava alguma piada sobre esboços, mas fingia que ouvia a coisa mais pervertida de toda a sua vida. Sabia que não tinha nada que intrigava alguém mais do que expressões e o sardento poderia abusar muito bem das suas.
Mesmo que Nicholas não fazia ideia do que estava acontecendo, saiu detrás da orelha do amigo e não notou o sorriso pervertido que ele tinha em seu rosto. Não demorou muito tempo e logo lembrou-se de que havia comprado algo para Theo. Colocou a mão em seu bolso e retirou uma barra pequena de chocolate, entregando ao sardento.
O professor olhou atentamente para aquilo, tentando relevar, mas não pode negar que um bocado de curiosidade lhe percorreu a espinha quando viu Theodore mudar sua expressão drasticamente. Queria saber mais do que tudo o que o instigava tanto, entender o porquê de tanto erotismo em seu olhar.
“Do que estariam conversando?”
Minutos depois, todos os alunos chegaram, Christopher tinha se aproximado da lousa para ficar o mais distante possível de Theo, toda vez que trocavam olhares era como se faíscas saíssem. E ele ainda não conseguia distinguir o ódio da tensão sexual.
Passou alguns exercícios, explicando-os brevemente e deu alguns passos adiante, respirando fundo.
Enquanto tentava recuperar o fôlego, se deparou com algo que tirou todo o oxigênio de seus pulmões; Theodore tirava a embalagem do chocolate e o mordia vagarosamente, deixando seus lábios levemente lambuzados.
Desviou o olhar, tentando se desvencilhar da imagem que estava fixa em sua mente.
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