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17 Capítulo 17 — Peçonhento.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 17 — Peçonhento.

Narrado por Theodore

Era quinta-feira. Christopher ainda não havia aparecido na escola, eu não cansava de me perguntar o que havia acontecido com ele, a vontade de ligar e de lhe mandar mensagens era imensa, mas sabia que tinha que me segurar...

Estava decidido que tentaria fingir que nunca existi para ele, assim como ele pediu, mas meu coração doía, achei que com o passar dos dias ficaria mais fácil suportar aquela dor.

Chegando em casa, tomei um banho e me troquei para me encontrar com Emmet e Michael em uma lanchonete que havíamos combinado. Não seria uma ocasião formal, então, eu poderia colocar uma roupa simples. Escolhi uma blusa branca de manga longa e uma calça jeans de lavagem escura; era confortável e o clima estava agradável lá fora.

Ao terminar de me trocar, sentei na cama para calçar o tênis e por um minuto peguei em meu celular. No meu plano de fundo ainda estava uma foto minha e de Chris, suspirei ao vê-la, meu coração apertou.

Fiquei tenso quando recebi uma mensagem de Emmet, dizendo que já estavam chegando no local. Dei uma última ajeitada no cabelo e passei minha colônia; assim saí de casa e caminhei algumas quadras, pegando um táxi.

O nervosismo me dominava enquanto tentava imaginar que tipos de perguntas eles fariam, porque sabia bem que eles não eram nada discretos, também ficava receoso em saber que em poucos minutos me encontraria com eles.

O que eles diriam quando descobrissem toda a verdade? Afinal, eu não havia mentido somente para Christopher, mas para eles também.

“Mentira.”

Ainda soava tão forte para mim, mas não deixava de ser a palavra correta a se usar.

Meu coração voltou a disparar quando cheguei, o carro parou em frente à lanchonete, paguei o taxista e me retirei. Adentrei o local e logo senti minhas mãos suarem, olhei tudo em volta, procurando-os.

Reparei a decoração rústica, a madeira estava presente nos pisos e mesas, a iluminação era amarela e confortável, nas paredes, quadros davam um toque a mais, deixando o lugar ainda mais aconchegante.

—Theodore!

Ao ouvir meu nome, olhei para o lado e me deparei Michael e Emmet sentados, ambos acenando para que eu me aproximasse. Dei poucos passos e me sentei do outro lado da mesa, cumprimentando-os.

Eles estavam sentados lado a lado, Michael retirou o braço de trás do pescoço de Emmet quando me cumprimentou, aquilo me fez imaginar se eles tinham algo entre si, já que pelo o que o Chris me contou sobre eles era muito vago.

Sempre que os via, estavam juntos, de mãos dadas, trocavam olhares indiscretos, mas não demonstravam sentimentos em voz alta nem nada que declarasse de que tinham um relacionamento sério.

Parando para pensar por um momento, talvez a relação dos dois era somente de fraternidade, uma intimidade que só amigos de muito tempo, como eu e Susannah, entenderiam.

—Quer comer alguma coisa, Theo? —Michael indagou, mostrando-me o cardápio.

—Não, estou bem...

—Tomamos a liberdade e pedimos um cappuccino para você. —Emmet apoiou os braços sobre a mesa.

—Ah, não precisava. —Sorri.

—Bom, Theo, você já sabe, estamos curiosos para saber o que houve... —Michael se apressou.

—Certo, certo. —Respirei fundo, pensando por onde começaria.

Olhei para o lado, vendo uma moça se aproximar com uma bandeja em mãos e esperei que ela terminasse de colocar as canecas sobre a mesa.

—Este é cortesia da casa. —Ela nos serviu um prato de biscoitos. —Bom apetite.

A moça se retirou e olhei para a fumaça que saía da caneca de cappuccino à minha frente. Senti que os amigos do Chris não tiravam os olhos de mim, mas mesmo que eu me esforçasse, as palavras não se formavam na minha mente, era como se minha garganta tivesse dado um nó.

—Então, Theodore, eu nunca vi Christopher daquela maneira... —Michael quebrou o gelo.

—A última vez que o vi foi na terça... Ele está bem? —Foi tudo o que consegui dizer.

—Ainda está vivo, se quer saber. —Emmet zombou.

—Ele tá um lixo... —Michael entrelaçou os dedos, olhando fixamente para mim. —Por favor, você tem que nos contar o que aconteceu...

—Eu sei que vocês vão querer me matar. —Olhei para baixo. —É que eu tenho...

—Você tem o quê? —Perguntaram, em uníssono.

—Eu tenho... —Enxuguei minhas mãos na calça. —Dezesseis anos...

Eles riram, mas quando olharam para mim e viram minha expressão séria, o silêncio tomou conta, eles estavam boquiabertos e espantados.

—Dezesseis? —Michael perguntou, ainda sem acreditar.

—Você tá brincando, né? —Emmet levantou uma das sobrancelhas.

—Eu queria estar. —Suspirei.

—M-Mas como... Por quê?

Tomei coragem e assim os encarei.

—Tudo começou quando eu tive que mentir a idade para poder participar do site que nos conhecemos. Mas para falar a verdade, eu nunca imaginei que um homem maravilhoso como o Christopher daria trela para mim... —Sorri por poucos segundos. —Então quando nos encontramos pessoalmente, eu não tive coragem de contar, ele ficava me dizendo a todo o momento o quanto detestava mentiras e que admirava pessoas sinceras, então... —Recuperei o fôlego. —Me senti encurralado e fui deixando me levar por isso, ficando em um caminho sem volta...

Eles nada disseram, então continuei:

—Eu me senti mal, tentei me afastar dele depois disso, porque eu sabia que tínhamos sete anos de diferença e que ele nunca ficaria comigo se soubesse minha idade, mas para a minha surpresa, ele apareceu em casa, querendo entender o porquê de eu ter me afastado... Assim que eu olhei para ele, não resisti, não queria que ele se decepcionasse, queria ser o namorado perfeito que ele precisava...

Meus olhos lacrimejaram.

Era um pouco complicado falar daquilo novamente, mas a conversa continuou, minha garganta cismava em travar em alguns momentos, mas como eles pediram, acabei contando sobre o momento que Christopher descobriu toda a verdade.

Como era de se esperar, eles ficaram surpresos, permaneceram em silêncio por um ou dois minutos antes que Emmet fizesse um comentário, ainda não acreditando no que eu havia contado.

—Theodore, sei que não podemos te julgar, só que mesmo sabendo dos seus motivos, você não pode esperar que te defendam, porque você mentiu sobre algo muito importante, você fez o que o Christopher mais odeia.

—Sim, eu sei. —Murmurei. —E eu me arrependo muito...

—Tenho certeza que sim, seria um idiota se não se arrependesse, Chris é um homem bom, ele não merece isso. —Emmet ergueu os ombros.

—Garoto, acho que já vamos indo... —Michael se levantou.

—Espera! —Peguei em seu braço.

—O que foi?

Quando me toquei que o tinha o apertado com força, soltei-o aos poucos, desviando o meu olhar do dele.

—Eu queria pedir um favor, se fosse possível... —Falei, baixinho.

—Pode falar.

— Sabe, eu estou preocupado com o Chris, mas se eu mandar mensagens, ele não irá me responder... Então, já que vocês têm o meu número, poderiam somente me falar se Christopher está bem? —Senti uma pontada em meu peito novamente.

—Olha Theo, é melhor desistir do Chris de vez, sabe, já foi, já aconteceu.

—Eu sei que ele não vai me perdoar, que não tenho mais chances com ele, só queria ter notícias dele de vez em quando...

—Sinto muito Theo, mas não. —Michael me olhou enquanto Emmet se levantava.

—E outra, se ele continuar a dar aulas na sua escola, vão continuar se vendo, então não será necessário. —Emmet rebateu.

Balancei a cabeça afirmativamente, não estava mais com forças para argumentar, não era tão fácil como eles imaginavam, mesmo que voltasse a ver Christopher, não seria como antes.

Assim eles se retiraram e permaneci sozinho na mesa, estático, olhando para a caneca ainda cheia. Senti como se minha cabeça fosse explodir, o que não era uma surpresa, aquilo sempre significava que eu estava perturbado, pensando em um milhão de coisas ao mesmo tempo.

Eles não olharam para trás quando passaram pela porta, será que agora eles também me odiavam?

...♕...

Eram quase cinco horas da tarde, minha mãe ainda demoraria a chegar, no entanto, quando entrei em casa e tranquei a porta da frente, ouvi um barulho vindo do fim do corredor. Dei poucos passos, tendo a certeza de que os sons vinham do escritório dela, o que era estranho.

Ouvi vozes, o que me deixou ainda mais intrigado, aos poucos me aproximava, com passos lentos e silenciosos. Ao chegar na porta, que estava entreaberta, notei que era Sidney em uma conversa com alguém no celular, ele parecia procurar algo.

—Eu tenho que achar, deve estar aqui em algum lugar... —Sidney revirava as gavetas. —Não, você não entende! Essa mulher é cuidadosa demais para deixar as coisas no trabalho, já olhei por todas as partes, só pode estar aqui!

Meu coração disparou, o que será que ele tanto procurava ali?!

Aquele homem planejava algo, eu sentia nas minhas veias desde o início de que ele não estava saindo com minha mãe à toa. Continuei observando, ele mexia e remexia nos papeis, abria os organizadores de documentos e olhava os dossiês.

Dei um passo para trás quando Sidney virou, seus olhos se encontraram com os meus e não pude conter o espanto.

—Tenho que desligar. —Ele guardou o celular no bolso. —Escutando a conversa dos outros?

Minha boca secou, minhas mãos congelaram, dei mais dois passos para trás, sendo seguido por ele. Quando notei de que ele fechou os punhos e não deixaria aquilo barato, tratei de me apressar e sair dali.

—O viadinho vai fugir agora?!

Corri até meu quarto, mesmo assim, quando olhei para trás, ele foi mais rápido.

—Escuta aqui, garoto. —Senti seus dedos se enroscarem com força em meus cabelos e me impedirem de continuar a andar.

Ele chocou meu corpo contra a parede.

—Eu já disse para você ficar esperto, não disse?! —Suas mãos se fecharam ainda mais nos fios.

Minha respiração estava falhada, ele puxou meus cabelos com força, me forçando a olhar para o seu rosto nojento.

—O que você estava fazendo no escritório da minha mãe?! —Ralhei, tirando suas mãos da minha cabeça.

—Huh, Theodore... —Ele soltou um muxoxo de reprovação. —Você não faz ideia de onde está se enfiando. É melhor tomar cuidado, está se metendo com gente grande...

—Gente grande? —Provoquei. —Se refere a você?

—Como você é ingênuo... —Ele tocou meu queixo e dei um tapa em sua mão.

A expressão dele mudou, o sorriso de deboche desapareceu de seu rosto.

—Me refiro àquelas pessoas que querem que meu trabalho seja feito, que não se importam de quantas pessoas tenham que ser pisadas para que ele seja concluído. E no seu caso, você seria um inseto no meio do meu caminho. Já sabe que se não colaborar, será esmagado...

—Eu não tenho medo de você, nem das babaquices que você fala! —Empurrei-o.

—Tem certeza? —Ele levou uma de suas mãos ao cós de sua calça, retirando de dentro dela um objeto metálico.

Um frio percorreu minha espinha.

—Agora decidiu ficar calado? —Ele encostou o cano da pistola em meu pescoço.

Engoli seco, sentindo o metal pressionar minha garganta.

—Não é só você que está em apuros garoto, se continuar se intrometendo onde não foi chamado, pode dizer adeus à sua mãe... —Um novo sorriso brotou em seu rosto. —E sei o que está se perguntando agora... Se eu a amo, não é? É claro que não, não seja idiota.

Cerrei os olhos. Sidney destravou a tranca de segurança arma, senti o estalo em minha pele. Meu estômago embrulhou, não sabia o que estava sentindo naquele momento, queria vomitar, a raiva era tanta que me dava ânsia.

Meu corpo tremia, sentia gotas geladas de suor descerem pela minha testa, ele continuou a me encarar, apreciando minha agonia. Minha aflição era tanta, que por um momento desejei que ele realmente apertasse o gatilho.

Sidney me encarou, com sadismo em seus olhos.

—Olha só como você fica bonzinho assim...

Venenoso, essa era a definição perfeita para ele.

Uma víbora peçonhenta que não se satisfaria até que a última gota de caos seja plantada. Capaz de devorar todos ao seu redor, sem dó nem piedade.

Notas finais